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Teresópolis

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 Nota: Para outras cidades contendo este nome, veja Teresópolis (desambiguação).
Teresópolis
Vista parcial do Centro, com o pico Dedo de Deus e as demais montanhas que formam a Serra dos Órgãos ao fundo.
Vista parcial do Centro, com o pico Dedo de Deus e as demais montanhas que formam a Serra dos Órgãos ao fundo.
Vista parcial do Centro, com o pico Dedo de Deus e as demais montanhas que formam a Serra dos Órgãos ao fundo.
Hino
Gentílicoteresopolitano[1]
Localização de Teresópolis no Rio de Janeiro
Localização de Teresópolis no Rio de Janeiro
Localização de Teresópolis no Rio de Janeiro
Teresópolis está localizado em: Brasil
Teresópolis
Localização de Teresópolis no Brasil
Mapa
Mapa de Teresópolis
Coordenadas: 22° 24′ 43″ S, 42° 57′ 57″ O
PaísBrasil
Unidade federativaRio de Janeiro
Municípios limítrofes
Norte: Sapucaia;
Noroeste: São José do Vale do Rio Preto;
Nordeste: Sumidouro;
Leste: Nova Friburgo
Sudeste: Cachoeiras de Macacu;
Sudoeste: Petrópolis;
Sul: Guapimirim.
Distância até a capital94 km
Fundação6 de julho de 1891 (135 anos)
Distritos
Lista
Governo
 • Prefeito(a)Leonardo Vasconcellos (UNIÃO, 2025–2028)
Área
 • Total [1]773,338 km²
 • Urbana  IBGE/2019[2]54,014 km²
Altitude(IBGE/2003[3])871 m
População
 • Total (Censo de 2022) [1]165 123 hab.
 • PosiçãoBR: 181º; RJ: 20º
 • Estimativa (2025[4])176 735 hab.
Densidade213,5 hab./km²
ClimaOceânico de altitude (Cfb)
Fuso horárioHora de Brasília (UTC−3)
IDH (PNUD/2010[5])0,730 — alto
 • PosiçãoRJ: 25º
PIB (IBGE/2023[6])R$ 7 104 545,886 mil
 • PosiçãoBR: 233º
 • Per capita (IBGE/2023[6])R$ 43 025,78
Sítioteresopolis.rj.gov.br (Prefeitura)
camarateresopolis.com.br (Câmara)

Teresópolis é um município brasileiro localizado no interior do estado do Rio de Janeiro, a aproximadamente 94 km da capital estadual. Inserido na Serra Fluminense, integra a Região Geográfica Intermediária de Petrópolis e possui área total de pouco mais de 770 km², dos quais cerca de 54 km² correspondem à zona urbana. Com elevação de 871 metros, é o município mais alto do estado.[3] Sua população segundo o censo de 2022 do IBGE é de 165 123 habitantes.

A ocupação do território antecede a chegada dos colonizadores europeus, sendo originalmente habitado por grupos indígenas como Puris e Tamoios. A região também foi utilizada como rota e refúgio por negros que escapavam das plantações da Baixada Fluminense, processo associado à formação de agrupamentos resistentes na Serra, entre eles o Quilombo da Serra, considerado pela historiografia como o primeiro núcleo populacional local.

O avanço do povoamento consolidou-se a partir do século XIX, quando o comerciante luso-britânico George March adquiriu terras na área onde atualmente se localiza o bairro do Alto e instalou a Fazenda Santo Antônio, situada no caminho entre o Rio de Janeiro e a então Província de Minas Gerais. A fazenda tornou-se ponto de apoio para tropeiros e viajantes, favorecendo o crescimento do distrito de Santo Antônio de Paquequer. A emancipação municipal ocorreu em 6 de julho de 1891, por decreto do governador Francisco Portela, desmembrando o território de Magé.[7] A implantação da ferrovia com ligação direta à capital, posteriormente substituída pela rodovia, impulsionou o desenvolvimento econômico e urbano de Teresópolis.

O município é caracterizado pelo relevo montanhoso e pela presença de unidades de conservação de relevância nacional, como o Parque Nacional da Serra dos Órgãos, o Parque Estadual dos Três Picos e o Parque Natural Municipal Montanhas de Teresópolis. Sua economia e identidade cultural estão fortemente associadas ao turismo, com destaque para atividades ao ar livre, infraestrutura hoteleira e eventos. Teresópolis também abriga o Centro de Treinamento da Seleção Brasileira de Futebol, uma tradicional feira de artesanato com mais de 700 expositores e bens de interesse histórico e arquitetônico, como a Matriz de Santa Teresa, a Igreja de Santo Antônio do Paquequer, o Palacete Granado, o Palácio Teresa Cristina, o Mirante da Granja Guarani e a Fonte Judith.

Etimologia

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O nome "Teresópolis" é formado pela junção do antropônimo "Teresa" com o termo de origem grega pólis, significando, portanto, “cidade de Teresa”. Trata-se de uma homenagem à imperatriz brasileira Teresa Cristina, esposa do Imperador D. Pedro II.[8]

História

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Origens e povoamento

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Antes da chegada dos primeiros portugueses à região de Magé, no século XVI, o território era ocupado por indígenas dos grupos Timbira, Tamoio[9] e Temiminó, ligados à tribo de Arariboia. Esses povos eram pejorativamente chamados por seus inimigos de "maracajás".[10] Na porção mais elevada, correspondente à atual Serra dos Órgãos e, portanto, à área de Teresópolis, havia também presença dos Guaranis, além de outros grupos associados às regiões montanhosas do Sudeste brasileiro.

Além disso, formou-se na região o chamado Quilombo da Serra, constituído por indígenas e africanos fugitivos, que se organizaram em comunidades nas matas da serra e resistiram à repressão colonial entre meados do século XVII.[11] Essas comunidades distribuíam-se por áreas extensas entre a Serra dos Órgãos e vales fluviais adjacentes, mantendo relações de cooperação e estratégias de resistência frente à expansão colonial.[12]

Durante o século XVIII, diversas trilhas foram abertas na subida da serra a partir de Guapimirim, com destino à área onde hoje se localiza o bairro de Três Córregos, no Segundo Destrito. Um desses caminhos passava pela Garganta Maria da Prata (atualmente na área do Parque Estadual dos Três Picos) e seguia até Canoas. Outro trajeto atravessava as regiões do Soberbo e do Garrafão (em percurso próximo ao da BR-116, dentro do Parque Nacional da Serra dos Órgãos) e chegava a Boa Vista e Paquequer, área correspondente ao atual bairro do Alto.[13]

A primeira descrição oficial da região onde hoje se encontra Teresópolis foi realizada em 1788 por Baltazar Lisboa, então juiz de fora do Rio de Janeiro, por determinação do Ministro e Secretário dos Negócios Ultramarinos.[14] Considerada um dos primeiros registros sistemáticos da região, essa descrição menciona as características da serra e um suposto "sertão" situado na área onde atualmente se encontra a Cascata do Imbuí.

Posteriormente, a região foi descrita por viajantes e naturalistas europeus dos séculos XVIII e XIX, cujos relatos constituem fontes relevantes para o conhecimento histórico inicial da área.[15]

George March e sua fazenda

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Representação da Serra dos Órgãos em 1869.

Desde o início do século XIX, após a colonização, os ingleses destacaram-se entre os primeiros estrangeiros a se estabelecerem no Brasil, aproveitando as condições favoráveis de comércio com Portugal, intensificadas a partir de 1808 com a abertura dos portos. Nesse contexto, a Inglaterra consolidou-se como principal parceira comercial portuguesa, concentrando grande parte das transações econômicas.[16] Tal cenário favoreceu a atuação de comerciantes britânicos, que obtiveram elevada lucratividade por meio de atividades comerciais, associações com empresários locais e vínculos familiares.[17]

George March, nascido em 1788, foi um desses imigrantes britânicos que se estabeleceram no Brasil, fixando-se inicialmente na região da Praça Mauá, no Centro do Rio de Janeiro, onde, em 1813, fundou a firma Barker & March, voltada à importação de produtos industriais ingleses. Posteriormente, passou a residir em Botafogo e, por volta de 1818, arrendou a fazenda de Sant’Anna do Paquequer, localizada na Serra dos Órgãos, então pertencente a Magé.[18] A propriedade abrangia quatro sesmarias e, após sua aquisição definitiva, tornou-se conhecida como Fazenda March, núcleo inicial da ocupação da área que hoje corresponde ao bairro do Alto.[19]

March construiu a sede da fazenda inspirando-se em modelos arquitetônicos europeus e transformou a propriedade em uma fazenda-modelo, com produção diversificada de legumes, verduras e cereais, além da criação de animais, incluindo cavalos em sistema de coudelaria.[20] A utilização de mão de obra escravizada foi fundamental para o funcionamento da propriedade, prática comum nas grandes fazendas do período.[21]

Ao longo das décadas seguintes, a fazenda alcançou significativo desenvolvimento. Relatos de viajantes estrangeiros, como Walsh e Gardner, descrevem extensas áreas de cultivo e criação de animais, bem como a produção de hortaliças destinadas ao abastecimento do mercado do Rio de Janeiro, transportadas regularmente por tropas de animais.[22][18] Essa atividade agrícola contribuiu para inserir a região no circuito econômico da capital e marcou o início de sua vocação hortigranjeira, característica que persiste até a atualidade.[23]

O acesso à fazenda era realizado por caminhos precários na serra, percorridos principalmente por cavalos e mulas, utilizados tanto no transporte de mercadorias quanto no deslocamento de pessoas. A propriedade contava com numerosa população escravizada, distribuída em senzalas e habitações rudimentares, evidenciando as condições sociais do período.[24]

A fazenda também se tornou ponto de encontro de viajantes, naturalistas e membros da elite imperial, que registraram em diários e ilustrações suas impressões sobre a região, especialmente acerca da Serra dos Órgãos e suas formações rochosas características.[25]

Morte de March e desenvolvimento

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Vista da freguesia de Teresópolis em 1885.

George March faleceu em 1845. Nos anos seguintes, seus herdeiros iniciaram o processo de divisão das terras da antiga fazenda de Sant’Anna do Paquequer, com o auxílio de seus tutores John Fulding, John Prince James e Richard Heath,[25] consolidado a partir de 1850.[26]

Grande parte das terras foi adquirida por integrantes da firma Antônio Fernandes Coelho & Cia, que passaram a revendê-las em lotes a interessados oriundos principalmente do Rio de Janeiro, incentivando a ocupação da região serrana. Entre os compradores destacou-se o coronel Polycarpo José Álvares de Azevedo, natural de Guapimirim,[27] que adquiriu terras próximas à antiga sede da fazenda e promoveu iniciativas que contribuíram para a formação do primeiro núcleo urbano local.[25]

Seguindo a tradição já estabelecida desde o período de George March, a região passou a consolidar-se como local de repouso e veraneio para habitantes da capital, favorecida pelo clima ameno e pela paisagem serrana. Esse processo impulsionou o surgimento de pequenos povoados nos terrenos loteados, dando início a um desenvolvimento gradual da localidade. Como resultado desse crescimento, a área foi elevada à categoria de freguesia em 25 de outubro de 1855, por meio do Decreto Provincial nº 829, passando a denominar-se Santo Antônio do Paquequer e sendo oficialmente incorporada ao município de Magé. Esse marco representou a formalização administrativa do povoamento, consolidando a região como núcleo estruturado no interior da província.[28]

Emancipação e configuração administrativa

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Assinatura de contrato entre o governador do estado Francisco Portela (6) e a empresa Estrada de Ferro Therezópolis em 7 de julho de 1890.

Em 16 de junho de 1890, foi firmado um acordo entre o governo do estado e os empresários Jerônimo Roberto de Mesquita e Domingos Moitinho, autorizando-os a executar a construção de linhas férreas destinadas à integração do território fluminense, com concessão válida por 70 anos e garantia de juros sobre o capital investido.[29] Esse acordo foi oficializado em 7 de julho de 1890, quando o governador Francisco Portela assinou contrato com a empresa Estrada de Ferro Therezópolis, prevendo não apenas a construção da ferrovia, mas também a implantação de infraestrutura urbana.[30]

O projeto previa a ligação entre Niterói e a região da Várzea, onde seria estabelecido o núcleo da futura cidade, além da instalação de serviços como saneamento básico, iluminação pública, bondes e redes telegráficas e telefônicas.[31] A iniciativa inseria-se no contexto da expansão econômica e das políticas de modernização do início da República, estando associada à atuação de grupos empresariais e ao capital financeiro da época.[32]

A cerimônia de assinatura contou com a presença de figuras influentes, como Godofredo Xavier da Cunha e Nicola Antonio Facchinetti, e simbolizou o início do projeto de fundação da cidade, que incluía, inclusive, a possibilidade de transferência da capital do estado para a localidade - proposta defendida por Francisco Portela desde o período imperial.[31][33]

A emancipação político-administrativa ocorreu em 6 de julho de 1891, por meio do decreto estadual nº 280, que elevou Santo Antônio do Paquequer à categoria de município, com a denominação de Teresópolis, em homenagem à imperatriz Teresa Cristina, esposa de D. Pedro II.[28][34]

No mesmo ato, foi criado o distrito de Santa Rita, ao qual se somou posteriormente o distrito de Sebastiana, desmembrado de Nova Friburgo, consolidando a divisão administrativa inicial do município, que permaneceu com três distritos.[34]

Entretanto, apesar das expectativas geradas, o projeto de desenvolvimento urbano e ferroviário não se concretizou conforme planejado. Nos anos seguintes, verificou-se a paralisação das obras, atribuída, entre outros fatores, ao uso inadequado de parte do capital da empresa em estudos e instalações que não se mostraram viáveis.[35]

Diante desse cenário, o governo estadual, sob a administração de José Tomás da Porciúncula, promoveu alterações contratuais, reduzindo os benefícios concedidos à companhia e redirecionando o projeto político de interiorização da capital, que acabou sendo transferida para Petrópolis.[35]

Chegada do trem e expansão econômica

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Fotografia do Alto em 1911, principal bairro de Teresópolis em seus anos iniciais.

Durante o século XIX, o trem consolidou-se como principal meio de transporte em diversas partes do mundo, desempenhando papel fundamental na integração territorial e no desenvolvimento econômico. No estado do Rio de Janeiro, pioneiro no transporte ferroviário no Brasil, destacou-se a Estrada de Ferro Therezópolis, que partia do porto da Piedade, na Baía de Guanabara, e seguia até o distrito de Guapimirim, atravessando o município de Magé.[36]

Até o início do século XX, a estação de Guapimirim funcionava como ponto final da linha, quando foram iniciadas as obras para a transposição da Serra dos Órgãos, trecho que exigiu soluções técnicas específicas devido ao relevo acidentado.[32]

A expansão ocorreu de forma gradual, alcançando Barreira em 1904, Miudinho em 1905 e, finalmente, as regiões do Garrafão e do Alto em 1908, quando a ferrovia chegou a Teresópolis e foi inaugurada oficialmente a estação terminal.[37]

A chegada do trem representou um marco no desenvolvimento da região, facilitando o transporte de passageiros e mercadorias e promovendo a integração de Teresópolis com a capital. A ferrovia contribuiu diretamente para o crescimento urbano, a valorização imobiliária e a consolidação da cidade como destino de veraneio, inserindo-a no circuito econômico fluminense.[32]

Em 1919, a ferrovia passou à administração da Estrada de Ferro Central do Brasil, sendo posteriormente prolongada até a região da Várzea, onde foi instalada uma nova estação terminal nas décadas seguintes, ampliando a integração urbana e econômica do município.[32]

Posteriormente, o ramal foi incorporado à Estrada de Ferro Leopoldina, integrando-se a uma rede ferroviária mais ampla que conectava o interior fluminense à capital.[32]

A ferrovia permaneceu como principal eixo de transporte até meados do século XX. Em 9 de março de 1957, ocorreu a última viagem do trem no trecho da serra, marcando o encerramento de suas atividades e o início da substituição pelo transporte rodoviário.[38]

Esse processo esteve associado à consolidação de um novo modelo de mobilidade baseado em rodovias, especialmente com a implantação da ligação entre a região serrana e a capital, posteriormente integrada ao traçado da Rodovia Santos Dumont (BR-116). A mudança redefiniu os fluxos econômicos e contribuiu para o declínio do transporte ferroviário na região.[39]

Crescimento urbano e desenvolvimento regional

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Vista do bairro do Alto a partir da Colina dos Mirantes, em 1971.

A partir da década de 1960, Teresópolis passou por um processo de crescimento urbano mais acelerado, impulsionado pela consolidação das ligações rodoviárias com a capital fluminense e pela expansão demográfica observada em diversas cidades brasileiras durante o período.[40] A ampliação da malha urbana ocorreu principalmente em direção às áreas periféricas da cidade, acompanhando o aumento da demanda por habitação, infraestrutura e serviços públicos.

Nesse contexto, a administração municipal criou, em 1960, a Superintendência de Fundos Especiais Municipais (SUFEM), órgão voltado à implementação de políticas habitacionais e à urbanização de áreas ocupadas pela população de baixa renda.[41] A atuação da autarquia esteve associada à desapropriação e distribuição de terrenos, contribuindo para a consolidação de bairros populares e para a ampliação do espaço urbano do município nas décadas seguintes.

Ao longo das décadas de 1960 e 1970, a economia local passou a apresentar crescente predominância dos setores de comércio, serviços e turismo, acompanhando a substituição definitiva do modelo ferroviário pelo transporte rodoviário regional.[42] Nesse período, Teresópolis consolidou-se como destino turístico da Região Serrana fluminense, atraindo visitantes principalmente da cidade do Rio de Janeiro em razão do clima ameno, da paisagem montanhosa e da proximidade com a capital.

A expansão urbana foi acompanhada pela valorização e crescimento de bairros como Alto, Várzea, Agriões e São Pedro, que passaram a concentrar parte significativa da atividade comercial e residencial do município.[43] Durante esse processo, o município ampliou sua rede de serviços públicos e fortaleceu sua função regional nas áreas de educação e saúde.

Em 1966, foi criada a Fundação Educacional Serra dos Órgãos (FESO), instituição voltada ao ensino superior e à formação profissional na região serrana fluminense.[44] Nas décadas seguintes, a instituição expandiu suas atividades acadêmicas e assistenciais, consolidando Teresópolis como polo regional de educação superior e serviços de saúde.

Paralelamente ao crescimento urbano, a atividade agrícola manteve importância econômica sobretudo nos distritos rurais e nas localidades situadas ao longo da rodovia RJ-130, eixo de ligação entre Teresópolis e Nova Friburgo.[45] A região destacou-se pela produção hortifrutigranjeira destinada ao abastecimento da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, ao mesmo tempo em que atividades ligadas ao turismo rural e gastronômico passaram a ganhar relevância econômica.

Nas décadas de 1980 e 1990, Teresópolis apresentou continuidade no crescimento populacional e na expansão do setor terciário, acompanhando o processo de descentralização econômica observado em municípios do interior fluminense próximos à Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Durante esse período, o município consolidou sua posição como um dos principais centros urbanos da Região Serrana, ampliando sua relevância regional nas áreas de comércio, educação, saúde e turismo.[45]

Geografia

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A área total do município é de 770,601 km², sendo que 54,014 km² estão em área urbana.[2] De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),[46] o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária e Imediata de Petrópolis. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião Serrana, que por sua vez estava incluída na mesorregião Metropolitana do Rio de Janeiro.[47] Informações mais recentes do IBGE indicam que a área territorial do município permanece próxima de 773,338 km², conforme atualização oficial.[48]

Relevo e hidrografia

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O seio da Mulher de Pedra é um dos pontos mais altos de Teresópolis.
Trecho do Rio Paquequer nas proximidades de sua nascente.

O relevo do município é predominantemente montanhoso e apresenta ondulações, com resquícios de domínio de morros e de serras baixas na região oeste e de escarpas serranas nas áreas limítrofes com os municípios de Cachoeiras de Macacu, Guapimirim e, em parte, Magé.[49] As maiores elevações encontram-se nos extremos sul e sudoeste, na região dos maciços da Serra dos Órgãos, e a leste, na área do Parque Estadual dos Três Picos, onde as altitudes superam os dois mil metros.[50] O centro tem altitude média de 871 metros, enquanto o Soberbo tem 972 metros.[3][51]

Essas características geomorfológicas favorecem a prática do montanhismo, atividade tradicional no município. Em função disso, Teresópolis é reconhecida como "Capital Estadual do Montanhismo", conforme a Lei Estadual nº 7.639 de 2017.[52] Em novembro de 2021, o Senado Federal do Brasil aprovou o Projeto de Lei nº 2.399 de 2021, que confere ao município o título de "Capital Nacional do Montanhismo".[53]

A hidrografia do município é caracterizada pelos recursos hídricos superficiais e subterrâneos.[49] Teresópolis integra a bacia hidrográfica do rio Paraíba do Sul, na área de cabeceira do rio Piabanha, que abrange parte do município.[54] Entre os principais recursos hídricos superficiais do município estão os rios Santa Rita, do Príncipe, Paquequer, das Bengalas, Preto, Vargem Grande, da Formiga, Vieira e dos Frades, além dos córregos Sujo e outros tributários.[49] O Paquequer banha a sede municipal; sua nascente localiza-se na região da Pedra do Sino, e ele segue em direção norte até desaguar no rio Preto, afluente do rio Piabanha.[55]

Serra do Cavalo em uma manhã de primavera.
Lago Comary em uma manhã de inverno.

O clima de Teresópolis é classificado como oceânico (ou temperado marítimo), segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),[56] e do tipo Cfb de acordo com a classificação climática de Köppen.[57] A temperatura média anual é de 18 °C, e a pluviosidade média anual é de cerca de 1 650 mm, com maior concentração de chuvas entre os meses de outubro e abril. Os meses mais quentes coincidem com o período mais chuvoso, com pico em janeiro, enquanto os meses mais amenos ocorrem durante a estação seca, com destaque para agosto, que apresenta médias pluviométricas próximas de 40 mm. As estações de transição são o outono, geralmente mais úmido, e a primavera, relativamente mais seca.

As precipitações ocorrem predominantemente na forma de chuva, frequentemente acompanhadas de descargas elétricas e rajadas de vento. A incidência de descargas elétricas é mais elevada durante o verão, especialmente em janeiro, característica típica das chuvas convectivas na região.[58] A umidade relativa do ar média anual situa-se entre 82% e 85%, com variações sazonais.[59]

De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), desde 1973 a menor temperatura registrada em Teresópolis foi de 3 °C, em 9 de junho de 1985.[60] Registros históricos anteriores indicam mínima absoluta de −1,4 °C em 10 de junho de 1933. A maior temperatura registrada foi de 37 °C em 16 de novembro de 2023, durante uma onda de calor.[60] O maior acumulado de precipitação em 24 horas foi de 194 mm em 7 de abril de 2012, seguido por 145,4 mm em 22 de dezembro de 2002, 140,8 mm em 28 de janeiro de 1977 e 140 mm em 15 de fevereiro de 1979 e 24 de janeiro de 2023.[60]

Dados climatológicos para Teresópolis
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano
Temperatura máxima recorde (°C) 35 35,2 34,4 31,7 31 29,7 30,2 32,6 35,4 36,6 37 34,2 37
Temperatura máxima média (°C) 28,1 28,8 27,4 25,5 23 22,6 22,3 23,5 24,3 25,3 25,4 27 25,3
Temperatura mínima média (°C) 19,1 19 18,4 16,5 13,8 12,7 12,1 12,7 14,6 16,3 17,2 18,4 15,9
Temperatura mínima recorde (°C) 11 12,9 11 8,2 5,6 −1,4 3,1 4,8 5,8 6,5 8,1 10,6 −1,4
Precipitação (mm) 285,1 179,1 216,9 106,3 69 37,3 35,3 32,5 73,1 106,4 231,5 277,4 1 649,9
Fonte: g1​,[61] INMET (normal climatológica de 1991-2020; recordes de temperatura: 01/01/1979 a 17/06/1987 e 01/03/1992-presente)[60][62]

Meio ambiente e ecologia

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Vale dos Frades é parte do Parque Estadual dos Três Picos.

O município de Teresópolis abriga importantes unidades de conservação, entre as quais se destacam o Parque Nacional da Serra dos Órgãos, o Parque Estadual dos Três Picos e o Parque Natural Municipal Montanhas de Teresópolis. O Parque Nacional da Serra dos Órgãos possui parte significativa de sua área no território municipal,[63] enquanto o Parque Estadual dos Três Picos constitui a maior unidade de conservação estadual do Rio de Janeiro.[64] Já o Parque Natural Municipal Montanhas de Teresópolis é uma das maiores unidades de conservação municipais integralmente protegidas do estado.[65]

O município também possui áreas de uso sustentável, como as Áreas de Proteção Ambiental (APAs), entre as quais se destacam a APA Floresta do Jacarandá e a APA da Bacia dos Frades.[66] Teresópolis integra o Mosaico Central Fluminense de unidades de conservação, criado em 2006 com o objetivo de promover a gestão integrada dessas áreas.[67]

A vegetação nativa pertence ao domínio da Mata Atlântica, caracterizada por elevada biodiversidade e alto grau de endemismo. Mesmo em áreas urbanizadas, é comum a presença de espécies arbóreas ornamentais e nativas, como ipê, quaresmeira e manacá-da-serra.[68]

Problemas ambientais

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Entre os principais problemas ambientais de Teresópolis destacam-se as enchentes e os deslizamentos de terra, especialmente durante o período chuvoso, quando áreas mais baixas e densamente ocupadas são mais suscetíveis a alagamentos.[69] Esses eventos estão associados tanto às características geomorfológicas do município quanto à ocupação de áreas de risco, como encostas e margens de rios.[70]

A recorrência de eventos extremos foi evidenciada em episódios de grande impacto, como os desastres de 2011 na Região Serrana, considerados entre os mais graves do país, quando chuvas intensas provocaram enchentes e deslizamentos de grande magnitude em Teresópolis e municípios vizinhos.[71]

Outro problema relevante é a poluição dos recursos hídricos, decorrente do lançamento de esgoto doméstico sem tratamento adequado em cursos d’água que atravessam o perímetro urbano, como o rio Paquequer.[55] Esse processo compromete a qualidade da água e afeta o equilíbrio ambiental das bacias hidrográficas locais.

As queimadas também representam um fator de degradação ambiental, afetando áreas de vegetação nativa e contribuindo para a perda de cobertura vegetal e a deterioração da qualidade do solo e do ar.

Em contrapartida, são desenvolvidas iniciativas de mitigação, como ações de desassoreamento de rios, programas de arborização urbana e intervenções voltadas à recuperação ambiental de áreas degradadas.[72]

Demografia

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Crescimento populacional
CensoPop.%±
194029 594—
195034 72417,3%
196062 31879,5%
197073 12817,3%
198098 70535,0%
1991120 70922,3%
2000138 08114,4%
2010163 74618,6%
2022165 1230,8%
Est. 2025176 735[4]7,0%
Fonte: IBGE[73][74][75][1]

Em 2022, a população do município foi estimada em 165 123 habitantes, segundo o censo demográfico daquele ano, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).[1] Em comparação com o censo de 2010, quando a população era de 163 746 habitantes,[76] houve um crescimento de aproximadamente 0,8% no período.

Segundo o censo de 2022, havia 78 469 homens (47,52%) e 86 654 mulheres (52,48%).[1] No mesmo ano, 146 010 habitantes viviam na zona urbana e 19 113 na zona rural.[1]

Em 2022, a estrutura etária da população de Teresópolis apresentava 30 982 habitantes de 0 a 14 anos, 109 872 de 15 a 64 anos e 24 269 com 65 anos ou mais.[1] A razão de sexo era de aproximadamente 90,6 homens para cada 100 mulheres.[1]

Além disso, em 2010, a esperança de vida ao nascer era de 76,27 anos, enquanto a taxa de fecundidade total por mulher era de 1,56. A taxa de envelhecimento era de 9,01, e as probabilidades de viver até os 40 anos e até os 60 anos eram, respectivamente, de 93,55 e 84,39.[77] O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de Teresópolis era de 0,730 em 2010, valor classificado como alto.[78]

Em relação às subdivisões municipais, em 2010 o distrito-sede concentrava 135 459 habitantes, enquanto os distritos de Vale do Paquequer e Vale de Bonsucesso possuíam 11 947 e 16 340 habitantes, respectivamente.[79] Entre os bairros mais populosos estavam São Pedro, Várzea e Barra do Imbuí.

Problemas socioeconômicos

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Em 2010, indicadores socioeconômicos apontavam a existência de desigualdade de renda no município. Segundo o Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil, cerca de 8,4% da população possuía renda per capita domiciliar inferior a R$ 140,00 mensais.[77] A participação dos 20% mais ricos no rendimento total municipal era de 64,9%, enquanto os 20% mais pobres concentravam 3,2% da renda.[77]

O coeficiente de Gini, que mede a desigualdade de renda, era de 0,569 em 2010.[80]

Em 2022, o município apresentava elevados níveis de favelização em comparação com outros municípios brasileiros, com 49 favelas e comunidades urbanas identificadas pelo IBGE, onde residiam cerca de 31,11% da população (aproximadamente 51 370 habitantes) e 25,44% dos domicílios.[81] No contexto estadual, Teresópolis figura entre os municípios com maior proporção de população residente nesses territórios, ao lado de cidades como Angra dos Reis e Arraial do Cabo.[82]

Da esquerda para a direita: Perpétuo Socorro, Rosário e Corta Vento, exemplos de favelas.

Composição étnica e naturalidade

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Segundo o censo de 2022, a população de Teresópolis era composta por 59,27% de brancos, 30,19% de pardos, 10,21% de pretos, 0,24% de amarelos e 0,08% de indígenas.[83]

Em relação a naturalidade, em 2022 cerca de 99,44% da população era de brasileiros natos, 0,21% de naturalizados e 0,35% de estrangeiros.[83]

Entre as pessoas que não residiam na unidade federativa 5 anos antes do censo, os principais locais de residência anterior foram Minas Gerais (400), São Paulo (246), Espírito Santo (148), Rio Grande do Norte (141) e o Exterior (117).[83]

Entre as pessoas que não residiam no Brasil 5 anos antes da data de referência do censo, os principais países de residência anterior foram Estados Unidos (20), Austrália (12), Indonésia (12), Reino Unido (12), Uruguai (12), Espanha (11), Portugal (11), França (10), Paraguai (10) e Haiti (7).[83]

Religião

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Igreja de Santo Antônio, localizada no Alto.
Templo do Movimento Hare Krishna, localizado em Albuquerque.

De acordo com dados do censo de 2010, a população municipal está composta por católicos (42,3%), evangélicos (34,0%), pessoas sem religião (16,7%), espíritas (2,8%) e 4,1% estão divididas entre outras religiões.[84] Em relação ao número total de membros de instituições religiosas em 2010, de acordo com seu credo: Catolicismo (total de 69 157 membros) — Apostólica Romana (68 732 membros), Apostólica Brasileira (406 membros) e Ortodoxa Católica (159 membros); Protestantismo (total de 55 675 membros) — Evangélicas de Missão (11 387 membros), Luterana (133 membros), Presbiteriana (483 membros), Metodista (2 576 membros), Batista (7 437 membros), Congregacional (63 membros), Adventista do Sétimo Dia (696 membros), Assembleia de Deus (10 344 membros), Congregação Cristã (261 membros), O Brasil Para Cristo (186 membros), Quadrangular (219 membros), Universal do Reino de Deus (1 166 membros), Casa da Bênção (64 membros), Deus É Amor (260 membros), Cristã Maranata (75 membros), Nova Vida (65 membros), Comunidade Evangélica (34 membros), Pentecostal (10 196 membros), Evangélica não determinada (21 418 membros), Outras religiosidades cristãs (2 180 membros); Mórmon (total de 352 membros); Testemunhas de Jeová (total de 1 939 membros); Espiritismo (total de 4 662 membros); Espiritualismo (total de 94 membros); Umbanda (total de 482 membros); Candomblé (total de 40 membros); Judaísmo (total de 313 membros); Hinduísmo (total de 18 membros); Budismo (total de 201 membros); Novas religiões orientais (total de 201 membros) — Igreja Messiânica Mundial (112 membros), Outras (88 membros); Islã (total de 9 membros); Tradições esotéricas (total de 124 membros); Tradições indígenas (total de 70 membros); Sem religião (total de 27 383) — Sem religião (declarado por 24 706), Ateísmo (declarado por 2 550) e Agnosticismo (declarado por 127); Religiosidade não determinada ou mal definida (total de 570).[84]

Em 2022, a composição religiosa da cidade era a seguinte: 39,06% católicos, 33,98% evangélicos, 2,45% espíritas, 1,23% praticantes de Candomblé ou Umbanda, 0% de religiões tradicionais, 5,23% de outras religiões, 17,85% sem religião, 0% desconhecido e 0,19% não declarado.[85]

Política e administração

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Palácio Teresa Cristina, sede do executivo municipal.
Sede do legislativo municipal.

O município de Teresópolis é regido por sua lei orgânica, promulgada em 5 de abril de 1990.[86] A administração municipal é exercida pelos poderes Executivo e Legislativo.

O prefeito é o chefe do Poder Executivo, auxiliado pelo vice-prefeito e por secretários municipais. Nas eleições municipais de 2024, Leonardo Vasconcellos foi eleito prefeito pelo União Brasil, com mandato para o período de 2025 a 2028, tendo como vice-prefeita Afaf Ribeiro.[87]

O Poder Legislativo é exercido pela Câmara Municipal, composta por vinte e um vereadores eleitos para mandatos de quatro anos, responsáveis pela elaboração de leis e fiscalização do Executivo.[86]

Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o município possuía 122 560 eleitores em 2020, distribuídos entre a 38ª e a 195ª zonas eleitorais do estado do Rio de Janeiro.[88]

No âmbito do Poder Judiciário, Teresópolis é sede de uma comarca estadual, com foro no Fórum Juiz Ivo de Carvalho Werneck, além de uma subseção da Justiça Federal e uma vara do Trabalho vinculada ao Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região.[89][90][91]

Subdivisões

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Vista parcial do Alto, área urbana localizada no distrito-sede.
Área rural onde se localiza um mirante na Estrada Terê-Fri, no Vale de Bonsucesso.

O município de Teresópolis está dividido oficialmente em três distritos: Teresópolis (sede), Vale do Paquequer e Vale de Bonsucesso.[92][93]

O distrito-sede concentra a maior parte da área urbanizada do município, enquanto os distritos de Paquequer e Bonsucesso apresentam predominância de áreas rurais, com atividades voltadas à agricultura, especialmente a produção hortigranjeira, e ao turismo rural.[94]

Histórico administrativo

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O município de Teresópolis foi criado em 25 de outubro de 1855, desmembrado do território de Magé, a partir do então distrito de Santo Antônio do Paquequer.[95][96] Na ocasião de sua elevação à categoria de cidade, o distrito passou a denominar-se Teresópolis, sendo também criado o distrito de Santa Rita.[95]

Em 1901, o município passou a incluir o distrito de Sebastiana, oriundo de Nova Friburgo, consolidando sua organização administrativa no início do século XX.[95][97]

Ao longo do século XX, ocorreram alterações na denominação de distritos: Santa Rita passou a denominar-se Paquequer Pequeno, enquanto Sebastiana foi renomeado Nhunguaçu em 1943.[95][98] Essas denominações foram modificadas na Lei Orgânica do Município, em 1990, onde Paquequer Pequeno passou a denominar-se Vale do Paquequer e Nhunguaçu foi renomeado para Vale de Bonsucesso.[99]

A mais recente reorganização territorial do município foi estabelecida pela Lei Municipal nº 1.805, de 8 de dezembro de 1997, que passou a dividir Teresópolis em área urbana, área de expansão urbana e área rural.[100]

A área urbana corresponde predominantemente ao distrito-sede e encontra-se subdividida em cerca de 49 bairros oficiais, além de loteamentos e outras denominações locais. A área de expansão urbana situa-se, de modo geral, entre a área urbana e os distritos Paquequer e Bonsucesso, sendo composta por 17 localidades e organizada em núcleos como Três Córregos, Vargem Grande e Pessegueiros. A área rural compreende o restante do território municipal e estrutura-se em núcleos como Cruzeiro, Nhunguaçu, Vieira e Bonsucesso, este último correspondendo à sede do terceiro distrito.[100]

Evolução do Produto Interno Bruto (PIB)
do município de Teresópolis
Ano PIB (x R$ 1.000) PIB per capita (R$)
2010 2.896.778 17.684,31
2013 3.975.990 24.408,97
2015 5.008.883 28.943,05
2016 5.239.125 30.008,68
2017 5.090.373 28.912,72
2018 5.155.905 28.503,62
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística[101]

No Produto Interno Bruto (PIB) de Teresópolis, destaca-se a área de prestação de serviços, ou setor terciário. De acordo com dados relativos a 2018 do IBGE, o PIB a preços recorrentes era de R$ 5 155 905,28 mil.[102] Desse total, aproximadamente 10% ou R$ 530 375,55 mil eram de impostos sobre produtos líquidos de subsídios. O PIB per capita era de R$ 28 503,62 mil,[102] sendo o 34º maior do estado, e o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de renda, em 2010, era de 0,75. Em 2010, 63% da população maior de 18 anos era economicamente ativa e a taxa de desocupação era de 6,70%, enquanto em 2000 era de 11,5%.[103]

Em 2019, salários, juntamente com outras remunerações, somavam 948 068 mil reais e o salário médio mensal de todo município era de 2,2 salários mínimos. Havia 5 645 unidades locais e 5 405 empresas atuantes.[104] Segundo o IBGE, em 2010, 49% das residências sobreviviam com menos de salário mínimo mensal por morador, 33% sobreviviam com entre um e três salários mínimos para cada pessoa, 7% recebiam entre três e cinco salários, 7% tinham rendimento mensal acima de cinco salários mínimos e 4% não tinham rendimento.[105]

Agropecuária

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Plantação de alface no interior do município.

Em 2018, a pecuária e a agricultura acrescentavam 287 621,13 mil reais na economia de Teresópolis,[102] enquanto que em 2010, 9,25% da população economicamente ativa do município estava ocupada no setor.[77] Segundo o IBGE, em 2019 o município possuía um rebanho de 8 440 bovinos, 1 350 equinos, 560 suínos, 190 caprinos, 245 ovinos e 999 950 aves, entre estas galinhas, galos, frangos e pintinhos, além de 900 codornas.[106] Ainda em 2019 o município produziu 780 000 litros de leite, além de 25 000 quilos de mel-de-abelha.[106] Na aquicultura foi produzida principalmente a tilápia (15 500 kg).[106]

Na lavoura temporária são produzidos principalmente o tomate (2 800 toneladas), que corresponde a 93,36% do valor da produção, a batata doce (800 toneladas) e a mandioca (150 toneladas).[107] Já na lavoura permanente, destaca-se a produção de tangerina (10 800 toneladas) e de banana (35 toneladas).[108]

Teresópolis faz parte do cinturão verde do Rio de Janeiro, sendo responsável pela produção da maior parte dos hortigranjeiros consumidos no estado, atraindo turistas anualmente, que visitam as zonas de produção geralmente a partir do mês de outubro.[109] O município é conhecido também por ser o maior produtor de tangerina no estado,[110] com área plantada de 456 hectares e produtividade média de 20 toneladas por hectare, concentrados nas localidades de Vale do Cuiabá e Brejal.[111] A produção era feita, em 2015, por cerca de 120 agricultores.[111]

Indústria e prestação de serviços

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A Rua Francisco Sá é o símbolo do comércio na região central de Teresópolis.

Em 2018 a indústria era o segundo setor mais relevante para a economia do município. 490 585,78 mil reais do PIB municipal eram do valor adicionado bruto do setor secundário.[102] Apesar de não contar com um distrito industrial de fato, o bairro Meudon serve como instalação para algumas indústrias, como a fabricante de bebidas Arbor,[112] a metalúrgica Albacete e a fabricante de equipamentos de escalada Trilhas e Rumos.[113] O setor de bebidas se destaca com a Cervejaria Petrópolis em Serra do Capim[114] e a Cervejaria Sankt Gallen no Alto.[115]

O setor de prestação de serviços é o mais relevante para a economia teresopolitana. Em 2018, 2 572 980,85 mil reais do PIB municipal eram do valor adicionado bruto do setor de serviços e 1 274 341,97 mil reais do valor adicionado da administração pública municipal.[102] Em 2010, 48,82% da população ocupada estava empregada no setor de serviços, 15,68% no comércio, 10,06% no setor de construção e 0,38% nos setores de utilidade pública.[77] Em 2019 Teresópolis possuía 5 645 unidades locais, 5 405 empresas e estabelecimentos comerciais atuantes e 41 548 trabalhadores, sendo 33 261 pessoal ocupado assalariado. Salários juntamente com outras remunerações somavam 948 068 mil reais e o salário médio mensal de todo o município era de 2,2 salários mínimos.[104] O setor terciário atualmente é a maior fonte geradora do PIB, destacando-se na área do comércio, que apresenta alta diversificação, além das feiras de artesanato, como a Feirinha do Alto, que em um final de semana de alta temporada recebe cerca de cinco mil visitantes.[116]

O movimento comercial em Teresópolis concentra-se especialmente na região do Centro, especialmente no trajeto entre as avenidas Lúcio Meira e Delfim Moreira e suas ruas afluentes, como a Francisco Sá e J.J. de Araújo Regadas, locais com grande movimentação de pessoas.

Infraestrutura

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Em 2018 a rede de saúde de Teresópolis incluía em sua estrutura 14 unidades básicas de saúde, nenhum hospital especializado, 3 hospitais gerais, 2 postos de saúde e 2 centros de atenção psicossocial (CAPS).[117] Há uma média de 2,4 leitos para cada mil habitantes no município,[118] índice acima da média nacional que era de 1,95 em 2019.[119] Em julho de 2021 o município contava com 462 médicos, de acordo com o DATASUS, sendo 8 anestesistas, 17 cirurgiões gerais, 144 clínicos gerais, 26 ginecologistas, 23 médicos de família, 39 pediatras, 2 psiquiatras, 1 radiologistas, 2 acupunturistas, 2 alergistas, 3 anatomopatologistas, 6 angiologistas, 1 cancerologista, 34 cardiologistas, 2 cirurgiões plásticos, 14 dermatologistas, 3 médicos do trabalho, 2 cirurgiões vasculares, 1 endoscopista, 2 hematologistas, 2 infectologistas, 1 mastologista, 6 nefrologistas, 11 neurologistas, 9 oftalmologistas, 1 oncologista, 20 ortopedistas, 6 otorrinolaringologistas, 1 patologista, 2 pneumologistas, 56 médicos residentes e 1 urologista.[120]

Teresópolis não possui unidade própria hospitalar.[121] Por este motivo, a responsabilidade hospitalar é repassada em sua totalidade para as unidades privadas de saúde,[122] entre as quais destacam-se três: Hospital das Clínicas Costantino Ottaviano (operado pelo Centro Universitário Serra dos Órgãos),[123] Hospital São José (operado pela Associação Congregação Santa Catarina)[124] e a Beneficiência Portuguesa de Teresópolis.[125] Também há a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Nathan Garcia Leitão, que foi concebida para atendimentos de urgência 24 horas no bairro Bom Retiro e inaugurada em março de 2010.[126]

O município de Teresópolis possui, ao todo, nove cemitérios, sendo que apenas um deles está localizado na zona urbana: o Carlinda Berlim, conhecido popularmente como "Caingá", no bairro do Vale do Paraíso, onde se dá a administração de todos os outros cemitérios. No feriado de Finados costuma receber aproximadamente 5 000 visitantes.[127] Os oito demais estão localizados na zona rural nas seguintes localidades: Canoas, Venda Nova, Bonsucesso, Vieira, Rio Preto, Vale Alpino, Santa Rita e Serra do Capim.[128] Em 2020 foram registrados 1 665 óbitos por morbidades, sendo 904 homens e 761 mulheres.[129] 86% das mortes ocorreram em pessoas com idade acima de 50 anos, sendo o grupo de pessoas com mais de 80 anos a maior incidência (28%).[129] As doenças infecciosas e parasitárias representaram a maior causa de mortes (23%), seguida pelas doenças do sistema circulatório (21,68%).[129] Ao mesmo tempo, foram registrados 2 188 nascidos vivos, sendo que o índice de mortalidade infantil no mesmo ano foi de 9,14 óbitos de crianças menores de um ano de idade a cada mil nascidos vivos.[130]

Educação

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Em 2010, de acordo com dados da amostra do censo demográfico, da população total, 36 790 habitantes frequentavam creches e/ou escolas públicas. Desse total, 1 702 frequentavam creches, 2 057 estavam no ensino pré-escolar, 2 449 na classe de alfabetização, 1 040 na alfabetização de jovens e adultos, 21 824 no ensino fundamental, 6 788 no ensino médio, 788 em cursos superiores de graduação e 143 na especialização de ensino superior. Já o total de habitantes que frequentavam creches e/ou escolas particulares no mesmo ano era 10 555, sendo que 525 frequentavam creches, 932 estavam no ensino pré-escolar, 329 na classe de alfabetização, 20 na alfabetização de jovens e adultos, 3 063 no ensino fundamental, 1 208 no ensino médio, 4 251 em cursos superiores de graduação e 227 na especialização de ensino superior. Além disso, 116 401 pessoas não frequentavam unidades escolares.[131]

Em 2010, 96,2% das crianças entre sete e 14 anos estavam matriculadas em instituições de ensino, uma das piores taxas de escolarização do estado e país na ocasião.[1] Ainda neste ano, dentre os habitantes de 18 anos ou mais, 53,07% tinham completado o ensino fundamental e 35,43% o ensino médio.[77] Dentre os habitantes de 25 anos ou mais, 48,97% tinham completado o ensino fundamental, 33,35% o ensino médio e 12,30% o ensino superior.[77] A expectativa de anos de estudo era de 8,82 anos, número abaixo da média nacional (9,54).[77] A taxa de analfabetismo em 2010 era de 1,22% entre a população de 11 a 14 anos, 0,85% entre a população de 15 a 17 anos e 6,87% entre a população de 18 ou mais.[77] O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) médio entre as escolas públicas de Teresópolis era, no ano de 2021, de 5,7 entre os alunos do 5º ano (a 21ª maior do Rio de Janeiro), numa escala de avaliação que vai de nota 1 à 10. Entre os estudantes do 9º ano, a nota foi de 5,1 (31ª colocada do estado) e do ensino médio de 4,5.[132]

O município contava, em 2021, com 32 851 matrículas nas instituições de educação infantil e ensinos fundamental e médio da cidade.[133] Em relação ao ensino superior, cabe ressaltar o Centro Universitário Serra dos Órgãos (Unifeso), fundado pela Fundação Educacional Serra dos Órgãos em 1966 e o campus da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) que oferece curso de graduação em turismo desde 2012.[134] Teresópolis abriga também a Educação de Jovens e Adultos (EJA), que conquistou reconhecimento do Ministério da Educação na implementação de política pública para redução do analfabetismo através da Medalha Paulo Freire em 2016.[135]

Habitação e serviços

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Teresópolis possuía, em 2010, 53 723 domicílios particulares permanentes, sendo 48 301 localizados na zona urbana e 5 422 localizados na zona rural. Desse total, 43 740 eram casas (82,1%), 1 973 casas de vila ou em condomínio (3,7%) e 7 583 apartamentos (14,2%). Do total de domicílios, 22 718 eram próprios, sendo que 38 029 eram próprios já quitados (70,7%); 1 148 próprios em aquisição (2,1%) e 9 173 eram alugados (17,1%), enquanto 5 310 imóveis foram cedidos, sendo que 3 190 haviam sido cedidos por empregador (5,9%) e 2 120 foram cedidos de outra maneira (3,9%).[136] A quantidade de moradores residentes em domicílios particulares permanentes era, no mesmo ano, de 8 339 com um morador, 13 679 com dois moradores, 13 196 com três moradores, 10 548 com quatro moradores, 4 828 com cinco moradores, 1 854 com seis moradores, 722 com sete moradores, 318 com oito moradores, 134 com nove moradores e 164 com dez moradores ou mais.[136] Em relação a responsabilidade pelo domicílio, 23 657 tinham homens como responsáveis, 17 273 tinham mulheres como responsáveis e em 12 848 a responsabilidade era compartilhada.[136]

Em 2010, de acordo com o IBGE, 98,86% dos domicílios tinham acesso a água encanada, sendo um total de 52 663 com acesso em pelo menos um cômodo e 446 com acesso através de terreno ou propriedade.[137] 34,30% possuíam esgotamento sanitário através de rede geral de esgoto e pluvial, enquanto 34,52% possuíam fossa séptica. Vale ressaltar que 30,20% tinham outros meios de escoarem o esgotamento sanitário, como fossa rudimentar (14,69%), rios (11,34%), valas (3,84%) e demais meios (0,03%).[136] A água que é utilizada para o suprimento de grande parte do município de Teresópolis é oriunda do Rio Preto, sendo extraída e tratada na estação de tratamento de água da Cedae localizada no Vale do Paquequer, com capacidade de tratamento de 430 litros de água por segundo que abastece mais de 140 000 habitantes.[138] O fornecimento de energia elétrica em Teresópolis é feito pela empresa Enel Distribuição Rio, que atende outros 65 municípios do estado.[139] De acordo com o IBGE, em 2010 99,91% dos domicílios tinham acesso à rede elétrica.[136]

Teresópolis não possui uma rede coletora e estação de tratamento de esgoto desde sua fundação.[140] Além disso, a Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) opera no município sem contrato de concessão desde 1998.[141] De acordo com uma determinação judicial de 2012, o município é obrigado a cumprir a Lei Federal nº 11.445/2007, conhecida como Lei de Saneamento Básico, que compete a responsabilidade de decidir se a realização dos serviços serão feitos de maneira própria ou repassada a terceiros, além de prever a aplicação de um plano para a execução do saneamento básico.[142] Atualmente, existe a intenção de se executar o projeto "Saneamento Básico para Todos", que prevê a construção de 367 quilômetros de rede de esgoto, 4 estações de tratamento, 9 estações de bombeamento e 11 biodigestores, com investimento total de R$ 476 milhões.[143] O processo licitatório e o leilão ocorrerão, de acordo com o planejado, em 2021.[144]

O serviço de coleta de lixo atendia, em 2010, 97,09% dos domicílios.[136] Os resíduos coletados são encaminhados ao Aterro Sanitário do Fischer, inaugurado em julho de 2009 e instalado em uma área de 155 mil metros quadrados, com capacidade de receber 210 toneladas de lixo por dia de quatro cidades: Teresópolis, Carmo, Sumidouro e São José do Vale do Rio Preto.[145][146] No entanto, a falta de controle por parte da administração pública municipal transformou o Aterro Sanitário em um lixão com despejo ilegal de resíduos de construção civil e hospitalares, gerando uma interdição por parte do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) em março de 2018.[147] Atualmente, o local possui autorização para funcionamento através de uma liminar da Justiça.[148][149] Há ainda um sistema de coleta seletiva de lixo, o "Recicla Terê", que funciona através de uma parceria entre a prefeitura e os estabelecimentos comerciais, gerando emprego e renda para a os afiliados à Associação dos Catadores de Teresópolis. O sistema atende um total de 31 bairros, além de possuir 18 pontos públicos de coleta espalhados pelo município, gerando um total de 12 toneladas de lixo reciclado por mês.[150]

Segurança pública e criminalidade

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Total de homicídios em Teresópolis
Ano Total Ano Total Ano Total
2003 33 2009 21 2015 11
2004 29 2010 18 2016 19
2005 29 2011 10 2017 28
2006 16 2012 27 2018 27
2007 15 2013 15 2019 21
2008 16 2014 15 2020 —
Fonte: Atlas da Violência/Ipea[151][152]

A segurança pública de Teresópolis é feita, principalmente, por meio de dois órgãos: Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ) e Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ). O primeiro tem a função de combater e apurar as ocorrências de crimes e infrações, enquanto o segundo é responsável pelo policiamento ostensivo, o patrulhamento bancário, ambiental, prisional, escolar e de eventos especiais, além de realizar ações de integração e tem como base o 30º Batalhão da Polícia Militar, localizado no bairro Pimenteiras, sendo diretamente responsável pela segurança de 215 mil pessoas.[153] Em 2014, o efetivo de policiais militares no município era de 366, sendo que 296 estavam na ativa.[154] A cidade também é atendida pelo Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ) através do 16º Grupamento.

Em 2017, Teresópolis foi considerada a cidade mais pacífica do Estado do Rio de Janeiro e a 10ª de todo o país, segundo dados divulgados pelo Atlas da Violência do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).[155]

Em 2019, de acordo com o Atlas da Violência do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), foram registrados 21 homicídios em Teresópolis - 18 homens e 3 mulheres - todos cometidos por uso de arma de fogo,[156] representando uma queda de 23% em relação ao ano anterior,[157] seguindo uma tendência que foi de âmbito nacional naquele mesmo ano.[158] 66% das vítimas de homicídio eram negros,[159] número abaixo da média nacional,[160] e acima de municípios vizinhos como Nova Friburgo (42,30%) e Petrópolis (44,83%).[159] A taxa de homicídio em 2018 foi de 16,9 para cada 100 mil habitantes.[161]

Em 2020, de acordo com o Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro (ISP), foram registrados 492 apreensões de droga no município, um aumento de 3% em relação ao ano anterior.[162] Ainda neste ano, 668 furtos, 52 roubos e 333 estelionatos ocorreram em Teresópolis.[162] No que se refere à violência contra a mulher, 61 casos de estupro foram registrados em 2020,[162] além de 1 755 ocorrências de violência em 2018.[163]

Comunicações

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O código de área (DDD) de Teresópolis é 021 e o Código de Endereçamento Postal (CEP) do município vai de 25950-001 a 25999-999.[164] O serviço postal é atendido por oito agências da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos funcionando nos três distritos do município através dos bairros Água Quente, Alto, Bonsucesso, Nhunguaçu, Várzea e Vieira.[165] De acordo com dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Teresópolis possuía um total de 161 orelhões em julho de 2021.[166] No mesmo mês o município possuía um total de 190 103 celulares, o que dá uma densidade de 103,18 celulares para cada 100 mil habitantes,[167] número um pouco menor do que a média nacional.[168] Desse total, 85,27% suportavam a tecnologia 4G, 9,83% suportavam a tecnologia 3G e 4,90% estavam restritos a tecnologia 2G.[167] Em relação às operadoras, 56,86% utilizavam a Claro, 23,80% utilizavam a Vivo, 11,06% utilizavam a TIM e 8,27% utilizavam a Oi.[167] Em relação aos clientes, 91,55% eram pessoa física e 8,45% eram pessoa jurídica, enquanto a modalidade escolhida por eles era 53,31% para pós-pago e 46,69% para pré-pago.[167]

Há sinal digital de algumas emissoras de televisão aberta disponíveis para os moradores, dentre as quais Band Rio Interior (afiliada da Rede Bandeirantes, fornece o sinal desde junho de 2014),[169] SBT Interior RJ (afiliada do Sistema Brasileiro de Televisão, fornece o sinal desde setembro de 2014),[170] RecordTV Rio (afiliada da RecordTV, fornece o sinal desde junho de 2015),[171] InterTV Serra+Mar (afiliada da TV Globo, fornece o sinal desde setembro de 2015)[172] e a TV Canção Nova (fornece o sinal desde janeiro de 2019).[173]

Transportes

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O município possui fácil acesso à BR-116, à BR-495 e à RJ-130 (conhecida como Estrada Teresópolis - Friburgo ou Terê-Fri). O transporte coletivo é de responsabilidade da Viação Dedo de Deus, por meio das concessionárias Dedo de Deus e Primeiro de Março, que realizam o transporte de passageiros dentro da cidade. A Viação Teresópolis também mantém algumas linhas dentro do limite da cidade, mas para distritos e localidades rurais ou mais distantes do Centro, como Vieira, Mottas, Serra do Capim e Água Quente. A Viação Teresópolis também faz a ligação entre Teresópolis e as cidades vizinhas ou da área de influência, como Guapimirim e Magé. Mantém linhas intermunicipais entre Teresópolis e Rio de Janeiro, Nova Friburgo (via Conquista e Campo do Coelho), Petrópolis (via Itaipava), Sapucaia (via Aparecida), Castelo (via Madureira, de segunda a sexta-feira, através do Terminal Menezes Cortes), Nova Iguaçu (via Duque de Caxias), Rio das Ostras, São José do Vale do Rio Preto, Vila do Peão (via Volta do Peão, distrito de Sapucaia), Carmo (via Sumidouro) e Soledade (distrito de Sumidouro). A empresa mantém ainda uma linha interestadual entre Teresópolis e Além Paraíba (via Jamapará). Na cidade também opera a Viação Salutaris, com partida diária para São Paulo. Recentemente, alguns horários de viações que se destinam a Minas Gerais e a cidades da região Nordeste - que trafegam pela BR-116 (Rio — Bahia) - passaram a entrar na cidade para embarque e desembarque (Itapemirim, Rio Doce). Teresópolis ainda conta com vários pontos de táxi, espalhados pelo centro e demais bairros.

A frota municipal no ano de 2014 era de 80 715 veículos, sendo 50 874 automóveis, 2 218 caminhões, 108 caminhões trator, 4 980 caminhonetes, 302 micro-ônibus, 15 812 motocicletas, 2 223 motonetas, 316 ônibus e três tratores de roda.[174] Apesar de possuir avenidas duplicadas e pavimentadas e semáforos que facilitam o trânsito da cidade, o crescimento no número de veículos nos últimos dez anos está gerando um tráfego cada vez mais lento de carros, principalmente no centro comercial,[175] onde tem se tornado difícil encontrar vagas para estacionar, o que vem gerando alguns prejuízos ao comércio. [carece de fontes]? Em contraste disso, o número de estacionamentos pagos aumentou[176] e a prefeitura decidiu implantar uma ciclofaixa no trecho conhecido como "Reta" (Avenidas Lúcio Meira e Feliciano Sodré) desde o início de julho de 2016, vista como uma opção para melhorar o trânsito da cidade.[177][178]

O transporte ferroviário na cidade foi extinto em 1956, quando circularam os últimos trens de passageiros e de cargas locais pelo Ramal de Teresópolis da Estrada de Ferro Central do Brasil, que ligava a cidade ao Rio de Janeiro, no Distrito Federal. Os trens vindos do Rio, atravessavam o Parque Nacional da Serra dos Órgãos com o auxílio de cremalheiras, por conta da alta inclinação dos trechos de subida e descida. Após a desativação, o trecho local do ramal foi erradicado no final dos anos 1950, com a linha férrea finalizando-se a partir de então, na cidade vizinha de Guapimirim. Todas as estações ferroviárias do município foram demolidas entre os anos 1950 e 1960. Porém em 2004, foi inaugurada uma réplica da Antiga Estação do Alto no mesmo local da original, onde funcionou como terminal urbano de ônibus até 2023. Após reformas em sua estrutura, entre 2024 e 2025, o prédio foi reinaugurado e tornando-se parte da Feirinha do Alto, na Praça Higino da Silveira.[179][180]

Cultura e lazer

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Piscina na sede do Parque Nacional, um dos atrativos naturais mais procurados.

A economia de Teresópolis, assim como a das outras cidades da Região Serrana, é voltada principalmente ao turismo, com diversos atrativos naturais e urbanos. Dentre os naturais, destaca-se a sede do Parque Nacional da Serra dos Órgãos (PARNASO), criado em 30 de novembro de 1939 e atualmente gerido pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Na área do ecoturismo, destaca-se a Serra do Subaio, onde estão localizados diversos atrativos rurais do município, que são as várias trilhas, montanhas e cachoeiras, como a Mulher de Pedra, que se destaca por se assemelhar à figura de uma mulher deitada. Além do Subaio, destacam-se também as Torres de Bonsucesso, localizadas no bairro de Bonsucesso, terceiro distrito da cidade; o Orquidário Aranda, fundado em 1985 no bairro de Quebra-Frascos, onde é exposta e comercializada uma grande variedade de orquídeas, entre espécies e híbridos; o Circuito Turístico Terê-Fri (como é conhecida a RJ-130), uma rodovia com 67 quilômetros de extensão, servindo como um grande corredor turístico da região, onde podem ser encontradas diversas pousadas e hotéis-fazendas. Através dela, tem-se acesso aos Três Picos de Salinas, importante monumento natural do Parque Estadual dos Três Picos; e a Pedra da Tartaruga, uma formação rochosa similar a uma tartaruga, local ideal para a prática de rapel e de encontro entre jipeiros.

Shopping do Alto, um dos atrativos urbanos de lazer de Teresópolis.

Dentre os atrativos urbanos destacam-se: o Castelo Montebello Medieval, que possui traços que remontam a épocas vividas pelos senhores, os quais erguiam ainda a bandeira do feudalismo, servindo como palco para as aventuras da Jovem Guarda e também para diversas confraternizações da alta sociedade local; a Colina dos Mirantes, localizada no alto do morro da Fazendinha, que permite a visualização de grande parte da região urbana do município além do maciço da Serra dos Órgãos; a Feirarte (Feira de Artesanato de Teresópolis), também conhecida como Feirinha do Alto, que existe desde 1983 e reúne artesãos de diversos ramos em mais de 700 barracas; o imponente Higino Palace Hotel, no Alto, antigo estabelecimento de luxo da era Vargas; a Igreja Matriz Santa Teresa, construída em estilo gótico, em homenagem à padroeira da cidade, Teresa D'Ávila; o Mirante do Soberbo, também conhecido como Mirante da Vista Soberba, situado na entrada da cidade, de onde é possível avistar o pico Dedo de Deus, um dos marcos da região e símbolo do montanhismo brasileiro, bem como o pico do Escalavrado, a Boca do Peixe e outros pontos da Serra dos Órgãos; o Palacete Granado, onde está sediado atualmente o SESC Teresópolis, com atividades culturais e de lazer diversas, que já serviu como local de realização do Festival de Cinema Nacional (antes de ser transferido para Gramado);[181] o Palácio Teresa Cristina, atual sede da Prefeitura Municipal de Teresópolis; e a Casa de Cultura Adolpho Bloch, situada próxima ao bairro do Alto, onde são realizadas exposições e mostras de vários tipos de expressões artísticas.

A Granja Comary serve como centro de treinamento para a Seleção Brasileira de Futebol em todas as suas categorias.

Teresópolis tem fama nacional por sediar a Confederação Brasileira de Futebol, onde a Seleção Brasileira treina, em uma área com mais de 150 mil metros quadrados de área verde divididos entre cinco campos e infraestrutura para atendimento aos atletas, tornando o local um dos mais modernos centros de treinamento do mundo. O vasto espaço da confederação é um ponto de atração para turistas. Além da Seleção principal, outras categorias patrocinadas pela CBF também usufruem do local, situado na Granja Comary, um dos mais belos e charmosos bairros da cidade.

Em relação ao esporte local, destaca-se o Ginásio Pedrão, que frequentemente é utilizado para realizar eventos esportivos de futebol de salão e jiu-jitsu. Na estrutura do ginásio ainda localiza-se o Museu Municipal do Esporte, e nas imediações a Praça de Esportes Radicais Alexandre Oliveira, ao lado de Terminal Rodoviário, servindo para prática de esportes radicais, sendo considerada durante algum tempo como uma das melhores pistas de skate do Brasil, sediando até um campeonato nacional da modalidade.

Cercada por natureza, a cidade é conhecida como a capital nacional do montanhismo. Muitos teresopolitanos praticam este esporte e alguns ganharam fama internacional, como Mozart Catão, um dos maiores montanhistas brasileiros, o primeiro a escalar o Everest,[182] que morreu escalando o Monte Aconcágua, na Argentina, pela face sul, arrebatado por uma avalanche.[183][184] Lugares como o Parque Nacional são muito procurados para a prática deste esporte, principalmente por abrigar a Pedra do Sino, o ponto mais alto da Serra, além do Escalavrado, Nariz do Frade, Agulha do Diabo, Dedo de Nossa Senhora e Pedra do Elefante. Destaca-se ainda a Mulher de Pedra, localizada em Vargem Grande, bairro situado no percurso do Circuito Terê-Fri (estrada entre Teresópolis e Friburgo), fazendo parte do Parque Montanhas de Teresópolis, onde também se encontra a Pedra da Tartaruga, local ideal para a prática de rappel e ponto de encontro de jipeiros. Além do montanhismo, a equitação é um esporte muito praticado por moradores e turistas da cidade, principalmente por ter áreas propícias para sua prática.

O futebol municipal, apesar de tradicional, não possui muito destaque nos cenários estadual e nacional. Os principais clubes são o Teresópolis e o Várzea, ambos centenários, e o Barra, com mais de meio século de existência. Ironicamente, desses clubes o com maior êxito é o Barra, que já foi vice-campeão da Copa Rio de 1995, perdendo para o Volta Redonda na final. O Teresópolis é o clube que mais disputou campeonatos profissionais nos últimos anos, no entanto a falta de apoio não permite que o mesmo se mantenha em uma divisão superior.[185][186]

Gastronomia

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A cidade de Teresópolis, além de ser conhecida pelas belas paisagens naturais, é também muito diversificada em sua culinária. Restaurantes e bares movimentam a cidade durante o dia e noite. São encontrados restaurantes de culinária internacional, como alemã, russa, francesa, italiana, portuguesa e japonesa.[187]

Bibliografia

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