Região Nordeste do Brasil
A Região Nordeste do Brasil é a terceira maior região em extensão territorial do país.[2] Compreende 1 554 291,744 km², aproximadamente um quinto da área do Brasil.[3] Grande parte de seu território integra a Região geoeconômica Nordeste. Ao passo disso, o oeste do Maranhão está subordinado à Região geoeconômica Amazônica.[2] Apresenta nove unidades federativas, a saber: Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí e Maranhão. Possui como limites: ao norte e ao leste, com o oceano Atlântico; ao sul, com os estados sudestinos de Minas Gerais e Espírito Santo; e ao oeste, com o Pará, Tocantins e Goiás.[3]
Região Nordeste do Brasil | |
|---|---|
| Divisão regional do Brasil | |
| Localização | |
| Características geográficas | |
| Região geoeconômica | Amazônia e Nordeste |
| Estados | Nove estados |
| Gentílico | nordestino[1] (ou nordestense, em desuso) |
| Regiões limítrofes | Sudeste, Norte e Centro-Oeste[2] |
| Área | 1 554 291,744 km² 2013 |
| População | 54 644 582 hab. 2022 |
| Densidade | 35,16 hab./km² |
| Maior concentração urbana | Recife |
| Cidade mais populosa |
Fortaleza |
| Indicadores | |
| PIB per capita | R$ 15 779,11 2018 |
| IDH | 0,762 alto 2024 |
A região nordeste é composta por diversas sub-regiões geoeconômicas bastante distintas, possuindo como aspecto genérico afinidades de desafios associados ao progresso econômico e determinadas semelhanças históricas e político-administrativas.[3]
Perto da costa, o terreno é ocupado por terras rebaixadas. No interior, prevalecem os planaltos de elevações modestas. Existem muitas bacias hidrográficas afastadas. A maior delas em extensão territorial é a do rio São Francisco, cujas nascentes se situam no sudeste. Possui um clima tropical, com temperaturas médias anuais altas. As chuvas são copiosas no noroeste do Maranhão e na costa meridional da Bahia, entretanto, são insuficientes no resto da região. A cobertura vegetal é muito variegada, mostrando as diferenças das elevações e das condições climáticas.[3]
Os lusitanos passaram a povoar a região nordeste na primeira metade do século XVI, no momento em que foram criadas as mais antigas vilas e a cidade de Salvador, primeira capital do Brasil. Por esse motivo, a região nordeste foi o local onde começou a colonização europeia no país, porque ali aconteceu o avistamento do Brasil, por motivos de exploração de pau-brasil e expansão territorial. Durante os dois primeiros séculos de povoamento, foi o centro vital da economia do Brasil, com duas importantes atividades agrícolas — o tabaco e a cana-de-açúcar — além da pecuária. Com o avistamento do ouro na Capitania de Minas Gerais, no decorrer do século XVIII, e a expansão da cafeicultura no sudeste do Brasil ao longo do século XIX, a região perdera muito de sua relevância econômica. Hoje, a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e os poderes executivos dos estados trabalham para construir indústrias na região e inovar sua agropecuária.[3]
História
Povos indígenas, descoberta e exploração

Os povos indígenas, principalmente cantarurés,[5] tupinambás,[6] cariris,[7] aticuns-umãs,[8] potiguaras,[9] pitaguaris[10] e guajajaras,[11] eram os primeiros moradores da Região Nordeste do Brasil.[12]
Mais tarde, os lusitanos chegaram ao nordeste brasileiro. A frota de Pedro Álvares Cabral veio à região próxima à atual cidade de Porto Seguro, mais precisamente na praia da Barra do Cahy, atualmente município de Prado, no estado da Bahia, em 1500.[12]
Para entender melhor as terras avistadas, o Reino de Portugal promoveu expedições desbravadoras. Elas palmilharam a costa e ali criaram as mais antigas feitorias de pau-brasil. Nestes locais, os lusitanos colhiam o pau-brasil explorado pelos indígenas.[12]
Colonização, produção agrícola, invasões estrangeiras, desenvolvimento econômico e ocupação urbana
Posteriormente, os lusos criaram as primeiras vilas. Eles introduziram o cultivo da cana-de-açúcar e ergueram os mais antigos engenhos na costa.[12]
A Região Nordeste enfrentou a dominação dos franceses (França Equinocial, atual Maranhão, 1612–1615) e dos neerlandeses (capitanias coloniais de Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí e Maranhão, todas subordinadas à Nova Holanda, 1630–1654). Para proteger o nordeste brasileiro destas investidas, foram edificadas fortalezas militares. Estas fortalezas fizeram surgir determinadas capitais de estados da região: Natal, Fortaleza e Paraíba do Norte (atual João Pessoa).[12]
A colonização do sertão nordestino começou com a pecuária. As mais antigas propriedades nasceram especialmente à beira do rio São Francisco e nas terras dos hoje estados do Maranhão e Piauí. Em torno destas propriedades, nasceram povoações que mais tarde se transformaram em cidades populosas.[12]
O cultivo de algodão, cacau, expansão das atividades extrativas e a criação de fábricas, concorreram também para a ocupação da Região Nordeste.[12] Em 1959, com a nomeação de Celso Monteiro Furtado como superintendente, foi criada a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE),[13][14] que contribuiu para reduzir as desigualdades regionais estimulando diversos mecanismos de desenvolvimento no Nordeste.[15]
Geografia


Em toda a região Nordeste do Brasil, prevalecem planícies de elevações abaixo de 1000 m. As planícies ocorrem no decorrer do litoral, e as terras médias, no interior. Nestes, sobressaem as chapadas, ocasionalmente chamadas de serras.[17]
A baixada litorânea é bastante longa ao norte, encurtando-se no nordeste oriental. O noroeste da região é dominado por chapadas de topo plano. Na baixada litorânea das unidades federativas do Leste são abundantes praias, dunas e tabuleiros, e também, mais para o interior, chapadas de topos aplainados, como a do Apodi. No interior da região prevalece um grande planalto onde sobressaem a serra da Ibiapaba e trechos de pedras mais sólidas, que foram conservados de um desgaste mais forte: a chapada do Araripe e a serra do Baturité.[17]
Apesar de compreender rios longos e torrenciais, como o Paraíba e o São Francisco, a hidrografia do nordeste é fraca. Seus rios são distribuídos em perenes — quando permanecem volumosos o ano inteiro — e temporários — quando sofrem estiagem após épocas chuvosas.[17]
O principal rio da região é o São Francisco, o qual, ainda que no decorrer da estiagem, faz permanecer boa parte do seu leito caudaloso, em consequência da alta quantidade de chuva nas regiões perto da sua nascente, na serra da Canastra, na região Sudeste. Já em demais regiões, o nível de suas águas diminui, deixando visíveis bancos de areia que impedem a navegação.[17]
Clima

A Região Nordeste do Brasil possui dois tipos de clima: o equatorial, no oeste do Maranhão, e o tropical, no resto da região. O clima tropical, no entanto, alberga duas variedades: o tropical úmido e o tropical semi-árido.[17]
A incidência de chuvas é muito irregular na região nordeste. Achamos regiões muito chuvosas, como o extremo noroeste e certos lugares da costa; já o interior, em boa parte, ganha menos de mil milímetros anuais de chuva, possuindo regiões principalmente deploráveis.[17]
A divisão desigual das chuvas no nordeste é ocasionada, dentre demais motivos, pela chapada da Borborema. Em função de sua localização geográfica, essa chapada impossibilita a incursão dos ventos chuvosos do oceano Atlântico que se dirigem às regiões internas. Dessa forma, a costa ganha mais chuvas que o interior, no qual os ventos vem secos.[17]
No momento em que a falta de chuvas é bastante grande, aparecem as estiagens, ocasionando sérios desafios à atividade agrícola. A origem deste fenômeno se encontra associada às massas de ar chuvosas que se deslocam para a costa e para o centro da América do Sul. Estas estiagens pioram no momento em que aparece o fenômeno chamado de El Niño: grandes massas de ar vão da costa do Peru ao Brasil e dificultam a passagem das massas de ar frio e chuvoso, fazendo com que sua força, já diminuída, reduza ainda mais.[17]
Vegetação

A Região Nordeste do Brasil compreende vários gêneros de formação vegetal, os quais oscilam da abundante e chuvosa Floresta Amazônica à árida e fraca caatinga.[17]
Quanto mais nos deslocamos para leste, a Hileia vai sumindo, sendo sucedida pela Mata dos Cocais. Esta mata reveste boa parte do Maranhão e do Piauí e ganha esta denominação em consequência da existência de inúmeras palmeiras, como o babaçu e a carnaúba. Nas regiões onde as chuvas são mais ausentes e as estações se caracterizam entre ressecada e úmida, os cocais vão sumindo e aparece o cerrado. Nas zonas onde o número de chuvas é ainda pequeno, ocorre o clima semi-árido e a caatinga. Perto da costa, ocorre a floresta tropical úmida da encosta, ou Mata Atlântica.[17]
Demografia
A região nordeste do Brasil possui uma população de cerca de 54,6 milhões de moradores, conforme o censo demográfico de 2022, com uma densidade populacional de 35,21 pessoas por quilômetro quadrado. O estado com a maior extensão territorial da região nordeste do Brasil constitui a Bahia, com cerca de um terço de toda a superfície regional. A unidade federativa com a maior número de habitantes da região nordeste do Brasil é igualmente a Bahia, com aproximadamente 26,64% de toda a população regional.[18][19]
Boa parte dos habitantes da população da região nordeste do Brasil mora na zona urbana. Pelo censo demográfico do Brasil de 2022, existem 64 municipalidades com cerca de 100 mil moradores, dos quais quatro com aproximadamente um milhão: Fortaleza, Salvador, Recife e São Luís.[18] O Nordeste constitui uma das principais regiões agropecuárias do Brasil. Nos últimos janeiros, vem experimentando um célere desenvolvimento fabril.[19]
O Índice de Desenvolvimento Humano da região nordeste do Brasil é considerado médio conforme o PNUD. Segundo o último levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), com dados relativos a 2010, o seu valor era de 0,663, estando na quinta e menor colocação ao nível nacional, depois do norte.[20] É a segunda região mais populosa do país (depois do Sudeste), concentrando 26,9% da população brasileira.[18][21][22] Entretanto, compreende uma densidade demográfica de 35,21 hab./km², mais de três vezes uma vezes maior que a do Brasil como um todo.[18]
Composição étnica, povos indígenas e migração
Hoje residem na região nordeste do Brasil pouco mais de 500 mil indígenas.[23] Do total, 24,55% moram em terras indígenas e 75,45% vivem fora. Dentre os 167 477 que habitam terras indígenas, 121 393 têm cor ou raça indígena e 8 489 residentes se acham indígenas. Dentre os 54 491 038 residentes, os quais moram fora de terras indígenas, 206 332 possuem cor ou raça indígena e 192 914 se julgam indígenas.[24]

Segundo pesquisa de autodeclaração do censo de 2022, 15 488 292 nordestinos se reconheceram como brancos. 5 013 783 pretos, 631 563 amarelos, 31 731 631 pardos, 209 451 indígenas.[25] Em 2010, 99,95% foram brasileiros (99,94% natos, 0,2% naturalizados) e 0,05% estrangeiros.[26] Dentre os brasileiros. Dentre os brasileiros, 96,65% são naturais do nordeste (72,44% do próprio estado) e 3,21% em demais regiões. 2,20% são do sudeste, 0,20% do sul, 0,37% do centro-oeste e 0,44% do norte.[27] Entre os estados de origem dos imigrantes, São Paulo possuía o maior percentual de residentes (0,35%). Este é acompanhado por Rio de Janeiro (0,43%). Minas Gerais (0,33%), Pará (0,26%) e Goiás (0,12%).[28]


A população nordestina formou-se a partir da mistura entre indígenas, europeus e africanos.[29] O povoamento iniciou-se no período colonial,[30] com a região sendo a primeira ocupada pelos portugueses e a primeira a receber escravos africanos.[31][32] A imigração europeia e asiática posterior teve pouca influência, ao contrário do Centro-Sul.[33] Darcy Ribeiro dividiu o povoamento em duas áreas: a crioula, ligada à economia açucareira do litoral e à fusão entre brancos, negros e indígenas; e a sertaneja, caracterizada pela criação de gado e forte presença de mestiços e influências indígenas.[30]
Estudos genéticos indicam predominância europeia em todos os estados, variando a contribuição africana e indígena conforme a região.[29] No norte do Piauí, prevalece DNA materno indígena; no sul, africano.[34] O litoral açucareiro recebeu grande número de escravos, enquanto o sertão manteve população branca e mestiça livre. Os africanos vieram sobretudo de Angola, Congo e Moçambique, com exceção da Bahia, que recebeu grupos da Nigéria, Gana e Benim.[30][35]
A possível herança genética holandesa é controversa: alguns autores sugerem descendência de holandeses que permaneceram após a reconquista portuguesa, enquanto outros afirmam que sua influência foi mínima.[36][37][38] Estudos recentes apontam que a ancestralidade europeia do Nordeste é majoritariamente ibérica, distante da holandesa.[39][40][41][42] Há também relatos de judeus sefarditas que teriam fugido para o sertão, mas pesquisas indicam que sua contribuição genética é mínima, cerca de 1%.[43][41]
Estudos genéticos


Estudos genéticos mostram que todos os nordestinos apresentam ancestralidade europeia, africana e indígena, com predominância da europeia. Pesquisas de 2009 a 2017 indicam variações entre 57% e 77% de herança europeia, cerca de 20% africana e 10% ameríndia, embora os percentuais variem entre indivíduos e capitais.[46]
Estudos também revelam que os brasileiros são geneticamente mais homogêneos do que as diferenças raciais aparentes sugerem, sendo a cor da pele um critério pouco confiável para classificar a ancestralidade.[47][48][48][49][50][51][52] Análises antigas, como as de 1965 e 2000, confirmam a predominância europeia (cerca de 65%), com influências africanas e indígenas menores, além de possíveis contribuições holandesas. Exemplos como Djavan e Ildi Silva demonstram a presença de linhagens europeias mesmo entre pessoas negras.[53][54][55][56][57][58][59]

No Sertão, há comunidades de aparência clara, atribuída a supostos descendentes de holandeses, embora estudos indiquem miscigenação equilibrada entre origens europeias, africanas e indígenas.[60][61][62]
Pesquisas regionais indicam variação genética entre capitais e estados: Natal (58% europeia), Aracaju (62%), São Luís (42%), Salvador (36%), Fortaleza (entre 48% e 70%), Pernambuco (56,8%) e Alagoas (54,7%). Em Salvador, pessoas com sobrenomes religiosos tendem a ter maior ancestralidade africana. A maior população indígena do Nordeste está em Baía da Traição (PB), dos potiguaras.[63][64][65][66][67][67][68]
No sertão do Nordeste, sobretudo no Ceará, é comum encontrar pessoas braquicéfalas, característica herdada dos cariris. Essa traço aparece em parte da população parda (66,1%) e também entre brancos e negros do estado. Além disso, alguns povos de outros países apresentam esse mesmo tipo de crânio.[69][70]
Povoamento
A região nordeste do Brasil, com cerca de 54,6 milhões de moradores, constitui a segunda região mais populosa do país.[18] Principalmente localizados na zona urbana, de cada cinco nordestinos, três residem nas cidades, e esse movimento segue crescendo.[71]
Etnicamente, a população nordestina é bastante diversificada, existindo prevalência de pardos (mulatos na costa, caboclos e cafuzos no Agreste e no Sertão), acompanhados de caucasianos e afrodescendentes. Em relação à porcentagem, temos: pardos, 59,6%; brancos, 26,7%; negros, 13%.[18][71]
Descobrimento do Brasil, colonização da Zona da Mata e agricultura canavieira

As primeiras terras avistadas por Pedro Álvares Cabral, quando veio ao Brasil, foram o litoral nordestino, algumas das mais antigas cidades do Brasil foram ali criadas. Dessa forma, no decorrer dos séculos XVI e XVII, a costa e a Zona da Mata eram a região com a maior população e progresso econômico do Brasil, devido ao plantio de cana-de-açúcar. Cultivada em modo de monocultura, a cana requeria enormes fazendas, as quais fizeram surgir os latifúndios, até então uma mazela social preocupante na região, por complicar o direito à terra, incentivando o êxodo rural.[72]
Ocupação do Sertão nordestino, produção animal e mineração
Ao passo que os solos produtivos, que se localizam perto do litoral, se encontravam destinados ao plantio de cana-de-açúcar, o Sertão nordestino foi colonizado desde os séculos XVII e XVIII, em consequência da pecuária, importante para a produção de açúcar, e, mais tarde, para a extração de ouro e diamantes na Capitania de Minas Gerais.[72]
Distribuição demográfica e estados mais populosos
Em boa parte, por motivos históricos, a costa e a Zona da Mata equivalem à porção com a maior população, compreendendo os mais populosos municípios da região nordeste do Brasil.[73]
Localizam-se regiões de elevada densidade populacional, como o Recôncavo Baiano, com cerca de duzentos moradores por quilômetro quadrado. O Sertão nordestino, no entanto, compreende uma população espalhada a qual não atingiria vinte residentes por quilõmetro quadrado, ao passo que o Agreste e o Meio-Norte possuem aglomerações médias.[73]
Com mais de 14,1 milhões de moradores, a Bahia é a unidade federativa com a maior população da região nordeste do Brasil, acompanhado por Pernambuco e pelo Ceará. Nestas unidades da federação se encontram localizadas os municípios mais populosos da região nordeste do Brasil: Salvador–BA, Fortaleza–CE e Recife–PE. A mais alta densidade populacional da região nordeste do Brasil está em Alagoas — aproximadamente 112,38 moradores por quilômetro quadrado — porque entidades federadas como esta possuem densidades mais elevadas.[18][73]
Religião

A região Nordeste do Brasil apresenta uma diversidade religiosa marcante, com o catolicismo sendo a religião predominante. Segundo o Censo Demográfico de 2022, 63,9% da população nordestina se declarou católica, mantendo-se como a maior concentração do país.[74] Além disso, a região possui uma rica tradição de religiões afro-brasileiras, como o candomblé e a umbanda, que são praticadas em diversos estados, especialmente na Bahia e em Pernambuco.[75]
Em termos de organização eclesiástica, o Nordeste é dividido em várias circunscrições eclesiásticas, incluindo arquidioceses e dioceses. Por exemplo, a Arquidiocese de Salvador, na Bahia, é uma das mais antigas e influentes do Brasil, enquanto a Arquidiocese de Olinda e Recife, em Pernambuco, também desempenha um papel significativo na Igreja Católica no Nordeste. Essas arquidioceses são subdivididas em dioceses que abrangem diferentes municípios da região.[76]
No campo do protestantismo, o Nordeste apresenta uma diversidade de denominações. Os evangélicos representam 22,5% da população nordestina, com destaque para as igrejas pentecostais e neopentecostais. Além disso, há presença de outras tradições protestantes, como as igrejas históricas e as de origem africana. Essa diversidade reflete a pluralidade religiosa característica da região.[77]
Modo de vida e fluxos migratórios
Boa parte da população do nordeste do Brasil vive em más condições de alimentação e bem-estar e o lugar possui elevadas taxas de mortalidade. Os índices de natalidade são também mais elevados, permitindo a grande presença contínua de trabalhadores. No entanto, dado o pouco progresso desta região, as pessoas sempre enfrentam desafios para obter ocupação. É por esta razão, à qual se junta a estiagem, que a região nordeste do Brasil se individualiza por ser uma região que distribui mão-de-obra não-qualificada, sendo o nordestino a maior comunidade de migrantes dentro do Brasil.[78]

Estes migrantes se dirigem não somente para regiões industrializadas de São Paulo e do Rio de Janeiro, mas igualmente para as vanguardas de ocupação do norte e do centro-oeste, sempre à procura de melhores condições de vida.[78]
Os nordestinos se deslocam também do próprio nordeste do Brasil, se mudando do Agreste e do Sertão para as regiões industrializadas. Ademais, no inverno — época de estiagem mais forte no Sertão e de chuvas na costa ― os sertanejos se movem para as zonas açucareiras da Zona da Mata, com o intuito de se dedicarem interinamente à colheita de cana-de-açúcar. Ao retornarem as chuvas ao Sertão nordestino, estas pessoas voltam aos seus locais e trabalhos de procedência. A estes fluxos migratórios se concede a denominação de movimentos ocasionais.[78]
Esta população sem ocupação fixa é uma enorme mazela econômica e social e, malgrado vários projetos instalados, pouco se chegou a fazer para inserir o nordeste do Brasil no progresso de demais regiões.[78]
Nos últimos anos, o movimento tradicional de emigração tem reduzido ou até se invertido na região Nordeste. Segundo o estudo "Nova geoeconomia do emprego no Brasil", da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), os estados do Ceará, Paraíba, Sergipe e Rio Grande do Norte receberam mais migrantes entre 1999 e 2004 do que enviaram para outras regiões. O estado da Paraíba, segundo a mesma pesquisa, foi o exemplo mais radical da transformação por que tem passado os padrões migratórios na região: inverteu o padrão migratório do saldo negativo de 61 mil pessoas para o saldo positivo de 45 mil. Em todos os outros estados que continuam a contar com um saldo migratório negativo, o número de migrantes diminuiu no mesmo período analisado: no Maranhão, diminuiu de 173 mil para 77 mil; em Pernambuco, de 115 mil para 24 mil; e na Bahia, de 267 mil para 84 mil.[79]
Urbanização

Todas as capitais da região Nordeste possuem região metropolitana (RM), com exceção de Teresina, que possui região integrada de desenvolvimento econômico (RIDE), por abrigar municípios de diferentes unidades federativas. Além das capitais, outras áreas metropolitanas figuram no interior. As regiões metropolitanas mais antigas são as de Recife, Salvador e Fortaleza, as quais foram criadas pela Lei Complementar Federal do Brasil 14 de 1973, e são também as mais populosas. As outras foram criadas por meio de leis complementares estaduais, como a RM de Feira de Santana.[80][81][82][83][84][85]
Todos os nove estados nordestinos possuem ao menos uma área metropolitana em seu território, seja na sua totalidade (como Rio Grande do Norte e Sergipe) ou parcialmente (Piauí). Nesse sentido, Maranhão possui três no total. São duas (São Luís e Sudoeste Maranhense), localizadas integralmente dentro do território maranhense, e outra (Grande Teresina) expande-se pelo Piauí. O estado da Paraíba possui o maior número de regiões metropolitanas (doze no total).[80][80][81][82][83][84][85]
Dados do censo de 2010 do IBGE confirmavam a Região Metropolitana do Recife como a mais populosa do Nordeste Brasileiro, a quinta do Brasil e a 107ª do mundo. A Região Metropolitana de Salvador caiu uma colocação na classificação regional e nacional, sendo ultrapassada pela Região Metropolitana de Fortaleza; esta passa a ocupar a segunda posição no Nordeste, a sexta do Brasil e a 108ª do mundo.[86] No censo de 2022 essa tendência foi novamente confirmada.[87]
Problemas sociais

A região nordeste do Brasil possui mazelas históricas: agricultura pobre e menos variada, importantes latifundiários, concentração de renda e uma indústria insuficientemente variegada e de menor rendimento; além do fenômeno natural de secas incessantes (ver: Polígono das secas). As diferenciadas particularidades entre o nordeste e demais regiões do país, além de pronunciar as disparidades regionais, criaram um panorama favorável à migração nordestina, em particular às regiões urbanas.[89]
Entretanto, apesar de vir manifestando notável melhoria nos últimos anos no que concerne ao padrão de vida de seu povo, possui também os menores índices socioeconômicos do país, bem como o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Os reduzidos números são mais ameaçadores nas zonas rurais e no sertão nordestino, o qual enfrenta extensas épocas sem chuva; entretanto, seus índices são melhores que os de nações como África do Sul (país mais rico do continente africano), Bolívia e Guiana. 18,7% dos nordestinos eram iletrados em 2009 conforme dados publicados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); e, de acordo com o Ibope, 22% eram favorecidos pelo programa de repasse de recursos Bolsa Família em 2010.[90] A taxa de fecundidade nordestina foi de 2,04 filhos por mãe em 2009, além da média nacional (1,94 filho por mãe) e dos índices das regiões Sudeste (1,75 filho por mãe), Sul (1,92 filho por mãe) e Centro-Oeste (1,93 filho por mãe), e aquém do indicador da Região Norte (2,51 filhos por mãe). Frisa-se que a taxa de natalidade do Nordeste se encontra aquém do índice de reposição populacional, o qual é de 2,1 filhos por mãe — duas crianças sucedem os pais e a parcela 0,1 é importante para contrabalançar as pessoas, as quais falecem antes de chegar à idade reprodutiva — e é similar aos índices de determinadas nações ricas, como, por exemplo, oos Estados Unidos e da Islândia (ambos com percentual de 2,05 filhos por mãe).[91]
Governo e política


A região Nordeste do Brasil está fragmentada em nove unidades federativas: Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia, politicamente governados pelos três poderes: executivo (governadores, vices e secretários estaduais), legislativo (Assembleia Legislativa, deputados estaduais e seu presidente) e judiciário (Tribunal de Justiça estadual e outros juízes, promotores, advogados e desembargadores).[92][93][94][95][96][97][98][99][100]

O poder executivo nordestino geopolítico é desempenhado pelos governadores dos nove estados da região Nordeste do Brasil, escolhidos pelo eleitorado do Nordeste geopolítico, sucedidos pelos vice-governadores dos nove estados da região Nordeste do Brasil, e assessorados por uma série de secretários estaduais.[92][93][94][95][96][97][98][99][100]
O poder legislativo nordestino geopolítico é desempenhado pelas Assembleias Legislativas dos nove estados da região Nordeste do Brasil, constituída por vários deputados estaduais, escolhidos pelo eleitorado do Nordeste geopolítico e liderados por seu presidente, sendo este um dos parlamentares.[92][93][94][95][96][97][98][99][100] Todos os nove estados da região Nordeste do Brasil têm como representantes três senadores e diversos deputados federais.[101][102]
A mais altas instâncias do poder judiciário nordestino geopolítico são os tribunais de justiça dos nove estados da região Nordeste do Brasil, que são desempenhados pelos juízes, promotores, advogados e desembargadores.[92][93][94][95][96][97][98][99][100]
Tribunais regionais e eleitorado
Além do TSE, a Região Nordeste do Brasil conta com tribunais especializados. Cada estado, por exemplo, Maranhão e Pernambuco, possui um Tribunal Regional Eleitoral (TRE), responsável pela supervisão das eleições estaduais e municipais.[103][104] No âmbito trabalhista, os tribunais regionais do trabalho, como, por exemplo, o TRT da 5.ª Região, que serve à Bahia, atendem às demandas trabalhistas,[105] enquanto os tribunais militares, como, por exemplo, a 7.ª Circunscrição Judiciária Militar (7.ª CJM), que serve aos estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte,[106] e a 10.ª Circunscrição Judiciária Militar (10.ª CJM), que comporta os estados do Ceará e Piauí, lidam com questões relacionadas às forças armadas e segurança pública.[107]
Em termos eleitorais, o Nordeste possui uma população de eleitores significativa. Em 2024, o Brasil registrou mais de 155 milhões de eleitores aptos a votar, com o Nordeste representando cerca de 27,7% desse total.[108] O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é responsável pela organização das eleições na Região Nordeste do Brasil, que é dividida em zonas eleitorais específicas para cada um dos nove estados nordestinos.[109]
Fórum dos Governadores e Consórcio Nordeste
No decorrer do Fórum dos Governadores do Nordeste de 2019, os poderes executivos das unidades federativas nordestinas, com auxílio na Lei Federal nº 11.107, de 6 de abril de 2005, fundaram o Consórcio Interestadual de Desenvolvimento Sustentável do Nordeste, com o nome de Consórcio Nordeste. Instituição com natureza jurídica de autarquia de consórcio público, a qual, entre outras, tem o objetivo de consolidação das competências dos estados consorciados com a unificação de recursos e expansão de sinergias.[110][111]
Subdivisões
Sub-regiões

Há diversos modos de fragmentar um lugar para investigá-lo geograficamente: caso consideremos a dependência mútua dentre aspectos ambientais como geomorfologia, clima, solos, rios, pedras e formação vegetal, este local é um domínio morfoclimático; se as características de dependência mútua são também de estrutura econômica, como uso do solo, conexão dentre os setores secundário e terciário e existência de energia e transportes, este lugar pode representar uma sub-região.[112]
A Região Nordeste do Brasil é compreendida por três enormes domínios morfoclimáticos: o amazônico, o qual abrange a porção oriental do Maranhão; o das florestas tropicais, o qual compõe um curto cinturão costeiro, a partir do Rio Grande do Norte até a Bahia, e o da caatinga, o qual alberga o Sertão, parte da costa do Ceará e do Rio Grande do Norte. Estes domínios são delimitados por faixas de transição.[112]
Os aspectos destas regiões estão relacionados ao gênero de colonização e às principais fontes de renda, constituindo, dessa forma, quatro sub-regiões: Litoral e Zona da Mata, Agreste, Sertão e Meio-Norte.[112]
Litoral e Zona da Mata
O cinturão da costa e da Zona da Mata vai do Rio Grande do Norte à Bahia, com uma distância a qual oscila entre oitenta e duzentos quilômetros. Compreende clima tropical úmido, propiciando-lhe rios caudalosos e permanentes, chuvas copiosas e bem divididas no decorrer do período anual e vegetação higrófita, constituída originalmente pela espessa Mata Atlântica.[113]
Hoje, esta mata se encontra quase destruída e na terra produtiva em que ela se desenvolvia estão vários plantios agrários: sobressaindo as plantações de cana-de-açúcar e cacau.[113]

A baixada litorânea da Zona da Mata é mais curta que a do Meio-Norte. Constitui um cinturão de lindas praias, em que ainda ocorrem dunas, principalmente no Ceará, e arrecifes, sobretudo em Pernambuco.[113]
A fronteira deste cinturão litorâneo é caracterizada pela existência íngreme de chapadas e planaltos, destacando-se a chapada Diamantina, como divisa das planícies na Bahia, na parte meridional da região, e a chapada da Borborema, como fronteira setentrional.[113]
A Zona da Mata possui clima igualmente tropical, entretanto, bem chuvoso; na porção meridional, as chuvas são bem divididas o ano todo, enquanto no extremo norte, elas ocorrem no outono-inverno.[113]

Sub-região bem drenada pelas chuvas, possui, geograficamente, uma série de rios, os quais cortam as chapadas e desembocam no Atlântico. Dentre estes, os rios São Francisco, Jaguaripe e Paraguaçu representam os rios mais importantes.[113]
A vegetação costeira compreende praias e dunas; primariamente, a Mata Atlântica, praticamente devastada atualmente, revestia boa parte da sub-região, a qual, em função da abundância da formação vegetal, acabou sendo chamada exatamente de Zona da Mata.[113]
A agricultura, o comércio, a indústria e o turismo constituem as mais importantes fontes de renda desenvolvidas na costa e na Zona da Mata.[113]
Agreste
O Agreste equivale a um curto cinturão além da área costeira, em que o clima é cálido o ano inteiro. No entanto, não vem a constituir uma sub-região seca: a força e a quantidade das chuvas são intermediários dentre as pluviosidades da costa e da Zona da Mata. Em função do clima e do regime pluvial, a vegetação não é muito abundante.[114]

O relevo do Agreste é montanhoso, porque boa parte deste cinturão se localiza no topo dos planaltos e chapadas, em elevações as quais oscilam entre quinhentos metros, no planalto da Borborema, e aproximadamente dois mil metros, na chapada Diamantina. Esta elevação interfere nas temperaturas, as quais são mais baixas que na costa, e nas chuvas, as quais variam de oitocentos a mil milímetros anuais. As pluviosidades, que ocorrem nos meses de inverno, são razoavelmente numerosas nas encostas direcionadas para a costa e escassas nas encostas ocidentais, já prenunciando o Sertão.[114]
A variação de umidade nestas duas vertentes faz surgir vegetações também diferentes: dessa forma, intercalam-se partes compreendidas primariamente pela Mata Atlântica e porções onde se alternam as formações de coqueirais e a caatinga. Diminutos rios são frequentes em ambas as encostas, sendo bastante empregados principalmente em regiões mais secas, marcando regiões agrárias localmente chamadas de "brejos" (solos em que os rios são perenes e cujos terrenos são produtivos, em consequência das inundações).[114]
A policultura, desenvolvida em fazendas diminutas, constitui a mais importante fonte de renda desta sub-região, ao lado da pecuária. Nas cidades, prevalece o comércio e a pequena indústria, de tecidos ou de alimentos.[114]
Sertão
O Sertão nordestino compreende mais de três quartos do Nordeste, prolongando-se no interior de todas as unidades federativas — menos o Maranhão — e atingindo a costa cearense e potiguar. Constitui uma grande sub-região prejudicada pelo clima semiárido: sujeita a estiagens comuns, sua formação vegetal é formada especialmente por plantas arbóreas e arbustivas revestidas de espinhos.[115]
O terreno do Sertão, plano e repleto de rochas, e o clima menos chuvoso constituem fatores os quais complicam a agricultura; a criação de gado é opção econômica regional. As pluviosidades são isoladas e a população, pequena. Ao se estenderem por largos janeiros, as estiagens formam uma situação de pobreza e ausência de comida, fazendo com que muitos nordestinos passem a ter poucos recursos financeiros e escassez de água.[115]

A topografia do Sertão possui um terreno rochoso de grande planalto de topo plano. Neste altiplano ocorrem superfícies mais elevadas, constituindo determinadas chapadas e a serra de Baturité e ainda pedras cristalinas espalhadas, sendo parecidas com meras ilhas, em função da planura das chapadas. São os inselbergs (montes-ilhas), restantes de uma topografia de outros períodos, no momento em que a umidade era grande.[115]
Boa parte dos rios do Sertão nordestino é intermitente, quer dizer, eles perdem água no decorrer de grande parte do ano. Os rios São Francisco e Jaguaribe — permanentes — constituem os de maior importância local.[115]
Tem um clima do tipo tropical semiárido, que apresenta temperaturas elevadas e poucas chuvas — abaixo de quinhentos milímetros por ano ―, são também mal divididas, porque as precipitações aparecem somente no verão.[115]
A formação vegetal prevalecente constitui a caatinga, a qual troca de aparência conforme a umidade ou a produtividade do terreno, havendo, por essa razão, caatingas arbóreas, arbustivas e até herbáceas.[115]
O extrativismo vegetal e criação de gado constituem as fontes de renda mais desenvolvidas no Sertão, apesar do êxito da agricultura regada com água em determinadas regiões demonstrar a necessidade de fazer crescer os aportes financeiros neste setor econômico.[115]
Meio-Norte
O Meio-Norte, o qual abrange o Maranhão e praticamente todo o Piauí, aparece como a região de passagem dentre a Amazônia, chuvosa e revestida por florestas, e o Sertão, prejudicado pelas estiagens e coberto pela caatinga; por isso, compreende aspectos naturais das duas regiões.[116]
A topografia do Meio-Norte é caracterizado por uma baixada litorânea bem longa, acompanhada altitudes menos elevadas, as quais compõem chapadas sedimentares de topo raso. Estas altitudes, chamadas em seu grupo de planalto do Meio-Norte, são atravessadas por inúmeros rios, muito caudalosos, os quais correm nas chapadas e vão para a costa; poucos deságuam na enorme entrada denominada de golfão Maranhense.[116]
Os mais extensos rios são os que permitem melhor utilização econômica, sobressaindo, sobre este ponto específico, o Mearim, o Itapecuru, o Pindaré e o Parnaíba, o qual é utilizado como divisa dentre o Piauí e o Maranhão.[116]
O Meio-Norte possui um clima claramente: por este motivo, as temperaturas são altas o ano inteiro e as chuvas numerosas, especialmente na parte ocidental, nos limites com a Amazônia.[116]
A mata equatorial, espessa, fechada e esverdeada o ano todo, ocorre na porção ocidental, no entanto, quanto mais, no sentido contrário, a força das chuvas reduz, a mata igualmente vai deixando de ter sua riqueza, até se converter em uma região de campos e, posteriormente, em caatinga, já no interior do Piauí. Em determinadas regiões do Meio-Norte, a floresta se alterna com uma formação vegetal de várias palmáceas, chamada de Mata dos Cocais, onde prevalecem a carnaúba e o babaçu, palmeiras de enorme importância econômica.[116]
O extrativismo de carnaúba e babaçu, desenvolvido na Mata dos Cocais, a pecuária extensiva, nas regiões mais secas, a agricultura de subsistência e o plantio do arroz e algodão são as fontes de renda de maior relevância no Meio-Norte.[116]
Unidades federativas

2 - Piauí
3 - Ceará
4 - Rio Grande do Norte
5 - Paraíba
6 - Pernambuco
7 - Alagoas
8 - Sergipe
9 - Bahia.
O Nordeste comporta nove estados: Bahia, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Sergipe.[117] Cada um desses estados possui características históricas e geográficas próprias, com capitais criadas em várias épocas. Salvador, na Bahia, foi fundada em 1549;[118] Recife, em Pernambuco, em 1537;[119] Natal, no Rio Grande do Norte, em 1599;[120] João Pessoa, na Paraíba, em 1585;[121] São Luís, no Maranhão, em 1612;[122] Fortaleza, no Ceará, em 1726;[123] Maceió, em Alagoas, em 1815;[124] Teresina, no Piauí, em 1852;[125] e Aracaju, em Sergipe, em 1855.[126]
Todos os estados nordestinos possuem litoral banhado pelo Oceano Atlântico, o que garante acesso direto ao comércio marítimo e à pesca. Além disso, compartilham fronteiras com outros estados brasileiros: a Bahia faz divisa com Minas Gerais, Espírito Santo, Goiás, Tocantins, Piauí, Pernambuco e Sergipe; o Maranhão com Piauí, Tocantins e Pará; o Piauí com Maranhão, Ceará, Pernambuco e Bahia; o Ceará com Piauí, Pernambuco e Rio Grande do Norte; o Rio Grande do Norte com Ceará e Paraíba; a Paraíba com Rio Grande do Norte e Pernambuco; Pernambuco com Paraíba, Ceará, Piauí, Bahia e Alagoas; Alagoas com Pernambuco e Sergipe; e Sergipe com Alagoas e Bahia.[117]
Em termos de área, a Bahia é o maior estado do Nordeste, com aproximadamente 564.760 km², enquanto Sergipe é o menor, com cerca de 21.938 km². Quanto à população, a Bahia também lidera, com aproximadamente 15,5 milhões de habitantes, enquanto Sergipe apresenta a menor população, estimada em 2,3 milhões de pessoas.[127][117]
O Produto Interno Bruto (PIB) da região reflete a diversidade econômica dos estados. Em 2024, a Bahia lidera com um PIB estimado em 483 bilhões de reais, seguida por Pernambuco (263 bilhões), Ceará (156 bilhões), Maranhão (121 bilhões), Paraíba (120 bilhões), Piauí (69 bilhões), Rio Grande do Norte (63 bilhões), Alagoas (56 bilhões) e Sergipe (57 bilhões).[128] No entanto, quando se considera o PIB per capita, Pernambuco se destaca com 28 mil reais, seguida por Sergipe (25.401 reais), Rio Grande do Norte (24 mil), Ceará (22 mil), Bahia (20 mil), Paraíba (18 mil), Maranhão (16 mil), Piauí (15 mil) e Alagoas (14 mil). Isso evidencia que, apesar da Bahia ter a maior economia em termos absolutos, Pernambuco apresenta um rendimento médio mais elevado por habitante, refletindo uma economia mais diversificada e industrializada.[129]
No âmbito do desenvolvimento humano, o Ceará se destaca na região Nordeste, apresentando o maior Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M), ocupando a 12ª posição no ranking nacional em 2021, segundo dados do IPECE.[130]
Regiões geográficas intermediárias e imediatas
| Região geográfica intermediária[132] | Código | Número de municípios |
Regiões geográficas imediatas | Código | Número de municípios |
|---|---|---|---|---|---|
| Aracaju | 2801 | 46 | Aracaju | 280001 | 20 |
| Estância | 280002 | 10 | |||
| Propriá | 280003 | 16 | |||
| Itabaiana | 2802 | 29 | Itabaiana | 280004 | 14 |
| Lagarto | 280005 | 6 | |||
| Nossa Senhora da Glória | 280006 | 9 |
| Região geográfica intermediária[133] | Código | Número de municípios |
Regiões geográficas imediatas | Código | Número de municípios |
|---|---|---|---|---|---|
| Maceió | 2701 | 52 | Maceió | 270001 | 13 |
| Porto Calvo-São Luís do Quitunde | 270002 | 13 | |||
| Penedo | 270003 | 7 | |||
| São Miguel dos Campos | 270004 | 6 | |||
| União dos Palmares | 270005 | 6 | |||
| Atalaia | 270006 | 7 | |||
| Arapiraca | 2702 | 50 | Arapiraca | 270007 | 17 |
| Palmeira dos Índios | 270008 | 9 | |||
| Delmiro Gouveia | 270009 | 7 | |||
| Santana do Ipanema | 270010 | 9 | |||
| Pão de Açúcar-Olho d'Água das Flores-Batalha | 270011 | 8 |
| Região geográfica intermediária[134] | Código | Número de municípios |
Localização | Regiões geográficas imediatas | Código | Número de municípios |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Recife | 2601 | 71 | Recife | 260001 | 16 | |
| Goiana-Timbaúba | 260002 | 11 | ||||
| Palmares | 260003 | 10 | ||||
| Limoeiro | 260004 | 8 | ||||
| Vitória de Santo Antão | 260005 | 4 | ||||
| Carpina | 260006 | 6 | ||||
| Barreiros-Sirinhaém | 260007 | 5 | ||||
| Surubim | 260008 | 7 | ||||
| Escada-Ribeirão | 260018 | 5 | ||||
| Caruaru | 2602 | 64 | Caruaru | 260009 | 23 | |
| Garanhuns | 260010 | 22 | ||||
| Arcoverde | 260011 | 11 | ||||
| Belo Jardim-Pesqueira | 260012 | 7 | ||||
| Serra Talhada | 2603 | 25 | Serra Talhada | 260013 | 13 | |
| Afogados da Ingazeira | 260014 | 12 | ||||
| Petrolina | 2604 | 25 | Petrolina | 260015 | 6 | |
| Araripina | 260016 | 10 | ||||
| Salgueiro | 260017 | 9 |
| Região geográfica intermediária[135] | Código | Localização | Número de municípios |
Regiões geográficas imediatas | Código | Número de municípios |
|---|---|---|---|---|---|---|
| João Pessoa | 2501 | 63 | João Pessoa | 250001 | 22 | |
| Guarabira | 250002 | 26 | ||||
| Mamanguape-Rio Tinto | 250003 | 10 | ||||
| Itabaiana | 250004 | 5 | ||||
| Campina Grande | 2502 | 72 | Campina Grande | 250005 | 47 | |
| Cuité-Nova Floresta | 250006 | 10 | ||||
| Monteiro | 250007 | 7 | ||||
| Sumé | 250008 | 8 | ||||
| Patos | 2503 | 63 | Patos | 250009 | 26 | |
| Itaporanga | 250010 | 15 | ||||
| Catolé do Rocha-São Bento | 250011 | 10 | ||||
| Pombal | 250012 | 7 | ||||
| Princesa Isabel | 250013 | 5 | ||||
| Sousa-Cajazeiras | 2504 | 25 | Sousa | 250014 | 13 | |
| Cajazeiras | 250015 | 12 |
| Região geográfica intermediária[136] | Código | Número de municípios |
Localização | Regiões geográficas imediatas | Código | Número de municípios |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Natal | 2401 | 75 | Natal | 240001 | 24 | |
| Santo Antônio-Passa e Fica-Nova Cruz | 240002 | 13 | ||||
| Canguaretama | 240003 | 9 | ||||
| Santa Cruz | 240004 | 9 | ||||
| João Câmara | 240005 | 10 | ||||
| São Paulo do Potengi | 240006 | 10 | ||||
| Caicó | 2402 | 24 | Caicó | 240007 | 15 | |
| Currais Novos | 240008 | 9 | ||||
| Mossoró | 2403 | 68 | Mossoró | 240009 | 17 | |
| Pau dos Ferros | 240010 | 34 | ||||
| Açu | 240011 | 17 |
| Região geográfica intermediária[137] | Código | Número de municípios |
Regiões geográficas imediatas | Código | Número de municípios |
|---|---|---|---|---|---|
| Fortaleza | 2301 | 51 | Fortaleza | 230001 | 20 |
| Itapipoca | 230002 | 7 | |||
| Redenção-Acarape | 230003 | 12 | |||
| Canindé | 230004 | 6 | |||
| Itapajé | 230005 | 6 | |||
| Quixadá | 2302 | 31 | Quixadá | 230006 | 11 |
| Russas-Limoeiro do Norte | 230007 | 15 | |||
| Aracati | 230008 | 5 | |||
| Iguatu | 2303 | 15 | Iguatu | 230009 | 10 |
| Icó | 230010 | 5 | |||
| Juazeiro do Norte | 2304 | 30 | Juazeiro do Norte | 230011 | 22 |
| Brejo Santo | 230012 | 8 | |||
| Crateús | 2305 | 13 | Crateús | 230013 | 10 |
| Tauá | 230014 | 3 | |||
| Sobral | 2306 | 44 | Sobral | 230015 | 23 |
| São Benedito-Ipu-Guaraciaba do Norte-Tianguá | 230016 | 11 | |||
| Acaraú | 230017 | 6 | |||
| Camocim | 230018 | 4 |
| Região geográfica intermediária[138] | Código | Número de municípios |
Regiões geográficas imediatas | Código | Número de municípios |
|---|---|---|---|---|---|
| Teresina | 2201 | 65 | Teresina | 220001 | 16 |
| Amarante-Água Branca-Regeneração | 220002 | 22 | |||
| Campo Maior | 220003 | 12 | |||
| Valença do Piauí | 220004 | 9 | |||
| Barras | 220005 | 6 | |||
| Parnaíba | 2202 | 30 | Parnaíba | 220006 | 11 |
| Piripiri | 220007 | 10 | |||
| Esperantina | 220008 | 9 | |||
| Picos | 2203 | 58 | Picos | 220009 | 33 |
| Paulistana | 220010 | 9 | |||
| Oeiras | 220011 | 9 | |||
| Simplício Mendes | 220012 | 7 | |||
| São Raimundo Nonato | 2204 | 21 | São Raimundo Nonato | 220013 | 13 |
| São João do Piauí | 220014 | 8 | |||
| Corrente-Bom Jesus | 2205 | 22 | Corrente | 220015 | 14 |
| Bom Jesus | 220016 | 8 | |||
| Floriano | 2206 | 28 | Floriano | 220017 | 13 |
| Uruçuí | 220018 | 7 | |||
| Canto do Buriti | 220019 | 8 |
| Região geográfica intermediária[139] | Código | Número de municípios |
Regiões geográficas imediatas | Código | Número de municípios |
|---|---|---|---|---|---|
| São Luís | 2101 | 73 | São Luís | 210001 | 13 |
| Pinheiro | 210002 | 11 | |||
| Chapadinha | 210003 | 10 | |||
| Itapecuru-Mirim | 210004 | 9 | |||
| Viana | 210005 | 10 | |||
| Barreirinhas | 210006 | 4 | |||
| Tutóia-Araioses | 210007 | 7 | |||
| Cururupu | 210008 | 9 | |||
| Santa Inês-Bacabal | 2102 | 59 | Santa Inês | 210009 | 15 |
| Bacabal | 210010 | 16 | |||
| Governador Nunes Freire | 210011 | 14 | |||
| Pedreiras | 210012 | 14 | |||
| Caxias | 2103 | 14 | Caxias | 210013 | 6 |
| Timon | 210014 | 4 | |||
| Codó | 210015 | 4 | |||
| Presidente Dutra | 2104 | 28 | Presidente Dutra | 210016 | 13 |
| São João dos Patos | 210017 | 11 | |||
| Colinas | 210018 | 4 | |||
| Imperatriz | 2105 | 43 | Imperatriz | 210019 | 17 |
| Barra do Corda | 210020 | 9 | |||
| Açailândia | 210021 | 5 | |||
| Balsas | 210022 | 12 |
Economia


A economia da Região Nordeste do Brasil foi a essência histórica do início da economia do Brasil, porque as fontes de rendas ao redor do pau-brasil e da cana-de-açúcar prevaleceram, sendo começadas no Nordeste do Brasil. O Nordeste era a região desenvolvida do país até a metade do século XVIII.[143]
A Região Nordeste é, hoje, a terceira mais rica do Brasil dentre as macrorregiões. Sua presença no Produto Interno Bruto brasileiro era de 13,4% em 2011, após a Região Sul (16,2% de presença no PIB) e superando da Região Centro-Oeste (9,6% de presença no PIB).[144] Mesmo assim, é a região com o menor PIB per capita. A divisão de renda nessa região aumentou notavelmente nos anos 2000: conforme informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2009, a renda média no Nordeste passou um crescimento verdadeiro (já excluída a inflação) de 28,8% de 2004 a 2009, excedendo de R$ 570 para R$ 734. De 2008 a 2009, o aumento era de 2,7%. Era a região, a qual possuiu o mais alto desenvolvimento no salário médio do operário nesse período.[145]
Em 2011, seu PIB nominal foi de R$ 555,3 bilhões,[144] ultrapassando o de nações como Chile, Singapura e Portugal; e seu PIB nominal per capita, de R$ 10 379,55, excedendo o de Estados soberanos como Ucrânia, Tailândia e China. As principais economias da Região Nordeste constituem, nesta ordem, Bahia, Pernambuco e Ceará, unidades federativas, as quais reúnem, juntas, 8,5% do PIB do país. Já as unidades federativas nordestinas com mais alto PIB per capita constituem Sergipe, Pernambuco, Bahia e Rio Grande do Norte, acompanhadas por Alagoas, Ceará, Paraíba e Piauí. Em 2011, Ipojuca, em Pernambuco, foi a municipalidade com o mais alto PIB per capita da Região Nordeste, com R$ 116.198,31, além de décimo sexto do Brasil. Demais municipalidades nordestinas igualmente estavam dentre os 100 com o mais alto PIB per capita do país, como Guamaré-RN, São Francisco do Conde-BA, Cairu-BA e Candeias-BA.[146] Ao contrário, no Nordeste igualmente se encontra situado o município com o terceiro mais baixo PIB per capita do Brasil: São Vicente Ferrer, no Maranhão, com R$ 2 679,66. As 56 cidades de mais baixo PIB per capita (as quais equivalem a 1,0% das 5 570 municipalidades do país) possuíam PIB per capita abaixo de R$ 3 492,99 e ficavam situadas em seis estados: Maranhão (19), Alagoas (7), Piauí (7), Bahia (6) e Ceará (1), na Região Nordeste; e Pará (16), na Região Norte. Dentre os estados do Nordeste, somente Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Sergipe não têm município com PIB per capita abaixo de R$ 4 000,00.[147]
O potencial energético implantado é de 10.761 MW.[148]
A Região Nordeste desfruta, a partir do fim dos anos 2000, de um intenso desenvolvimento econômico. Ainda assim, no decorrer da Grande Recessão, a região possuiu crescimento no PIB: ao passo que o PIB do Brasil diminuiu 0,2% em 2009,[149] o PIB de Pernambuco aumentou 4%; o PIB do Ceará, 3,4%; e o PIB da Bahia, 2,2%.[150] Esse incremento atenuou o efeito da maior crise do capitalismo dos últimos oitenta anos na economia do Brasil.
O Banco do Nordeste cresceu para 8,3% a previsão de expansão para o Produto Interno Bruto (PIB) do Nordeste em 2010. A projeção é de que a ampliação resulte maior do que a do Brasil, cuja expansão deve ser de 7,5% em 2010.[151]
Setor primário
Agricultura

A região é importante plantadora de castanha de caju, cana-de-açúcar, cacau, algodão e frutas tropicais em geral (especialmente coco, mamão, melão, banana, manga, abacaxi e guaraná). Tem ainda plantações importantes de soja, milho, feijão, mandioca, laranja, café e uva.[159][160][161][162][163][164][165][166][167][168][169][170][171][172][173][174][175][176][177][178]

Em 2017, a Região Nordeste era responsável pela maior produção de coco do país, com 74,0% da plantação do país. A Bahia plantou 351 milhões de frutos, Sergipe, 234 milhões, e Ceará, 187 milhões. Não obstante, o setor enfrenta intensa concorrência e perde participação no comércio em relação à Indonésia, Filipinas e Índia, os principais plantadores globais, que conseguem vender água de coco para o Brasil. Além das questões climáticas, a reduzida produtividade dos coqueiros na Região Nordeste decorre de fatores vinculados à variedade de coco cultivada e ao grau tecnológico utilizado nas áreas costeiras. Nessas regiões, ainda prevalece o sistema de cultivo semiextrativista, caracterizado por baixa fertilidade e pela ausência de práticas de manejo cultural. Os três estados com as principais produções, Bahia, Sergipe e Ceará, demonstram um desempenho três vezes inferior ao de Pernambuco, que ocupa a quinta posição na produção nacional. Isso se deve ao fato de que a maioria dos coqueirais situados nesses três estados encontra-se em áreas costeiras, sendo plantada em sistemas semiextrativistas.[159]
A produção de caju no Brasil é efetuada praticamente exclusivamente na região Nordeste. A área destinada ao cultivo de cajueiros no Brasil, em 2017, foi estimada em 505,5 mil hectares; desse montante, 99,5% encontra-se situado na região Nordeste. Os principais responsáveis pela produção dessa região são o Ceará, com 61,6% da área total do país, seguido pelo Rio Grande do Norte e pelo Piauí. Entretanto, o Brasil, que em 2011 ocupava a quinta posição entre os maiores produtores globais de castanha de caju, em 2016, retrocedeu para a 14ª colocação, detendo apenas 1,5% da quantidade total de castanha produzida mundialmente. Em 2016, o Vietnã, a Nigéria, a Índia e a Costa do Marfim destacaram-se como os principais produtores globais de castanha de caju, correspondendo a 70,6% da produção mundial. Nos anos recentes, observou-se um aumento na intensidade da concorrência com certas nações africanas, onde iniciativas governamentais têm promovido o crescimento da agricultura e da capacidade de industrialização. Avalia-se que a capacidade instalada de processamento de castanha de caju no Nordeste é de 295 mil toneladas anuais; entretanto, a Região apenas conseguiu gerar cerca de um quarto dessa quantia. Entre os principais países produtores no cenário global, o Brasil é aquele que apresenta a menor taxa de produtividade. Vários elementos são identificados como responsáveis pela diminuição da produtividade e pela redução na produção de castanha de caju no Brasil. Um dos fatores é que a maior parte dos pomares encontra-se em um estágio de degradação natural da produtividade. Ademais, os extensos cajueirais, que predominam na localidade, são submetidos a uma exploração quase extrativista, caracterizada pela escassa aplicação de tecnologias.[160]

Na atividade de cultivo de cacau, a Bahia ocupou, durante um extenso período, a posição de destaque na produção nacional. Atualmente, compete com o estado do Pará a primazia na produção nacional. Em 2017, o estado do Pará conquistou a liderança pela primeira vez. No ano de 2019, os produtores paraenses obtiveram uma colheita de 135 mil toneladas de cacau, enquanto os baianos totalizaram 130 mil toneladas. A extensão de cultivo de cacau na Bahia é quase três vezes superior à do Pará; entretanto, a produtividade no Pará é aproximadamente três vezes maior. Diversos elementos que elucidam essa questão são: as plantações da Bahia apresentam uma natureza mais extrativista, enquanto as do Pará adotam uma abordagem mais moderna e comercial; além disso, os habitantes do Pará utilizam sementes mais produtivas e resilientes, e a sua área geográfica favorece a resistência à praga conhecida como Moniliophthora perniciosa.[161]

No ano de 2018, a região Nordeste ocupava a terceira posição entre as áreas com maior produção de cana-de-açúcar no Brasil. O Brasil sobressai-se como o maior produtor mundial, alcançando uma colheita de 672,8 milhões de toneladas neste ano. A região Nordeste registrou uma colheita de 45,7 milhões de toneladas, representando 6,8% da produção total nacional. Alagoas sobressai-se como o destacado produtor, correspondendo a 33,3% da produção da região nordeste, com um total de 15,2 milhões de toneladas. Pernambuco destaca-se como o segundo maior produtor do Nordeste, representando 22,7% do total da região, o que equivale a 10,3 milhões de toneladas. A Paraíba corresponde a 11,9% da produção nordestina, totalizando 5,5 milhões de toneladas, enquanto a Bahia representa 10,24% da produção, equivalente a 4,7 milhões de toneladas.[162]

A Bahia ocupa a segunda posição como maior produtora de algodão no Brasil, posicionando-se apenas atrás do Mato Grosso.[163][179] No ano de 2019, foram colhidas 1,5 milhão de toneladas do referido produto.[165]
A Bahia figura como o quarto maior produtor de café do país, respondendo por aproximadamente 7% da produção nacional.[166]
Pernambuco ocupa a segunda posição entre os maiores produtores de uva do Brasil. No ano de 2017, o estado gerou 390 mil toneladas. No mesmo ano, a Bahia posicionava-se como o sexto maior produtor, com uma produção de 51 mil toneladas.[167]
Na cultura da soja, o Brasil alcançou uma produção aproximada de 120 milhões de toneladas em 2019, posicionando-se como o principal produtor global. Em 2019, a região Nordeste gerou aproximadamente 10,7 milhões de toneladas, correspondendo a 9% do total nacional. Os principais produtores da região Nordeste foram a Bahia, com 5,3 milhões de toneladas; o Maranhão, com 3 milhões de toneladas; e o Piauí, com 2,4 milhões de toneladas.[168]
Em 2018, na produção de milho, o Brasil ocupava a terceira posição entre os maiores produtores mundiais, atingindo a marca de 82 milhões de toneladas. A região Nordeste foi responsável por aproximadamente 8,4% do total nacional. A Bahia destacou-se como a principal produtora do Nordeste, com uma produção de 2,2 milhões de toneladas. O Piauí destacou-se como o segundo maior produtor da região Nordeste, alcançando a marca de 1,5 milhão de toneladas, enquanto o Maranhão posicionou-se como o terceiro maior, com 1,3 milhão de toneladas.[170]
No ano de 2018, a Região Sul destacou-se como a maior produtora de feijão, contabilizando 26,4% do total, sendo sucedida pela Região Centro-Oeste com 25,4%, pela Região Sudeste com 25,1%, pelo Nordeste com 20,6% e pela Região Norte com 2,5%. Os principais estados produtores da região Nordeste foram o Ceará, a Bahia, o Piauí e Pernambuco.[171]

A Bahia ocupa a posição de segundo maior produtor de frutas no Brasil, com uma produção superior a 3,3 milhões de toneladas por ano, sendo superada apenas por São Paulo. A região norte da Bahia destaca-se como um dos principais fornecedores de frutas do Brasil. O estado figura entre os principais produtores nacionais de dez variedades de frutas. Consoante ao Censo do IBGE de 2017, a Bahia ocupava a posição de destaque na produção de amêndoa de cacau, cajarana, coco, fruta do conde ou pinha, graviola, umbu, jaca, licuri, manga e maracujá. Ademais, figurava em segundo lugar no cultivo de atemoia, cupuaçu, lima e limão, e em terceiro na produção de banana, carambola, goiaba, mamão, melancia, melão, pitanga, romã e uva de mesa. No total, 34 produtos da agricultura frutífera da Bahia exercem uma significativa contribuição para a economia nacional.[173]
O estado do Rio Grande do Norte destaca-se como o principal produtor de melão em território nacional. No ano de 2017, foram produzidas 354 mil toneladas, distribuídas entre os municípios de Mossoró, Tibau e Apodi. A região Nordeste foi responsável por 95,8% da produção nacional em 2007. Além do Rio Grande do Norte, que em 2005 foi responsável por 45,4% da produção total do país, os demais três estados de maior destaque foram Ceará, Bahia e Pernambuco.[175]
Na cultivar de mamão, no ano de 2018, a Bahia ocupou a segunda posição entre os maiores estados produtores do Brasil, quase igualando-se ao Espírito Santo. O estado do Ceará ocupou a terceira posição, enquanto o Rio Grande do Norte ficou na quarta colocação.[176]
Em 2019, a Bahia destacou-se como o principal produtor de manga do Brasil, alcançando uma produção aproximada de 281 mil toneladas anualmente. Juazeiro, com uma produção anual de 130 mil toneladas, e Casa Nova, que cultiva 54 mil toneladas anualmente, estão no topo da relação das cidades brasileiras que se destacam no cultivo da fruta.[172]
Na cultivo de banana, no ano de 2018, a Bahia ocupou a segunda posição entre os maiores produtores do país. Pernambuco alcançou a quinta posição.[177]
Em 2018, a Paraíba ocupou a segunda posição entre os estados brasileiros na produção de abacaxi.[178]
Pecuária
Na região, a criação de gado é a atividade predominante. Os rebanhos bovinos mais expressivos encontram-se na Bahia, com um total de 10.229.459 cabeças, seguidos pelo Maranhão, com 5.592.007, pelo Ceará, que possui 2.105.441, por Pernambuco, com 1.861.570, e pelo Piauí, com 1.560.552. Em 2017, a região Nordeste possuía 12,9% da população bovina do Brasil.[180] No sertão, os pecuaristas frequentemente enfrentam prejuízos em decorrência das incessantes estiagens.[181] Além disso, existem criações de caprinos,[180] que apresentam maior resistência,[182] suínos, ovinos e aves.[180]
As feiras de bovinos são frequentes nas municipalidades do agreste nordestino.[183] Essas feiras foram responsáveis pela formação de cidades como Campina Grande,[184] Feira de Santana[185] e Caruaru.[186]
Em 2017, a região Nordeste concentrou 93,2% do efetivo de caprinos (8.944.461 indivíduos) e 64,2% do efetivo de ovinos (11.544.939 indivíduos) do Brasil. A Bahia abrigou 30,9% do total de caprinos e 20,9% do rebanho ovino do país. O município de Casa Nova, na Bahia, ocupou a primeira posição no ranking municipal referente aos maiores efetivos das duas espécies.[180]
Em relação à carne suína, em 2017, o Brasil contava com aproximadamente 42 milhões de suínos. A região Nordeste correspondia a 13% do total, totalizando 5,4 milhões. No setor avícola, em 2017, o Brasil contabilizava um total de 1,4 bilhão de galináceos. A região Nordeste correspondia a 11,6% do total, que é de 164 milhões. Em 2017, a produção de leite no Brasil atingiu a marca de 33,5 bilhões de litros. A região Nordeste foi responsável pela produção de 11,6% do total, o que corresponde a 3,9 bilhões de litros. Em 2017, o Brasil obteve uma produção de 4,2 bilhões de dúzias de ovos. A região Nordeste gerou 16,1% (683 milhões de dúzias).[180]
Em 2017, a região Nordeste destacou-se como o segundo maior produtor de mel do Brasil, ficando atrás da região Sul. A produção total no país alcançou 41,6 mil toneladas. A região Nordeste foi responsável pela produção de 30,7% (equivalente a 12,7 mil toneladas).[180]
No ano de 2017, a região Nordeste destacou-se como a principal produtora de camarão do Brasil. A produção interna alcançou a marca de 41 mil toneladas. O Rio Grande do Norte (37,7%) e o Ceará (28,9%) destacaram-se como os principais estados produtores. Aracati, no estado do Ceará, destacou-se como o município com a mais expressiva participação.[180]
Mineração
Na atividade mineradora da Região Nordeste, ressalta-se a Bahia, que apresenta 1,68% de participação na produção mineral do país, posicionando-se na quarta colocação nacional. No ano de 2017, a produção de ouro atingiu 6,2 toneladas, totalizando um valor de R$ 730 milhões. Na produção de cobre, foram geradas 56 mil toneladas, totalizando um valor de R$ 404 milhões. No que diz respeito ao cromo, foram produzidas 520 mil toneladas, totalizando um valor de R$ 254 milhões. No que tange ao vanádio, foram geradas 358 mil toneladas, totalizando R$ 91 milhões.[187]
Na produção de gemas preciosas e semipreciosas, a Bahia apresenta extração em pequena ou média escala de ametista, ágata, diamante, esmeralda, granada, opala, rubi, turmalina e turquesa. Igualmente, há extração de água-marinha no Rio Grande do Norte, Ceará, Alagoas e Paraíba; granada na Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte; opala no Piauí e Ceará; turmalina no Ceará e Turmalina Paraíba na Paraíba e no Rio Grande do Norte.[188]
Setor secundário
Em 2017, a Região Nordeste possuía mais de 13% do PIB fabril nacional. A Bahia compreendia 4,4%,[189] Pernambuco 2,7%,[190] Ceará 1,9%,[191] Maranhão 1,1%,[192] Rio Grande do Norte 0,9%,[193] Paraíba 0,7%,[194] Sergipe 0,6%,[195] Alagoas 0,5% [196] e Piauí 0,4%.[197]
Representa a área com menor nível de industrialização no país, em termos proporcionais por habitante, abrangendo apenas 13% da indústria brasileira em 2017, apesar de concentrar 27,6% da população.[198]
Setor terciário
Turismo


A enorme quantidade de municípios costeiros com lindas praias concorre para o progresso da atividade turística. Conforme estudo da Embratur de 2012, capitais da região Nordeste do Brasil, como Salvador–BA, Fortaleza–CE, Recife–PE e Natal–RN, se encontram dentre as municipalidades mais frequentadas por pessoas de outros países.[199]
As micaretas, festividades carnavalescas fora de época, constituem um novo desenvolvimento do turismo. Demais atrativos muito concorridos na região representam os patrimônios da humanidade: os centros históricos de Olinda–PE, Salvador–BA e São Luís–MA, o Parque Nacional da Serra da Canastra–PI, dos Lençóis Maranhenses–MA e as unidades de conservação de Fernando de Noronha e do Atol das Rocas–RN.[199]
Exploração sexual
A mistura de miséria com atividade turística em desenvolvimento ocasionou o turismo sexual e a vitimização de menores e jovens, cujos números aumentam nas mais importantes capitais. Conforme a Pesquisa sobre Tráfico de Mulheres, Crianças e Adolescentes para fins de Exploração Sexual, promovida em 2002 pelo Ministério da Justiça do Brasil e pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), com o apoio de ONGs, a região Nordeste do Brasil preenche a vice-liderança na listagem da exploração de seres humanos em solo brasileiro, superada apenas pelo Norte. Maranhão e Pernambuco possuem o mais alto movimento de contrabando, e nessa última unidade federativa, verificam-se sinais de estreito vínculo no que tange a viagens sexuais e mercado humano.[199]
Infraestrutura
Ciência e tecnologia

O setor da ciência e tecnologia no Nordeste brasileiro se encontra em total continuação de desenvolvimento e progresso, a partir do fim dos anos 1990 e preservado na década de 2000. Municípios do Nordeste do Brasil vêm obtendo notoriedade no país e no exterior pelos seus complexos, núcleos e órgãos de tecnologia. Uma referência é Recife, que compreende o Porto Digital, um parque de produção de softwares fundado em julho de 2000. Modelo internacional,[200] o complexo pernambucano é considerado o maior polo tecnológico do Brasil em pagamento e quantidade de instituições comerciais.[202]
Já no sertão paraibano, Campina Grande recebe importância como uma das nove cidades de relevância no mundo que possuem uma nova referência em núcleo de tecnologia, a única mencionada de toda a América Latina na publicação de abril de 2001 da revista estadunidense Newsweek.[203] E em outra pesquisa, ela se encontra junto à cidade de São Paulo, as únicas da América Latina, no campo de inovação tecnológica internacional. Todo essa relevância tecnológica de Campina Grande decorre da diplomação de um grupo universitário, começado até então na década de 1960, no momento em que a hoje Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), na época Escola Politécnica, comprou um dos cinco primeiros computadores em instituições de ensino superior do país (primeiro do Norte-Nordeste), originando os hoje cursos de graduação e pós-graduação nos setores de engenharia elétrica e computação.[204][205][206][207]
Outro empreendimento importante constitui o Instituto Internacional de Neurociências de Natal, instalado em 2006 na capital potiguar e criado pelo neurocientista Miguel Nicolelis (tido como um dos 20 mais notórios neurocientistas em atividade no mundo). Foi fundado para distribuir a investigação em todo o país, hoje limitada às regiões Sudeste e Sul do Brasil.[208]
Aprovando a dinâmica de redistribuição do levantamento científico e tecnológico, em Salvador, em 17 de julho de 2009, após um ano de edificação e um aporte de 30 milhões de reais, foi implantado o primeiro parque de biotecnologia situado nas regiões Norte e Nordeste: o Centro de Biotecnologia e Terapia Celular do Hospital São Rafael (CBTC), o mais inovador e moderno núcleo de pesquisa de células-tronco da América Latina.[209][210][211] Ademais, em 2010 foi instalado o denominado "Campus do Cérebro" em Macaíba no estado do Rio Grande do Norte, o qual é um parque de estudo e produção da neurociência e que conta com um projeto de inclusão social, assim como a parte da ciência. Demais projetos constituem a Cidade da Ciência e a Metrópole Digital,[212] igualmente no Rio Grande do Norte.
Transportes

A rede de transporte da região tem 394 700 km de rodovias. As mais importantes rotas de exportação e transporte rodoviário constituem a BR-116 e a BR-101, abrangendo a cidade de Feira de Santana, na Bahia, como o principal entroncamento rodoviário da região.[213]
Sua malha ferroviária até então é deficiente, entretanto, se encontram em andamento construções como a Ferrovia Transnordestina, que conectará o Porto de Suape, na Região Metropolitana do Recife, ao Porto de Pecém, na Região Metropolitana de Fortaleza, atravessando quase todo o território de Pernambuco e Ceará e conectando esses dois estados ao estado do Piauí, e possibilitará a exportação da produção agrícola do sudoeste do Piauí e do Vale do São Francisco e a produção do polo gesseiro de Araripina a um baixo preço, o que fará as despesas mais vantajosas;[214][215][216] e a Ferrovia Oeste-Leste, que conectará a sede do município de Figueirópolis no Tocantins ao Porto Sul em Ilhéus na Bahia e possibilitará a exportação de soja dos estados de Mato Grosso, Goiás e Tocantins e da porção ocidental da Bahia assim como minério de ferro, urânio, cacau e celulose da parte meridional da Bahia.[217]

Suas cidades principais contam com apropriada organização aeroportuária, sendo os aeroportos internacionais de Natal/São Gonçalo do Amarante, Recife, Salvador e Fortaleza os principais. Os mais importantes aeroportos do Nordeste acolhem milhões de viajantes a cada ano e sustentam voos regulares para as mais importantes cidades da Europa e Estados Unidos, sendo o Aeroporto Internacional Recife o mais agitado aeródromo público da região.[219][220] Em São Gonçalo do Amarante, na Grande Natal, situa-se o Aeroporto Internacional Governador Aluízio Alves o qual é o mais inovador, tem o mais alto potencial de pista do Nordeste além de ser o único cem por cento desestatizado e o único com via de pouso estruturada para aviões maiores o A380 (3000 × 60).[221][222][223]
Hoje, somente Recife, Salvador e Fortaleza possuem sistema de metrô. Existem igualmente projetos de VLT em estudo para serem inaugurados na região. Os VLTs de Maceió, Natal, João Pessoa e Teresina já se encontram em funcionamento. Demais projetos fora das capitais constituem os VLT do Cariri em Juazeiro do Norte e o de Arapiraca, além da conexão do centro ao Aeroporto de Natal.[224][225][226][227][228][229][230][231]
Educação

O Nordeste do Brasil tem uma antiga tradição no campo educacional, a partir dos primeiros jesuítas, os quais já no século XVI implantaram instituições de ensino nesta região.[234][235] As mais importantes construções instrucionais se encontram centralizadas nas capitais e nas cidades medianas.[236] Mesmo assim, a região é apresentada com a maior quantidade de analfabetos e analfabetos funcionais do país, ainda que adquirindo importantes progressos nos seus números instrucionais nos últimos decênios.[237][238]
Três instituições de ensino superior da Região Nordeste se encontram dentre as mil mais confiáveis da Terra em 2014, conforme uma pesquisa do CWUR (Center for World University Rankings): a Universidade Federal de Pernambuco (15ª classificação brasileira e 940ª colocação na posição mundial); a Universidade Federal do Ceará (16ª posição do país e 964ª classificação na posição global); e a Universidade Federal da Bahia (17ª classificação brasileira e 967ª colocação na posição global).[236][239]
Consoante as estatísticas do ENADE, a Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) e a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) se encontram dentre as 20 mais bem-conceituadas do Brasil em 2025, na 56.ª e 17ª classificações, nesta ordem.[240] O Scimago Institutions Ranking (SRI) 2012 apresenta a Universidade Estadual de Feira de Santana na 181ª colocação na posição Ibero-americano dentre as 1.401 universidades, e na 118ª classificação na posição de universidades latino-americanas e caribenhas no número de produção científica.[241]


A Faculdade de Direito da Universidade Federal de Pernambuco, situada em Recife, alcançou a vice-liderança na taxa de aprovação na Prova da OAB em 2010, com índice de 81,3%, ultrapassada pelo curso de Direito da Universidade de Brasília.[245] Na Faculdade de Direito do Recife, grandes personalidades da história do Brasil cursaram, sobressaindo celebridades como Ruy Barbosa, Barão do Rio Branco, Castro Alves, Clóvis Beviláqua, Tobias Barreto, Joaquim Nabuco, Eusébio de Queirós, Teixeira de Freitas, Marquês de Paranaguá, Epitácio Pessoa, Assis Chateaubriand, José Lins do Rego e Pontes de Miranda.[246] Demais três faculdades de Direito do Nordeste se encontram dentre as dez mais confiáveis do país. São elas, conforme a sequência de estudantes selecionados: Universidade Federal da Paraíba (75,2%); Universidade Federal do Rio Grande do Norte (72,3%); e Universidade Federal do Ceará (69,4%).[247][248][249]
O estado de Pernambuco sobressai na educação tecnológica. O Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco (CIn UFPE), encarregado das habilitações de Ciência da Computação, Sistemas de Informação e Engenharia da Computação, é importante distribuidor de força de trabalho baseada em tecnologia para a Microsoft.[250][251] Seus cursos são reconhecidos como os mais bem-conceituados da América Latina.[252] A UFPE era uma das cinco entidades educacionais aprovadas no mundo inteiro para o programa internacional de estudos da Microsoft, o que possibilitou o seu ingresso ao algoritmo dos elemenyos do Visual Studio. As demais quatro universidades admitidas eram a Yale University (Estados Unidos); a Monash University (Austrália); a University of Hull (Inglaterra); além da UNESP, constituindo o Brasil o único país o qual possuiu duas universidades indicadas.[253] A UFPE recebeu um tributo por parte da Microsoft pela presença dos acadêmicos do Centro de Informática da organização na Imagine Cup, evento realizada pela companhia. Estudantes do curso de Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Pernambuco prestigiaram, em 2011, a Competição Baja SAE BRASIL-PETROBRAS e confirmaram assento para a Baja SAE Kansas, nos Estados Unidos. Somente a UFPE e duas instituições universitárias paulistas, USP e FEI, alcançaram a liberdade de serem representantes do Brasil na edição mundial do torneio.[254]
O Ceará constitui a unidade federativa com a alta taxa de admissões no ITA, tido como o vestibular mais complicado do país.[255] Anualmente, mais de 30% dos novatos desta entidade universitária são deste estado do Nordeste. O rendimento impecável em ciências exatas obtido pelos cearenses vem da atividade promovida em um agrupamento de escolas da capital estadual, Fortaleza.[255] Mais um protagonismo nordestino no ITA constitui o estado de Pernambuco, o qual possui 12 alunos selecionados no Vestibular 2011, significando praticamente 10% dos 130 assentos disponibilizados por esta entidade. Pernambuco era o 3.º classificado em seleções, atrás somente dos estados do Ceará e de São Paulo.[256] O ITA, entidade criada pelo cearense Casimiro Montenegro Filho no estado de São Paulo, era a origem da Embraer, e oferece trabalhadores para esta que é a terceira maior produtora global de aviões.[257][258]
Saúde

Os mais importantes centros médicos nordestinos constituem as cidades de Recife, Salvador e Fortaleza.[260]
Entre os mais importantes hospitais de Recife se encontra o Hospital da Restauração, maior pronto-socorro governamental e mais equipado departamento de emergência e traumatologia do Norte-Nordeste,[261] acolhendo doentes de todo o estado e de estados limítrofes. O Hospital da Restauração, modelo nos setores de ferimentos graves, neurocirurgia, neurologia, cirurgia geral, clínica médica e ortopedia, tem 482 leitos cadastrados no Ministério da Saúde (MS), entretanto, principalmente os extras, opera com uma somatória de 723 leitos para servir seu número de solicitações. Os hospitais privados do Recife tornam a capital de Pernambuco a vice-liderança em centro médico-hospitalar do Brasil.[262]
Em Salvador, na Bahia, sobressaem o Hospital Geral Roberto Santos (HGRS) — o principal hospital público do estado e igualmente do Norte e Nordeste do Brasil[263] — e o Hospital Geral do Estado (HGE).[264] O HGRS fornece mais de mil suportes ambulatoriais e 350 assistências emergenciais em dias úteis; é especialista em cirurgias bucomaxilofacial e vasculares e clínica médica em neurocirurgia e nefrologia; e dispõe de cerca de 2 600 servidores. O edifício Roberto Santos compreende também o Centro de Informações Antiveneno, autoridade na cura de envenenamentos na Bahia.[264] Demais hospitais que sobressaem: o Hospital Santo Antônio (criado por Irmã Dulce);[265] o Hospital Sarah Kubitschek;[266] e o Complexo Hospitalar Universitário Professor Edgard Santos.[267]
Em Fortaleza se encontram os mais relevantes hospitais estatais do estado do Ceará. Entre esses hospitais sobressaem o Instituto Doutor José Frota, também denominado como IJF, sendo o principal hospital de urgência do estado, dirigido pela prefeitura;[268] e o Hospital Geral de Fortaleza, o qual é o principal hospital público, controlado pelo poder executivo estadual.[269] O serviço médico particular é amplamente evoluído, com uma somatória de 531 hospitais, sobressaindo os hospitais São Mateus, Antônio Prudente, Unimed, Monte Klinikum e SARAH-Fortaleza.[270][271][272][273][266][274]
Cultura

Nas regiões pecuárias do rio São Francisco, as residências dos proprietários rurais, construídas de tijolos e revestidas de telhas, divergiam essencialmente com as pequenas chácaras dos vaqueiros e criados, com o chão de terra batida, paredes de pau a pique ou sopapo e revestimento de sapê ou folhas de buriti. Na região cacaueira da Bahia, há também rústicas casas feitas de lenha. No sertão maranhense são frequentes as residências de paredes e teto de pindoba ― folha de coqueiro ― sobre estrutura feita de lenha. As construções rurais feitas de pau a pique são revestidas de palha. Devido à interferência da Amazônia, continuam existindo no Meio-Norte os ranchos de palha apoiados sobre paliçadas.[275][276] Fonte de renda de intensa participação econômica, o artesanato regional é bem formoso e diversificado. São conhecidos os artigos como a renda de bilros, o labirinto, os bordados e as redes, especialmente os cearenses, bem como os cabeções de ferro, de latão e níquel. Sobressaem também os produtos de couro, como arreios, chapéus e gibões, de palha ou fibra de caroá, de sisal e de murici, as estatuetas de madeira e a olaria em Caruaru–PE e no Recôncavo Baiano–BA.[275]
Culinária

O legado africano prevalece especialmente na gastronomia baiana. Alimentos como vatapá, caruru, efó, acarajé e bobó pertencem a esta culinária abundante. Utilizam-se bastante o azeite-de-dendê, o leite de coco e a pimenta. Fazem parte da região nordeste do Brasil a carne de sol, a qual é a principal proteína emagrecedora da culinária nordestina, o feijão-de-corda, o arroz de cuxá, as frigideiras de peixe e a carne seca com abóbora, sempre servidas com farinha de mandioca. A rapadura, a qual compreende cubos de açúcar mascavo, é degustada pela população mais pobre. Nas propriedades do Sertão nordestino, em períodos de enorme quantidade de chuvas, apreciam-se queijo coalho e de manteiga, xerém de milho triturado em moinho, munguzá e umbuzada.[275]
Cultura popular

Dois tipos de literatura popular surgiram e se expandiram na região nordeste do Brasil, de onde chegaram às grandes metrópoles do país trazidos pelos migrantes: a literatura de cordel e a poesia oral improvisada. A primeira compreende autos, farsas, novelas, histórias incríveis e moralizantes ou de contexto histórico. Os poetas contam em poemas fatos reais ou glamourizados da vida diária e glorificam as figuras notáveis da história, importantes obras tradicionais da arte literária em prosa, filmes e lendas. A poesia improvisada é exibida com complementação de viola, nos cantos, por cantadores ou repentistas. Chama-se desafio a competição entre dois cantores, na qual eles arriscam de forma divertida sua agilidade mental e sua reputação, na buscar de criar respostas repentinas em trechos de poesias para os estímulos do companheiro-competidor.[275]
Entre os protagonistas que movem o folclore do nordeste do Brasil e ocupam sua literatura sobressaem personalidades do passado as quais foram agentes principais em acontecimentos sociais tradicionais do Sertão nordestino: o cangaço e as correntes religiosas. O cangaço, ou banditismo sertanejo, tinha como protagonistas importantes Lampião, sua esposa, Maria Bonita, Corisco e Dadá. Das correntes místicas, o mais enraizado é provavelmente constitui a devoção ao padre Cícero.[277][275]
Indumentária, patrimônio ecológico e festas regionais


Como um dos vestígios tradicionais da indumentária de algumas regiões nordestinas, permanecem o traje de couro empregado pelos vaqueiros e sertanejos e o chapéu de couro de veado-mateiro. O jaleco de couro de carneiro traz lã por dentro e possui a frente adornada com enfeites. No campo, é utilizada abaixo do jaleco um peitoral. Terminam a roupa típica o gibão, as perneiras e os calçados de couro de veado. Os vaqueiros de cada região produtora preservam um modo peculiar de trazer o chapéu, por meio da qual podem ser revelados. O matuto utiliza camisa de algodão com fraldas estreitas e desamarradas, sandálias e chapéu de couro. Na Bahia, a roupa tradicional feminina comporta saias rodadas sobrepostas, anáguas impregnadas de goma e passadas a ferro, blusa bordada, torso de seda e turbante, além de brincos, colares, pulseiras e muitos anéis.[275]
Verdadeiro refúgio para mergulhadores e entusiastas do meio ambiente, o Arquipélago de Fernando de Noronha é formado por 21 ilhas.[275] Em São Luís, na segunda quinzena de junho, promove-se o bumba-meu-boi. Nas cidades de Recife, Olinda e Salvador, a festividade popular mais movimentada constitui o carnaval. No estado da Bahia, são típicas também a micareta de Feira de Santana, quinze dias após a Páscoa, e as festividades associadas às religiões de matriz afro-brasileira: a lavagem do Bonfim, na segunda quinta-feira de janeiro, na cidade de Salvador, e a festa de Iemanjá, no dia 2 de fevereiro. A festa de São João (24 de junho) é bastante frequentada em Campina Grande–PB e em Caruaru–PE. No dia 24 de março, Juazeiro do Norte–CE celebra com cerimônias o aniversário do padre Cícero.[275]
Esportes

Bem como no resto do país, a região geoeconômica nordeste do Brasil possui como mais importante esporte o futebol. Os mais importantes clubes nordestinos constituem CSA, CRB em Alagoas;[280] Bahia e Vitória na Bahia;[281] Fortaleza, Ceará e Ferroviário no Ceará;[282] Sampaio Corrêa no Maranhão;[283] Treze, Campinense e Botafogo-PB na Paraíba;[284] Sport, Santa Cruz e Náutico em Pernambuco;[285] River no Piauí;[286] América de Natal e ABC no Rio Grande do Norte;[287] e Sergipe, Confiança em Sergipe.[288]
A seleção brasileira de futebol costuma realizar jogos no Nordeste. O estádio Castelão, em Fortaleza, o estádio do Arruda, no Recife, o estádio Rei Pelé em Maceió e, ultimamente, o estádio de Pituaçu, em Salvador, constituem os lugares em que a seleção costuma treinar. O Estádio da Fonte Nova, em Salvador, igualmente acolhe tais jogos, entretanto, permaneceu caracterizado por um incidente compreendendo vítimas fatais em 2007.[289]

No decorrer da Copa do Mundo FIFA de 2014, o Nordeste dispôs de quatro cidades-sede: Salvador, Recife, Natal e Fortaleza. Redes de transportes, hotéis e hospitais foram erguidos, expandidos ou reorganizados, além da restauração e erguimento de novos estádios. Em Salvador, o Estádio da Fonte Nova foi inteiramente reestruturado, bem como o Estádio Castelão, em Fortaleza. Já em Recife, foi edificada a Arena Pernambuco, localizado em São Lourenço da Mata. Em Natal, o ex-Machadão foi destruído e, em seu lugar, foi construído o estádio Arena das Dunas. Os quatro estádios foram reformados ou erguidos respeitando o modelo FIFA. Demais capitais nordestinas igualmente concorreram para abrigar o torneio: João Pessoa, Teresina e Maceió.[290] Foi a segunda vez que o Nordeste esteve presente em uma Copa do Mundo: em 1950, Recife fez o jogo entre Chile e Estados Unidos, sendo o cenário da partida naquela época a Ilha do Retiro.[291]
No automobilismo, a região geoeconômica nordeste do Brasil igualmente acolhe duas fases anuais da Fórmula Truck, uma no Autódromo Internacional Ayrton Senna em Caruaru,[292] e uma no Autódromo Internacional Virgílio Távora em Eusébio, Região Metropolitana de Fortaleza.[293] Ademais, a partir 2009, uma temporada da Stock Car Brasil acontece na região, mais precisamente no Circuito Ayrton Senna, nas ruas do Centro Administrativo da Bahia, em Salvador.[294]
Situado na cidade de Fortaleza, no Ceará se encontra o Centro de Formação Olímpica do Nordeste chamado de CFO, um complexo esportivo brasileiro o qual compõe o principal grupo de implantações esportivas do país, com 313 000 m².[295] O centro abriga com um ginásio de treinamento multiesportivo ajustável, pista de atletismo, piscinas olímpicas e de saltos, pista de skate, pista de BMX, quadras de vôlei de praia e de tênis, hospedaria para até 248 esportistas, academia de ginástica, divisões de fisioterapia, compartimentos de federações e confederações esportivas e a mais extensa arena indoor do país,[295] multiuso, com potencial para 17 100 pessoas em eventos esportivos e 21 000 em acontecimentos artísticos. Dentre as categorias de esporte das quais o complexo se ocupa, estão: atletismo, natação, badminton, nado sincronizado, basquete, pentatlo moderno, boxe, rúgbi, ciclismo, tênis, handebol, taekwondo, esgrima, tênis de mesa, futebol, tiro com arco, ginástica artística, triatlo, levantamento de peso, voleibol, hóquei sobre a grama, vôlei de praia, judô, polo aquático, lutas e saltos ornamentais.[296]
Nos demais esportes, é possível mencionar as seguintes competições esportivas regionais: Campeonato Nordestão Governador Miguel Arraes (enxadrismo),[297] Desafio Costa do Sol (atletismo),[298] Supercopa do Nordeste de Basquete (basquetebol), etc.[299]
Ver também
- Banco do Nordeste
- Blecaute no Nordeste do Brasil em 2011
- Casa da Torre
- Companhia Hidrelétrica do São Francisco
- Cultura da região Nordeste do Brasil
- Departamento Nacional de Obras Contra a Seca
- Fórum dos Governadores do Nordeste
- Nordeste Oriental
- Plan Rubber (plano estadunidense, de invasão do nordeste brasileiro, na II Guerra Mundial)
- Polígono das Secas
- Rio São Francisco
- Seca na Região Nordeste do Brasil
- Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste
Notas e referências
Notas
Referências
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Bibliografia
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Ligações externas
- Governos dos estados
