Região Norte do Brasil

uma das cinco grandes regiões brasileiras definidas pelo IBGE em 1969, formada por sete estados brasileiros

A Região Norte do Brasil é a maior em extensão territorial entre as cinco regiões do país.[3] Apresenta 3 853 676,948 km², significando 42% da área do Brasil.[4] Quase todo o seu território está incorporado à Região geoeconômica Amazônica do Brasil. Ao passo disso, o limite meridional de Tocantins, situado ao sul do paralelo 12 S, integra a Região geoeconômica Centro-Sul do Brasil.[3] Abrange sete unidades federativas: Tocantins, Pará, Amapá, Roraima, Amazonas, Acre e Rondônia. Possui como limites: ao nordeste com o oceano Atlântico; ao norte com as Guianas e a Venezuela; ao noroeste com a Colômbia; ao sudoeste com o Peru e a Bolívia; ao sul com Mato Grosso e Goiás; e ao leste com o Maranhão, o Piauí e a Bahia. A Amazônia brasileira, que muitas vezes se confunde com a região norte, é, entretanto, maior, abrangendo áreas de Mato Grosso e Maranhão.[4]

Região Norte do Brasil
Divisão regional do Brasil
Região Norte do Brasil
Localização
Características geográficas
Região geoeconômica Amazônia e Centro-Sul
Estados
Sete estados
Gentílico nortista[1] ou norteiro[2]
Regiões limítrofes Nordeste, e Centro-Oeste[3]
Área 3 853 676,948 km² 2010
População 17 349 619 hab. 2022
Densidade 4,5 hab./km²
Maior concentração urbana Manaus
Indicadores
PIB R$ 387,5 bilhões 2018
PIB per capita R$ 21 313,93 2018
IDH 0,730 alto 2017

É a única região brasileira atravessada pela linha do equador, definindo um clima equatorial, bastante quente e chuvoso. A topografia é marcada por uma grande planície, cruzada pelos numerosos rios da bacia amazônica e revestida por uma densa vegetação, a floresta amazônica. Ao norte e ao sudoeste, aparecem planaltos que se erguem gradualmente.[4]

A colonização lusitana da região se iniciou no século XVII, com a criação da cidade de Belém (1616), erguida para proteger a Amazônia dos dominadores estrangeiros. Sucederam-se demais expedições no decorrer dos séculos XVII e XVIII, que possuíram como objetivo a caça de indígenas para prender, a extração das denominadas drogas do sertão (urucum, canela e demais plantas aromáticas, especiarias e tinturas) e a busca de recursos minerais. Estas expedições e outras posteriores, de cunho científico, pouco concorreram para a colonização. Os aglomerados urbanos atualmente existentes nasceram especialmente de aldeamentos indígenas fundados por missionários e de fortalezas edificadas no decorrer dos rios pelos soldados-colonos.[4]

Na área econômica, o extrativismo é a fonte de renda prevalecente, malgrado o recente desenvolvimento da agricultura e da indústria de transformação.[4]

História

Panóplia das bandeiras dos estados da Região Norte do Brasil em conformidade com o decreto federal nº 70.274, de 9 de março de 1972 (ordem de precedência no Brasil).

Povos indígenas, exploração e colonização

Apurinãs, um dos povos originários da região Norte do Brasil.

Os primeiros moradores da região norte do Brasil eram os povos indígenas,[5] principalmente os xavantes,[6] os arauetés,[7] os caripunas,[8] os ianomâmis,[9] os matsés[10] e os apurinãs.[11] Os castelhanos, entre eles, Vicente Yañez Pinzón e Francisco de Orellana, promoveram expedições por intermédio do rio Amazonas para explorar a região, em 1500 e 1541, respectivamente.[5]

Em 1616, vieram os colonizadores lusitanos, liderados pelo capitão-mor Francisco Caldeira Castelo Branco, para criar a cidade de Belém. Este foi o primeiro núcleo urbano que iniciou o povoamento da área que atualmente conhecemos como a região Norte do Brasil. Eles ergueram fortalezas militares para proteger a região contra a dominação de outros povos como franceses, ingleses e neerlandeses[12]. Os lusos também tinham curiosidade pelos recursos florestais.[5]

Missões jesuíticas, imigração, extração da borracha e desenvolvimento agrícola e industrial

Principais cidades do Ciclo da Borracha descritas por ano de fundação.

Os missionários chegaram à região em busca de indígenas para instruir na religião católica. Eles agrupavam os indígenas em aldeamentos denominados reduções. As missões fizeram nascer diversas cidades como, por exemplo, Gurupá–PA e Santarém–PA.[5]

Brasileiros de outras províncias, especialmente os nordestinos, provenientes da Província do Ceará, chegaram à região norte para laborar na exploração da borracha. Várias famílias nipônicas chegaram para labutar nas colônias agrícolas. Os japoneses introduziram o cultivo da juta e da pimenta-do-reino.[5]

No desfecho dos anos 1966, a Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) e a Zona Franca de Manaus foram fundadas pelo poder executivo federal do Brasil, com estímulos para companhias que aí se fixassem e isenções fiscais de venda interna e externa. As cidades, localizadas perto dos rios, experimentaram significativo crescimento populacional a partir de então.[13]

Geografia

Fotografia do limbo da Terra vista da Estação Espacial Internacional, sobre o Norte do Brasil, durante a Expedição 20. A vegetação da Amazônia, a maior floresta tropical do mundo, influencia fortemente o ciclo da água regional.

A Região Norte compreende uma superfície de 3 850 593,10 km², correspondendo a 45,27% de toda a extensão territorial do Brasil. Se fosse considerado um país independente, ficaria em sétima posição em área dentre os 197 Estados soberanos do planeta Terra. A região norte apresenta boa parte de um grande território físico conhecido como região Amazônica, ou popularmente Amazônia, de aspectos naturais e sociais invariáveis ― grandes zonas ambientais e contingente populacional menos concentrado.[14]

Além de albergar a região Norte e porção das regiões Nordeste e Centro-Oeste, a Amazônia se prolonga também por terrenos das três Guianas, Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia.[14]

A região Norte é igualmente chamada de Amazônia Legal, região vai para fora dos limites da região, determinada, em 1953, pela Lei n.º 1806, para objetivos de planejamento econômico. A Amazônia Legal abriga o oeste do Maranhão, o estado de Mato Grosso e porção de Mato Grosso do Sul. É necessário frisar, no entanto, que os aspectos ambientais (relevo, hidrografia, clima, vegetação, solos e litoral), das fronteiras da Amazônia Legal às vezes são bastante diferentes do mundo amazônico.[14]

Além de abranger os territórios estaduais da Região Norte do Brasil, a Amazônia Legal vai até o Maranhão (meridiano 44° O), Goiás (paralelo 13° S) e Mato Grosso (paralelo 16° S). Mas, existem projetos que se estendem até o rio Taquari, em Mato Grosso do Sul

Localizada na zona equatorial da Terra, a região Norte possui um grupo de aspectos característicos desta área. As principais são:[14]

  • Panoramas invariáveis: quem pegasse um barco em Iquitos, no Peru, onde ficam as nascentes do rio Amazonas, e percorrer até sua desembocadura, no Pará, estaria navegando em uma distância que equivale a aproximadamente 15% da linha do Equador. Perceberia no caminho que o panorama pouco muda: uma topografia aplainada com desnível a baixo de dois centímetros por quilômetro, um rio o qual em diversos lugares vem a ser tão largo que não se descobrem as beiras, uma floresta misturada repleta de plantas arbóreas emaranhadas a cipós e, a grande distância, uma diminuta cidade ou um casebre de caboclo.[14]
  • Clima cálido e chuvoso e prevalência de mata equatorial: situada em regiões de baixas latitudes, o Norte possui temperaturas altas o ano inteiro e uma amplitude térmica bastante inferior. A região é muito chuvosa e em praticamente toda a sua área não ocorre estação seca. A pluviosidade e as altas temperaturas propiciam a propagação de uma mata espessa e praticamente inacessível, com rios cheios de grandes caudais de água.[14]
  • Rios empregados como hidrovias: os vazios demográficos, a floresta quase inacessível, a enorme variedade e o caudal dos rios complicaram até então a abertura de ferrovias ou estradas de rodagem na região. Em virtude disso, os cursos de água se converteram no mais importante meio de comunicação viária regional, constituindo para boa parte da população a única alternativa de transporte viável, tanto pela economia de preços quanto por permitir saída às mais longínquas localidades.[14]
  • Etapa de progresso bem inferior: em consequência de suas características ambientais, a Amazônia constitui uma área menos povoada e menos próspera, compreendendo enormes vazios demográficos. Sua densidade populacional é cerca de 4,51 hab./km² e as riquezas produzidas por suas fontes de renda possuem pouco significado na somatória do Brasil.[14]

Geomorfologia

Monte Roraima, na tríplice fronteira Brasil–Guiana–Venezuela.

O relevo nortista é formado por três enormes unidades geomorfológicas:[15]

  • Planícies e Terras Baixas Amazônicas: São geralmente chamadas de planície Amazônica, malgrado a autêntica planície ocorra somente nas margens do rio Amazonas ou em diminutas frações, perto de superfícies mais elevadas. Este espaço da topografia fragmenta-se em: várzeas, tesos ou terraços fluviais e terra firme.
    • Várzeas: Equivalem às regiões mais rebaixadas, permanentemente transbordadas pelas enchentes do rio Amazonas.
    • Tesos ou terraços fluviais: de elevações continuamente abaixo de trinta metros, são transbordados pelas inundações mais intensas.
    • Terra firme: alcança elevações de até 350 metros, se encontrando isento das cheias. Em contraposição das várzeas e dos terraços fluviais, constituídos em boa parte das vezes pelos sedimentos acumulados pelos rios, essa região é composta principalmente por arenitos.
  • Planalto das Guianas: Situa-se na parte setentrional da planície Amazônica, sendo formado por solos cristalinos. Estende-se até a Venezuela e as Guianas, e na região de fronteira dentre estes países e o Brasil ocorre a região serrana formada ― no sentido oeste-leste ― pelas serras do Imeri ou Tapirapecó, Parima, Pacaraima, Acaraí e Tumucumaque. É na região que estão os pontos culminantes do país, como o Pico da Neblina, na serra do Imeri, estado do Amazonas, com 2 995 m.
  • Planalto Central: Situa-se na porção meridional e compreende boa parte das unidades federativas de Rondônia e Tocantins e o parte sul do Amazonas e do Pará. É formado por solos cristalinos e sedimentares antigos, sendo mais alto ao sul e em Tocantins.

Hidrografia

Região bastante chuvosa, a Amazônia é compreendida pela maior bacia fluvial do mundo, a bacia do rio do Amazonas, a qual é praticamente toda atravessada por rios de planície. O rio mais importante desta bacia hidrográfica tem suas nascentes nos Andes do Peru, com a denominação de Solimões, e no local no qual acolhe as águas do rio Negro começa a ser chamado Amazonas. Possui sua desembocadura na costa setentrional do Brasil, na qual despeja um sétimo de toda a água doce da Terra, a qual desce para o mar.[16]

No decorrer de seu caminho, o Amazonas inunda vários sedimentos. Com isso, criou várias ilhas em sua embocadura, entre as quais a de Marajó, a qual é a mais extensa ilha fluvial da Terra, embora se encontre em contato com o oceano. Na junção das águas do Amazonas com as do Atlântico, pode acontecer uma atração magnífica chamada de pororoca ― uma enorme oscilação, a qual escala o rio desde a desembocadura, provocando a devastação da mata em suas beiras.[16]

O Amazonas é o maior rio da Terra em comprimento, com mais de 7 100 quilômetros, e ainda o primeiro em caudal. Dentre os tributários do Amazonas, sobressaem os rios Juruá, Purus, Madeira, Tapajós e Xingu, na margem destra, e Içá, Japurá, Negro, Trombetas, Paru e Jaru, na margem sinistra.[16]

Imagem registrada pelo astronauta alemão Alexander Gerst, a partir da Estação Especial Internacional, mostra a grandeza do rio Amazonas com seus enormes braços. É o maior do mundo em volume de água, com 6 992 quilômetros de extensão.[17]

Propícios ao transporte fluvial, praticamente todos os rios da região criou dificuldades para utilização da água para gerar eletricidade, porque, além possuírem pequeno desnível, geralmente são bastante longos, complicando a abertura de represas. O Amazonas, por exemplo, vem a alcançar cinquenta quilômetros de margem a margem no decorrer das inundações. O uso da água para a produção de energia se faz mais possível na queda dos altiplanos, nos quais o leito dos rios é cortado por cachoeiras, propiciando a edificação de determinadas usinas hidrelétricas (Balbina, Samuel, Cachoeira Porteira, Belo Monte, etc.).[16]

Além dos rios, a região possui ainda várias lagoas de várzea, que aparecem ao permanecerem acumuladas dentre obstáculos de terra depositados pelo rio quando retorna ao seu curso natural.[16]

A região Norte do Brasil não somente é irrigada pela bacia do rio Amazonas. O estado de Tocantins e a porção oriental do Pará são delimitados pela bacia Tocantins-Araguaia, a qual, compreendendo uma superfície de 803 250 quilômetros quadrados, constitui a mais extensa bacia fluvial completamente brasileira. O Tocantins representa o mais importante rio desta bacia hidrográfica; tem suas nascentes no norte goiano, na região Centro-Oeste do Brasil, e desemboca perto da desembocadura do rio Amazonas. Em seu curso, o Tocantins acolhe o rio Araguaia, o que se fragmenta em dois meandros, compondo a ilha do Bananal. Situada na parte sul-ocidental do estado de Tocantins, a ilha do Bananal é tida como a mais extensa ilha fluvial interna da Terra.[16]

Além de ser navegável em largo percurso, a bacia Tocantins-Araguaia constitui a terceira maior do Brasil em capacidade de produz energia na água. Nela foi erguida a usina de Tucuruí, no estado do Pará.[16]

Clima

Mapa climático da Região Norte do Brasil.

Solos menos altos e latitudes inferiores pode gerar uma região com climas cálidos. A presença de temperaturas elevadas e de grande massa líquida propicia a evaporação e torna a Região Norte do Brasil uma região muito chuvosa. Compreendida dessa forma por um clima do tipo equatorial, a região possui temperaturas altas o ano inteiro (médias de 24 ºC a 26 ºC, uma amplitude térmica anual, a qual esporadicamente excede 3 ºC e cerca de 2 mil milímetros de chuvas por ano, existindo partes com aproximadamente 3 mil milímetros, com a costa amapaense, a desembocadura do rio Amazonas e trechos do oeste da Amazônia.[18]

A Região Norte compreende o clima mais chuvoso do Brasil, sendo frequente o aparecimento de chuvas intensas. Constituem aspectos da região as chuvas de convecção ou de "hora certa", a qual geralmente aparecem no fim da tarde e ocorrem da seguinte forma: com o amanhecer, a temperatura passa a aumentar em toda a região, aquecimento que ocasiona a evaporação; o vapor de água presente no ar se ergue, aparecendo nuvens enormes; com a redução da temperatura, provocada pelo passar das horas do dia, este vapor de água cai, marcando as chuvas de "hora certa".[18]

É relevante ainda o fenômeno da friagem, a qual aparece em consequência da ação do El Niño e possibilita que massas de ar entrem nas unidades federativas da Região Sul do Brasil, penetrem por meio de Mato Grosso e afetem os estados amazônicos, reduzindo a temperatura. Isso acontece por favorecerem as altas temperaturas da Amazônia uma zona de baixa pressão, a qual chama para si massas de ar polar. No inverno, o resultado da friagem perdura uma semana ou pouco mais, no momento em que a temperatura despenca para 12 ºC em Manaus e a 6 ºC em Rondônia.[18]

Vegetação

Área de Floresta Amazônica protegida pelo Jardim Botânico de Manaus.

Estudar os aspectos naturais de uma região está associado, em boa parte, à habilidade de conclusão e visão: na Região Norte, a latitude e o relevo justificam a temperatura; a temperatura e os ventos motivam a umidade e o caudal dos rios; e o clima e a umidade, juntos, respondem pela presença da maior, a mais diversificada e espessa mata do planeta, isto é, a Floresta Amazônica ou Hileia.[19]

Correspondendo a cerca de um terço das florestas da Terra, a Floresta Amazônica é uma formação caracteristicamente higrófila, com a prevalência de plantas arbóreas de folhas enormes e longas (espécies latifoliadas), bem perto umas das outras e emaranhadas por enorme quantidade de lianas (cipós lenhosos) e epífitas (vegetais os quais se sustentam em outros). O clima da região, cálido e úmido, possibilita a multiplicação das plantas e o acasalamento dos animais no decorrer do ano inteiro. Isso permite que a Amazônia possua a vegetação mais diversificada da Terra, além de uma vida animal bastante abundante em pássaros, insetos e peixes.[19]

Mapa de vegetação da Região Norte do Brasil

A Floresta Amazônica compreende determinadas oscilações características, segundo a região. Perto dos rios, nas regiões continuamente inundadas, aparece a mata de igapó, com plantas arbóreas mais rebaixadas. Mais para o interior ocorrem grupos de plantas arbóreas mais elevadas, chamadas de mata de várzea, transbordadas somente no decorrer das enchentes. As regiões mais longínquas do curso dos rios, submersas devido às enormes inundações, são denominadas de mata de terra firme ou caaetê, que quer dizer "mata" (caa) de dimensões gigantescas.[19]

Se não levarmos em consideração o desmatamento, a Floresta Amazônica ou equatorial possui cerca de 90% da superfície da região Norte, apesar dela não ser a única vegetação da Amazônia. Há também o campos da Hiléia, em trechos espalhados na região, como na ilha de Marajó e no vale do rio Amazonas, e o cerrado, o qual alberga enorme prolongamento do estado de Tocantins e grandes partes de Rondônia e Roraima, além da vegetação litorânea.[19]

Demografia

O Norte do Brasil possui uma população de 17,3 milhões de moradores, com densidade populacional de 4,51 residentes por quilômetros quadrados, a menos relevante do Brasil.[20] A desembocadura do rio Amazonas e o nordeste do Pará, o médio Amazonas e o sudeste do Acre constituem as regiões de menor povoamento.[21] Na primeira destas regiões, a qual é maior em população, está Manaus, a sede do Amazonas, com 2 279 686 de moradores, na Região Metropolitana de Manaus.[22] Existem, no mínimo, cerca de dez municípios com aproximadamente quinhentos mil moradores: Belém, Porto Velho e Macapá.[22] Uma enorme migração para Rondônia tem aumentado sua população em etapas bastante acima da média do país.[21]

A população nas cidades (78,49%) é bem maior que no campo (21,51%).[20] As fazendas se encontram no Pará, no Amazonas e em Rondônia.[21]

O Índice de Desenvolvimento Humano da região norte do Brasil é considerado médio conforme o PNUD. Segundo o último levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), com dados relativos a 2010, o seu valor era de 0,667, estando na quinta colocação ao nível nacional, depois do nordeste.[23] É a quarta região mais populosa do país (depois do Sul e à frente do Centro-Oeste), concentrando 14,3% da população brasileira.[24][25][26] Entretanto, compreende uma densidade demográfica de 4,51 hab./km², mais de duas vezes maior que a do Brasil como um todo.[24][25]

Composição étnica, povos indígenas e migração

Hoje residem na região norte do Brasil 753,7 mil indígenas.[27] Do total, 42,03% moram em terras indígenas e 57,97% vivem fora. Dentre os 316.827 habitantes que habitam terras indígenas, 307.499 têm cor ou raça indígena e 9.328 residentes se acham indígenas. Entre os 436.953 que moram fora de terras indígenas, 232.322 pessoas possuem cor ou raça indígena e 204.631 se julgam indígenas.[27]

Segundo pesquisa de autodeclaração do censo de 2022, 3,6 milhões de nortistas se reconheceram como brancos, 10,6 milhões de pardos, 1 milhão de pretos, 176,7 mil amarelos. 305,1 mil indígenas, além dos 3,3 mil sem declaração.[28] Em 2010, 99,90% foram brasileiros (99,84% natos e 0,06% naturalizados) e 0,10% estrangeiros.[29] Dentre os brasileiros, 87,4% são naturais do Norte[30] (80,63% são naturais do próprio estado)[31] e 11,95% em demais regiões. 6,84% são do Nordeste, 2,15% do Sudeste, 1,26% do Sul e 1,70% do Centro-Oeste.[30] Entre os estados de origem dos imigrantes, o Maranhão possuia o maior percentual de residentes (4,08%), Goiás (0,97%), Paraná (0,97%), Ceará (0,94%), Minas Gerais (0,98%), Bahia (0,58%), São Paulo (0,56%), Piauí (0,54%), Espírito Santo (0,48), Mato Grosso (0,42%), Pernambuco (0,27%) e Rio de Janeiro (0,22%).[30]

Religião

Catedral Metropolitana de Belém

A religiosidade na Região Norte do Brasil reflete um quadro de transição demográfica e religiosa marcado pela diversidade e pela ascensão de novos grupos confessionais. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) referentes ao Censo de 2022, o catolicismo permanece como a religião de maior expressividade, com cerca de 50,5% da população da Região Norte declarando-se católica.[32][33] Em segundo lugar vêm os evangélicos, que representam 36,8% dos habitantes da região, a maior proporção entre as grandes regiões do país.[32][34] Outros grupos religiosos — incluindo espiritismo, religiões afro-brasileiras, tradições indígenas e outras — bem como a população que se declara sem religião (“sem religião/irreligiosos/ateus ou não declarantes”) somam o restante, embora os dados públicos não indiquem, para todos os subgrupos, percentuais padronizados recentes para a Região Norte.[32]

Catedral Diocesana de Sant'Ana e São Sebastião, em Coari

Esse quadro revela também uma transformação no perfil religioso ao longo das últimas décadas: comparando com o Censo de 2010, quando a proporção de católicos na Região Norte era de cerca de 60,6% e a de evangélicos de 28,5%. [32] A queda do catolicismo e a ascensão do protestantismo no Norte refletem uma tendência nacional, mas com intensidade particular nessa região.[32]

Além dos valores percentuais, há indicações de que, entre os evangélicos da região, uma parcela significativa pertence a vertentes pentecostais ou neopentecostais, embora os dados oficiais mais recentes (2022) do IBGE divulguem os evangélicos de forma agregada, sem discriminar claramente “pentecostais” e “neopentecostais”. Um estudo de 2010 listava “evangélicas de missão”, “evangélicas de origem pentecostal” e “não determinada” como subcategorias para toda a população brasileira e por grandes regiões — no Norte do Brasil, “evangélicas de origem pentecostal” corresponderam a cerca de 20,1% em 2010. Contudo, não há, até o momento, divulgação oficial recente com percentuais distintos para “pentecostais” e “neopentecostais” nessa região.[35]

Catedral de Santarém.

No que se refere à estrutura institucional da Igreja Católica na Região Norte, a organização eclesiástica compreende diversas circunscrições — arquidioceses, dioceses e prelazias — de acordo com a distribuição territorial da população. A nível nacional, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) aponta que existem 278 circunscrições eclesiásticas: 45 arquidioceses metropolitanas, 217 dioceses de rito latino (além de demais circunscrições como prelazias e eparquias).[36][37]

Na Região Norte destacam-se algumas das mais importantes:

Entre outras dioceses e prelazias espalhadas pela região, algumas com grande extensão territorial, dada a baixa densidade populacional da Amazônia e do Norte brasileiro. Por exemplo, a Diocese de Cruzeiro do Sul (estado do Acre) atua sobre vasto território amazônico no oeste da Região Norte.[41]

Povoamento

Forte do Presépio, em Belém.

A posse da Amazônia pelos lusitanos se iniciou com a criação de Belém em 1616. Entretanto, este ano caracterizou somente o estabelecimento do homem próximo à costa. As experiências de interiorização da colonização eram de competência das reduções religiosas, as quais, quase um século após, promoveram a conquista de determinadas regiões espalhadas.[42]

Apenas, no desfecho do século XIX, é que o aumento do preço da borracha explorada das seringueiras iria trazer milhares de migrantes vindos da região nordeste do Brasil para a floresta. A extração da borracha, bem mais que as reduções e até mesmo as conquistas militares para assegurar a ocupação, foi utilizada para colonizar numerosos lugares da região, especialmente no decorrer dos rios. Além de desenvolver a construção de estradas e o progresso das cidades.[42]

A época de desenvolvimento, no entanto, não perdurou bastante tempo. Empregando mudas conduzidas da Amazônia, os britânicos cultivaram seringueiras em suas possessões asiáticas e não adquiriram a borracha do Brasil, eliminando-o do comércio mundial.[42]

Rodovia Transamazônica entre Rurópolis e Uruará, Pará

Após a borracha, ocorreram várias experiências de estimular a colonização e a expansão econômica da região, entre as quais sobressaíram:[42]

  • a abertura de estradas, principalmente rodovias as quais, interligando muitos trechos da Amazônia, colaboraram para aperfeiçoar as condições de educação e saúde da população. Entretanto, determinadas estradas de rodagem, como a Transamazônica e a projetada Perimetral Norte, eram fruto de uma política de desenvolvimento exorbitante e errada, a qual não considerou os dispêndios, como os aportes financeiros, não combinam com o dinheiro com o qual o país contava, certas obras foram relegadas e não se chegou a resolver as mazelas da região.
  • Os importantes projetos agropecuários do poder executivo que vendia terras a grupos ou pessoas que se obrigassem a fazê-las economicamente lucrativas. Determinadas companhias se fixaram na região e, em seguida, se tornaram comuns e prosseguiram tais projetos, mas boa parte não venceu os problemas do meio, promovendo, no entanto, enormes e imprestáveis devastações em locais espalhados da Amazônia. Frequentemente, estas companhias compraram terras aguardando uma vindoura valorização em consequência do enorme progresso do extrativismo vegetal na região norte do Brasil.

Regiões metropolitanas

Imagem de satélite da NASA mostra a Região Metropolitana de Manaus à noite. É a maior e mais populosa da Região Norte, com 2,7 milhões de habitantes.

Na Região Norte existem várias regiões metropolitanas instituídas pelos estados ou pela União, destinadas à articulação de municípios vizinhos para o planejamento metropolitano e execução de funções públicas comuns. Dentre as mais relevantes destacam-se a Região Metropolitana de Manaus (AM), a de Belém (PA), a de Macapá (AP) e a de Boa Vista (RR). A RM de Manaus, instituída em 2007 pela Lei Complementar estadual nº 52/2007, reúne treze municípios no estado do Amazonas e é a de maior população da Região Norte.[43] A RM de Belém, originalmente criada pela Lei Complementar federal nº 14/1973 e reorganizada por várias leis estaduais, abrange oito municípios no Pará e possuía cerca de 2,37 milhões de habitantes no Censo 2022 do IBGE.[44][45] As demais RMs — como Macapá, Boa Vista, Santarém, Palmas, Gurupi e as duas no estado de Roraima (“Central” e “Sul de Roraima”) — completam o conjunto, embora os dados de população, número de municípios e posição nacional não estejam igualmente padronizados ou disponíveis.[45]

Governo e política

A região Norte do Brasil está fragmentada em sete unidades federativas: Tocantins, Pará, Amapá, Roraima, Amazonas, Acre e Rondônia, politicamente governados pelos três poderes: executivo (governadores, vices e secretários estaduais), legislativo (Assembleia Legislativa, deputados estaduais e seu presidente) e judiciário (Tribunal de Justiça estadual e outros juízes, promotores, advogados e desembargadores).[46][47][48][49][50][51][52]

Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas, órgão do poder legislativo estadual.

O poder executivo nortista é desempenhado pelos governadores dos sete estados da região norte do Brasil, escolhidos pelo eleitorado nortista, sucedidos pelos vice-governadores dos sete estados da região norte do Brasil, e assessorados por uma série de secretários estaduais.[46][47][48][49][50][51][52]

O poder legislativo nortista é desempenhado pelas Assembleias Legislativas dos sete estados da região norte do Brasil, constituídas por vários deputados estaduais, escolhidos pelo eleitorado nortista e liderados por seu presidente, sendo este um dos parlamentares.[46][47][48][49][50][51][52] Todos os sete estados da região norte do Brasil têm como representantes três senadores e diversos deputados federais.[53][54]

A mais altas instâncias do poder judiciário nortista são os tribunais de justiça dos sete estados da região norte do Brasil, que são desempenhados pelos juízes, promotores, advogados e desembargadores.[46][47][48][49][50][51][52]

Tribunal de Justiça do Pará, sede do poder judiciário paraense.

Na Região Norte (que compreende os estados: Acre (AC), Amapá (AP), Amazonas (AM), Pará (PA), Rondônia (RO), Roraima (RR) e Tocantins (TO) há, em cada estado, um respectivo tribunal regional eleitoral (TRE) que exerce funções estaduais de organização das eleições, cumprimento das decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) etc.[55]

No âmbito da Justiça do Trabalho, os estados da Região Norte são divididos em várias “Regiões” de TRTs. São eles: Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região (TRT-8), que compreende os estados do Pará e Amapá; Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT-10), o qual comporta Tocantins; Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11), que abrange Amazonas e Roraima; e Tribunal Regional do Trabalho da 14ª Região (TRT-14), o qual alberga Acre e Rondônia.[55]

Em termos eleitorais, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para as eleições municipais de 2024, o eleitorado da Região Norte soma cerca de 12.987.166 eleitores aptos, o que representa aproximadamente 8,3 % do eleitorado nacional (que naquele pleito era de 155.912.680). Em comparação, as regiões Sudeste, Nordeste, Sul e Centro-Oeste concentram percentuais maiores, o que evidencia o caráter relativamente menor do contingente eleitoral da região Norte em âmbito nacional.[56]

Subdivisões

Unidades federativas

A região norte do Brasil compreende sete unidades federativas: Tocantins, Pará, Amapá, Roraima, Amazonas, Acre e Rondônia. Somente dois estados são delimitados pelo Oceano Atlântico, entretanto, todos compartilham fronteiras secas e fluviais com unidades federadas do Nordeste e do Centro-Oeste, além de países vizinhos como a Bolívia, o Peru, a Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname e o departamento francês da Guiana Francesa.[57]

Mapa político da Região Norte do Brasil: cinza-escuro (países estrangeiros), cinza-claro (estados brasileiros e Distrito Federal), vermelho (países que não tem fronteira com o Brasil) e colorido (estados da região norte: 1 - Rondônia, 2 - Acre, 3 - Amazonas, 4 - Roraima, 5 - Amapá, 6 - Pará e 7 - Tocantins).

O maior estado em área é o Amazonas, localizado mais a oeste, com 1,5 milhões de quilômetros quadrados, depois vem o Pará, com 1,2 milhões km², o Tocantins, com 277,6 mil km², Rondônia, com 237,5 mil km², Roraima, com 223,6 mil km² e o Acre, com 164 173 km². O menor dos estados é o Amapá, com 142,8 mil quilômetros quadrados.[58][57]

O mais populoso dos estados é o Pará, situado mais a leste, com 8,1 milhões de habitantes, depois vem o Amazonas – 4.281.209 habitantes, Rondônia, com 1.746.227 hab., Tocantins, com 1.577.342 hab., Acre, com 880.631 hab., Amapá, com 802.837 hab. O estado menos populoso da região norte do Brasil e do país supracitado, é Roraima, com 716.793 hab.[59][60]

O Pará possui o maior PIB, com 236,14 milhões de reais, depois vem o Amazonas, com, R$ 145,14 bilhões, Rondônia, com R$ 66,80 bilhões, Tocantins, com R$ 58,21 bilhões, Acre, com R$ 23,68 bilhões e Amapá, com R$ 23,61 bilhões. O menor PIB é o estado de Roraima, com R$ 21,10 bilhões.[61] O maior PIB per capita é o do estado de Rondônia, com 42,2 mil reais, depois vem depois vem o Tocantins, com R$ 38.512, o Amazonas, com 36.827, Roraima, com 33.153, o Amapá, com 32.194 e o Pará, com 29.095. O estado com o menor PIB per capita é o Acre, com 28.525.[62]

O maior estado em IDH é o Amapá, com 0,708, depois vem Roraima, com 0,707, o Tocantins, com 0,699, Rondônia, com 0,690, o Amazonas, com 0,674, o Acre, com 0,663. O estado com o menor IDH é o Pará, com 0,646.[63]

Regiões geográficas intermediárias e imediatas

Região geográfica intermediária[64] Código Número de
municípios
Regiões geográficas imediatas Código Número de
municípios
Palmas 1701 42 Palmas 170001 10
Porto Nacional 170002 13
Paraíso do Tocantins 170003 14
Miracema do Tocantins 170004 5
Araguaína 1702 65 Araguaína 170005 21
Guaraí 170006 14
Colinas do Tocantins 170007 9
Tocantinópolis 170008 8
Araguatins 170009 13
Gurupi 1703 32 Gurupi 170010 18
Dianópolis 170011 14
Região geográfica intermediária[65] Código Número de
municípios
Regiões geográficas imediatas Código Número de
municípios
Belém 1501 23 Belém 150001 15
Cametá 150002 4
Abaetetuba 150003 4
Castanhal 1502 39 Castanhal 150004 14
Bragança 150005 6
Capanema 150006 9
Paragominas 150007 6
Capitão Poço 150008 4
Marabá 1503 23 Marabá 150009 13
Parauapebas 150010 4
Tucuruí 150011 6
Redenção 1504 15 Redenção 150012 8
Tucumã-São Félix do Xingu 150013 3
Xinguara 150014 4
Santarém 1505 19 Santarém 150015 6
Itaituba 150016 7
Oriximiná 150017 6
Altamira 1506 9 Altamira 150018 7
Almeirim-Porto de Moz 150019 2
Breves 1507 16 Breves 150020 10
Soure-Salvaterra 150021 6
Região geográfica intermediária[68] Código Número de
municípios
Regiões geográficas imediatas Código Número de
municípios
Manaus 1301 21 Manaus 130001 10
São Gabriel da Cachoeira 130002 3
Coari 130003 4
Manacapuru 130004 4
Tefé 1302 21 Tefé 130005 9
Tabatinga 130006 7
Eirunepé 130007 5
Lábrea 1303 9 Lábrea 130008 5
Manicoré 130009 4
Parintins 1304 11 Parintins 130010 5
Itacoatiara 130011 6
Região geográfica intermediária[70] Código Número de
municípios
Regiões geográficas imediatas Código Número de
municípios
Porto Velho 1101 18 Porto Velho 110001 5
Ariquemes 110002 8
Jaru 110003 5
Ji-Paraná 1102 34 Ji-Paraná 110004 13
Cacoal 110005 14
Vilhena 110006 7

Economia

A economia da região baseia-se nas atividades industriais, de extrativismo vegetal e mineral, inclusive de petróleo e gás natural, agricultura e pecuária, além das atividades turísticas.[71]

Em 2010 o Produto Interno Bruto (PIB) da Região Norte representava 5,3% do PIB nacional.[72] Foi a região brasileira que apresentou o maior crescimento econômico em um período de oito anos, passando de 4,7% em 2002 a 5,3% em 2010, em concentração do PIB brasileiro.[72] Com um crescimento em volume do PIB de 14,2% e 74,2%, respectivamente, o Tocantins foi o estado que apresentou o maior crescimento em volume.[72] Entretanto, as maiores contribuições econômicas da Região em 2010 continuaram a vir dos estados do Pará, Amazonas e Rondônia.[72] No Pará, destacou-se a recuperação internacional do preço do minério de ferro, que representa um grande peso na economia do estado. O Amazonas apresentou uma grande recuperação da indústria de transformação, seriamente abalada pela crise econômica de 2008. Rondônia, por sua vez, obteve o maior ganho de participação na atividade agropecuária dentre todos os estados entre 2002 e 2010.[72]

Além disso, em âmbito nacional, Amazonas e Rondônia subiram uma posição na Lista de estados brasileiros classificados por PIB. O Amazonas passou de 15º para 14º estado mais rico do país em 2010, ultrapassando o Mato Grosso, que caiu uma posição no referido ano. Rondônia deixou a 23ª posição e passou a ocupar a 22ª, desbancando o Piauí, que também caiu uma posição entre os estados.[72]

Dos sete estados da região, apenas Pará e Amazonas integram o chamado "Grupo Econômico Intermediário", formado por nove estados brasileiros que representam entre 2,6% e 1,2% da economia brasileira. Além do Pará e Amazonas, que representam 2,1% e 1,6%, respectivamente, da economia do país, fazem parte deste grupo os estados de Goiás, Pernambuco, Ceará, Espírito Santo, Mato Grosso, Maranhão e Mato Grosso do Sul.[72] Os demais estados da região representam menos de 1% da economia brasileira. Por ordem, seguem-se os estados de Rondônia (0,6% da economia nacional), Tocantins (0,5%), Acre (0,2%), Amapá (0,2%) e Roraima (0,2%).[72]

Participação dos estados no PIB (IBGE/2021) [73]
Estados PIB (em R$ 1 000) % do PIB nacional PIB per capita
Pará 262.905.000 2,9 29 953,43
Amazonas 131.531.000 1,5 30 803,56
Rondônia 58.170.000 0,6 32 044,73
Tocantins 51 781 000 0,6 32 214,73
Acre 21.374.000 0,2 23 569,31
Amapá 20.100.000 0,2 22 902,86
Roraima 18.203.000 0,2 27 887,57

Setor primário

Agricultura

O açaí é produzido em larga escala nos estados do Amazonas e Pará.[74]
Castanheira perto de Marabá, no Pará.
Guaraná em Ariquemes, Rondônia.
Arroz irrigado em Formoso do Araguaia, Tocantins.

Em relação à agricultura, o estado do Pará é o maior produtor nacional de mandioca, açaí, cacau, abacaxi, pimenta do reino, o 2º maior produtor nacional de limão e o 3º maior produtor de coco. Rondônia destaca-se na produção de café (maior produtor da região Norte e 5º maior do Brasil), cacau (2º maior produtor da região Norte e 3º maior do Brasil), feijão (2º maior produtor da região Norte), milho (2º maior produtor da região Norte), soja (2º maior produtor da região Norte), arroz (3º maior produtor da região Norte) e mandioca (4º maior produtor da região Norte). Têm crescido muito as plantações de soja. Outras culturas muito comuns na região são o guaraná, o cupuaçu e o maracujá.[75][76]

Na produção de mandioca, o Brasil produziu um total de 17,5 milhão de toneladas do produto em 2019. O Pará foi o maior produtor nacional, com 3,7 milhão de toneladas produzidas. O Amazonas ficou em 5º lugar, com 876 mil toneladas. O Acre ficou em 9º com 628 mil toneladas. Rondônia em 11º, com 521 mil toneladas. No total, o Norte produziu 6,2 milhões de toneladas.[77]

O Pará foi o 2º maior produtor nacional de limão em 2019, com 104 mil toneladas. Porém, quase toda a produção nacional é realizada em São Paulo, que produz 1,1 milhão de toneladas.[78]

Em 2018, o Pará foi o maior produtor brasileiro de abacaxi, com 426 milhões de frutos colhidos em quase 19 mil hectares.[79] Em 2017, o Brasil era o 3º maior produtor mundial (perto de 1,5 bilhão de frutos colhidos em cerca de 60 mil hectares). É a quinta fruta mais cultivada no País. O sudeste do Pará tem 85% da produção estadual: as cidades de Floresta do Araguaia (76,45%), Conceição do Araguaia (8,42%) e Salvaterra (3,12%) lideravam o ranking neste ano. Floresta do Araguaia também possui a maior indústria de suco concentrado da fruta do Brasil, exportando para os países da União Europeia, Estados Unidos e Mercosul. Tocantins foi o 5º maior produtor do país em 2019, com 85 milhões de frutos. Amazonas em 7º lugar, com 72 milhões de frutos.[80]

Em 2019, o Pará produzia 95% do açaí no Brasil. O estado tem cerca de 50 empresas que comercializam mais de 1,2 milhão de toneladas do fruto para outros estados. O valor da comercialização passa de US$ 1,5 bilhão, cerca de 3% do PIB do estado. O segundo maior produtor de açaí do Brasil é o Amazonas (52 mil toneladas), seguido por Roraima (3,5 mil toneladas).[81]

O Pará também é um dos maiores produtores brasileiros de coco. Em 2019, era o 3º maior produtor do país, com 191,8 milhões de frutos colhidos, perdendo apenas para a Bahia e o Ceará.[82]

O Pará é o maior produtor brasileiro de pimenta-do-reino, com 34 mil toneladas colhidas em 2018.[83]

A castanha do pará sempre foi um dos principais produtos do extrativismo do Norte do Brasil, com coleta no chão da floresta. Porém, nas últimas décadas, foi criado o cultivo comercial da castanheira. Já existem propriedades com mais de 1 milhão de pés de castanheira para produção em larga escala.[84] As médias anuais de produção no Brasil variavam entre 20 mil e 40 mil toneladas por ano em 2016.[85]

Na produção de cacau, o Pará vem disputando com a Bahia a liderança da produção brasileira. Em 2017 o Pará obteve a liderança pela primeira vez. Em 2019, os paraenses colheram 135 mil toneladas de cacau, e os baianos, 130 mil toneladas. A área de cacau da Bahia é praticamente três vezes maior do que a do Pará, mas a produtividade do Pará é praticamente três vezes maior. Alguns fatores que explicam isto são: as lavouras da Bahia são mais extrativistas, e as do Pará tem um estilo mais moderno e comercial, além dos paraenses usarem sementes mais produtivas e resistentes, e à sua região propiciar resistência à vassoura-de-bruxa.[86] Rondônia é o 3º maior produtor de cacau do país, com 18 mil toneladas colhidas em 2017.[87]

O Amazonas é o 2º maior produtor brasileiro de guaraná. Em 2017, a produção brasileira foi de perto de 3,3 milhões de toneladas. A Bahia colheu 2,3 milhões (principalmente na cidade de Taperoá), o Amazonas 0,7 milhões (principalmente nas cidade de Maués, Urucará e Borba) e o resto do país, 0,3 milhões. Apesar da fruta ser originária da Amazônia, desde 1989 a Bahia vence o Amazonas em volume de produção e produtividade de guaraná, pelo fato do solo da Bahia ser mais propício, além da ausência de doenças na região. Os mais famosos usuários do produto, porém, adquirem 90% a 100% do seu guaraná da região amazônica, como a AMBEV e a Coca Cola. Os preços do guaraná baiano são bem abaixo dos de outros Estados, mas as isenções fiscais da Sudam levam a indústria de bebidas a preferir adquirir as sementes no Norte, o que ajuda a manter o maior valor agregado do guaraná amazônico. Já as indústrias farmacêuticas e os importadores compram mais guaraná da Bahia, devido ao preço.[88]

Na soja, Tocantins, Pará e Rondônia se destacam. Na safra 2019, Tocantins colheu 3 milhões de toneladas, Pará 1,8 milhão, e Rondônia 1,2 milhão. A produção vem em constante crescimento nos estados do Norte.[89][90][91]

No milho, o estado do Tocantins colheu perto de 1 milhão de toneladas em 2019.[92]

Em 2019, o Tocantins foi líder na produção de arroz na região Norte, tornando-se o terceiro maior produtor do Brasil. Colheram mais de 670 mil toneladas na safra 2016/2017.[92]

Em 2018, o Pará ocupou a 6ª posição nacional na produção de banana, com 423 mil toneladas do produto.[93]

A agricultura comercial se encontra nos seguintes centros:[94]

Um dos aspectos dessa região constituem os terrenos lateríticos, existentes nas áreas intertropicais geralmente, na área dos quais a forte pluviosidade ocasiona a composição de minério de ferro. O efeito constitui um nível de cor vermelha, dura e azeda, imprestável para a agricultura. Por esta razão, os imigrantes japoneses instalaram um sistema de plantio, chamado cultura de vaso, a qual possui por objetivo cavar covas para remover o terreno laterítico e trocá-lo por terras de boa qualidade, utilizando corretivos agrícolas até alcançar o uso requerido.

O estado do Acre, no qual existem grandes regiões de terras produtivas, transformou-se em fronteira agrária da região, nos anos 1990. Isso tem conduzido ao desmatamento de suas matas, assim como já aconteceu em Rondônia. Uma providência sugerida como eficiente para eliminar a imigração de camponeses na Região Norte do Brasil seria fazer o melhoramento das condições de vida dos boias-frias na Região Sul do Brasil, por eles serem boa parte dos migrantes para estas regiões.[94]

Pecuária

Gado bovino no Tocantins
Búfalo na ilha de Marajó.

A paisagem prevalecente na região Norte ― a enorme Floresta Amazônica ― não é favorável à agricultura. Malgrado isso, a instalação de projetos agropecuários vem incentivando esta fonte de renda no decorrer das estradas de rodagem Belém-Brasília e Brasília-Acre, especialmente em consequência da simplicidade de comunicação com os comércios do Sudeste e Centro-Oeste. A criação de gado desenvolvida é do gênero extensivo e direcionada principalmente para a pecuária. Importantes multinacionais investiram valiosos recursos financeiros em grandes fazendas compreendidas por esta fonte de renda.[94]

Uma informação ruim, no entanto, é que a criação de gado exige o desmatamento de enormes porções de floresta. A troca da mata por pastos faz crescer a temperatura regional e reduz a umidade, conduzindo, como última tentativa, à desertificação das regiões. Ademais, o gado trazido ― da raça nelore ― possui pequena produção de carne, motivo pelo qual faz a sua pecuária dispendiosa.[94]

Dessa forma, a criação de gado é praticada com grande êxito somente nos campos da Hiléia, especialmente em Roraima e na ilha de Marajó, na qual está a maior produção de búfalos do Brasil.[94]

Extrativismo

Extrativismo vegetal

Quase separada do resto do Brasil, rodeada de uma mata grande a qual complica a construção de rodovias e compreendida por um clima bastante chuvoso, praticamente toda a população da Amazônia reside perto dos rios, e o extrativismo vegetal e mineral é a principal fonte de renda.[95]

A floresta apresenta a possibilidade de extração da borracha, da castanha-do-pará, de madeiras, além de algumas não elásticas (balata, massaranduba, coquirana e sorva), fibras (poaia, guaxima, tucum, malva e paina) e uma de produtos alimentícios como o guaraná ou aromáticos como pau-rosa.[95]

A borracha já não possui o valor que tinha o valor para a região do passado, portanto, portanto também é uma importante fonte de renda para o extrativismo. As seringueiras constituem árvores endêmicas da mata de várzea, malgrado hoje ainda sejam cultivadas em campos experimentais, com muito sucesso. Já castanheiras-do-pará representam árvores de terra firme e suas frutas bastante encontradas no comércio mundial, são longamente vendidas externamente.[95]

Hoje, a exploração de madeiras de lei excede os rendimentos adquiridos com a borracha e a castanha-do-pará.[95]

A extração de todos os produtos do extrativismo vegetal é realizada pelos caboclos da região, que habitam próximo aos rios, em palafitas. Boa parte dos ganho da exploração, entretanto, permanece com latifundiário ou fazendeiro, dono das terras das quais se praticam estas espécies.[95]

Extrativismo animal

O extrativismo animal constituído pela casa e pela pesca, ainda é desenvolvido na região. Com uma fauna bastante abundante, a Amazônia apresenta abundância de peixes — sobressaindo o tucunaré, o tambaqui e o pirarucu — e uma série de demais espécies. O produto dessa fonte de renda chega a completar a nutrição do morador nortista, formada de arroz, abóbora, feijão, milho, banana, etc., principalmente plantados com métodos rudimentares.[95]

Extrativismo mineral
O Porto de Santana está localizado no município de Santana, no Amapá, onde serve para o embarque de minério de ferro e manganês.
Extração de bauxita no Pará.

A região apresenta significativas reservas minerais famosas e diversas zonas possivelmente abundantes que até então não foram descobertas. A serra do Navio, no Amapá, por exemplo, constitui uma das mais importantes regiões extratoras de manganês do mundo. O manganês é conduzido por uma estrada de ferro, aberta principalmente para conceder exportação à produção desta região, até o porto de Santana, em Macapá, de onde vai para o comércio exterior. Apesar do Amapá conservar a posição de primeiro explorador brasileiro de manganês, suas jazidas se encontram em decadência.[96]

Hoje, a maior região mineradora da Região Norte do Brasil constitui a serra dos Carajás, no Pará, a principal província mineral do mundo. O mais importante mineral extraído representa o ferro, entretanto, Carajás apresenta ainda enormes minas de manganês, alumínio (bauxita), ouro, cobre e níquel. Para exportar a produção foi aberta a Estrada de Ferro Carajás, uma das principais da região, com 890 quilômetros de prolongamento, conectando a província de Carajás ao porto do Itaqui, em São Luís, no Maranhão. Desde então, o minério de ferro é escoado especialmente para a Alemanha, o Japão e a Coreia do Sul.[96]

O ouro é outro principal produto do extrativismo mineral na Região Norte do Brasil. No início, boa parte da produção chegava do garimpo de Serra Pelada, localizado na parte centro-oriental do Pará, a qual movimentou milhões de migrantes. No entanto, em função de sua extração intensiva e ao emprego de procedimentos ultrapassados, a produção aurífera despencou de 14 toneladas, em 1983, para aquém de 800 quilos anuais até então. Demais reservas de ouro estão sendo descobertas na Região Norte, sobressaindo os garimpos dos rios Madeira, em Rondônia, e Tapajós, no Pará.[96]

Realizado de maneira rudimentar, o garimpo usa, geralmente, o mercúrio para selecionar o ouro das águas barrentas dos rios. Além de contaminar as águas e a atmosfera, seus resultados para a população não podem ser revertidos. Outro desafio associado à exploração aurífera é que, embora a quantidade extraída na região seja enorme (acima de 15 toneladas por ano), produz pouco dinheiro, porque boa parte é roubada, não recolhendo tributos, nem produzido riquezas.[96]

Além dessas divisas, na Região Norte existem enormes jazidas de estanho ― uma vez que a porção central e setentrional de Rondônia é bastante abundante em cassiterita —, nióbio, petróleo e gás natural, no Amazonas, linhito, no vale do rio Javari (em uma terra indígena), potássio, na reserva dos caiapós, e também calcário, caulim, sal-gema, diamantes, urânio, etc.[96]

O extrativismo vegetal ganha relevância cada vez maior na Amazônia. É igualmente caracterizado como a melhor fonte de renda para a região, porque, além de possuir recuperação assegurada, requer menos destruição da mata para a ser feita. No entanto, ao se localizarem as jazidas minerais em reservas indígenas, acontecem lutas armadas, geralmente, com agressividade.[96]

No ano de 2017, em termos de produção comercializada em toda a Região Norte, no setor de minério de ferro, o Pará foi o 2º maior produtor nacional, com 169 milhões de toneladas (dos 450 milhões produzidos pelo país), a um valor de R$ 25,5 bilhões. O Amapá produziu 91,5 mil toneladas. No cobre, o Pará produziu quase 980 mil toneladas (das 1,28 milhões de toneladas do Brasil), a um valor de R$ 6,5 bilhões. No alumínio (bauxita), o Pará realizou quase toda a produção brasileira (34,5 de 36,7 milhões de toneladas) a um valor de R$ 3 bilhões. No manganês, o Pará realizou grande parte da produção brasileira (2,3 de 3,4 milhões de toneladas) a um valor de R$ 1 bilhão. No ouro, o Pará foi o 3º maior produtor brasileiro, com 20 toneladas a um valor de R$ 940 milhões. O Amapá produziu 4,2 toneladas a um valor de R$ 540 milhões. Rondônia produziu 1 tonelada a um valor de R$ 125 milhões. No níquel, Goiás e Pará são os 2 únicos produtores do país, sendo o Pará o 2º em produção, tendo obtido 90 mil toneladas a um valor de R$ 750 milhões. Já no estanho, o estado de Rondônia foi o 2º maior produtor (10,9 mil toneladas, a um valor de R$ 333 milhões) e o Pará o 3º maior produtor (4,4 mil toneladas, a um valor de R$ 114 milhões).Também houve produção de nióbio (em forma de columbita-tantalita) em Amazonas (8,8 mil toneladas a R$ 44 milhões) e Rondônia (3,5 mil toneladas a R$ 24 milhões), e zinco em forma bruta em Rondônia (26 mil toneladas a R$ 27 milhões). O Pará teve 42,93% do valor da produção mineral comercializada do Brasil, com quase R$ 38 bilhões, o Amapá teve 0,62% do valor, com R$ 551 milhões, Rondônia teve 0,62% do valor, com R$ 544 milhões, o Amazonas teve 0,45% do valor com R$ 396 milhões, e o Tocantins teve 0,003% do valor com R$ 2,4 milhões.[97]

Setor secundário

José Serra visita a linha de produção da Honda no Polo Industrial de Manaus.

Hoje, não existe uma autêntica economia fabril na Amazônia. Há, isso sim, algumas poucas fábricas afastadas, principalmente de transformação de produtos agrárias ou do extrativismo. A única situação incomum a esta situação recebeu visibilidade em Manaus, para onde a liberação de tributos, em função da fundação da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), chegou a trazer numerosas fábricas. No entanto, embora elas contratem significativa parte da mão-de-obra regional, não extraem matérias-primas locais nem servem ao mercador consumidor da região. Constituem autênticos “departamentos” de importantes fábricas eletrônicas, quase sempre de capitais multinacionais, os quais somente fabricam equipamentos eletrônicos com peças trazidas de fora da região.[98]

Mesmo assim, o saldo pode ser tido como positivo. Malgrado na década de 1990 tenha havido uma redução no comércio e a infraestrutura construída no tempo da riqueza (hotéis, transportes) esteja em parte paralisada, a Zona Franca desempenhou sua função — atualmente há um distrito industrial na região e a derradeira instalação de um distrito agropecuário vem trazendo incentivo à economia regional.[98]

Setor terciário

Turismo

Ilha do Amor, em Alter do Chão, Santarém, Pará.

O turismo ecológico e o de aventura constituem os mais importantes deste campo na região. Com visitação fiscalizada, sobressaem no Amazonas o Parque Nacional do Jaú (patrimônio natural da humanidade) e a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá. No decorrer do rio Tapajós, no Pará, a mais conhecida das numerosas praias constitui Alter do Chão, em Santarém–PA. As edificações do tempo do ciclo da borracha movimentam visitantes para as capitais Belém e Manaus, bem como os hotéis de floresta, no Amazonas, no Acre e em Rondônia.[99]

Turismo sexual

O mais elevado índice de aumento demográfico do Brasil, adicionado ao reduzido grau de rendimento, culminou no abuso sexual de jovens. Conforme estudo do Ministério da Justiça do Brasil e da Organização Internacional do Trabalho (OIT), de 1996 a 2002, a Região Norte compreende a mais alta quantidade de caminhos de contrabando de mulheres e de turismo sexual.[99]

Infraestrutura

Saúde

Fachada do Hospital Adventista de Belém

A Região Norte enfrenta desafios singulares de saúde pública decorrentes de sua extensão territorial, baixa densidade populacional e diversidade sociocultural. Com população concentrada em poucos centros urbanos e numerosos municípios de difícil acesso, a organização da rede assistencial exige integração entre esferas federal, estadual e municipal, além de políticas específicas para populações indígenas e ribeirinhas.[100][101]

A infraestrutura de atenção hospitalar e ambulatorial na região mostra heterogeneidade marcante: enquanto capitais como Manaus e Belém concentram leitos, muitos municípios interiores dependem de referência regional e transporte aeromédico para procedimentos complexos. Estudos e bases administrativas apontam que a Região Norte apresenta um número reduzido de leitos por mil habitantes em comparação com as regiões Sul e Sudeste — estimativas situam a oferta total em torno de 1,6–1,8 leitos por 1.000 habitantes, com variação entre unidades federativas e entre leitos SUS e privados.[102][103]

Hospital 28 de Agosto, o maior complexo hospitalar de urgência e emergência da região Norte.[104]

Nos desfechos de saúde, houve progressos importantes nas últimas três décadas, mas persistem índices piores que a média nacional em alguns indicadores. A taxa de mortalidade infantil da Região Norte declinou de 45,9 óbitos por mil nascidos vivos em 1990 para cerca de 16,6 em 2019, embora continue acima da média nacional — reflexo de desigualdades no acesso à atenção pré-natal, parto seguro e imunização em áreas remotas.[105][106]

A atuação do Sistema Único de Saúde (SUS) — por meio da Atenção Primária, da Estratégia Saúde da Família e de programas federais de vigilância, imunização e saúde indígena — é decisiva para reduzir desigualdades territoriais. Recomenda-se no plano regional priorizar a ampliação e qualificação da atenção primária com ênfase nas rotas fluviais e populações indígenas, o fortalecimento da rede de referência intermunicipal, investimentos em telemedicina e monitoramento contínuo por meio do DATASUS, do IBGE e do Atlas do Desenvolvimento Humano para orientar repasses e planejamento estadual e municipal.[107][108]

Educação, ciência e tecnologia

Ensino básico

A Região Norte do Brasil apresenta características demográficas que condicionam sua infraestrutura educacional. Segundo prévia do Censo Demográfico de 2022, divulgada pelo IBGE, a região abriga cerca de 17,8 milhões de habitantes, com predominância de população jovem.[109] Em 2022, aproximadamente 25,2 % dos moradores tinham até 14 anos, enquanto 10,4 % possuíam 60 anos ou mais.[110]

Os indicadores do INEP, particularmente o IDEB, evidenciam desigualdades estruturais. No ciclo 2023, a região registrou 5,8 nos anos iniciais do ensino fundamental, 4,7 nos anos finais e 4,1 no ensino médio, valores inferiores às médias nacionais.[111]

Ensino superior

Cidade Universitária Prof. José da Silveira Netto da Universidade Federal do Pará em Belém

O ensino superior da Região Norte é estruturado por universidades federais, estaduais e instituições privadas voltadas para a formação profissional e a pesquisa científica. Entre elas, destacam-se a UFPA e a UFAM, ambas avaliadas positivamente pelo INEP e presentes em rankings internacionais, como o Center for World University Rankings (CWUR).[112]

A UFAM também se destaca como uma das instituições federais da região com maior produção científica, especialmente nas áreas de biodiversidade, saúde e ciências ambientais.[113]

Outras instituições relevantes incluem a Universidade Federal de Rondônia, a Universidade Federal de Roraima, a Universidade Federal do Amapá e a Universidade do Estado do Pará. A rede de Institutos Federais presente em todos os estados complementa a formação técnica e tecnológica.[114]

Instituições de ciência e tecnologia

Sede do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, em Manaus.

A Região Norte abriga alguns dos mais importantes centros de ciência e tecnologia do país, com destaque para o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), sediado em Manaus. O INPA é considerado o principal centro de pesquisa da região, referência internacional em ecologia tropical, biodiversidade, climatologia e estudos amazônicos.[115]

O instituto também participa de redes avançadas de pesquisa, incluindo os Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs), como o CENBAM – Centro de Estudos Integrados da Biodiversidade Amazônica.[116]

Outras instituições científicas relevantes da região incluem:[117][118][119][120][121]

Indicadores socioeconômicos e desenvolvimento

Dados do PNUD mostram que a região apresenta diferenças significativas entre seus estados e municípios quanto ao Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), refletindo desigualdades históricas de acesso à educação, renda e saúde.[122]

Apesar disso, cidades como Belém e Manaus vêm registrando avanços, impulsionados pela presença de universidades, centros de pesquisa e polos industriais. A integração entre educação, ciência, tecnologia e desenvolvimento sustentável constitui um dos principais desafios e oportunidades estratégicas da Região Norte.[123][124][125][126][127][128][129]

Energia

Usina Hidrelétrica de Tucuruí, no Pará, a maior usina hidroelétrica brasileira em potência instalada.[130]

Boa parte dos rios da região são de planície, apesar de existirem vários outros, os quais apresentam enorme oportunidade de utilização de energia elétrica. Hoje, além da enorme Tucuruí, sobressaem as usinas hidrelétricas de Balbina, erguida para abastecer Manaus, Samuel (Rondônia), Curuá-Una (Pará) e a Coaracy Nunes (Amapá), havendo também diversas usinas hidrelétricas e térmicas em desenvolvimento e obras.[131]

Entretanto, a edificação dessas usinas é objeto de duras denúncias por parte de ambientalistas do mundo todo. Sua instalação exige a destruição de grande número de árvores, o que ocasiona o desaparecimento de imensa diversidade de mamíferos, aves, peixes e insetos, vários dos quais ignorados pelos cientistas, além de se intrometer no cotidiano dos povos originários.[131]

A hidrelétrica de Balbina, particularmente, foi alvo de várias acusações. Embora tenha transbordado uma superfície maior para entrar em operação, gera fraca eletricidade, porque os rios, os quais compõem o seu lago, apresentam pouco escoamento e descem em solo de pequena inclinação. Ademais, a geração de gás natural junto a Manaus poderia suceder Balbina no abastecimento de eletricidade para a cidade.[131]

Transportes

A região Norte do Brasil compreende um sistema de transportes menos concentrado e irregular. Além do enorme empecilho natural constituído pela mata entrelaçada, o clima bastante chuvoso, caracterizado por pluviosidades comuns e permanentes, o número de rios, cujo cruzamento requer extraordinárias construções de engenharia, e, principalmente, a reduzida densidade populacional local são motivos que se posicionam como impedimentos à expansão do sistema de rodovias e ferrovias.[132]

As estradas de ferro são escassas, sobressaindo somente aquelas baseadas no transporte de cargas, como a Estrada de Ferro Carajás (ferro), a Estrada de Ferro Amapá (manganês), a Estrada de Ferro Trombetas (bauxita) e a Estrada de Ferro Jari (madeiras).[132]

Anteriormente, a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré era um demonstrativo de como uma obra mal organizada pode se transformar em um grande insucesso. No início do século XX, para abrir esta estrada de ferro, faleceram milhões de trabalhadores e, ao ser concluída a construção, o motivo de sua abertura — carregar borracha para venda externa — desapareceu, porque a extração vinda da Ásia ultrapassara a oriunda do Brasil.[132]

As estradas de rodagem, por seu turno, percorrem distâncias menores dentre as sedes dos estados e cidades de maior importância, ou são extensas, como a Transamazônica, intermitente e, em várias partes, parcialmente destruída, vulnerável a dificuldades momentâneas. Demais rodovias como a Belém-Brasília, a Cuiabá-Santarém e a Cuiabá-Porto Velho, até então são inadequadas para a grande extensão desta região.[132]

Em função dessas condições, a maior densidade de transporte regional se realiza por intermédio do rio Amazonas e seus numeros tributários navegáveis, por onde transitam desde embarcações de lazer até as vulneráveis montarias, barcos a remo tradicionais da região. A Amazônia conta com aeroportos bem equipados nas sedes dos estados nortistas e nas cidades de relevância econômica, além de numerosas pistas de pousos nas enormes fazendas, terras indígenas e jazidas minerais.[132]

Ponte Rio Negro, no estado do Amazonas, atualmente a maior ponte estaiada do Brasil, com 3,6 km de extensão.[133]

Segurança pública e criminalidade

Viatura do GPE - Grupo de Pronto Emprego, da Polícia Civil

A Região Norte do Brasil enfrenta desafios significativos no campo da segurança pública, com padrões de criminalidade que frequentemente se situam acima da média nacional em indicadores como homicídios e crimes violentos intencionais. Segundo o Anuário Estatístico de Segurança Pública 2023–2024, as taxas de homicídio doloso nos estados da região permaneceram elevados em comparação com a média brasileira, com unidades federativas como Amazonas e Amapá registrando mais de 30 homicídios por 100 mil habitantes em 2023 — acima da taxa nacional de aproximadamente 18,5 por 100 mil habitantes — ainda que tenham apresentado variações negativas em relação ao ano anterior em alguns casos.[134]

Os dados oficiais também evidenciam disparidades intrarregionais: enquanto o estado do Acre aparece como um dos mais seguros da Região Norte, com taxas de homicídio ligeiramente inferiores à média nacional, outros estados como Amapá e Pará continuam com índices preocupantes, refletindo desigualdades socioeconômicas, lacunas na presença estatal e dificuldades de policiamento efetivo em áreas urbanas e rurais.[135] Além disso, o conjunto de estados da chamada Amazônia Legal apresentou historicamente uma taxa de mortes violentas intencionais superior à média nacional, incluindo homicídios, roubos seguidos de morte e lesões corporais com resultado em óbito — fatores que impactam a segurança das populações locais e influenciam a formulação de políticas públicas regionais.[136]

Viatura da Polícia Militar do Amazonas

Entre os fatores que agravam o quadro de violência no Norte, destaca‑se a atuação de grupos criminosos organizados, que exploram tanto rotas de tráfico quanto atividades ilegais ligadas aos recursos naturais, como mineração e desmatamento. Relatórios de organizações como o Brazilian Forum on Public Safety indicam um aumento da presença de facções criminosas em dezenas de municípios da Amazônia, ampliando a competição por territórios e gerando conflitos armados e criminalidade urbana em áreas antes consideradas periféricas.[137] A esse contexto se somam desafios estruturais, como a fragilidade de instituições de justiça e segurança, além de dificuldades logísticas para atuação de forças policiais em uma região de dimensões continentais e de baixa densidade populacional.[138]

Diante desses desafios, políticas de segurança pública na Região Norte têm buscado fortalecer a cooperação entre esferas federal, estadual e municipal, bem como a integração de ações de prevenção social e inteligência policial. Instrumentos de combate ao crime organizado, melhorias no monitoramento de fronteiras e investimentos em tecnologia e capacitação das forças de segurança são frequentemente citados em planos governamentais e debates públicos como medidas prioritárias para reduzir a violência e aumentar a sensação de segurança nas comunidades. O enfoque também tem sido colocado na promoção de estratégias intersetoriais que unam políticas de segurança com desenvolvimento econômico e inclusão social, na tentativa de enfrentar as raízes estruturais da criminalidade no território norte‑brasileiro.[139][140][141][142]

Cultura

Casas de ribeirinhos no Pará.

A residência tradicional do caboclo nativo da região Norte do Brasil é construída sobre estacas, às margens do rio ou em suas imediações. Com paredes feitas de paxiúba e jupati, é revestida por palha de ubuçu, ubim ou cavaco. No Acre, a casa do seringueiro possui sua fundação a um metro de distância do chão. A moradia e o alpendre são recobertos por palha de ouricuri, jaci, ubim ou jarina. Nas propriedades de gado de Roraima, as residências típicas são bem mais modernas e se comparam em luxo às dos imigrantes japoneses. Nas enormes cidades da região, residências de aspectos coloniais lusitanos se contrastam com simples palafitas.[13][143]

Tacacá.

No Pará, sobressaem a cerâmica marajoara e a tapajônica. Em território amazonense, o artesanato indígena prevalece, com cocares e adornos, plumas e demais objetos. Na região do rio Negro, as tecedeiras produzem redes de dormir ou maqueiras com o fio têxtil da palmeira tucum.[13]

A gastronomia da região Norte do Brasil, fortemente influenciada pelos povos originários, possui como ingrediente essencial os peixes de água doce da bacia do rio Amazonas, como o pirarucu, o tucunaré e o tambaqui. O pato no tucupi, a maniçoba e o tacacá são o carro-chefe da gastronomia do Pará. São tradicionais da região, também, os refogados e sopas de tartaruga, a casquinha de muçuã, o feijão-coco e a caldeirada de peixe. Dentre os frutos mais degustadas na Amazônia se encontram o bacuri, o cupuaçu, o açaí e a castanha-do-pará.[13]

Folclore, dança e indumentária

Um dos aspectos da região é sua cultura popular, oriundo dos hábitos dos povos originários e dos caboclos amazônicos. Entre os estilos musicais próprios da região contam-se o carimbó, uma das mais típicas danças da Amazônia, e o boi-bumbá, um dos mais importantes folguedos populares. Há também as lendas as quais, narradas pelos habitantes, transmitidas de pai para filho como a do boto e a da cobra grande.[13]

O boi-bumbá é a principal manifestação do folclore amazônico e torna conhecidos personagens lendários de vaqueiros e povos originários. A procedência do boi-bumbá é normalmente ligada a nações hispanófonas, onde era realizada com as denominações de vaca loca e toro candil. A importante festividade folclórica da Amazônia se organiza no fim de junho, no município de Parintins, situado no Amazonas.[13]

Grupo Conquista de Carimbó, um grupo de dança regional da cidade de Santarém

O carimbó é uma dança de roda realizada por uma dançarina, a qual, após vários movimentos, reveste o namorado com a saia. Tradicional do Pará e da ilha de Marajó. Empresta a designação do tambor empregado para complementação musical.[13]

Demais representações da cultura popular regional são o folguedo das pastorinhas (de procedência lusitana), o tipiti, os caboclos, os sararás, as encenações de lutas armadas em corvetas (de procedência africana).[13]

A roupa tradicional da região Norte do Brasil constitui o de vaqueiro campesino, com espessas calças feitas de algodão e enormes chapéus caídos amarrados ao queixo por umcordão, para se defender contra as chuvas e o Sol da linha do equador. Em Tocantins, tipicamente, o traje rústico era produzido nos teares dos próprios residentes, os quais empregavam alpargatas do couro de seus bois e chapéus fabricados com a palha do buriti.[13]

Patrimônio ambiental e festividades regionais

Festival Folclórico de Parintins.

A ilha de Marajó era o local onde surgiu a civilização marajoara, arte pré-cabralina cuja influência permanece em sua cerâmica artesanal. Além do contato com os marajoaras, o turista pode observar a produção de búfalos, ver enorme diversidade de pássaros, olhar para danças folclóricas e assistir a uma apresentação das tartarugas marinhas, chocando seus ovos na areia.[13]

Entre os eventos que mais trazem turistas à região Norte do Brasil incluem o Festival Folclórico de Parintins–AM, promovido a cada ano na segunda quinzena de junho; o batuque do Igarapé do Lago, em Macapá–AP, organizado entre 24 de junho e 2 de julho; a festa do Sairé, em Santarém–PA, realizado na segunda quinzena de julho; e a procissão do Círio de Nazaré, em Belém–PA, promovida desde o segundo domingo de outubro.[13]

Esportes

A prática esportiva na Região Norte do Brasil é marcada por uma forte tradição no futebol, que se reflete na organização de competições estaduais sob a égide de entidades oficiais, como as federações de futebol locais. No estado do Amazonas, por exemplo, a Federação Amazonense de Futebol (FAF) é responsável pela organização do Campeonato Amazonense e por representar os clubes amazonenses perante a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), sendo parte estrutural do calendário esportivo regional desde sua fundação na década de 1960.[144] Os times do Norte, como Amazonas FC, Nacional-AM, Manaus FC, Princesa do Solimões e São Raimundo-AM, disputam anualmente o certame estadual — conhecido como “Barezão” — que em 2026 conta com oito participantes e está programado para começar em janeiro, reunindo público e interesse local.[145]

Vista aérea da Arena da Amazônia, em Manaus, uma das sedes da Copa do Mundo FIFA de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016

No âmbito nacional, clubes da Região Norte têm participação crescente em competições organizadas pela CBF, tanto no masculino quanto no feminino. O Instituto 3B da Amazônia, por exemplo, estreou na Série A1 do Campeonato Brasileiro Feminino em 2025, representando o único clube da região na elite nacional e destacando a presença das equipes nortistas no cenário esportivo brasileiro.[146] Além disso, clubes amazonenses também disputam competições como a Copa do Brasil, a Série D e a Copa Verde, que reúne equipes de diversas regiões do país, incluindo representantes do Norte, fortalecendo a integração nacional por meio do esporte.[147][148]

A infraestrutura esportiva também tem recebido atenção de políticas públicas estaduais, com governos locais investindo em estádios e complexos esportivos que servem de casa para competições oficiais e treinamentos de alta performance. No Amazonas, por exemplo, a Secretaria de Estado do Desporto e Lazer (Sedel) tem disponibilizado estádios como a Arena da Amazônia, o estádio Carlos Zamith e o Ismael Benigno (Colina) para clubes disputarem competições estaduais, regionais e nacionais ao longo da temporada de 2026. Essas iniciativas visam não apenas apoiar os clubes profissionais, mas também fomentar a prática esportiva nas bases e promover maior visibilidade às atividades esportivas da região.[149]

Além da relevância do futebol, a Região Norte abriga projetos de inclusão esportiva com foco social e comunitário, envolvendo atividades recreacionais e formação esportiva de base. Iniciativas como o Esporte Cidadania, realizadas em parceria com instituições privadas e cobertura de redes de comunicação como a Rede Amazônica, oferecem em diferentes municípios cursos, torneios e atividades físicas gratuitas que incentivam hábitos saudáveis e o engajamento esportivo da população. Esses programas complementam a cena esportiva local ao promover a inclusão social por meio do esporte, destacando a importância das políticas esportivas em âmbito municipal e estadual na vida das comunidades do Norte.[150]

Ver também

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Notas e referências

Notas

Referências

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Ligações externas