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Financial Times

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Financial Times
Capa da edição de 29 de dezembro de 2010
PeriodicidadeDiário
TipoJornal diário
FormatoFormato standard (345 mm × 560 mm)
Digital
SedeBracken House
Londres, Inglaterra
PaísReino Unido
Fundação9 de janeiro de 1888
Fundador(es)James Sheridan
ProprietárioThe Financial Times Ltd.
(Nikkei)
EditorRoula Khalaf
Editor adjuntoPatrick Jenkins
Orientação políticaLiberalismo[1]
Liberalismo conservador[2]
Centro[3] a centro-direita[4]
IdiomaInglês
Circulação104.971 (setembro de 2025)[5]
Publicações irmãsNikkei Asia
ISSN0307-1766
OCLCOCLC 60638918
Websiteft.com

O Financial Times (FT) é um jornal diário britânico, impresso em formato standard e também publicado digitalmente, voltado a negócios e atualidades econômicas. Com sede em Londres, pertence à holding japonesa Nikkei e mantém seus principais escritórios editoriais no Reino Unido, nos Estados Unidos e na Europa continental. Em julho de 2015, a Pearson vendeu a publicação à Nikkei por £ 844 milhões, equivalentes a US$ 1,32 bilhão, depois de controlá-la desde 1957. Em 2019, o jornal anunciou um milhão de assinaturas pagas, das quais três quartos eram digitais.[6][7] Em 2023, tinha 1,3 milhão de assinantes, dos quais 1,2 milhão eram digitais.[8] Seu foco principal é o jornalismo financeiro e a análise econômica, em vez da cobertura generalista da imprensa. O jornal patrocina um prêmio anual de livros e publica uma escolha de "Person of the Year".

O jornal foi fundado em janeiro de 1888 como London Financial Guide e adotou o nome Financial Times um mês depois. James Sheridan começou a distribuí-lo pela região metropolitana de Londres e, junto com o irmão e Horatio Bottomley, procurou cobrir os negócios da cidade em concorrência com o Financial News. O meio século seguinte de disputa entre os dois jornais terminou com a fusão de 1945, conduzida por Brendan Bracken, que criou um dos maiores jornais de negócios do mundo.

A globalização entre o fim do século XIX e meados do século XX abriu espaço para a expansão editorial do FT. O jornal acrescentou colunas de opinião, reportagens especiais, charges, cartas de leitores, resenhas de livros, artigos de tecnologia e textos sobre política internacional. Seu papel de impressão tem tom laranja-claro, semelhante ao salmão. A publicação também conta com a revista de estilo de vida FT Magazine, a edição de fim de semana FT Weekend e publicações voltadas a setores específicos.

A linha editorial do Financial Times se concentra no liberalismo econômico, especialmente na defesa do livre-comércio e dos mercados livres. Desde a fundação, apoia a democracia liberal e políticas de orientação liberal clássica adotadas por governos de outros países. A redação é independente do conselho editorial, e o FT é um jornal de referência. Sua longa cobertura econômica também levou à publicação de índices financeiros, principalmente o FTSE All-Share Index. Desde o fim do século XX, seu público típico inclui profissionais de colarinho-branco com formação superior e familiaridade com finanças.[9][10] O FT costuma ser classificado entre o centro[11] e a centro-direita,[12] além de liberal,[13] neoliberal[14] e liberal-conservador.[2] A sede fica na Bracken House, em 1 Friday Street, perto do centro financeiro de Londres, onde estão a editora, o centro corporativo e a principal redação.

História

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Primeira página do Financial Times em 13 de fevereiro de 1888

O FT foi lançado como London Financial Guide em 10 de janeiro de 1888 e passou a se chamar Financial Times em 13 de fevereiro do mesmo ano. Apresentava-se como amigo do "financista honesto, do investidor de boa-fé, do corretor respeitável, do diretor genuíno e do especulador legítimo" e tinha quatro páginas. Seu público era a comunidade financeira da Cidade de Londres, e o único rival era o mais ousado e um pouco mais antigo Financial News, fundado em 1884. Em 2 de janeiro de 1893, o FT começou a usar papel rosa-claro para se distinguir do Financial News, de nome parecido.[15] O tom rosado vinha da cor do caulino que o jornal passou a comprar de uma mina de argila em Bodelva, perto de St Austell, na Cornualha.[16] Naquele período, era mais barato não branquear o papel, prática adotada também por outros jornais, como The Sporting Times. O processo ficou mais caro depois, pois o papel passou a precisar de tingimento especial.[15]

Compra pelos irmãos Berry

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Os irmãos Berry, Lord Camrose e Gomer Berry, mais tarde Lord Kemsley, compraram o Financial Times em 1919.[17]

Compra por Brendan Bracken e fusão com o Financial News

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Em 1945, Brendan Bracken comprou o Financial Times de Lord Camrose[17] e, depois de 57 anos de rivalidade, fundiu-o com o Financial News, formando um único jornal de seis páginas. O Financial Times tinha maior circulação, enquanto o Financial News forneceu boa parte da equipe editorial. A coluna "Lex" também veio do Financial News.[18] Depois da compra e da fusão, Bracken foi chamado de "fundador efetivo do Financial Times moderno", descrito no mesmo texto como o diário britânico de maior qualidade.[19]

Gordon Newton e o "recrutamento direto"

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Gordon Newton, formado em Cambridge, assumiu como editor em 1949 e introduziu imediatamente uma política, então muito incomum em Fleet Street, de recrutamento direto de recém-formados das universidades, sobretudo de Oxbridge, como jornalistas em treinamento. Muitos seguiram carreiras de destaque em outros veículos e na esfera pública britânica e formaram a base da força editorial do jornal até a década de 1990. O primeiro "recrutado direto" foi o futuro economista britânico Andrew Shonfield. O segundo foi William Rees-Mogg, mais tarde Sir William, que passou pelo The Sunday Times e assumiu a edição do The Times em 1967, depois que o jornal foi comprado por Roy Thomson. Entre os outros recrutados do FT vindos de Oxford e Cambridge estava o futuro Chanceler do Tesouro Nigel Lawson. A política de recrutamento do FT, peculiar entre os jornais de Fleet Street, nunca foi bem recebida pelo National Union of Journalists e terminou em 1966, depois da contratação de Richard Lambert, de Oxford, que também se tornaria editor do jornal.

Compra pela Pearson e crescimento como jornal global

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A Pearson comprou o jornal em 1957.[20] Nos anos seguintes, o jornal cresceu em tamanho, público e amplitude de cobertura. Passou a manter correspondentes em cidades de várias partes do mundo, acompanhando o novo impulso de globalização da economia mundial. Com o aumento do comércio e dos fluxos de capital entre países na década de 1970, o FT iniciou sua expansão internacional, favorecida por avanços tecnológicos e pela aceitação crescente do inglês como língua internacional dos negócios. Em 1 de janeiro de 1979, a primeira edição continental europeia do FT foi impressa fora do Reino Unido, em Frankfurt. A impressão nos Estados Unidos começou em julho de 1985.[21]

Com a ampliação da cobertura internacional, o FT tornou-se um jornal global, impresso em 22 locais e com cinco edições internacionais para o Reino Unido, a Europa continental, os Estados Unidos, a Ásia e o Oriente Médio.[22]

A edição europeia circula pela Europa continental e pela África. É impressa de segunda-feira a sábado em cinco centros europeus e cobre temas relacionados à União Europeia, ao euro e às empresas europeias.[23] Em 1994, o FT lançou a revista de estilo de vida de luxo How To Spend It. Em 2009, abriu um site separado para a revista.[24]

Antigos escritórios londrinos do Financial Times, em One Southwark Bridge

Em 13 de maio de 1995, o grupo Financial Times entrou pela primeira vez no meio digital com o lançamento do FT.com. O site oferecia um resumo de notícias de várias partes do mundo e, em fevereiro de 1996, acrescentou cotações de ações. A segunda geração do site foi lançada na primavera de 1996. Financiado por publicidade, o serviço participou do crescimento do mercado britânico de publicidade on-line no fim da década de 1990. Entre 1997 e 2000, o site passou por reformulações e mudanças de estratégia à medida que o FT Group e a Pearson reagiam às transformações da internet. O FT introduziu serviços por assinatura em 2002.[25] O FT.com é um dos poucos sites de notícias britânicos financiados com êxito por assinaturas individuais.

Em 1997, o FT lançou uma edição dos Estados Unidos, impressa em Nova Iorque, Chicago, Los Angeles, São Francisco, Dallas, Atlanta, Orlando e Washington, D.C., embora o jornal já fosse impresso fora de Nova Iorque desde 1985. Em setembro de 1998, tornou-se o primeiro jornal sediado no Reino Unido a vender mais exemplares no exterior do que dentro do país. Em 2000, o Financial Times começou a publicar uma edição em alemão, Financial Times Deutschland, com redação e equipe editorial em Hamburgo. Sua circulação inicial em 2003 foi de 90.000 exemplares. A publicação nasceu como empreendimento conjunto com a editora alemã Gruner + Jahr. Em janeiro de 2008, o FT vendeu sua participação de 50% à parceira alemã.[26] O FT Deutschland nunca teve lucro e teria acumulado prejuízos de € 250 milhões em doze anos. Encerrou suas atividades em 7 de dezembro de 2012.[27][28] Em 4 de fevereiro de 2002, o Financial Times lançou um novo suplemento semanal para o setor de gestão de fundos. FT fund management (FTfm) era, e ainda é, distribuído com o jornal às segundas-feiras. O FTfm é a publicação sobre gestão de fundos de maior circulação mundial.[29] Desde 2005, o FT patrocina o prêmio anual Financial Times Business Book of the Year Award.[30]

"Renovação" do FT

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Em 23 de abril de 2007, o FT apresentou uma versão "renovada" do jornal e introduziu um novo slogan, "We Live in Financial Times".[31] Em 2007, foi um dos pioneiros na adoção de um paywall medido, que permitia aos visitantes do site ler um número limitado de artigos gratuitos por mês antes de exigir pagamento.[32] Quatro anos depois, lançou seu aplicativo de internet móvel em HTML5. Na época, smartphones e tablets respondiam por 12% das assinaturas e 19% do tráfego do FT.com.[33] Em 2012, o número de assinantes digitais superou pela primeira vez a circulação do jornal impresso, e quase metade da receita do FT passou a vir de assinaturas, não de publicidade.[34][35]

O FT está disponível no Terminal Bloomberg desde 2010[36] e na plataforma Wisers desde 2013.[37] A partir de 2015, o paywall medido foi substituído por um mês de acesso gratuito ilimitado, após o qual era preciso assinar.[7][38] A Pearson vendeu o Financial Times Group à Nikkei por £ 844 milhões, equivalentes a US$ 1,32 bilhão, em julho de 2015.[39][40][41]

Em 2016, o Financial Times comprou uma participação de controle na Alpha Grid, empresa londrina de mídia especializada no desenvolvimento e produção de conteúdo de marca para televisão, vídeo, meios digitais, redes sociais e eventos.[42] Em 2018, adquiriu uma participação de controle na Longitude, fornecedora especializada em pesquisas e serviços de conteúdo para clientes corporativos e institucionais multinacionais.[43] Em janeiro de 2022, concluiu a aquisição integral da Longitude ao comprar as participações restantes dos cofundadores Rob Mitchell, James Watson e Gareth Lofthouse. O investimento acompanhou a expansão recente do jornal em áreas empresariais, entre elas conferências e eventos pela FT Live, e ampliou sua oferta comercial para serviços integrados.

Em 2020, o repórter Mark Di Stefano deixou o Financial Times depois de entrar sem autorização em chamadas do Zoom realizadas por outras organizações de mídia, entre elas The Independent e Evening Standard.[44] Ainda em 2020, a retirada de um artigo de opinião escrito por uma correspondente do Financial Times provocou controvérsia sobre a independência editorial do jornal diante de pressão política externa. A editora retirou um texto da correspondente em Bruxelas Mehreen Khan que criticava a política do presidente francês Emmanuel Macron para as minorias muçulmanas na França. O artigo saiu do site do FT no mesmo dia em que havia sido publicado.[45] Macron publicou em seguida uma carta no FT respondendo diretamente aos argumentos do artigo original, embora este já não estivesse disponível no site do jornal.[46] A editora do FT, Roula Khalaf, que tomou a decisão de retirar o texto, reconheceu ter sido contatada pelo Palácio do Eliseu e defendeu que a decisão se devia exclusivamente a erros factuais no artigo de Khan.[47]

Reportagens sobre a Wirecard

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Em janeiro de 2019, o FT iniciou uma sequência de artigos de jornalismo investigativo sobre suspeitas de fraude no grupo alemão de pagamentos Wirecard. Quando as ações da Wirecard despencaram, veículos alemães especularam que a queda resultava de manipulação do mercado contra uma empresa alemã e concentraram a atenção no principal autor da série do FT, Dan McCrum. A promotoria de Munique abriu uma investigação.[48] Depois de uma denúncia formal apresentada por um investidor, pela Wirecard e pela autoridade alemã de supervisão financeira BaFin, o promotor responsável anunciou investigações sobre jornalistas do FT.[49]

Em 22 de junho de 2020, depois de dezoito meses de investigações e de uma auditoria externa, a Wirecard anunciou que € 1,9 bilhão em dinheiro declarado em suas contas "pode não existir". A empresa pediu insolvência pouco depois.[50] A própria BaFin passou a ser investigada pela Autoridade Europeia dos Valores Mobiliários e dos Mercados por sua resposta ao caso.[51]

Publicidade de combustíveis fósseis

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Uma investigação conjunta de The Intercept, The Nation e DeSmog incluiu o FT entre os veículos de mídia que mais publicam publicidade da indústria de combustíveis fósseis.[52] Jornalistas que cobrem mudança do clima no FT manifestaram preocupação de que conflitos de interesse envolvendo empresas e setores que participam das causas do aquecimento global ou do bloqueio a medidas de enfrentamento prejudiquem a credibilidade da cobertura e levem leitores a minimizar a crise climática.[52]

O Global Capital Markets Survey mede hábitos de leitura entre altos responsáveis por decisões financeiras nas maiores instituições financeiras do mundo. Nesse levantamento, 36% da amostra apontou o Financial Times como sua leitura empresarial mais importante, onze pontos percentuais acima do The Wall Street Journal (WSJ), seu principal concorrente. The Economist, que já teve 50% de seu capital controlado pelo FT, alcançou 32%. A publicação The Banker, do FT, chegou a 24%.[53] Em 2010, o FT também foi apontado como a publicação de maior credibilidade na cobertura financeira e econômica entre o público pesquisado pelo Worldwide Professional Investment Community. The Economist ficou em terceiro lugar entre investidores profissionais de maior peso, e o WSJ, em segundo.[54]

Em 2022, o FT lançou o FT Edit, aplicativo de preço mais baixo destinado a atrair leitores mais jovens.[55]

Conteúdo

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O FT é dividido em duas seções. A primeira cobre notícias nacionais e internacionais, comentários editoriais sobre política e economia de jornalistas do FT, entre eles Martin Wolf, Gillian Tett e Edward Luce, e artigos de opinião de líderes, formuladores de políticas públicas, acadêmicos e comentaristas de vários países.

A segunda reúne dados financeiros e notícias sobre empresas e mercados. Embora o foco seja financeiro, o jornal também traz programação de televisão, previsão do tempo e textos mais informais. Em 2021 e 2022, passou a dedicar mais atenção ao setor de criptomoedas, lançando um painel de ativos digitais, publicando índices de criptoativos de múltiplos ativos, criando o boletim Cryptofinance e contratando mais jornalistas para cobrir o setor.[56][57] Cerca de 110 de seus 475 jornalistas trabalham fora do Reino Unido.

Coluna "Lex"

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A coluna "Lex" é publicada diariamente na última página da primeira seção. Reúne análises e opiniões sobre economia e finanças internacionais. O FT a apresenta como uma coluna que "define a pauta". A "Lex" apareceu pela primeira vez na segunda-feira, 1 de outubro de 1945. O nome talvez tenha vindo de Lex Mercatoria, expressão latina que significa literalmente "lei mercantil". A coluna foi criada por Hargreaves Parkinson para o Financial News na década de 1930 e transferida ao Financial Times quando os dois jornais se fundiram.

Entre os antigos integrantes da "Lex" que seguiram carreira nos negócios ou no governo estão Nigel Lawson, ex-chanceler conservador do Tesouro, Richard Lambert, diretor da Confederation of British Industry e ex-integrante do comitê de política monetária do Banco da Inglaterra, Martin Taylor, ex-diretor-executivo do Barclays, John Makinson, presidente e diretor-executivo da Penguin, John Gardiner, ex-presidente da Tesco, David Freud, ex-banqueiro do UBS e assessor trabalhista que se tornou membro conservador da Câmara dos Lordes, John Kingman, ex-chefe da UKFI e banqueiro da Rothschild's, George Graham, banqueiro do Royal Bank of Scotland, Andrew Balls, chefe de gestão de portfólios europeus da PIMCO, e Jo Johnson, ex-deputado conservador por Orpington.[58]

FT Weekend

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O FT publica aos sábados uma edição chamada Financial Times Weekend. Ela reúne notícias econômicas e políticas internacionais e as seções Companies & Markets, Life & Arts, House & Home e FT Magazine.

FT Magazine

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FT Magazine, também chamada de FT Weekend Magazine, é um suplemento da edição de fim de semana. Seu editor é Matt Vella. A revista acompanha apenas as edições do Financial Times para o Reino Unido e a Irlanda, embora artigos seus também sejam reproduzidos em seções da edição dos Estados Unidos, como Lunch with the FT. Publicada aos sábados,[59] cobre acontecimentos internacionais, política e artes. A FT Magazine foi criada em 2003.[60] John Lloyd foi seu primeiro editor.[60]

HTSI, originalmente How to Spend It, é uma revista semanal publicada com o FT Weekend. Criada e lançada por Julia Carrick[61] e com Lucia van der Post como editora fundadora,[62] publica textos sobre bens de luxo, como iates, mansões, apartamentos, relojoaria, alta-costura e automóveis. Também cobre moda e publica colunas de profissionais das artes, jardinagem, gastronomia, hotelaria e viagens. How to Spend It começou em 1967 como uma página sobre bens de consumo dentro do jornal, editada por Sheila Black, primeira jornalista mulher do FT e ex-atriz.[63] Para celebrar o 15.º aniversário da revista, o FT lançou sua versão on-line em 3 de outubro de 2009.[62]

Alguns comentaristas de mídia reagiram com surpresa ao lançamento de um site dedicado ao consumo conspícuo durante a austeridade financeira da recessão do fim da década de 2000.[62] Em blogs de editoras concorrentes, a revista foi chamada de "repulsiva" no The Daily Telegraph[64] e de "um manual contemporâneo de Ab Fab" no The Guardian.[65] Um exemplar bastante manuseado do suplemento foi encontrado quando forças rebeldes entraram no complexo de Muammar Gaddafi em Trípoli durante a Guerra Civil Líbia de 2011.[66]

Em setembro de 2021, Othman Al Omeir, fundador do jornal on-line Elaph, lançou uma versão em árabe da HTSI.[67] A HTSI Arabic é publicada em Londres.[67]

O nome da revista mudou de How to Spend It para HTSI em 2022.

Linha editorial

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O presidente russo Vladimir Putin durante entrevista ao Financial Times conduzida por Lionel Barber e Henry Foy em 2019

O FT defende os mercados livres e a globalização. Na década de 1980, sua linha econômica se aproximou de boa parte das reformas de mercado associadas aos governos de Margaret Thatcher e Ronald Reagan, embora análises da política econômica britânica do período mostrem que sua posição sobre a desinflação monetária não coincidia em todos os pontos com a do governo Thatcher.[68] O jornal já apoiou o Partido Trabalhista, inclusive nas eleições gerais de 1992, quando Neil Kinnock liderava o partido. Seus editoriais tendem ao europeísmo.[69] O FT se opôs firmemente à Guerra do Iraque.[69] Por defender mercados livres e livre-comércio, costuma ser situado politicamente entre o centro[70] e a centro-direita.[71]

O FT atual nasceu da fusão de dois jornais menores em 1945. Depois disso, apoiou o Partido Conservador com bastante regularidade. O deslocamento dos trabalhistas para o centro e a adoção crescente do euroceticismo pelos conservadores levaram o jornal a mudar de posição e apoiar o Partido Trabalhista de 1992 a 2010, quando voltou aos conservadores. O euroceticismo voltou a afastar o FT dos conservadores em 2019. Naquele ano, o jornal não declarou apoio eleitoral. Rejeitou as propostas econômicas socialistas do Partido Trabalhista, que pretendiam "reverter, não revisar, a revolução Thatcher da década de 1980", e também a defesa conservadora de um Brexit rígido.[72][73]

Quanto à invasão russa da Ucrânia, o comentarista do FT Martin Wolf manifestou apoio à Ucrânia.[74] Dois anos antes da invasão, o FT havia entrevistado o presidente russo Vladimir Putin.[75] A entrevista recebeu elogios por dar acesso pouco comum ao pensamento do líder russo,[76] e Putin a usou para expor suas opiniões sobre o valor da democracia liberal.[77] O jornal ucraniano Kyiv Post criticou o FT por fazer perguntas brandas a Putin e afirmou que os entrevistadores não o pressionaram a responder por seus atos.[78]

Política do Reino Unido

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Apoios eleitorais do FT
(1979–2024)
1979 Partido Conservador
1983 Partido Conservador
1987 Partido Conservador
1992 Partido Trabalhista
1997 Partido Trabalhista
2001 Partido Trabalhista
2005 Partido Trabalhista
2010 Partido Conservador
2015 Partido Conservador
2017 Partido Conservador
2019 Sem apoio
2024 Partido Trabalhista

Nas eleições gerais de 2010, o FT recebeu de forma favorável as posições dos Liberais Democratas sobre liberdades civis e reforma política e elogiou o então líder trabalhista Gordon Brown por sua reação à crise financeira de 2008. No balanço geral, porém, apoiou o Partido Conservador, embora questionasse sua tendência ao euroceticismo.[79]

Nas eleições gerais de 2015, o FT pediu a continuidade da coalizão entre conservadores e liberais-democratas que havia governado nos cinco anos anteriores.[80] Nas eleições de 2017, um editorial do FT apoiou com relutância a conservadora Theresa May contra o trabalhista Jeremy Corbyn, ao mesmo tempo que alertou para a posição de May sobre imigração e para os setores eurocéticos de seu partido.[81] O FT chamou as eleições gerais de 2019 de uma "eleição decisiva" que "não oferece boas escolhas".[82] Nas eleições de 2024, voltou a apoiar o Partido Trabalhista. O editorial pediu um "novo começo", mas fez ressalvas aos "instintos intervencionistas e ao fervor regulatório" do partido.[83]

Política dos Estados Unidos

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Na eleição presidencial dos Estados Unidos de 2008, o Financial Times apoiou Barack Obama. O jornal manifestou preocupação com sinais de protecionismo, mas elogiou sua capacidade de "atrair a atenção do país", seus apelos a uma política bipartidária e seus planos para uma reforma abrangente do sistema de saúde.[84] O FT voltou a preferir Obama na eleição de 2012.[85] O jornal apoiou os candidatos democratas Hillary Clinton na eleição de 2016, Joe Biden na eleição de 2020 e Kamala Harris na eleição de 2024.[86][87][88]

Propriedade e publicações relacionadas

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O FT pertence à Nikkei desde 2015. A holding japonesa comprou o jornal por £ 844 milhões, equivalentes a US$ 1,32 bilhão.

Em 23 de julho de 2015, a Nikkei concordou em comprar o Financial Times Group, divisão da Pearson desde 1957, por £ 844 milhões, equivalentes a US$ 1,32 bilhão.[39][40] A aquisição foi concluída em 30 de novembro de 2015.[41] Pelo acordo, a Pearson manteve os direitos de publicação da FT Press e licenciou a marca da Nikkei.[89] Até agosto de 2015, o grupo FT detinha 50% de The Economist. A participação foi vendida à família Agnelli por £ 469 milhões.[90] Entre as publicações e operações relacionadas estavam Financial Times, FT.com, FT Search Inc., a marca editorial FT Press e empreendimentos conjuntos. Em novembro de 2013, a Pearson concordou em vender a Mergermarket, empresa on-line de inteligência e notícias, ao investidor londrino de private equity BC Partners.[91]

O FT Group também tem a divisão FT Specialist, fornecedora de informações especializadas nos segmentos de finanças de varejo, pessoais e institucionais. Ela publica The Banker, Money Management, FT Adviser, voltada ao mercado de intermediários financeiros,[92] fDi Intelligence e Professional Wealth Management (PWM).[93] Em 2023, a FT Specialist adquiriu participação majoritária na editora médica Endpoints News.[94]

Em março de 2009, o Financial Times Group anunciou o lançamento beta do Newssift,[95] parte da FT Search. O Newssift.com era uma ferramenta de busca de nova geração para profissionais de negócios que indexava milhões de artigos de milhares de fontes internacionais de notícias empresariais, não apenas do FT. O Financial Times Group adquiriu a Money Media,[96] site de notícias e comentários setoriais, e a Exec-Appointments,[97] site de recrutamento especializado em cargos executivos.

O FT Group já deteve 13,85% da Business Standard Ltd, da Índia, editora do Business Standard. Vendeu essa participação em abril de 2008 e firmou um acordo com a Network 18 para lançar o Financial Times na Índia.[98][99] A operação enfrentava uma dificuldade: a marca "Financial Times" na Índia pertence ao Times Group,[100] editora de The Times of India e The Economic Times. O grupo também publica America's Intelligence Wire, serviço diário de notícias gerais por agência.[101]

A divisão Financial Publishing do Financial Times, antes chamada FT Business, fornece conteúdo impresso e on-line para públicos de finanças de varejo, pessoais e institucionais. Entre suas publicações e serviços estão Investors Chronicle, revista e site de finanças pessoais, "FT Money", suplemento semanal de finanças pessoais do FT Weekend, FT Wealth, revista dirigida ao público internacional de alto patrimônio, FTfm, análise semanal do setor mundial de gestão de fundos, Money Management e FT Adviser. O segmento institucional inclui The Banker, This Is Africa, fDi Intelligence e Professional Wealth Management (PWM).[102] A Money-Media, braço separado da Financial Publishing, oferece serviços de informação digital a profissionais de gestão de fundos em vários países, entre eles Ignites, Ignites Europe, Ignites Asia, FundFire e BoardIQ. A Financial Publishing também mantém publicações, Pensions Expert e Deutsche Pensions & Investmentnachrichten, e eventos, Investment Expert, dirigidos ao setor europeu de previdência. O grupo publica ainda a MandateWire, empresa de informação financeira que fornece dados comerciais e de mercado a profissionais de investimentos na América do Norte, Europa e Ásia.[93]

FT Knowledge é uma empresa associada que oferece produtos e serviços educacionais. Desde 2000, oferece em cada outono e primavera o curso "Introducing the City", composto por palestras e seminários nas noites de quarta-feira e por eventos aos fins de semana. FT Predict é um serviço editorial de previsões econômicas mantido pelo Financial Times. Nele, usuários podem comprar e vender contratos baseados em acontecimentos financeiros, políticos e noticiosos futuros usando dólares fictícios do Financial Times, ou FT$. Inspirada nas premissas apresentadas no livro The Wisdom of Crowds, de James Surowiecki, a competição permite aos participantes usar previsões econômicas para acompanhar acontecimentos futuros enquanto disputam prêmios semanais e mensais.

O Financial Times também manteve um jogo empresarial chamado "In the Pink", expressão inglesa que significa "em boa saúde" e também faz referência à cor do jornal e à expressão "in the red", usada para indicar prejuízo. Cada jogador assumia virtualmente o cargo de diretor-executivo e tentava encerrar a competição com o maior lucro. O vencedor, isto é, o jogador que obtivesse o maior lucro, receberia um prêmio real de £ 10.000. O jogo funcionou de 1 de maio a 28 de junho de 2006.

Em 2019, o Financial Times anunciou um investimento na Sifted, site de notícias e boletim exclusivamente digital dedicado a startups europeias. A participação inicial de 25% do Financial Times caiu mais tarde para 14% depois de novos investimentos de terceiros. O negócio iniciou uma relação estratégica planejada para sete anos entre o jornal e a Sifted.[103][104]

Seleção de índices de mercado do FT, em 2019

O Financial Times reúne e publica índices de mercados financeiros que acompanham as mudanças de valor de seus componentes. O mais antigo deles foi o antigo Financial News Index, iniciado pelo Financial News em 1 de julho de 1935. O FT publicava um índice semelhante. Em 1 de janeiro de 1947, ele foi substituído pelo Financial News Index, que passou a se chamar Financial Times (FT) Index. O índice começou com ações industriais. Empresas com interesses predominantes no exterior ficavam de fora, entre elas Anglo-Iranian Oil Company, depois BP, British American Tobacco, Lever Brothers, depois Unilever, e Shell. Os setores de petróleo e finanças foram incorporados décadas depois.[105]

O FTSE All-Share Index, primeiro da família de índices FTSE, foi criado em 1962 e reunia as 594 maiores empresas do Reino Unido por capitalização de mercado.[105] As letras F-T-S-E indicavam que a FTSE era um empreendimento conjunto do Financial Times, F-T, com a Bolsa de Valores de Londres, S-E. Em 13 de fevereiro de 1984, foi lançado o FTSE 100, que correspondia a cerca de 80% do valor da Bolsa de Londres.[105] O FTSE Group tornou-se empresa independente em 1995. Seu primeiro escritório no exterior abriu em Nova Iorque em 1999. Paris veio no começo de 2000, Hong Kong, Frankfurt e São Francisco em 2001, Madrid em 2002 e Tóquio em 2003.

Outros índices FTSE incluem o FTSE 350 Index, FTSE SmallCap Index, FTSE AIM UK 50 Index, FTSE AIM 100 Index e FTSE AIM All-Share Index para ações, além dos FTSE UK Gilt Indices para títulos públicos.

Em 2021, o Financial Times começou a publicar, em conjunto com a Wilshire Associates, três índices de múltiplos ativos que cobrem combinações das cinco principais criptomoedas.[57]

Em julho de 2006, o FT anunciou o projeto "New Newsroom", destinado a integrar mais estreitamente o jornal ao FT.com. Na mesma ocasião, anunciou que reduziria a equipe editorial de 525 para 475 pessoas. Em agosto daquele ano, informou que todos os cortes necessários haviam sido obtidos por meio de desligamentos voluntários. Ex-jornalistas do FT seguiram carreiras de projeção no jornalismo, na política e nos negócios. Robert Thomson, ex-editor-gerente da edição americana, foi editor do The Times e tornou-se diretor-executivo da News Corporation. Will Lewis, ex-correspondente em Nova Iorque e editor de notícias do FT, editou The Daily Telegraph e The Wall Street Journal. Dominic Lawson tornou-se editor do The Sunday Telegraph até sua demissão em 2005. Andrew Adonis, antigo correspondente de educação, foi assessor de educação do então primeiro-ministro britânico Tony Blair, tornou-se ministro da Educação e recebeu um assento na Câmara dos Lordes depois das eleições de 2005. Ed Balls tornou-se principal assessor econômico do Tesouro e trabalhou de perto com Gordon Brown, então chanceler do Tesouro. Foi eleito deputado em 2005 e, em junho de 2007, nomeado secretário de Estado para Crianças, Escolas e Famílias.[106][107]

Bernard Gray, antigo correspondente de defesa e colunista da "Lex", foi diretor-executivo da editora CMP antes de assumir a direção da TSL Education, editora do Times Educational Supplement. David Jones foi editor noturno do FT e recebeu a responsabilidade geral pelo projeto que introduziu um sistema de produção eletrônica no qual os jornalistas passavam a controlar o processo de produção do texto até a impressão. A mudança tecnológica foi implantada em 1987.[108]

Sir Geoffrey Owen foi editor do Financial Times de 1981 a 1990. Em 1991, entrou no Centre for Economic Performance, da London School of Economics, como diretor de política empresarial. Em 1997, foi nomeado Senior Fellow do Institute of Management e permaneceu trabalhando na instituição.[109] A implantação dos novos sistemas eletrônicos no FT gerou disputas sobre problemas musculoesqueléticos entre jornalistas. Quatro ex-subeditores processaram o jornal por lesões que alegavam ter sofrido no fim de 1988. Em 1998, a Justiça britânica decidiu a favor do Financial Times e não considerou demonstrada uma violação relevante do dever do empregador.[108][110]

  • 1889: Douglas MacRae
  • 1890: W. R. Lawson
  • 1892: Sydney Murray
  • 1896: A. E. Murray
  • 1909: C. H. Palmer
  • 1924: D. S. T. Hunter
  • 1937: Archibald Chisholm
  • 1940: Albert George Cole
  • 1945: Hargreaves Parkinson
  • 1949: Sir Gordon Newton
  • 1973: Fredy Fisher
  • 1981: Geoffrey Owen
  • 1991: Richard Lambert
  • 2001: Andrew Gowers
  • 2006: Lionel Barber
  • 2020: Roula Khalaf

Ver também

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  • Jornalismo econômico, área jornalística que ocupa boa parte da cobertura do Financial Times
  • The Wall Street Journal, jornal financeiro internacional e principal concorrente do Financial Times
  • The Economist, publicação britânica da qual o grupo FT já deteve metade do capital
  • Pearson PLC, empresa que controlou o Financial Times entre 1957 e 2015

Referências

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Ligações externas

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