Binormativismo: tributo a Carvalho

Eduardo Maragoto
Eduardo Maragoto DECOT�O

OPINI�N

TINO VIZ

Vai sendo cada vez maior o grupo de cargos p�blicos que pensa que o per�odo da Xunta preauton�mica (1977-1981) era o momento indicado para implantar a proposta reintegracionista (lusista) de Carvalho. O escritor foi clarividente nos anos setenta: se dotamos o galego de car�cter internacional, aumentaremos o seu valor cultural (e econ�mico) e poderemos paliar a crise que chegar� a padecer. Agora lamentamos a falta de afouteza daquela Real Academia Galega, que, ignorando a proposta de Carvalho, limitou a amplitude comunicativa do idioma.

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Intu�mos que o galego continuar� a perder vigor na sociedade. Simultaneamente, o reintegracionismo continuar� conquistando adeptos nos ambientes onde este idioma importa. No entanto, dificilmente poder� conquistar novos p�blicos at� que o poder pol�tico invista no tema, e isto s� acontecer� se a Xunta chega a entender o importante que � para o galego ficar vinculado ao grupo dos idiomas multinacionais. Aproveitando o Ano Carvalho, vale a pena reflectir sobre se queremos pertencer a este grupo duplamente: polo idioma do Estado e polo �galego internacional� (lusista), ou se para isto nos basta unicamente o primeiro.

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Estamos a tempo de encarreirar o futuro desta fala que tanto amamos? Evidentemente, sempre que cheguemos aos consensos oportunos. A sociedade, que tanto se transformou comunicativamente nas �ltimas d�cadas, continuar� a mudar a grande velocidade. Ao mesmo tempo que se globaliza o contacto entre humanos e pa�ses, ser� conveniente dispor de diferentes idiomas para usar segundo o contexto. Dominando os de Cervantes e Shakespeare, e acomodando o de Rosal�a ao de Cam�es, poderemos inaugurar a glotopol�tica que faltou nos anos oitenta, a pensada para o porvir socioecon�mico da sociedade. Multiplicar as oportunidades comunicativas � a forma id�nea de mimar as diferentes identidades idiom�ticas dela.

E como pode tomar a iniciativa o poder pol�tico para preparar convenientemente este porvir? Garantindo o ensino eficaz dos idiomas mencionados e tolerando o uso de dous modelos de galego: o da RAG, que aprendemos na escola, e o defendido por Carvalho, que vai ao encontro de maior potencial comunicativo. � o chamado binormativismo, aplicado nos tolerantes Luxemburgo e Noruega, pensado para manter abertas portas que talvez precisemos de cruzar no futuro. Como explicou Carvalho neste mesmo peri�dico: �Est�m em jogo [...] duas posturas perante a l�ngua do escritor: a autorit�ria e a liberal� (Pol�tica Lingu�stica, 1988).

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