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Straight edge

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Membros do movimento straight edge podem escolher demonstrar as causas que apóiam.

Straight edge (às vezes abreviado como sXe ou indicado por XXX ou simplesmente X) é uma subcultura do hardcore punk cujos adeptos se abstêm do uso de álcool, tabaco e outras drogas recreativas em reação aos excessos percebidos na subcultura punk.[1][2][3] Alguns adeptos abstêm-se de sexo promíscuo ou casual, seguem uma dieta vegetariana ou vegana e não consomem cafeína ou medicamentos prescritos.[2] O termo "straight edge" foi adotado da música "Straight Edge" de 1981 da banda hardcore punk Minor Threat.[4]

A subcultura straight edge surgiu em meio à cena hardcore punk do início dos anos 1980. Desde então, uma grande variedade de crenças e ideias tem sido associada ao movimento, incluindo o vegetarianismo e os direitos dos animais.[5][6] Embora os aspectos comumente expressos na subcultura straight edge sejam a abstinência de álcool, nicotina e drogas ilícitas, houve variações consideráveis. Frequentemente surgem divergências quanto aos principais motivos para se adotar um estilo de vida straight edge. As políticas straight edge variam, indo de explicitamente anarquista, antifascista ao progressismo e conservador, embora muito raramente haja membros com idéias extremistas devido as suas pautas ativistas - progressistas e ambientais. Alguns ativistas abordaram o Straight Edge com ceticismo, ridículo ou mesmo hostilidade declarada, em parte devido ao que perceberam como a militância moralista do movimento Straight Edge.[7]

Em 1999, William Tsitsos escreveu que o Straight Edge passou por três eras desde a sua fundação no início da década de 1980. O Bent Edge começou como um contramovimento ao Straight Edge por membros da cena hardcore de Washington, DC, que estavam frustrados com a rigidez e intolerância na cena.[8] Durante a era do movimento youth crew, que começou em meados da década de 1980, a influência da música na cena straight edge atingiu seu auge. No início da década de 1990, o movimento straight edge militante já era uma parte bem conhecida da cena punk em geral. No início e meados da década de 1990, o straight edge se espalhou dos Estados Unidos para o norte da Europa,[9] leste da Europa,[10] Oriente Médio,[11] e América do Sul.[12] No início dos anos 2000, os punks straight edge militantes tinham, em grande parte, abandonado a cultura e o movimento straight edge mais amplos.[13]

Entre bandas declaradamente Straight Edge estão, além do próprio Minor Threat, outras bandas precursoras como State of Alert, Government Issue, The Faith, 7 Seconds, SSD, DYS, Negative FX, Cause for Alarm, Banda Alaska e The Abused. E também Youth of Today, Teen Idles, Rise Against, Gorilla Biscuits, Lärm, Bold, To See You Broken, Stick To Your Guns, etc. E alguns artistas que são conhecidos por declararem abertamente serem Straight Edge, como o lutador CM Punk, James Hetfield[14] (Metallica), Tommy Green (Sleeping Giant), Beau Bokan (Blessthefall), Jona Weinhofen (I Killed The Prom Queen), Max Cavalera (Soulfly), Winston McCall (Parkway Drive), Alissa White-Gluz (Arch Enemy), Juninho (Ratos de Porão) etc.

Uma tatuagem de Straight Edge

Simbolismo do "X"

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No livro "Our Band Could Be Your Life", MacKaye coloca que ele e seus amigos perdiam shows de suas bandas favoritas porque nas casas de espetáculos que elas tocavam eram servidas bebidas alcoólicas, e os menores de 21 anos não podiam permanecer nesses locais em Washington D.C., (EUA). A banda de MacKaye, Teen Idles, fez uma turnê na costa oeste estadunidense em 1980. Em São Francisco no Mabuhay Gardens, o dono do clube teve a boa ideia de marcar um grande "X" nas mãos dos adolescentes com uma caneta permanente, de modo a prevenir ao barman que aqueles indivíduos não tinham a maioridade exigida para consumo de álcool. Quando retornaram a Washington, MacKaye deu a sugestão a vários donos de casas de show da área, para igualmente permitirem a participação dos adolescentes de sua região nos shows, sem que consumissem álcool. Com o tempo, os adeptos da filosofia straight edge começaram a usar o "X" até fora dos bares, e mesmo depois de completarem a idade legal para beber. Assim, ele acabou se tornando o símbolo do movimento (especialmente na versão "três xis").

Algumas pessoas interpretam os três "X" como "corpo, mente e alma". Outros, como o símbolo da letra da música "Out of step" do Minor Threat: "I don't drink, I don't smoke, I don't do drugs - At least I can fuckin' think! [...]" ("Eu não bebo, eu não fumo, eu não me drogo - Pelo menos eu consigo pensar, porra!"). Na verdade, os "três xis" (XXX) tiveram sua origem em um trabalho artístico feito pelo baterista do Minor Threat, Jeff Nelson, no qual foram substituídas as três estrelas da bandeira da cidade natal da banda (Washington D.C.) pelos "xis", usados na capa da coletânea "Flex Your Head", lançada pela Dischord Records em 1982.

É muito comum ver edgers com o símbolo do "X" tatuado especialmente na mão, ou ainda vê-lo pintado nas roupas, ou fixo nelas na forma de buttons, patches, etc… No entanto, alguns edgers preferem não utilizar o "X", por vários motivos, dentre eles o de fugir da auto-rotulação.

O "X" é considerado principalmente uma marca de negação e de identidade. Colocá-lo no início e no fim de um nome pessoal ou de banda é uma prática comum entre os edgers como forma de identificação. Por causa disso, algumas pessoas veem o X como um rótulo, ou como uma espécie de segregação ou elitismo. Na verdade, desenhá-lo é simplesmente algo contra-cultural para os adeptos da filosofia, assim como os rebites e moicanos da cultura punk.

Outro símbolo utilizado é o "xVx" (Vegan Straight Edge), símbolo utilizado pelos edgers que também se abstêm do consumo de carnes e outros derivados de origem animal, tanto no âmbito alimentar quanto para uso (bolsas, sapatos, roupas, etc).

O EP dos Teens Idle', “Minor Disturbance”, lançado pela influente Dischord Records em 1980, trazia duas mãos com o “X” na capa. Este EP marcou o inicio do que viria a ser a cena straight edge dentro do hardcore e do punk.

A origem do termo “straight-edge” é comumente creditada à banda Minor Threat, que o teria cunhado em meados dos anos 80. De fato, boa parte do modo de vida straight edge está definido em letras do Minor Threat como “Out of Step” e a própria “Straight Edge”. Entretanto, o “movimento” em si, nunca foi defendido pelo cantor Ian Mackaye, que achava que eram apenas escolhas pessoais que cada um fazia para sua própria vida e que ele fez para sua própria. Existem evidências de que o termo "straight edge" tenha sido usado para indicar um estilo de vida vegetariano ou vegano em algum momento do século XX. De acordo com artigos do BoingBoing e Beatrice.com , existia um restaurante de comida vegetariana chamado "Straight Edge Kitchen" em Greenwich, Nova York e também existem fotos e ilustrações de 1906 de um jornal chamado New York World documentando um grupo de “straight edgers” comendo no restaurante.

A cena hardcore, berço do straight edge, sempre foi vista como a de pessoas unidas com o propósito de fazer uma música rápida e anti-reacionária, na esperança de remodelar a sociedade que eles consideravam opressora. Ao menos a maioria das bandas de hardcore compartilham alguns destes temas em suas letras, políticas e atitudes que podem ir da direita para a distante esquerda, de extremos a moderados e da hostilidade para a hospitalidade.

O lutador da World Wrestling Entertainment CM Punk foi o primeiro wrestler a mostrar esse modo de vida à WWE
Nessa imagem ele(CM Punk) está com sua equipe denominada Straight Edge Society

O início do movimento em Washington fazia um apanhado de todos os conceitos que flutuavam na mente das pessoas na cena “underground” da cidade, exatamente como tantos outros movimentos jovens.

A “primeira leva” do movimento straightedge se centralizou ao redor de Washington (Minor Threat, G.I., Faith) e Boston (SSD, DYS) de 1981-83. Posteriormente, novas levas de bandas surgiram em todas as partes dos Estados Unidos e do mundo, se intitulando e propagando o modo de vida Straight Edge.

Cena no Brasil

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O movimento chegou ao Brasil aos poucos. Durante os anos 80, a postura era rara, mas presente em alguns indivíduos dentro da cena punk. O primeiro registro de algo relacionado ao straight edge no país é a foto na contracapa da coletânea "Grito Suburbano", o primeiro disco punk lançado no Brasil (em 1982), do vocalista do Olho Seco, Fábio Sampaio, com um “X” pintado na mão.

Em 1989 foi formada em São Paulo a primeira “banda straight edge” nacional, o Energy Induct, que entretanto não chegou a gravar ou fazer shows. Um de seus membros fundou anos depois o fanzine e selo Liberation e integrou a banda Point of No Return.

Os primeiros exemplos inteiramente straight edge no Brasil só apareceram em 1993, na própria São Paulo, com as bandas Positive Minds (depois Self Conviction) e Personal Choice. Todas essas bandas compartilharam membros, e alguns deles formariam em 1996 o Point of No Return, que durante sua existência foi a mais conhecida e atuante banda straight edge do país. Conforme surgiam as bandas, os membros e amigos (muitos ligados ao coletivo anarquista Juventude Libertária) passaram a organizar shows independentes, evitando bares e casas noturnas e inserindo algumas vezes atividades paralelas culturais e políticas. Estes shows foram o embrião da Verdurada, principal evento da cena “Straight Edge” nacional desde 1996, que na época ocorria nos fundos de uma residência do bairro paulistano do Jabaquara, mudando-se através dos anos para diversos galpões pela cidade, ocorrendo atualmente no Galpão do Jabaquara.

Em 1998 ano surgiu a banda Infect, formada por 5 garotas que tocavam um hardcore rápido e pesado, algo ainda inusual para garotas na época. O Infect tratava em suas letras de temas como direito ao aborto, vegetarianismo e straight edge, por exemplo, tendo muito destaque dentro da cena no país. Seu material também foi lançado na Europa e nos Estados Unidos.

Em 1999 surgiu no Rio de Janeiro a banda de metalcore Confronto, fazendo muito sucesso na cena straight edge brasileira, tendo feito já 4 turnês pela Europa. Recentemente, foi lançado um DVD de 10 anos de carreira gravado no lendário Galpão do Jabaquara, com uma apresentação histórica ao lado das bandas Sepultura e Torture Squad no Festival Tomarock em Duque de Caxias.

Outra banda feminina que acrescentou muito à cena edger nacional, com letras feministas, anticapitalistas, vegetarianas e ambientalistas foi a One Day Kills. Surgida no ano de 2000, era formada por seis garotas que faziam um hardcore muito pesado com dois vocais guturais. Em seu site até hoje é possível encontrar textos que expressam a visão política que elas tinham com relação aos temas citados acima. As duas bandas fizeram shows inesquecíveis no festival Verdurada.

A já citada Verdurada é um evento paulistano que mistura shows (na maioria das vezes de hardcore/punk) com palestras, exposições e vídeos sobre temas políticos, culturais, ecológicos ou que sejam considerados relevantes por algum motivo. Alguns dos princípios básicos da organização são o não consumo e venda de álcool e cigarros dentro do local e o "faça você mesmo (auto-organização, sem grandes empresas patrocinadoras). O evento é realizado por um coletivo formado por pessoas ligadas à cena hardcore/straight edge. Com o tempo, diversos grupos copiaram o formato gerando diversos eventos independentes, como os Libfests (ligado à gravadora inicialmente straight edge, Liberation), Pirituba Terror, Animal Liberation Fest, entre outros.

Referências

  1. ↑ Haenfler, Ross (2015). «Straight Edge». In: Parmar; Nocella, II; Robertson; Diaz. Rebel Music: Resistance through Hip Hop and Punk. Charlotte, North Carolina: Information Age Publishing. pp. 137–138. ISBN 978-1-62396-910-3
  2. 1 2 «Straight Edge Punk | Exclaim!». Straight Edge Punk | Exclaim! (em inglês). Consultado em 26 de janeiro de 2024
  3. ↑ Krist, Josh (22 agosto 1996). «White Punks on Hope». Phoenix New Times. Consultado em 22 fevereiro 2010. Arquivado do original em 10 agosto 2011
  4. ↑ Cogan 2008, p. 317
  5. ↑ Wood 1999, pp. 130–140
  6. ↑ Wood 1999, pp. 141–143
  7. ↑ Kuhn 2010, p. 14
  8. ↑ Andersen & Jenkins 2003, p. 125
  9. ↑ Kuhn 2010, p. 121
  10. ↑ Kuhn 2010, p. 132
  11. ↑ Kuhn 2010, p. 112
  12. ↑ Kuhn 2010, p. 66
  13. ↑ Haenfler 2006b, pp. 16–17
  14. ↑ «James Hetfield, do Metallica, se considera um "straight edge renascido"». whiplash.net. Consultado em 22 de março de 2024

Bibliografia

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  • Sam McPheeters, Dave Stein, Jason O'Toole, Brian Baker, THE STRAIGHTEDGE MOVEMENT (Buzz 1987)

Ligações externas

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