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Socialismo na Alemanha

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A trajetória do socialismo na Alemanha evoluiu de círculos intelectuais clandestinos no século XIX para uma força política institucional que moldou o Estado de bem-estar social moderno e o sistema partidário contemporâneo.

Formação e unificação

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O socialismo alemão moderno emergiu na década de 1840, impulsionado pela industrialização e pelo pensamento de intelectuais como Karl Marx e Friedrich Engels. Embora o 'Manifesto Comunista' tenha sido publicado em 1848, a repressão após as revoluções daquele ano limitou o crescimento imediato das organizações operárias.[1] Nesse vácuo, economistas como Karl Rodbertus ganharam influência ao propor um socialismo focado na reforma econômica estatal, lançando bases para o que se tornaria uma característica marcante do movimento germânico: a forte relação com a estrutura do Estado.[2]

A organização política efetiva ocorreu em 1863 com a fundação da Associação Geral dos Trabalhadores Alemães (ADAV) por Ferdinand Lassalle, que defendia o sufrágio universal e cooperativas financiadas pelo governo.[3] Em 1869, August Bebel e Wilhelm Liebknecht fundaram o Partido Social-Democrata dos Trabalhadores (SDAP), mais alinhado ao internacionalismo marxista.[4] Em 1875, as duas vertentes unificaram-se no Congresso de Gota para formar o Partido Socialista Operário da Alemanha (SAPD). Esta união foi duramente criticada por Marx em Crítica ao Programa de Gotha, que via nela uma capitulação às teses de Lassalle.[5] Entre 1878 e 1890, o partido sobreviveu à ilegalidade sob as Leis Antissocialistas de Bismarck, consolidando-se como a maior força política do país ao final do século XIX.[6]

A grande cisão

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Após a legalidade, o Programa de Erfurt (1891) formalizou o marxismo como ideologia do Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD), mas a estabilidade do Império Alemão gerou o "Revisionismo" de Eduard Bernstein, que propunha reformas parlamentares em vez de revolução.[7] Esta tensão interna explodiu com a Primeira Guerra Mundial; a maioria do SPD apoiou o esforço de guerra, enquanto a ala radical, liderada por Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht, rompeu com o partido para formar a Liga Spartacus e, posteriormente, o Partido Comunista da Alemanha (KPD) em 1919.[8]

Durante a República de Weimar, a esquerda alemã permaneceu dividida entre o SPD governista e o KPD revolucionário, fragmentação que facilitou a ascensão do regime nazista em 1933, sob o qual ambos foram perseguidos.[9] Após a Segunda Guerra Mundial, o socialismo alemão seguiu caminhos distintos: na Alemanha Oriental (RDA), o SPD e o KPD foram forçados a fundir-se no Partido Socialista Unificado da Alemanha (SED), que governou o país sob influência soviética até 1989.[10] Na Alemanha Ocidental, o SPD abandonou formalmente o marxismo no Programa de Godesberg (1959), transformando-se em um partido de massa progressista e pró-mercado regulado.[11]

No século XXI

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Com a reunificação da Alemanha em 1990, o herdeiro do partido governante da RDA transformou-se no PDS (Partido do Socialismo Democrático). Em 2007, a insatisfação com as reformas neoliberais do governo de Gerhard Schröder (SPD) levou à fusão do PDS com dissidentes sindicais do oeste, formando o Die Linke (A Esquerda). O Die Linke consolidou-se como uma força à esquerda da social-democracia tradicional, defendendo o fim da OTAN e a expansão radical do setor público.[12]

A partir de 2024, o panorama socialista fragmentou-se ainda mais com a criação da Aliança Sahra Wagenknecht (BSW), um partido que combina políticas econômicas socialistas com conservadorismo social e ceticismo em relação à imigração.[13]

Referências

  1. ↑ Henderson, William Otto (1976). The life of Friedrich Engels (em inglês). Londres: Frank Cass. p. 112-115. ISBN 978-0-7146-1320-8. Consultado em 30 de abril de 2026
  2. ↑ Dawson, William (1888). German Socialism and Ferdinand Lassalle: A Biographical History of German Socialistic Movements During this Century (em inglês). Nova Iorque: S. Sonnenschein. pp. 45–60. Consultado em 30 de abril de 2026
  3. ↑ Sprenger, Christian (14 de setembro de 2014). «Ferdinand Lassalle 1825-1864». Deutsches Historisches Museum, Berlin (em alemão). Consultado em 30 de abril de 2026
  4. ↑ Guttsman, W. L. (1981). The German Social Democratic Party, 1875-1933 : from ghetto to government. Londres: George Allen & Unwin. ISBN 978-0-04-943024-2. Consultado em 30 de abril de 2026
  5. ↑ Marx, Karl (1982). Crítica do Programa de Gotha. Marxists Internet Archive. Lisboa: Edições Progresso. Consultado em 30 de abril de 2026
  6. ↑ Lidtke, Vernon L. (1966). The outlawed party; social democracy in Germany, 1878-1890. Princeton: Princeton University Press. Consultado em 30 de abril de 2026
  7. ↑ Bernstein, Eduard (1899). Evolutionary Socialism. Marxists Internet Archive. Stuttgart: [s.n.] Consultado em 30 de abril de 2026
  8. ↑ Eley, Geoff (2005). Forjando a Democracia: A História da Esquerda na Europa. São Paulo: Fundação Perseu Abramo. ISBN 8576430207
  9. ↑ Detlev, Peukert. The Weimar Republic: the crisis of classical modernity. New York: Hill and Wang. ISBN 978-0-8090-9674-9. Consultado em 30 de abril de 2026
  10. ↑ Fulbrook, Mary. The people's state: East German society from Hitler to Honecker. [S.l.]: Yale University Press. ISBN 978-0-300-10884-2. Consultado em 30 de abril de 2026
  11. ↑ «Godesberg Program of the SPD (November 1959)». GHDI. Consultado em 30 de abril de 2026
  12. ↑ «Zur Auseinandersetzung mit der Geschichte». Die Link (em alemão). 5 de outubro de 2010. Consultado em 30 de abril de 2026
  13. ↑ «"Bündnis Sahra Wagenknecht" gründet offiziell Partei». tagesschau.de (em alemão). Consultado em 30 de abril de 2026

Ver também

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Ligações externas

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