Reforço
Reforço ou reforçamento, para o behaviorismo, é o processo pelo qual a ocorrência de um estímulo contingente a um comportamento fortalece esse comportamento em alguma dimensão — frequência, magnitude, duração, persistência ou redução da latência.[1][2]
Limitação conceitual
[editar | editar código]Skinner associou a força da resposta a indicadores como frequência, latência e resistência à extinção.[3] Entretanto, essas medidas nem sempre variam conjuntamente, dificultando sua interpretação como manifestações de uma única propriedade subjacente do comportamento.[4]
O conceito de força da resposta é ambíguo, pois diferentes dimensões do comportamento, como taxa de respostas, duração, força física e resistência à mudança, podem apresentar padrões divergentes. Alguns autores sustentam que tais dimensões deveriam ser tratadas como variáveis comportamentais distintas, em vez de serem interpretadas como indicadores de uma única entidade teórica denominada "força da resposta".[4]
Outra crítica é a de que o conceito de reforço envolve uma tensão entre descrição e explicação. Embora o reforço seja definido operacionalmente pelo aumento posterior do comportamento, analistas do comportamento frequentemente afirmam que esse aumento ocorre porque a resposta foi fortalecida pelo reforçador. Contudo, essa afirmação gera circularidade, pois o fortalecimento é inferido a partir do próprio aumento comportamental que deveria explicar.[5]
Tipos de reforço
[editar | editar código]Positivo e negativo
[editar | editar código]O reforço positivo é o fortalecimento de um comportamento por meio da presença/adição de uma consequência; o negativo é o fortalecimento de um comportamento por meio da ausência/subtração de uma consequência.[6]
Por exemplo, diz-se que há reforço positivo para estudar quando a apresentação de uma nota escolar (consequência) fortalece o comportamento em alguma dimensão. Por outro lado, diz-se que há reforço negativo para fechar a janela quando a ausência de um ruído externo (consequência) fortalece esse comportamento em alguma dimensão.
Note que nenhum estímulo é necessariamente bom ou ruim, agradável ou desagradável. No reforço negativo, o estímulo ausente costuma ser denominado estímulo aversivo porque sua presença evoca comportamentos que produzem sua ausência, como esquiva ou fuga.[7][8]
Natural e programado
[editar | editar código]O reforço natural refere-se ao processo que acontece de forma espontânea – sem planejamento para influenciar um comportamento.[9] Um exemplo é o reforço automático.[10] Já o reforço programado refere-se ao processo planejado ou elaborado para influenciar um comportamento.[11] O adestramento de cães é um exemplo de reforço programado.
Incondicionado e condicionado
[editar | editar código]O reforço incondicionado é aquele cuja função reforçadora não depende de uma história prévia de associação com outros estímulos reforçadores. Exemplos incluem comida, água, aquecimento e redução da dor em determinadas condições do organismo. Já o reforço condicionado é aquele que adquire função reforçadora por meio da associação com estímulos reforçadores já existentes. Exemplos incluem dinheiro, elogios, notas escolares e acesso à internet.[12]
Reforços diferenciais (versus punição)
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No Reforço Diferencial de Comportamento Alternativo (DRA), um comportamento suprime outro do qual ele é concorrente; por outro lado, no Reforço Diferencial de Comportamento Incompatível (DRI), um comportamento suprime outro do qual ele é incompatível.[13] Por exemplo, se ao aumentar a frequência de ingestão de água diminui-se a frequência de ingestão de refrigerante, diz-se que o houve Reforço Diferencial de Comportamento Alternativo.
Adicionalmente, o Reforço Diferencial de Outro Comportamento (DRO) acontece quando um comportamento específico é suprimido pois qualquer outro é reforçado em seu lugar.[14]
A punição, por sua vez, consiste em um processo que suprime diretamente um comportamento em alguma dimensão. Ela pode ser positiva, quando envolve a presença/adição de um estímulo contingente ao comportamento, ou negativa, quando envolve a ausência/subtração de um estímulo contingente ao comportamento.[15]
Um exemplo de punição positiva seria um puxão de orelha após determinado comportamento; um exemplo de punição negativa seria a retirada do acesso à televisão após esse comportamento.
Ver também
[editar | editar código]Referências
- ↑ Sarafino, Edward P. (2011). Applied Behavior Analysis: Principles and Procedures in Behavior Modification (em inglês) 2 ed. [S.l.]: Wiley. p. 79. ISBN 0470571527
- ↑ Sarafino, Edward P. (2011). Applied Behavior Analysis: Principles and Procedures in Behavior Modification (em inglês) 2 ed. [S.l.]: Wiley. p. 80. ISBN 0470571527
- ↑ Skinner, B. F. (1938). The Behavior of Organisms. [S.l.: s.n.]
- 1 2 Simon, Carsta; Bernardy, João Lucas; Cowie, Sarah (2020). «On the "Strength" of Behavior». Perspectives on Behavior Science. 43 (4): 677–696. doi:10.1007/s40614-020-00269-5
- ↑ Shahan, Timothy A. (2017). «Moving Beyond Reinforcement and Response Strength». The Behavior Analyst. 40 (1): 107–121. doi:10.1007/s40614-017-0092-y
- ↑ Sarafino, Edward P. (2011). Applied Behavior Analysis: Principles and Procedures in Behavior Modification (em inglês) 2 ed. [S.l.]: Wiley. p. 80. ISBN 0470571527
- ↑ Sarafino, Edward P. (2011). Applied Behavior Analysis: Principles and Procedures in Behavior Modification (em inglês) 2 ed. [S.l.]: Wiley. p. 89. ISBN 0470571527
- ↑ Sarafino, Edward P. (2011). Applied Behavior Analysis: Principles and Procedures in Behavior Modification (em inglês) 2 ed. [S.l.]: Wiley. p. 90. ISBN 0470571527
- ↑ Sarafino, Edward P. (2011). Applied Behavior Analysis: Principles and Procedures in Behavior Modification (em inglês) 2 ed. [S.l.]: Wiley. p. 79. ISBN 0470571527
- ↑ Sarafino, Edward P. (2011). Applied Behavior Analysis: Principles and Procedures in Behavior Modification (em inglês) 2 ed. [S.l.]: Wiley. p. 80. ISBN 0470571527
- ↑ Sarafino, Edward P. (2011). Applied Behavior Analysis: Principles and Procedures in Behavior Modification (em inglês) 2 ed. [S.l.]: Wiley. p. 79. ISBN 0470571527
- ↑ Sarafino, Edward P. (2011). Applied Behavior Analysis: Principles and Procedures in Behavior Modification (em inglês) 2 ed. [S.l.]: Wiley. p. 81. ISBN 0470571527
- ↑ Sarafino, Edward P. (2011). Applied Behavior Analysis: Principles and Procedures in Behavior Modification (em inglês) 2 ed. [S.l.]: Wiley. p. 252. ISBN 0470571527
- ↑ Sarafino, Edward P. (2011). Applied Behavior Analysis: Principles and Procedures in Behavior Modification (em inglês) 2 ed. [S.l.]: Wiley. p. 253. ISBN 0470571527
- ↑ Sarafino, Edward P. (2011). Applied Behavior Analysis: Principles and Procedures in Behavior Modification (em inglês) 2 ed. [S.l.]: Wiley. p. 105. ISBN 0470571527