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Pinyin

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Hanyu Pinyin
TipoAlfabeto
LínguasMandarim padrão

O pinyin[nb 1] (em chinês: 拼音, pīnyīn) ou, mais formalmente, hanyu pinyin (汉语拼音 / 漢語拼音) é o método de transliteração (romanização) mais utilizado atualmente para o mandarim padrão (标准普通话 / 標準普通話). A palavra hànyǔ (汉语 / 漢語) significa "língua han" (isto é, 'chinês' ou 'mandarim'), e pīnyīn (拼音) significa "fonética" (literalmente "som soletrado").[2] O sistema é utilizado apenas para o mandarim padrão, e não para as outras línguas chinesas, incluindo o chinês médio, do guangyun (广韵 / 廣韻). O sistema é usado na China continental, em Hong Kong, Macau, partes de Taiwan, Malásia e Singapura, para o ensino do mandarim[3] e internacionalmente, para ensinar o mandarim como segundo idioma. Também é utilizado para grafar os nomes chineses em publicações estrangeiras, e pode ser utilizado para a inserção de caracteres chineses (hanzi) 汉字 em computadores e telefones celulares.

O sistema de romanização foi desenvolvido por um comitê governamental da República Popular da China (RPC), liderado por Zhou Youguang, e aprovado pelo governo do país em 11 de fevereiro de 1958.[4] A Organização Internacional de Padronização (International Organization for Standardization, ISO) adotou o pinyin como um padrão internacional em 1982,[5] para a romanização padrão do chinês moderno (ISO-7098:1991), e desde então ele foi adotado por diversas outras organizações, como Singapura, pela Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, e pela Associação de Bibliotecas Americanas (American Library Association). O sistema de romanização também se tornou o padrão nacional na República da China, comumente conhecida como Taiwan ou Formosa, em 1 de janeiro de 2009.[6][7]

O hanyu pinyin superou sistemas anteriores de romanização, tais como o Wade-Giles (1859), que foi modificado em 1892, e o pinyin do Sistema Postal, e também substituiu o zhuyin como o método de instrução fonética chinesa na China Continental. O pinyin é uma romanização e não uma anglicização, ou seja, ele utiliza letras latinas para representar sons no mandarim padrão; a maneira de efetuar tal representação no pinyin difere, em alguns casos, do estilo de simbolização escrita de sons em outras línguas que usam o alfabeto latino. Por exemplo, os sons indicados nesse dialeto pela letra b e g correspondem mais precisamente aos sons representados, respectivamente, pela letra p e k no emprego ocidental do alfabeto latino. Outras letras, como j, q, x ou zh indicam sons que não correspondem exatamente a nenhum som em inglês. Algumas das transcrições no pinyin, tais como a terminação "ang", também não correspondem a pronúncias da língua inglesa ou portuguesa. O pinyin foi desenvolvido levando em consideração as necessidades dos falantes da língua chinesa, especificamente do mandarim padrão, e não é uma forma de transliteração dos caracteres chineses direcionada aos ocidentais. Ao permitir que caracteres latinos se refiram a sons chineses específicos, o pinyin realiza uma romanização precisa e compacta, o que é conveniente para falantes nativos chineses e acadêmicos, mas nem sempre aos falantes de idiomas ocidentais. Isso significa que uma pessoa que nunca estudou chinês, ou o sistema do pinyin, está sujeita a cometer graves erros de pronúncia. O sistema Wade-Giles é mais adequado para a compreensão dos falantes da língua inglesa. Por exemplo, 功夫 é romanizado como "kungfu" 匡扶 em Wade-Giles, mas "gongfu" 魔攻 em Pinyin, embora sua pronúncia, em ambos os sistemas seja "kungfu". Além disso, 北京 (Pequim, a capital da China) foi no passado romanizada como "Peking", mas é "Beijing" em Pinyin, que se pronuncia algo como "Peikchin". É um equívoco comum pensar que a cidade mudou de nome: o som nunca mudou, apenas como anglófonos soletram o som com as letras em sistemas diferentes.

Pronúncia

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O propósito primário do pinyin em escolas chinesas é ensinar a pronúncia do Mandarim padrão. Muitas pessoas ocidentais têm visão equivocada ao pensar que o pinyin é usado para ajudar crianças a associar caracteres com palavras faladas que elas já conhecem. Isto não se fundamenta, já que muitos chineses não usam o Mandarim padrão em casa e, por isso, não conhecem a pronúncia de palavras do Mandarim padrão antes de chegar a aprendê-las na escola primária através do uso do pinyin.

O pinyin utiliza o alfabeto latino, e, portanto, sua pronúncia é relativamente clara para os ocidentais. As vogais do pinyin são pronunciadas de forma similar às vogais das línguas românicas, e a maioria das consoantes são semelhantes às da língua inglesa, ou mesmo da língua portuguesa. Uma armadilha para novatos anglófonos, contudo, são as pronúncias pouco comuns do x, q, c, zh, e z (e às vezes i) e a pronúncia surda (sem vibração das cordas vocais) das letras d, b, g e j. Mais informações sobre a pronúncia de todas as letras do pinyin em termos de aproximações ao inglês são fornecidas mais abaixo.

A pronúncia do chinês dá-se geralmente em termos de iniciais e finais, que representam a parte segmental e fonêmica da língua. Iniciais são consoantes iniciais, enquanto que finais são todas as combinações possíveis de mediais (semivogais que antecedem as vogais), o núcleo da vogal, e a coda (vogal ou consoante final).

Para uma tabela completa de todas as sílabas do pinyin, veja Tabela pinyin.

Iniciais (tabela)

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Em cada célula abaixo, a primeira linha indica o Alfabeto Fonético Internacional (AFI), e a segunda indica o pinyin.

Bilabial Labio -
dental
Alveolar Retroflexa Alvéolo-
palatal
Velar
Plosiva [p]
b
[pʰ]
p
[t]
d
[tʰ]
t
[k]
g
[kʰ]
k
Nasal [m]
m
[n]
n
Africada [ts]
z
[tsʰ]
c
[tʂ]
zh
[tʂʰ]
ch
[tɕ]
j
[tɕʰ]
q
Fricativa [f]
f
[s]
s
[ʂ]
sh
[ʐ] *
r
[ɕ]
x
[x]
h
Aproximante [ɻ] *
r
Aproximante lateral [l]
l

* [ʐ] e [ɻ] são intercambiáveis.

A ordem convencional é: b p m f d t n l g k h j q x zh ch sh r z c s

Finais (tabela)

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Em cada célula abaixo, a primeira linha indica o AFI, a segunda indica o pinyin como forma independente (sem inicial), e a terceira indica o pinyin em combinação com uma inicial. A não ser finais modificadas por um –r, as quais são omitidas, temos a seguir uma tabela exaustiva de todas as finais possíveis. ¹

É interessante salientar que as únicas consoantes em sílabas finais no Mandarim padrão são –n e –ng, e –r, que é ligado a um sufixo gramatical. Se você vir uma sílaba chinesa que termine com qualquer outra consoante, ela é ou de uma língua chinesa não-mandarim (geralmente línguas chinesas do sul tais como o cantonês) ou mais raramente, um sistema de romanização não-pinyin (onde consoantes finais são usadas para indicar tons) estiver sendo usado.

Coda
∅/i//u//n//ŋ/
Medial ∅ [ɨ]

-i
[ɤ]
e
-e
[a]
a
-a
[ei̯]
ei
-ei
[ai̯]
ai
-ai
[ou̯]
ou
-ou
[au̯]
ao
-ao
[ən]
en
-en
[an]
an
-an
[ʊŋ]

-ong
[əŋ]
eng
-eng
[aŋ]
ang
-ang
/i/ [i]
yi
-i
[i̯e]
ye
-ie
[i̯a]
ya
-ia
[i̯ou̯]
you
-iu
[i̯au̯]
yao
-iao
[in]
yin
-in
[i̯ɛn]
yan
-ian
[i̯ʊŋ]
yong
-iong
[iŋ]
ying
-ing
[i̯aŋ]
yang
-iang
/u/ [u]
wu
-u
[u̯o]
wo
-uo 3
[u̯a]
wa
-ua
[u̯ei̯]
wei
-ui
[u̯ai̯]
wai
-uai
[u̯ən]
wen
-un
[u̯an]
wan
-uan
[u̯əŋ]
weng
 
[u̯aŋ]
wang
-uang
/y/ [y]
yu
-ü 2
[y̯e]
yue
-üe 2
[yn]
yun
-ün 2
[y̯ɛn]
yuan
-üan 2

¹ /ər/ (而, 二, etc.) é escrito como er. Para outras finais formadas pelo sufixo -r, o pinyin não utiliza uma ortografia especial; simplesmente anexa-se –r ao final ao qual ele é acrescentado, sem levar em conta quaisquer mudanças de som que possam ocorrer no processo. Para informações sobre mudanças de som relacionadas ao –r final, favor ver Mandarim padrão.

² "ü" é escrito como "u" depois de j, q, ou x.

3 "uo" é escrito como "o" após b, p, m, ou f.

Ademais, ê [ɛ] é usado para representar certas interjeições.

Diacríticos

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Mudanças relativas de tom dos quatro tons

O sistema pinyin também usa diacríticos para marcar os quatro tons do mandarim. O diacrítico é colocado sobre a letra que representa o núcleo silábico, a não ser que a letra não tenha (ver abaixo). Muitos livros impressos na China usam fontes mistas, com vogais e tons marcados de formas diferentes, deixando os textos em pinyin com aparência desorganizada. Isto se deve, muito provavelmente, devido às limitações técnicas iniciais, o que fez muitos acreditarem que no pinyin utilizava-se o alfa (ɑ) ao invés da letra padrão (a), encontrado na maioria das fontes. (O mesmo problema acontece com g frequentemente escrito como ɡ, ou U+0261). As normas oficiais do Hanyu Pinyin, entretanto, não especificam esse tipo de prática.[8]

  1. O primeiro tom é indicado pelo mácron (ˉ):
    ā ē ī ō ū ǖ Ā Ē Ī Ō Ū Ǖ
  2. O segundo tom é indicado pelo acento agudo (ˊ):
    á é í ó ú ǘ Á É Í Ó Ú Ǘ
  3. O terceiro tom é indicado pelo caron (ˇ). Não é arredondado como a braquia (˘), entretanto a braquia pode substitui-lo em caso de limitações na fonte.
    ǎ ě ǐ ǒ ǔ ǚ Ǎ Ě Ǐ Ǒ Ǔ Ǚ
  4. O quarto tom é indicado pelo acento grave (ˋ):
    à è ì ò ù ǜ À È Ì Ò Ù Ǜ
  5. O quinto tom (tom neutro) é representado por uma vogal normal, sem diacrítico:
    a e i o u ü A E I O U Ü
Nos dicionários o tom neutro pode ser indicado por um ponto antes da sílaba; por exemplo, ·ma. Quando uma sílaba de tom neutro tiver uma pronúncia alternativa, em outro tom, pode ser utilizado uma combinação de pontuação: zhī·dào (知道).[9]

Estas pontuações nos tons são normalmente utilizadas apenas em livros e textos de aprendizagem da língua para estrangeiros, mas são essenciais para a pronunciação correta das sílabas do mandarim, como exemplificado pelo exemplo clássico dos cinco caracteres cujas pronúncias diferem em seus tons:

Caracteres tradicionais:

媽 mā 麻 má 馬 mǎ 罵 mà 嗎 ·ma

Caracteres simplificados:

妈 mā 麻 má 马 mǎ 骂 mà 吗 ·ma

As palavras são, respectivamente, "mãe", "linho", "cavalo", "xingar" e o tom neutro (ma) é uma partícula interrogativa.

Numeral no lugar do diacrítico

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Antes do advento dos computadores, muitas máquinas de escrever não possuíam as vogais com os diacríticos mácron e caron. Portanto, os tons eram representados através de números colocados ao final das sílabas. Por exemplo, tóng era escrito tong2. O número utilizado para cada tom está listado abaixo, exceto pelo tom neutro, que não é numerado ou é lhe dado o número 0 ou 5; por exemplo, ma5 para 吗 / 嗎, uma partícula interrogativa.

TomDiacríticoNúmero do tomExemplo usando
o diacrítico
Exemplo usando
o número
IPA
Primeiromácron ( ¯ )1māma1ma˥
Segundoacento agudo ( ´ )2máma2ma˧˥
Terceirocaron ( ˇ )3mǎma3ma˨˩˦
Quartoacento grave ( ` )4màma4ma˥˩
NeutroSem diacrítico ou
ponto antes da sílaba (·)
sem número
5
0
ma
·ma
ma
ma5
ma0
ma

Ver também

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Notas

  1. ↑ Um aportuguesamento proposto é piniim. No entanto, não se encontra dicionarizado.[1]

Referências

  1. ↑ Correia, Paulo (Outono de 2021). «Nomes de línguas ISO 639-1 ainda não registadas em dicionários» (PDF). A Folha - Boletim da língua portuguesa nas instituições europeias. ISSN 1830-7809. Consultado em 11 de janeiro de 2022
  2. ↑ Harbaugh, Richard (1998). «中文字普 (Chinese Characters: A Genealogy and Dictionary)». Zhongwen.com. Consultado em 7 de abril de 2008
  3. ↑ Snowling, Margaret J. e Hulme, Charles (2005). The science of reading: a handbook. (Volume 17, Blackwell handbooks of developmental psychology). [S.l.]: Wiley-Blackwell. pp. 320–322. ISBN 1405114886
  4. ↑ «Pinyin celebrates 50th birthday». Xinhua News Agency. 11 de fevereiro de 2008. Consultado em 20 de setembro de 2008
  5. ↑ «ISO 7098:1982 - Documentation -- Romanization of Chinese». Consultado em 1 de março de 2009
  6. ↑ «Hanyu Pinyin to be standard system in 2009». Taipei Times. 18 de setembro de 2008. Consultado em 20 de setembro de 2008
  7. ↑ «Gov't to improve English-friendly environment». The China Post. 18 de setembro de 2008. Consultado em 20 de setembro de 2008. Arquivado do original em 19 de setembro de 2008
  8. ↑ Tung, Bobby; Chen, Yijun; Liang, Hai; LIU, Eric Q.; Zhang, Aijie; Wu, Xiaoqian; Li, Angel; Ishida, Richard. «Requirements for Chinese Text Layout». W3C. Consultado em 18 de março de 2016
  9. ↑ Section 7.3 of the current standard GB/T 16159-2012.

Bibliografia

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  • Yin Binyong 尹斌庸 and Mary Felley (1990). Chinese Romanization. Pronunciation and Orthography (Hanyu pinyin he zhengcifa 汉语拼音和正词法). Beijing: Sinolingua. ISBN 7-80052-148-6 / ISBN 0-8351-1930-0.