Ir para o conteúdo

Nagarjuna

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Nāgārjuna
Pintura de Nāgārjuna sentado sobre uma flor de lótus, com uma serpente multicéfala atrás dele.
Nāgārjuna entre os mahāsiddhas em uma pintura da linhagem Gelug do século XVIII.
Nascimentoc. 150
Índia do Sul[1]
Mortec. 250
Índia
ReligiãoBudismo maaiana
Obra filosófica
EraFilosofia antiga
EscolaMadhyamaka, com associações posteriores à Terra Pura e à Tiantai
Ideias notáveisVacuidade
Duas verdades
Trabalhos notáveisMūlamadhyamakakārikā

Nāgārjuna foi um monge, filósofo e mestre, ou ācārya, do budismo maaiana que viveu no sul da Índia, provavelmente entre 150 e 250. Seu nome sânscrito reúne as palavras nāga e Arjuna. Em chinês, é chamado Lóngshù, 龍樹, e, em tibetano, Klu sgrub. A tradição budista o apresenta como fundador da escola Madhyamaka, ou Caminho do Meio.[2][3]

A vacuidade, ideia que ocupa o centro de sua filosofia, não quer dizer que nada existe, mas que nada existe inteiramente por si mesmo, pois tudo depende de causas, partes, relações e formas humanas de pensar e nomear. Essa compreensão da originação dependente evita dois extremos, tratar as coisas como realidades eternas e imutáveis, ou negar que elas existam e funcionem na experiência comum.[4][3]

A Mūlamadhyamakakārikā, conhecida pela sigla MMK e traduzida como Versos fundamentais sobre o Caminho do Meio, é sua obra filosófica mais estudada. Seus versos examinam ideias como causa e efeito, movimento, tempo, identidade, conhecimento e nirvana. Outros textos atribuídos a Nāgārjuna falam de ética, compaixão, governo e do caminho do bodisatva. Como obras de épocas diferentes circularam sob seu nome, a autoria de parte delas é discutida.[5][6][7]

Lidos, traduzidos e comentados em sânscrito, chinês, tibetano, coreano e japonês, seus escritos atravessaram por cerca de mil anos os debates da filosofia indiana e chegaram às escolas budistas do Tibete e ao budismo da Ásia Oriental. Tradições budistas colocam Nāgārjuna logo depois de Buda. No budismo tibetano, ele recebeu o nome de "segundo Buda". A filosofia budista discute suas perguntas sobre o que existe, como conhecemos o mundo e por que sofremos.[4][7][3]

História

[editar | editar código]
Mapa da Índia, com o Império Satavana destacado em rosa e os principais rios em azul.
Extensão aproximada do Império Satavana no século II. A região de Amaravati integra as hipóteses sobre a vida de Nāgārjuna.

A Índia dos séculos I e II estava dividida em estados como o Império Cuchana e o Império Satavana. O budismo dessa época já havia chegado a regiões distantes e se organizado em escolas com ensinamentos e regras monásticas próprios.[nota 1][8]

Antes do século V, o movimento maaiana reunia uma minoria dos budistas indianos, cujos adeptos provavelmente viviam em pequenos grupos dentro dos nikāyas já estabelecidos.[nota 2][nota 3][9][8] Alguns desses grupos já liam sutras maaianos no século II, entre eles o Aṣṭasāhasrikā Prajñāpāramitā.[10]

Os poucos dados seguros sobre a vida de Nāgārjuna deixam abertas datas entre os séculos I e III, e a maior parte das hipóteses o situa no sul da Índia.[11][7] Os relatos biográficos chineses e tibetanos foram escritos séculos depois de sua morte e são, em geral, hagiografias, narrativas religiosas sobre uma pessoa venerada, e não biografias que possam ser comprovadas em todos os detalhes.[nota 4][11] Os primeiros textos desse tipo vêm da época de Kumarajiva, cujas datas são dadas como 350 a 409 ou 344 a 413. Os relatos tibetanos conhecidos começam no século XI.[7]

Uma hipótese proposta por Joseph Walser toma o destinatário real da Ratnāvalī como um soberano da dinastia Satavana, que governava o planalto do Decão no século II.[nota 5][12][1] Narrativas religiosas posteriores também ligam Nāgārjuna a um rei satavana.[13][7] A hipótese depende de pontos incertos, como a autoria da Ratnāvalī, a data das imagens budistas usadas na análise e a identificação do rei citado na obra.[7] Se estiver correta, o soberano poderia ser Yajña Śrī Śātakarṇi, que governou na segunda metade do século II e teve relações com a região de Amaravati. Essa possibilidade está por trás da data aproximada de 150 a 250, mas não há prova direta que encerre a questão.[12][3]

Maquete de uma estupa circular com terraços, pilares e uma cúpula central.
Maquete da estupa de Amaravati, um dos vestígios arqueológicos considerados na hipótese de que Nāgārjuna viveu na região.

Na mesma reconstrução, Nāgārjuna teria escrito a Ratnāvalī em um mosteiro onde os maaianistas viviam ao lado de monges de outras correntes e eram minoria. O mosteiro poderia pertencer às escolas Purvasailya, Aparasailya ou Caityaka, ramos da Mahasamghika.[14] A obra teria sido escrita durante um intervalo de cerca de trinta anos no fim do século II, em Andra, perto de Dhanyakataka, a atual Amaravati.[12]

Vínculos com escolas budistas

[editar | editar código]

As obras de Nāgārjuna recorrem ao Abidarma das escolas não maaianas e aos sutras maaianos. Parte de seus argumentos contesta posições da escola realista Sarvastivada Vaibhāṣika. Os textos não declaram sua filiação a um nikāya específico nem defendem apenas as doutrinas de uma escola. Joseph Walser propõe uma proximidade com a Mahasamghika.[14] Se as atribuições propostas por Christian Lindtner forem aceitas, as citações de sutras maaianos o colocam no movimento maaiana, embora seus argumentos também recorram aos Āgamas, coleções em sânscrito ligadas aos textos śrāvakas. Lindtner lê esses escritos como uma tentativa de conciliar os Āgamas e a Prajñāpāramitā, apresentando o próprio Buda como origem do Madhyamaka.[15] David Kalupahana aproxima Nāgārjuna de Moggaliputta-Tissa, monge que também defendeu o Caminho do Meio e a volta aos ensinamentos do Buda.[16]

Narrativas tradicionais

[editar | editar código]

Primeiros relatos chineses

[editar | editar código]

As primeiras narrativas chinesas sobre Nāgārjuna nasceram no círculo de Kumarajiva, monge e tradutor de Cucha que viveu de 344 a 413.[13][17] Esse conjunto abrange o Zhu weimo-jie jing, 注維摩詰經, T. 1775,[nota 6] comentário ao Vimalakirti, e o Maming pusa zhuan, 馬鳴菩薩傳, ou Tradição do bodisatva Aśvaghoṣa, que reúne as vidas de Nāgārjuna e Asvagosa. Fazem parte dele os prefácios às traduções chinesas do Zhong lun, 中論, Madhyamaka-śāstra, T. 1564, e do Da zhidu lun, 大智度論, T. 1509.[17]

Com poucos dados sobre sua vida, esses escritos constroem a imagem religiosa de um bodisatva maior que qualquer outro desde Śākyamuni. Nāgārjuna teria vivido quando o Darma estava "decadente e fraco"[nota 7] e renovado o maaiana por meio de debates e livros. No prefácio de Huiyuan ao Da zhidu lun, ele se entristece com a ilusão humana, faz votos monásticos e "retirou-se para os bosques e pântanos, viveu como eremita e praticou dhyāna. Aquietou a mente e estudou o sutil, com pensamentos que penetravam o supranormal".[17] A narrativa o leva aos Himalaias, onde recebe ensinamentos maaianos de um xrâmana, e depois ao palácio dos Nagas, onde "não havia cânone relevante ou texto secreto que não dominasse".[17][nota 8] Huiyuan prossegue:

Quando as raízes de seus impedimentos foram arrancadas, seu nome coroou os estágios do caminho do bodisatva [...] Os não budistas estimavam sua conduta, e homens de renome se submetiam às suas orientações. A partir daí, o empreendimento do Grande Veículo voltou a florescer.[17]

Os discípulos de Kumārajīva, Sengzhao e Sengrui, repetiram a imagem de Nāgārjuna como renovador do maaiana. Sengrui escreveu que, no fim da era do Darma de aparência, os falsos ensinamentos se espalharam, e os escritos de Nāgārjuna "abriram a grande estrada de tal maneira que a carruagem do Grande Veículo pôde seguir em frente".[17] Sengzhao contou que ele venceu um não budista em debate.[17]

Lendas sobre a vida e os nagas

[editar | editar código]

As hagiografias que surgiram na China e no Tibete ampliaram a vida de Nāgārjuna com novos episódios. Entre as chinesas estão o Longshu pusa zhuan, T. 2047, atribuído pela tradição a Kumārajīva, mas provavelmente escrito em outra época, e o Fu fazang yinyuan zhuan, T. 2058.[17] Nelas, Nāgārjuna nasce brâmane, domina os Vedas e as artes bramânicas, converte-se ao budismo e visita o palácio submarino dos dragões, ou nagas. Também faz prodígios, usa feitiços, conhece Mantras e alquimia e derrota brâmanes arrogantes em debates e duelos mágicos.[nota 9][17][18][19][20][21] As narrativas não concordam sobre seu local de nascimento. Textos chineses e Candrakīrti citam Vidarbha, no sul da Índia,[22][23] enquanto Xuanzang menciona o sul de Kosala.[13]

O Longshu pusa zhuan associa sua ordenação a uma incursão no palácio de um rei, feita com três companheiros mediante um feitiço de invisibilidade. Os guardas matam os companheiros, mas Nāgārjuna escapa e decide renunciar à vida doméstica, reconhecendo no desejo uma fonte de sofrimento. A mesma hagiografia explica seu nome pelo nascimento sob uma árvore arjuna e pela ajuda recebida de um naga.[24]

As lendas também lhe dão conhecimentos de alquimia aiurvédica, ou rasāyana, com os quais produziria elixires de longa vida e outras substâncias.[nota 10] O Longshu pusa zhuan fala de um elixir da invisibilidade. Buton Rinchen Drub, Tāranātha e Xuanzang contam que ele transformava pedras em ouro.[17][25]

Nas hagiografias, Nāgārjuna ensina e divulga os sutras da Prajñāpāramitā depois de um tempo em que teriam permanecido ocultos. Algumas versões dizem que ele os trouxe da terra dos nagas, nos Himalaias ou no fundo do oceano, mas não há acordo sobre o lugar ou a maneira da recuperação.[26]

Pintura tibetana de Nāgārjuna, com serpentes acima da cabeça e figuras serpentinas que oferecem manuscritos.
A pintura tibetana retrata a narrativa de que nagas entregaram a Nāgārjuna os sutras da Prajñāpāramitā. Trata-se de uma tradição religiosa, não de um fato biográfico comprovado.

Por causa dessas histórias, Nāgārjuna costuma ser retratado com traços humanos e de Naga. Esses seres semelhantes a serpentes têm poderes mágicos nas mitologias hindu, budista e jainista.[27] Nas tradições indianas, os nagas são serpentes ou dragões inteligentes ligados à chuva, aos lagos e às águas. No budismo, a palavra também pode aludir a um Arhat realizado ou a uma pessoa sábia.[28]

Pintura de Nāgārjuna em uma paisagem montanhosa, ao lado de uma grande serpente.
Serpentes acompanham Nāgārjuna nesta pintura de Nikolai Roerich, de 1925, numa referência às narrativas dos nagas.

Lugares associados pela tradição

[editar | editar código]

As hagiografias tibetanas dizem que Nāgārjuna estudou em Nalanda Mahavihara. A universidade, porém, parece ter se consolidado como centro monástico apenas por volta de 425. Xuanzang e Yijing passaram muito tempo em Nalanda, estudaram os textos de Nāgārjuna e não registraram nenhuma história local sobre sua presença ali, o que enfraquece a narrativa.[29]

Historiadores tibetanos, entre eles Buton Rinchen Drub, contam que Nāgārjuna passou os últimos anos na montanha de Śrīparvata, perto da cidade que depois recebeu o nome de Nāgārjunakoṇḍa, ou "colina de Nāgārjuna".[30][31] As ruínas ficam no distrito de Palnadu, em Andra Pradexe, e contêm mosteiros das escolas Caitika e Bahuśrutīya.[32][30] As escavações não comprovaram que o filósofo viveu ali. O nome "Nāgārjunakoṇḍa" é medieval, enquanto as inscrições dos séculos III e IV chamam a cidade de "Vijayapuri".[33]

Outros Nāgārjunas

[editar | editar código]

Como alguns textos atribuídos a "Nāgārjuna" foram escritos muito depois do século III, biógrafos e doxógrafos budistas tentaram conciliar obras de épocas diferentes sob uma mesma vida. Não há acordo sobre quantos autores usaram esse nome, comum em Andra Pradexe.[34]

Entre os homônimos propostos estão um autor aiurvédico de tratados sobre rasāyana e um budista tântrico posterior, ligado nas narrativas religiosas à Universidade de Nalanda e ao tantra budista.[35][34] O autor tântrico teria nascido em uma família bramânica do leste da Índia e se convertido ao budismo.[36]

Walser admite a possibilidade de que as narrativas sobre uma figura jainista de mesmo nome, que teria viajado aos Himalaias, tenham passado às lendas budistas.[34]

Tratados, ou śāstras, de ampla circulação receberam o nome de Nāgārjuna, embora parte deles tenha sido escrita por outras pessoas.[nota 11] Essa pseudepigrafia torna difícil separar suas obras das atribuições posteriores. O cânone chinês lhe dá mais de 22 textos, enquanto o Tanjur tibetano reúne mais de 140.[7]

Mūlamadhyamakakārikā

[editar | editar código]
Quatro folhas longas de palmeira com inscrições e pequenas pinturas de figuras budistas no centro.
Os sutras da Perfeição da Sabedoria, anteriores à Mūlamadhyamakakārikā, fazem parte do ambiente textual de sua reflexão sobre a vacuidade. Estes fólios são do século XII.

A Mūlamadhyamakakārikā, ou MMK, reúne versos curtos em sânscrito chamados kārikās.[nota 12] Em vez de expor a vacuidade numa definição isolada, a obra conduz o leitor por problemas como causa e efeito, movimento e identidade. Grande parte dos versos examina e rejeita teorias da substância. O Sutra de Kātyāyana e os sutras da Perfeição da Sabedoria estão entre os textos anteriores usados para relacionar originação dependente e vacuidade.[37][38]

Em 27 capítulos, a MMK passa pela causalidade, pelo movimento, pelos agregados, pelo tempo, pelo eu, pelas Quatro Nobres Verdades e pelo nirvana.[nota 13][39]

A tradução chinesa de Kumārajīva, chamada Madhyamakaśāstra ou Zhong lun, 中論, T. 1564, contém a primeira tradução e o primeiro comentário conhecidos da MMK. Ao lado dos versos está um comentário atribuído a Qingmu, 青目, nome reconstruído em sânscrito como Piṅgala.[7]

Principais obras atribuídas

[editar | editar código]
Relevo com Nāgārjuna sentado e escrevendo diante de discípulos.
Relevo de Buddhavanam, em Telanganá, com Nāgārjuna compondo tratados. A autoria de parte das obras atribuídas a ele é debatida.

A Madhyamakaśāstrastuti, atribuída a Candrakīrti, que viveu aproximadamente entre 600 e 650, menciona oito textos de Nāgārjuna:[40]

As Madhyamaka-kārikās, a Yuktiṣaṣṭikā, a Śūnyatāsaptati, a Vigrahavyāvartanī, a Vidala, isto é, Vaidalyasūtra ou Vaidalyaprakaraṇa, a Ratnāvalī, o Sūtrasamuccaya e as Saṃstutis, ou hinos. Essa lista cobre muito menos que o total de obras atribuídas a Nāgārjuna nas coleções chinesas e tibetanas e nem sequer contém todas as obras citadas pelo próprio Candrakīrti.[40]

Na classificação de Christian Lindtner, as obras abaixo podem ser atribuídas a Nāgārjuna com segurança:[41]

  • Mūlamadhyamaka-kārikā, ou Versos fundamentais sobre o Caminho do Meio, MMK, disponível em três manuscritos sânscritos e em traduções para outros idiomas.[42]
  • Śūnyatāsaptati, ou Setenta versos sobre a vacuidade, acompanhada de um comentário em prosa atribuído ao próprio Nāgārjuna.
  • Vigrahavyāvartanī, ou O fim das disputas.
  • Vaidalyaprakaraṇa, ou Pulverização das categorias, obra em prosa que critica as categorias da filosofia Niaia.
  • Vyavahārasiddhi, ou Prova da convenção.
  • Yuktiṣāṣṭika, ou Sessenta versos sobre o raciocínio.
  • Catuḥstava, ou Quatro hinos, composta por Lokātīta-stava, Hino à transcendência, Niraupamya-stava, Hino ao incomparável, Acintya-stava, Hino ao inconcebível, e Paramārtha-stava, Hino à verdade última.[43]
  • Ratnāvalī, ou Guirlanda preciosa, com o subtítulo rājaparikathā, um discurso dirigido a um rei indiano, possivelmente um monarca satavana.[44]
  • Pratītyasamutpādahṛdayakārikā, ou Versos sobre o coração da originação dependente, com um breve comentário, Vyākhyāna.
  • Sūtrasamuccaya, antologia de passagens de 68 sutras ou coleções de sutras, em sua maioria maaianos, organizadas em treze temas. Entre os textos citados estão sutras da Prajñāpāramitā, o Sutra do Lótus e o Sutra de Vimalakirti.[45]
  • Bodhicittavivaraṇa, ou Exposição da mente do despertar.
  • Suhṛllekha, ou Carta a um bom amigo.
  • Bodhisaṃbhāraśāstra, ou Requisitos do despertar, sobre o caminho do bodisatva e as perfeições. Candrakīrti a cita no comentário aos quatrocentos versos de Ariadeva. Só está disponível em tradução chinesa, Taisho 1660.[46]

Parte dessa lista é contestada porque os textos diferem em linguagem, doutrina e data provável. David F. Burton a considera "bastante liberal", e os argumentos de Paul Williams colocam a Bodhicittavivaraṇa numa época posterior.[47] Burton restringe sua análise às obras que julga menos controversas, a Mūlamadhyamaka-kārikā, a Vigrahavyāvartanī, a Śūnyatāsaptati, a Yuktiṣāṣṭika, a Catuḥstava, a Vaidalyaprakaraṇa e a Ratnāvalī.[47]

Jan Westerhoff restringe a seis textos o núcleo que "expõe um único sistema filosófico coerente" e aparece atribuído a Nāgārjuna em escritos indianos e tibetanos. Esse conjunto abrange a MMK, a Vigrahavyāvartanī, a Śūnyatāsaptati, a Yuktiṣāṣṭika, a Vaidalyaprakaraṇa e a Ratnāvalī.[48]

O historiador tibetano Buston reuniu as seis primeiras obras da lista de Lindtner como os tratados principais de Nāgārjuna, chamados de "corpus yukti", ou rigs chogs.[nota 14] Tāranātha aceitou somente as cinco primeiras. T. R. V. Murti acrescentou a Ratnāvalī, a Pratītyasamutpādahṛdaya e o Sūtrasamuccaya, pois Candrakīrti cita longamente as duas primeiras e Śāntideva cita a terceira.[49]

Outras obras atribuídas

[editar | editar código]
Biblioteca monástica tibetana com volumes estreitos empilhados em prateleiras altas.
Os volumes do Tanjur, aqui guardados ao lado do Kangyur em uma biblioteca tibetana, preservam comentários e obras de autoria discutida atribuídas a Nāgārjuna.

Lindtner separa as demais obras atribuídas a Nāgārjuna, incluindo textos posteriores ou de autoria duvidosa, em três grupos, as corretamente atribuídas, as atribuídas por engano e as que podem ou não ser autênticas.[50] No último grupo, distingue as que talvez sejam autênticas das que dificilmente foram escritas por ele.

Lindtner admite como talvez autênticas:[51]

  • Mahāyānavimsika, atribuída a Nāgārjuna no Tattvasamgraha e por Atisha. Lindtner julga o estilo e o conteúdo compatíveis com o corpus yukti. O texto está disponível em sânscrito.
  • Bodhicittotpādavidhi, breve texto sobre o rito de sete partes de um bodisatva.
  • Dvadasakāranayastotra, texto Madhyamaka disponível apenas em tibetano.
  • Madhyamaka-Bhavasamkrānti, da qual Bhavaviveka atribui um verso a Nāgārjuna.
  • Nirālamba-stava.
  • Sālistambakārikā, disponível apenas em tibetano, versão em versos do Śālistamba Sūtra.
  • Stutytitastava, disponível apenas em tibetano.
  • Dānaparikathā, disponível apenas em tibetano, em louvor à generosidade, dāna.
  • Cittavajrastava.
  • Mūlasarvāstivādiśrāmaṇerakārikā, cinquenta kārikās sobre o Vinaya dos Mulasarvastivadins.
  • Daśabhūmikavibhāṣā, disponível apenas em chinês, comentário ao Daśabhūmikasūtra.
  • Lokaparīkṣā.
  • Yogaśataka, texto médico.
  • Prajñādaṇḍa.
  • Rasavaiśeṣikasūtra, texto sobre rasāyana, a alquimia medicinal.
  • Bhāvanākrama, com versos semelhantes aos do Laṅkāvatāra, citada no Tattvasamgraha como obra de Nāgārjuna.
  • Rasaratnākara, sobre a formação de compostos de mercúrio.

Entre as obras de autoria incerta estão a Dharmadhātustava, ou Hino ao Dharmadhātu, que contém ideias posteriores à época de Nāgārjuna, a Mahāyānavimsika, as Śālistambakārikās, a Bhavasamkrānti e a Daśabhūmikavibhāṣā.[52] Três coleções tibetanas de estrofes sobre inteligência e conduta moral também circulam sob seu nome, a Prajñāśatakaprakaraṇa, a Nītiśāstra-Jantupoṣaṇabindu e a Nītiśāstra-Prajñādaṇḍa.[53]

Atribuições provavelmente incorretas

[editar | editar código]

Lindtner considera duvidosa e provavelmente incorreta a atribuição dos textos abaixo:

Akṣaraśataka, Akutobhayā, ou Mūlamadhyamakavṛtti, Āryabhaṭṭāraka-Mañjuśrīparamārthastuti, Kāyatrayastotra, Narakoddhārastava, Niruttarastava, Vandanāstava, Dharmasaṃgraha, Dharmadhātugarbhavivaraṇa, Ekaślokasāstra, Īśvarakartṛtvanirākṛtiḥ, ou Refutação de Deus ou Īśvara, Sattvārādhanastava, Upāyahṛdaya, Aṣṭādaśaśūnyatāśāstra, Dharmadhātustava e Yogaratnamālā.[54]

Ele rejeita a atribuição destas obras:

Mahāprajñāpāramitopadeśa, ou Dà zhìdù lùn, Abudhabodhakaprakaraṇa, Guhyasamājatantraṭīkā, Dvādaśadvāraka, Prajñāpāramitāstotra e Svabhāvatrayapraveśasiddhi.[55]

Fragmento de manuscrito escuro com colunas verticais de caracteres chineses dourados.
Seção do cânone budista em escrita chinesa, do século XIII. Algumas obras atribuídas a Nāgārjuna chegaram por traduções chinesas, e parte dessas atribuições é contestada.

O Dà zhìdù lùn, Taisho 1509, ou Comentário à grande Prajñāpāramitā, teve amplo uso no budismo chinês, mas sua autoria foi questionada, entre outros, por Étienne Lamotte. O texto só chegou pela tradução chinesa de Kumārajīva e não é conhecido nas tradições tibetana e indiana.[56]

O Shih-erh-men-lun, ou Tratado dos doze temas, também existe apenas em chinês. Seu título sânscrito foi reconstruído como Dvādaśanikāya ou Dvādaśamukha-śāstra, e a escola Sanlun, o Madhyamaka da Ásia Oriental, o estuda como um de seus três tratados básicos.[57]

Historiadores religiosos como Tāranātha, no Tibete do século XVII, atribuíram a Nāgārjuna e a seus discípulos obras do budismo esotérico. Para conciliar as datas, explicaram como revelações místicas certos textos compostos em outras épocas.[58] Parte desses textos pode pertencer a um autor tântrico muito mais recente, chamado às vezes de "Nāgārjuna II".[59]

Ensinamentos e filosofia

[editar | editar código]
Estátua de Nāgārjuna diante de um templo budista em Elistá, na Calmúquia.
Estátua de Nāgārjuna diante de um templo budista em Elistá, na Calmúquia, Rússia.

Na filosofia budista, Nāgārjuna parte da originação dependente, do não eu e da vacuidade para contestar a ideia de svabhāva, uma natureza fixa e independente que cada coisa teria em si.[nota 15][nota 16] Seu Caminho do Meio, madhyamā pratipad, evita afirmar uma existência eterna, astitva ou bhāva, e também evita reduzir tudo à inexistência, nāstitva ou abhāva. Esses extremos recebem os nomes de eternalismo, śāśvata, e aniquilacionismo, uccheda. No século VI, textos de Bhāviveka já usavam Madhyamaka para essa posição intermediária.[7]

Os tratados do "corpus yukti" se concentram na argumentação sobre a vacuidade, linha que também recebeu o nome de Śūnyatāvāda. Os textos atribuídos a Nāgārjuna seguem o caminho religioso do bodisatva. A Ratnāvalī, ou Guirlanda preciosa, a Suhṛllekha, ou Carta a um bom amigo, e a Bodhisaṃbhāraśāstra, ou Requisitos do despertar, reúnem grande parte de seus ensinamentos sobre ética e prática budista, anteriores aos tratados maaianos que organizaram o caminho do bodisatva.[60][3] Os quatro hinos da Catuḥstava falam da verdade última numa linguagem mais poética e afirmativa que a dos tratados de debate.[3]

Fyodor Shcherbatskoy e T. R. V. Murti entenderam que Nāgārjuna criou a doutrina da vacuidade. Textos budistas anteriores e sutras maaianos já tratavam da vacuidade, que Nāgārjuna teria desenvolvido por meio de novos argumentos.[61][62][63][64]

Vacuidade

[editar | editar código]
Relevo em que Nāgārjuna recebe textos das mãos de seres serpentinos.
A tradição da recuperação dos sutras da Prajñāpāramitā, retratada em Buddhavanam, liga Nāgārjuna à literatura sobre a vacuidade.

Nos escritos filosóficos de Nāgārjuna, a palavra sânscrita śūnyatā significa "vacuidade", a ausência de svabhāva, uma existência inerente ou natureza intrínseca que tornaria uma coisa independente de tudo o mais. Uma coisa vazia pode existir e funcionar sem existir por conta própria.[3]

Como realidade metafísica, o svabhāva seria uma substância imutável, uma existência primária, dravyasat, que formaria um elemento objetivo e irredutível do mundo. Escolas como a Vaibhāṣika e a Vaisesica aceitaram versões dessa ideia, que se tornou um dos alvos de Nāgārjuna.[3] Como erro da mente, o svabhāva é algo que ela acrescenta aos objetos quando os trata como coisas prontas e independentes.[nota 17] Esse hábito de reificar alimenta o desejo e o sofrimento. A vacuidade adquire um propósito soteriológico ao desfazer o erro que impede a libertação.[3]

Os seres sencientes não têm um eu imutável, ou ātman, e nenhum fenômeno, ou darma, esconde uma essência permanente sob suas mudanças. Tudo surge porque há causas e condições. A vacuidade exprime essa mesma originação dependente, pratītyasamutpāda, olhando para aquilo que as coisas não têm, um ser ou poder próprio. Os tratados de raciocínio, yukti, contestam teorias fundacionalistas nas quais o svabhāva não seria produzido por causas, akṛtaka, nem dependeria de qualquer outra coisa.[3][65]

Ao negar que exista uma base ontológica independente por trás de todas as coisas, a doutrina da vacuidade recebeu nos séculos XX e XXI leituras próximas do antifundacionalismo ontológico e do antirrealismo metafísico.[66][67]

Com oito negações distribuídas em quatro pares, o verso de abertura da MMK recusa extremos opostos e afasta a ideia de que os fenômenos tenham existência intrínseca.[nota 18][68]

Oito negações no verso dedicatório da MMK
Primeiro termoTermo oposto
Não cessaçãoNão surgimento
Não aniquilaçãoNão permanência
Não identidadeNão diferença
Não chegadaNão partida

Argumentos contra a teoria do svabhāva

[editar | editar código]

Na Mūlamadhyamakakārikā, Nāgārjuna não oferece um único "argumento mestre" contra o svabhāva e põe a ideia à prova em questões concretas como causalidade, tempo, movimento, mudança, mereologia, identidade pessoal e dependência conceitual. A escolástica tibetana aproximou esse modo de argumentar do método prāsaṅgika, que acompanha uma posição até suas consequências indesejadas, chamadas prasaṅga.[nota 19] Cada capítulo escolhe um problema e testa se uma explicação substancialista consegue resolvê-lo sem contradição.[3][69]

O catuṣkoṭi, ou tetralema, cujo nome quer dizer "quatro cantos", examina quatro possibilidades para cada afirmação.[nota 20] Ela pode ser verdadeira, falsa, verdadeira e falsa ao mesmo tempo, ou nenhuma das duas. Nāgārjuna rejeita os quatro cantos quando todos dependem da mesma suposição de existência própria. O objetivo não é escolher uma quinta posição escondida, mas cessar o apego às posições conceituais.[70][71]

Causalidade

[editar | editar código]
Pintura colorida da roda da vida budista, com cenas em círculos concêntricos sustentados por uma figura vermelha.
A roda da vida pertence às tradições budistas sobre causalidade e renascimento. Nāgārjuna examina se causa e efeito podem existir independentemente um do outro.

Ao começar pela causalidade, a MMK põe a vacuidade diante da experiência comum de sementes que dão origem a plantas, do fogo que aquece e das ações que têm consequências, perguntando o que faz de uma coisa a causa de outra. A hipótese de que causa e efeito possuam svabhāva produz dificuldades lógicas, e os capítulos seguintes levam o mesmo método a outros conceitos.[72][3]

Causa e efeito não são realidades inteiramente separadas, pois cada uma só recebe esse nome em relação à outra. A mente participa dessa divisão do processo em duas partes.[3] A análise considera quatro maneiras pelas quais uma coisa ou fenômeno, chamado darma, poderia surgir:[3]

  • As coisas surgem de si mesmas, ou são causas de si. Essa posição costuma supor que o efeito já está contido na causa ou que causa e efeito são a mesma coisa. Como não se observam os efeitos dentro das causas, as duas explicações carecem de fundamento.
  • As coisas surgem de outras coisas, ou têm uma causa diferente de si. É a compreensão mais intuitiva da causalidade, defendida pelos budistas do Abidarma e por não budistas. A posição falha porque causa e efeito não podem ser distintos em sentido substancial. O efeito depende da causa para existir, e a causa depende do efeito, ao menos conceitualmente, pois algo só é causa quando tem um efeito. Se fossem substâncias de fato diferentes, não poderiam depender uma da outra, já que duas substâncias distintas não podem manter uma relação de dependência.
  • As coisas surgem de si mesmas e de outras coisas. Nessa explicação, uma causa, como o mármore, contém uma potencialidade, como a de se tornar uma estátua, realizada com o auxílio de condições externas, como o trabalho de um escultor. Essas distinções também não existem substancialmente, porque as condições auxiliares e o resultado não existem separados da causa e não podem ter existência substancial independente.
  • As coisas não surgem de si mesmas nem de outras coisas. Essa posição costuma equivaler à afirmação de que surgem sem causas. Nada parece surgir fora de alguma ordem causal, e aceitar essa alternativa tornaria impossível conhecer o mundo até em termos convencionais.

Nenhuma das quatro alternativas sustenta uma causa e um efeito dotados de existência própria, porque o efeito precisa da causa para surgir e a propriedade de ser causa também precisa de um efeito. Sem efeito, nada poderia ser chamado de causa, como expõe o verso 4.3 da MMK.[3] Os seres vivos separam mentalmente o processo em coisas e relações, de modo que seus conceitos também participam da causalidade. Essa dependência conceitual é uma dimensão da vacuidade. No vocabulário maaiana, as coisas são, sob esse aspecto, designações ou construções conceituais, prajñapti.[3]

A dependência entre causa e efeito não encerrava o argumento, pois os pensadores do Abidarma aceitavam a causalidade sem abandonar o svabhāva. Para eles, uma relação causal poderia ser real mesmo que seus efeitos dependessem das causas. Causa e efeito, porém, também dependem um do outro e da maneira como a mente organiza a experiência. Como a relação causal não existe por si, ela é construída conceitualmente e vazia, e os objetos nela envolvidos dependem dessa construção.[3]

Negar o svabhāva não transforma a vacuidade em niilismo, pois as coisas dependem de condições para existir e funcionar.[nota 21] Elas apenas não possuem uma força isolada dentro de si. A ausência de svabhāva abre espaço para a mudança, para a originação dependente e para o fim do sofrimento. Uma natureza fixa tornaria o surgimento e a transformação difíceis de explicar. O verso 14 do capítulo 24 da MMK resume essa resposta:[73]

sarvaṃ ca yujyate tasya śūnyatā yasya yujyate
sarvaṃ na yujyate tasya śūnyaṃ yasya na yujyate
Tudo é possível quando a vacuidade é possível.
Nada é possível quando a vacuidade é impossível.

Dependência conceitual e relações

[editar | editar código]

Na Ratnāvalī, o exemplo de algo curto e algo longo torna a dependência conceitual mais concreta. Nada é curto sem comparação com algo mais longo, e a mesma coisa pode receber um nome diferente quando a comparação muda. "Curto" e "longo" não vêm de uma natureza intrínseca, ou svabhāva. Os Nikāyas páli e os Āgamas chineses trazem uma ideia próxima: "Aquilo que é o elemento da luz [...] é visto como existente em razão da escuridão, aquilo que é o elemento do bem é visto como existente em razão do mal, aquilo que é o elemento do espaço é visto como existente em razão da forma".[74][75]

Movimento e tempo

[editar | editar código]

No segundo capítulo da MMK, a pergunta é se existe alguém que se move separado do próprio movimento. Um agente em movimento só pode ser reconhecido pela ação que realiza. Se houvesse um movimento que o tornasse "alguém que se move" e outro movimento executado por ele, uma única ação seria contada duas vezes. O argumento contesta a separação substancial entre um indivíduo e suas propriedades. A mesma análise chega ao saṃsāra,[nota 22] pois aquele que renasce não existe de maneira independente do processo de renascimento.[3]

Se presente e futuro dependem de um passado que existe por si, essa dependência entra em tensão com a independência atribuída ao passado. Se não dependem dele, deixa de estar claro o que os torna presente e futuro. As demais combinações levam ao mesmo problema, e o capítulo 19 termina perguntando como o tempo poderia existir separado dos acontecimentos pelos quais é medido.[76]

Identidade pessoal

[editar | editar código]

Quando a análise chega à pessoa, Nāgārjuna retoma os cinco agregados budistas em vez de supor um eu imutável separado do corpo e da mente.[nota 23] Podemos dizer que uma pessoa percebe, deseja e age sem imaginar uma substância independente por trás de todas essas experiências. A palavra "pessoa" é útil na fala comum, mas não precisa nomear uma natureza própria e permanente.[3]

Conhecimento

[editar | editar código]
Diagrama com quatro círculos ligados por setas ao conhecimento: percepção, comparação, inferência e testemunho confiável.
Esquema dos quatro meios de conhecimento da escola Niaia, percepção, inferência, comparação e testemunho, discutidos por Nāgārjuna ao examinar a justificação dos pramāṇas.

Ao estudar o conhecimento, campo da filosofia chamado epistemologia, os pensadores indianos usavam a palavra pramāṇa para os meios pelos quais sabemos alguma coisa.[nota 24] A escola não budista Niaia aceitava quatro deles, a percepção, pratyakṣa, a inferência, anumāna, a comparação, upamāna, e o testemunho confiável, āgama. Aquilo que se conhece recebe o nome de prameya. Nāgārjuna pergunta como um pramāṇa ganha autoridade e como sabemos que ele realmente nos põe em contato com seu objeto.[3]

Se os pramāṇas se apoiassem mutuamente, como no coerentismo, um conto imaginário poderia ser coerente sem ser verdadeiro. A hipótese de que cada meio de conhecimento se justifica sozinho interromperia um regresso sem fim,[nota 25] mas deixa a pergunta sobre se a visão poderia existir antes de qualquer coisa visível e provar a si mesma. Nos versos 3.2 e 3.3 da MMK, "a visão não pode ver algo que existe simultaneamente com ela, como ela mesma, porque a visão também leva tempo". O exemplo de uma câmera traz o problema para perto. Diante de cinco câmeras, só descobrimos quais registram com precisão as propriedades físicas dos objetos ao testá-las com objetos e maneiras diferentes de fotografar. Não avaliamos o instrumento sem o objeto, nem conhecemos o objeto sem algum instrumento.[3]

Pramāṇas e prameyas poderiam confirmar um ao outro se a visão desse acesso a uma maçã e o êxito repetido ao lidar com maçãs confirmasse a visão como meio confiável. Ainda assim, surge um círculo. Para usar a maçã como prova da visão, seria preciso conhecê-la antes de confiar na própria visão que a apresenta. O interlocutor formula a saída desta maneira: "porque o objeto de conhecimento é percebido, deve haver algo que produza essa percepção, e isso é o instrumento de conhecimento". A repetição de experiências bem-sucedidas tornaria a percepção visual útil, mesmo sem dar a ela uma base independente.[3]

O êxito prático não resolve tudo porque, em princípio, as experiências com maçãs poderiam ser alucinações tão convincentes quanto as experiências comuns. Evitar métodos que já falharam nos aproxima de um conhecimento confiável, mas não cria um pramāṇa com natureza própria. Algumas cognições nem chegam a orientar uma ação e precisam ser comparadas com lembranças e outras crenças, como lembrar uma maçã ou lembrar que se comprou uma. Essas crenças também pedem confirmação, o que devolve o argumento ao regresso. A conclusão não é que o conhecimento seja impossível, mas que nenhum de seus elementos possui svabhāva, embora possa ser confiável em certas circunstâncias.[3]

Conhecer a vacuidade exige perguntar como o conhecimento nasce e o que torna algo um objeto conhecido. A Niaia entendia que certos procedimentos alcançam substâncias objetivas, independentes da mente e portadoras de qualidades próprias. Nāgārjuna recusa que instrumento ou objeto seja instrumento ou objeto por poder próprio. "Os dois precisam ser estabelecidos reciprocamente, o instrumento estabelece o objeto ao permitir acesso cognitivo a ele, e a interação bem-sucedida com o objeto estabelece o instrumento como caminho confiável até ele". Percebemos algo, formamos um juízo, agimos a partir dele e o revemos quando necessário. Pramāṇas e prameyas nascem dessa relação e, por dependerem dela, não possuem svabhāva.[3]

Duas verdades

[editar | editar código]
Fólio horizontal de manuscrito chinês do Sutra do Coração com colunas regulares de caracteres escuros.
O Sutra do Coração exprime a vacuidade em linguagem textual. A distinção de Nāgārjuna entre verdade convencional e última examina como esse tipo de formulação pode ser usado.

Para explicar como a linguagem comum pode funcionar sem transformar seus objetos em substâncias, Nāgārjuna distingue duas verdades. A verdade convencional, saṃvṛtisatya, é o plano em que falamos de pessoas, mesas, causas e caminhos. A verdade última, paramārtha satya, pergunta se essas coisas existem por si mesmas.[nota 26] No capítulo 24 da MMK, escreve:[77]

8. O ensinamento do Darma pelo Buda se apoia em duas verdades, a verdade convencional e a verdade última.
9. Quem não conhece a distinção entre as duas verdades não compreende a realidade em conformidade com os ensinamentos profundos do Buda.
10. A verdade última não é ensinada de maneira independente das formas habituais de falar e pensar. Sem alcançar a verdade última, não se alcança o nirvana.

A verdade última afirma que tudo é vazio, inclusive a própria vacuidade.[78] A "vacuidade da vacuidade" impede que ela se torne uma essência escondida por trás do mundo.[nota 27] Murti aproximou essa posição do neokantismo e leu a verdade última como um númeno metafísico, uma realidade que o pensamento discursivo não alcança.[79] Na leitura antidualista semântica, "a verdade última é que não há verdade última", pois só há verdades convencionais, sem uma realidade separada que sirva de fundamento final.[79]

A imagem de uma mesa torna essa leitura mais fácil de acompanhar:

Suponhamos que tomemos uma entidade convencional, como uma mesa. Nós a analisamos para mostrar sua vacuidade e verificamos que não há mesa separada de suas partes [...] Concluímos que ela é vazia. Mas analisemos agora essa vacuidade [...] O que encontramos? Nada além da ausência de existência inerente da mesa [...] Ver a mesa como vazia [...] é vê-la como convencional, como dependente.[80]

A vacuidade não fica no lugar das substâncias como uma explicação final. Ela desfaz a ideia de svabhāva, mas não existe separada das coisas vazias ou das mentes que as conhecem. Depois de corrigir uma visão equivocada, a própria ideia usada na correção também deve ser solta.[3] Transformá-la em realidade metafísica seria agarrá-la do modo errado, com um perigo comparável ao de segurar mal uma serpente ou executar mal um encantamento.[81]

Ao discutir os extremos da existência e da inexistência na MMK, Nāgārjuna cita um texto budista antigo, o Kātyāyanagotrasūtra, que ensina o Caminho do Meio entre esses dois extremos.[nota 28][83][84][85]

Linguagem e designação

[editar | editar código]

Quando não se procura um fundamento escondido sob a experiência, "tudo o que resta é a verdade convencional". Práticas, palavras e conceitos organizam a maneira como percebemos e dividimos o mundo em objetos.[3] As convenções podem ser úteis e corrigidas quando falham, sem precisar corresponder a divisões que existam por si mesmas. Na leitura antirrealista do Madhyamaka, são ficções convenientes, dependentes da cognição e dos interesses humanos.[3]

Usar um nome dá a impressão de que a coisa nomeada já vem pronta e separada de todas as outras. Os nomes são úteis na vida comum, mas sua utilidade não prova que as fronteiras criadas pela linguagem existam fora de nossas maneiras de conhecer o mundo.[3]

Relevo com um monge ajoelhado oferecendo uma tigela a outro monge sentado, diante de três pessoas.
Em um relevo de Buddhavanam, Āryadeva oferece uma tigela a Nāgārjuna. As tradições o apresentam como discípulo e continuador do mestre.

As obras religiosas atribuídas a Nāgārjuna, entre elas a Ratnāvalī, a Suhṛllekha e a Bodhisaṃbhāraśāstra, colocam fé e ética ao lado da sabedoria no caminho maaiana.[86]

O bodisatva busca a budeidade para beneficiar todos os seres, e essa meta orienta a ética desses textos.[70] A Ratnāvalī fala sobretudo a um leigo e ensina a generosidade, o não causar dano e as seis perfeições. Também distingue dois momentos do caminho. O Darma da ascensão, abhyudaya, nome que exprime elevação, sucesso e prosperidade, busca felicidade e bons renascimentos. O Darma da transcendência, ou bem supremo, naiḥśreyasa, leva à libertação, Moksha, por meio da sabedoria.[86] O primeiro prepara o segundo, como diz o início da obra:[87]

Naquele em quem primeiro há o Darma da ascensão,
depois surge o bem supremo,
pois, após alcançar a ascensão,
avança-se gradualmente até o bem supremo.

Nāgārjuna vincula a fé ao caminho da ascensão e a sabedoria ao do bem supremo:[86]

Afirmamos aqui que a ascensão é felicidade, sukha,
e o bem supremo é libertação, moksha.
Em poucas palavras, a fé e a sabedoria
são o método conciso para alcançá-los.

Pela fé, participa-se do Darma,
pela sabedoria, compreende-se de verdade.
Entre as duas, a sabedoria vem primeiro,
mas a fé é seu pré-requisito.

A sabedoria, entendida como compreensão da vacuidade e da originação dependente, cresce num caminho que também pede fé e conduta ética. A fé no Darma, śraddhā, conduz a ações como a generosidade e à formação de mérito. Desse mérito vêm bons renascimentos e condições favoráveis ao aprendizado, como saúde e acesso aos ensinamentos. A sabedoria cultivada nessas condições conduz ao nirvana.[86] O Darma da ascensão pertence sobretudo à verdade convencional e corresponde à acumulação de mérito, puṇya-saṃbhāra. O Darma da transcendência se volta para a verdade última e para a acumulação de conhecimento, jñāna-saṃbhāra. A Ratnāvalī passa de um ao outro para mostrar como se apoiam no caminho maaiana.[86]

Os ensinamentos seguem formas maaianas comuns, entre elas as dez ações benéficas, mas a vacuidade muda a explicação de por que agir bem.[70] As virtudes budistas conduzem ao nirvana quando são guiadas pela sabedoria que abandona as "visões" e os fundamentos metafísicos. Essa leitura recebeu o nome de ética irênica, ou ética da paz, e pode ser chamada de "sem fundamento" porque não depende de uma essência fixa.[88] Ao desfazer a separação rígida entre o eu e os outros, a vacuidade sustenta uma compaixão aberta a todos os seres e enfraquece o pensamento egoísta.[88] As ações virtuosas são meios hábeis, upaya, que conduzem ao nirvana, onde cessa o carma. Assim como a sabedoria desfaz as visões, a ética desfaz o desejo, o apego e a ação cármica, até não precisar mais de si mesma.[89][90]

Governo e punição na Ratnāvalī

[editar | editar código]

Nos conselhos da Ratnāvalī ao governante, o poder deve ser exercido sem raiva nem vingança. A pena pode conter novas infrações, mas deve ser branda, e os presos devem viver em condições humanas. Até quando admite a punição para manter a ordem, o texto pede compaixão por quem cometeu o delito.[91] Sabedoria e compaixão caminham juntas também no governo.[86]

Budeidade e nirvana

[editar | editar código]
Pintura mural cambojana com o Buda deitado, cercado por monges e outras figuras.
Pintura cambojana do parinirvana do Buda. Na análise de Nāgārjuna, também o nirvana é vazio de existência intrínseca.

A vacuidade alcança os cinco agregados, o eu, a mudança, o desejo, o sofrimento e o carma, e a mesma análise chega ao nirvana e à budeidade. Se nada possui svabhāva, nem mesmo os ideais mais altos do budismo podem existir por si.[92]

No capítulo 22 da MMK, o Buda não é idêntico aos cinco agregados, corpo, sensações, percepções, intenções e consciência, nem existe separado deles. Os agregados não estão dentro dele, nem ele dentro dos agregados. Como depende desses elementos, que por sua vez surgem de maneira dependente, o Buda não é uma substância. Na análise da verdade última, "o Tathāgata é desprovido de natureza intrínseca, este mundo é desprovido de natureza intrínseca".[92][93] Na verdade última, as palavras não conseguem prendê-lo nas alternativas de eterno, não eterno, as duas coisas ou nenhuma delas. Depois de seu nirvana, também não cabe afirmar que existe, não existe, existe e não existe, ou nenhuma dessas possibilidades.[94]

No capítulo 25, o nirvana, objetivo supremo do budismo, precisaria caber em uma das quatro alternativas do tetralema caso tivesse svabhāva, existência, bhāva, inexistência, abhāva, as duas ou nenhuma.[95] Uma coisa existente depende de condições, enquanto o nirvana é chamado de incondicionado, asaṃskṛta. A inexistência também não resolve o problema, pois uma ausência recebe sentido daquilo cuja falta ela expressa.[96] Depois de rejeitar as quatro respostas, Nāgārjuna inclui o estado do Buda após a morte entre as questões indeterminadas, avyākṛta.[97]

Os versos 19 e 20 do mesmo capítulo levam essa lógica ao sansara, o domínio do sofrimento, e recusam uma separação última entre ele e o nirvana:[98]

Não há distinção alguma entre o sansara e o nirvana.
Não há distinção alguma entre o nirvana e o sansara.
O limite do nirvana é o limite do sansara.
Entre os dois, não se encontra nem o menor intervalo.

Sansara e nirvana não existem em sentido último, mas também não podem ser reduzidos à inexistência. Quando as quatro alternativas deixam de prender o pensamento, chega-se a uma paz apofática, na qual cessa a necessidade de transformar tudo em conceito. Nāgārjuna encerra com o verso:[99]

Essa cessação de conceituar tudo, da prapañca, é bem-aventurada.
Nenhum darma jamais foi ensinado pelo Buda a quem quer que fosse.

Ensinamentos sobre a Terra Pura

[editar | editar código]
Pintura tibetana com Amitābha sentado em destaque no centro e outras figuras budistas ao redor.
Pintura tibetana do século XV com Amitābha em Sukhāvatī, a Terra Pura discutida nos textos atribuídos a Nāgārjuna.

A Suhṛllekha termina com uma dedicação de mérito aos renascimentos superiores[nota 29] e ao nascimento em Sukhāvatī, a terra pura do Buda Amitābha. Uma das estrofes finais deseja: "Que você nasça em um campo de buda, livre da doença, da velhice, do apego e do ódio, e que se torne igual a Amitāyus, protetor dos mundos, ao Bhagavān Amitābha".[100][101][102] O Tratado dos dez estágios do bodisatva, Daśabhūmikavibhāṣā, desenvolve esse ideal. Na Terra Pura da Ásia Oriental, a obra sustenta a distinção entre as vias "fácil" e "difícil". Seu "Capítulo da prática fácil" ensina que confiar em Amitābha e nascer em Sukhāvatī é um caminho mais acessível para alcançar a irreversibilidade do bodisatva.[103][104]

Nesses textos, a terra pura é um campo de buda purificado, viśuddha-buddhakṣetra,[nota 30] livre das visões erradas, da proliferação conceitual, prapañca, e do carma. Ali se encontra a sabedoria pura da vacuidade.[105] O capítulo cinco da Daśabhūmikavibhāṣā fala das qualidades e dos poderes de um buda, da presença completa do Darma e dos discípulos śrāvakas, da árvore bodhi, de um mundo adornado, de seres afortunados capazes de alcançar a libertação, de uma imensa assembleia e dos poderes de um buda.[106] Também fala da rápida realização dos bodisatvas, de visitas a terras puras de todo o cosmos, da ausência de maras demoníacos, de milagres e de uma luz imensurável que cura o sofrimento e a aflição.[107]

Ao ver um buda numa terra pura, alguns seres alcançariam imediatamente o estágio da irreversibilidade. A visão encheria a mente de grande deleite, alegria e felicidade pura, produziria um samādhi de bodisatva e abriria uma compreensão profunda do verdadeiro caráter de todos os darmas.[108] Outros poderiam entrar no estágio da certeza ao ouvir o nome de um buda, caso esse buda tivesse feito um voto original voltado para esse fim.[108] A pessoa de fé firme, cujas raízes de bondade se desenvolveram por completo e cujos obstáculos cármicos se esgotaram, poderia corresponder às causas e condições dos votos originais, ouvir o nome de um buda e renascer na terra pura desejada.[109]

O capítulo nove compara o longo caminho do bodisatva, percorrido durante éons,[nota 31] a uma viagem cansativa por terra. A via fácil seria como seguir de barco:

Há incontáveis portas para o buda-darma. Assim como neste mundo há caminhos difíceis e fáceis, sendo cansativo viajar por terra e agradável atravessar a água em um barco, assim também são os caminhos do bodisatva.[110]

O tratado ensina a recitar os nomes dos budas e fala de suas terras puras.[111] Amitābha recebe atenção especial, com uma explicação das qualidades de Sukhāvatī e versos em seu louvor.[112] Essa passagem se tornou um texto de base da Terra Pura, que adotou Nāgārjuna como patriarca. Seu nome chinês, Lóngshù, 龍樹, significa literalmente "árvore do dragão".[103]

Debates e comparações filosóficas

[editar | editar código]
Trecho impresso em sânscrito devanágari com os primeiros versos dos Nyāya-sūtras.
Os Nyāya-sūtras, reproduzidos aqui em uma edição de 1896, fundamentam a escola Niaia, uma das interlocutoras do Madhyamaka.

Niaia, Vaisesica e tradições bramânicas

[editar | editar código]

Os debates de Nāgārjuna com as tradições bramânicas se concentram na teoria do conhecimento da Niaia. A discussão budista da ontologia da Vaisesica ganhou novas formas em autores posteriores.[113][114] Essas escolas estudavam a cognição válida, pramāṇa, a inferência, anumāna, e as categorias que formariam a realidade. A Mūlamadhyamakakārikā e a Vigrahavyāvartanī discutem essas ideias. A Vaidalyaprakaraṇa se dedica às dezesseis categorias da Niaia.[115]

O Madhyamaka usa meios de conhecimento e formas de argumentação na vida comum, mas nega que eles ou suas categorias tenham um fundamento intrínseco, svabhāva.[3] Nāgārjuna também conhecia posições do Sânquia.[116]

Conhecimento e argumentação

[editar | editar código]

Nos Niaiassutras, os pramāṇas pertencem às dezesseis categorias usadas para organizar o debate. Uma cognição, jñāna, é válida, pramā, quando apreende corretamente seu objeto. O sucesso de uma ação baseada nela pode confirmar essa validade.[117]

Na Vigrahavyāvartanī, se cada pramāṇa precisa de outro, a justificação recua sem fim, no problema chamado anavasthā. Se o pramāṇa se valida sozinho, surge a necessidade de explicar como ele se distingue do objeto conhecido sem usar a relação entre os dois. A crítica não nega que haja cognição. Ela nega que o conhecimento precise repousar em fundamentos isolados de todas as relações.[118][3] Os pramāṇas podem funcionar no plano convencional sem possuir natureza intrínseca.

A Niaia clássica organizava inferências em cinco etapas, entre elas o silogismo, para chegar a conclusões sobre o mundo.[nota 32] Nāgārjuna usa as categorias desse debate, mas contesta que elas provem uma existência intrínseca. Em vez de levantar uma substância contra outra, o Madhyamaka examina o que decorre das afirmações do interlocutor. Um verso da Vigrahavyāvartanī formula a conhecida "ausência de tese":[115][3]

Se eu tivesse uma tese, estaria em falta. Mas não tenho tese, por isso estou livre de falta.

Matthew Williams-Wyant lê a frase dentro do debate formal, em que a tese, pratijñā, abria o argumento. Nessa interpretação, ela não obriga Nāgārjuna a recusar toda afirmação usada no plano convencional.[119]

Causalidade, substância e atomismo

[editar | editar código]

Ao interpretar a originação dependente como dependência ontológica, e não só como uma sequência de causas, Nāgārjuna concentra o ataque no svabhāva.[120] A vacuidade não toma o lugar das substâncias rejeitadas. Se isso acontecesse, ela se tornaria apenas uma nova substância.

O primeiro capítulo da MMK examina a satkāryavāda, em que o efeito já existe na causa, e a asatkāryavāda, em que ele é inteiramente novo. Nenhuma das duas consegue fazer da produção uma relação dotada de existência própria.[121]

Para a Vaisesica, o mundo tem categorias últimas e reais, entre elas os átomos, paramāṇu, as substâncias, dravya, as qualidades, guṇa, e a inerência, samavāya.[122]

Séculos após Nāgārjuna, Vasubandhu apresentou uma crítica budista ao atomismo em que átomos dispostos em lados diferentes de um agregado teriam partes.[nota 33] Se mais de um átomo sem extensão ocupa o mesmo ponto, eles não formam um corpo maior. Uma substância composta também não é percebida separada das partes que a compõem. Essa formulação está na Viṃśikā de Vasubandhu, e não nos versos de Nāgārjuna sobre o movimento.[114]

Respostas posteriores da Niaia

[editar | editar código]

Nos séculos seguintes, autores da Niaia defenderam e reformularam suas teorias ao responder a filósofos budistas. Nem todas essas respostas se dirigiam a Nāgārjuna:

  • Vātsyāyana responde à objeção do regresso e argumenta que a atividade prática pressupõe conhecimento confiável.[123]
  • Uddyotakara refina a teoria da inferência ao discutir as posições de Dignāga, filósofo budista posterior a Nāgārjuna.[124]
  • Vācaspati Miśra interpreta a percepção determinada e indeterminada e discute o erro, bhrānti, dentro da teoria realista da cognição.[125]
  • Jayanta Bhaṭṭa distingue o testemunho confiável da inferência em sua obra Nyāyamañjarī e defende as fontes de conhecimento da Niaia.[123]

Budistas e filósofos da Niaia discutiram por séculos como justificar a inferência, a percepção e outras fontes de conhecimento.[123][124]

Contra a Niaia e a Vaisesica, o Madhyamaka pergunta por que a ontologia precisaria de existência intrínseca e evita substituí-la por outro sistema realista.[3] As respostas a esse debate levaram tradições budistas e bramânicas a reformular suas explicações da cognição, da inferência e da metafísica.[123][124]

Pirronismo

[editar | editar código]
Gravura antiga em preto e branco de Pirro de Élis em pé, com um braço estendido.
Gravura de Pirro de Élis publicada no século XVII. As comparações entre o pirronismo e o pensamento de Nāgārjuna não provaram contato direto entre eles.

As comparações entre Nāgārjuna e o pirronismo, sobretudo os escritos de Sexto Empírico, tratam de semelhanças cuja origem não está resolvida.[126] Uma hipótese é que textos pirrônicos gregos tenham chegado à Índia.[127] Pirro de Élis, fundador dessa escola de filosofia cética, viveu aproximadamente entre 360 e 270 a.C. e pode ter acompanhado a expedição de Alexandre, o Grande à Índia, onde teria conhecido ascetas chamados de gimnosofistas. Não se sabe quanto contato houve nem como ele teria afetado suas ideias.[128] Christopher I. Beckwith defende uma origem budista para os ensinamentos de Pirro. Ele aproxima os termos gregos adiaphora, astathmēta e anepikrita[nota 34] das três marcas da existência e afirma que essas ideias do ceticismo não existiam na filosofia grega daquele momento.[129][130] Stephen Batchelor examina as possibilidades e os limites da tese,[131] enquanto Charles Goodman contesta as conclusões de Beckwith e Kuzminski.[132]

Recepção e transmissão

[editar | editar código]

China e Japão

[editar | editar código]
Pintura japonesa de Nāgārjuna sentado, com uma mão erguida e linhas de texto acima da figura.
Pintura japonesa dos séculos XIII-XIV apresenta Nāgārjuna entre os oito patriarcas Shingon. Nessa tradição, ele ocupa o terceiro lugar na linhagem.

Na China, os textos de Nāgārjuna deram origem à Sanlun, ou escola dos Três Tratados.[nota 35] Seus livros básicos são o Madhyamakaśāstra e o Shih-erh-men-lun, atribuídos a Nāgārjuna, e o Śataśāstra, de Āryadeva. A escola chegou ao Japão com o nome Sanron. O Da zhidu lun, também atribuído a Nāgārjuna, circulou por outras escolas chinesas e japonesas.[133][57] A escola Tiantai, organizada séculos depois, incluiu Nāgārjuna em sua genealogia de mestres, embora ele nunca tenha pertencido a ela.[134]

Textos esotéricos tibetanos e chineses atribuem a Nāgārjuna mantras e ensinamentos do Vajrayana, e Yijing, que viveu de 635 a 713, escreveu que ele transmitiu ao discípulo Nanda o Vidyādharapiṭaka, ou "Cânone dos detentores de encantamentos". Essa história dá uma origem religiosa às recitações de dhāraṇīs e mantras e colocou Nāgārjuna no começo da tradição esotérica da Ásia Oriental, que o adotou como patriarca fundador.[17][nota 36] A Terra Pura também o toma como primeiro patriarca. A escolha se apoia no Daśabhūmikavibhāṣā, que fala do nascimento em Sukhāvatī, e em textos como o Laṅkāvatāra-sūtra, cuja profecia anuncia o renascimento de Nāgārjuna nessa terra pura. O cólofon da Dhāraṇī do renascimento na Terra Pura, T. 368, afirma que ele recebeu a dhāraṇī em sonho.[17]

As genealogias japonesas dão a Nāgārjuna um lugar diferente em cada escola que preservou sua imagem. No Denkōroku, de Keizan, ele é o décimo quarto patriarca Zen.[135] No Shingon, é o terceiro patriarca.[136] Na Jōdo Shinshū, está entre os sete mestres da Terra Pura anteriores a Shinran.[137] Shinran lhe dedicou dez Hinos dos mestres da Terra Pura, sobre a sabedoria budista e o caminho até a Terra Pura de Amitābha.[138]

Tradição indo-tibetana

[editar | editar código]
Pintura tibetana de Nāgārjuna e Āryadeva sentados lado a lado, cercados por outras figuras budistas.
Uma pintura tibetana do século XIX, conservada no Museu Rubin de Arte, reúne Nāgārjuna e Āryadeva, associado à continuação dos debates Madhyamaka sobre a vacuidade.

Āryadeva, apresentado pela tradição como discípulo de Nāgārjuna, continuou a argumentação sobre a vacuidade no Catuḥśataka, ou Quatrocentos versos. Os comentários posteriores à MMK abriram um debate sobre o melhor modo de defender essa filosofia. Buddhapālita expunha as consequências indesejadas das posições examinadas. Bhāvaviveka criticou o método e preferiu argumentos formalmente estruturados. Candrakīrti defendeu Buddhapālita. No Tibete, essa divergência deu origem à distinção entre as interpretações svātantrika e prāsaṅgika.[69]

No século VIII, Śāntarakṣita e seu discípulo Kamalaśīla ensinaram no Tibete, onde o sistema de Śāntarakṣita reuniu o Madhyamaka, o Yogācāra e a lógica e a teoria do conhecimento de Dignāga e Dharmakīrti. A vacuidade ocupava o estágio final desse percurso.[69]

Tsongkhapa preferiu a interpretação de Buddhapālita e Candrakīrti, adotada pela tradição Gelug, e concluiu em 1408 seu comentário à MMK, o Oceano de raciocínio. Para ele, compreender a vacuidade não pode destruir a originação dependente, o uso das convenções ou a prática ética.[139]

Circulação no mundo lusófono

[editar | editar código]

A primeira versão da Mūlamadhyamakakārikā feita do sânscrito para o português saiu no Brasil em 2016, com o título Versos fundamentais do Caminho do Meio. A tradução veio acompanhada pelas notas e pelos comentários de Giuseppe Ferraro.[140]

A edição de 2018 de Nāgārjuna: Exame do ser e do não ser concentra-se no capítulo XV da MMK. Em 2021, Dissolução das controvérsias levou ao português uma tradução direta do sânscrito da Vigrahavyāvartanī.[141][142] Esta última, traduzida por Giuseppe Ferraro, ficou entre as cinco finalistas da categoria Tradução do Prêmio Jabuti de 2022.[143]

Na Universidade Federal de Minas Gerais, as discussões de um colóquio sobre as duas verdades de Nāgārjuna, realizado em 2011, chegaram a um número temático da revista Kriterion, que publicou quatorze artigos sobre filosofia e budismo e duas traduções para o português do capítulo XXIV da MMK, uma feita do sânscrito e outra do chinês.[144]

Em Portugal, uma dissertação de mestrado da Universidade Católica Portuguesa examinou a vacuidade, o sofrimento e as duas verdades e levou esses conceitos a questões humanas, animais e ambientais do século XXI. O trabalho também examinou pontos de encontro entre concepções budistas e cristãs.[145]

Em setembro de 2026, um centro da escola Nyingma no Rio de Janeiro ofereceu uma palestra sobre a vida e os ensinamentos de Nāgārjuna, com participação presencial ou pela internet e tradução consecutiva para o português.[146]

Estudos acadêmicos e leituras recentes

[editar | editar código]
Fotografia de Carlo Rovelli, de cabelos grisalhos, falando diante de um fundo escuro e gesticulando.
Carlo Rovelli, fotografado em Porto Alegre em 2017, relacionou o pensamento de Nāgārjuna à sua interpretação relacional da mecânica quântica.

Nos estudos budistas universitários, Shcherbatskoy e T. R. V. Murti aproximaram a obra de Nāgārjuna do idealismo kantiano, enquanto outros intérpretes falaram em niilismo, relativismo ou, no caso de Kalupahana, pragmatismo.[147] Filósofos e físicos também levaram seus argumentos a problemas de suas áreas, embora essas aproximações não substituam a leitura dos textos em sua época e em suas tradições budistas.

Na filosofia analítica de língua inglesa, Graham Priest, Jay L. Garfield, Mark Siderits e Jan Westerhoff estudaram Nāgārjuna e usaram suas ideias em trabalhos próprios. Westerhoff defende uma filosofia sem fundamentos últimos em The Non-Existence of the Real World.[148] Beyond the Limits of Thought, de Priest, dedica um capítulo a Nāgārjuna.[149]

Em Helgoland, o físico teórico italiano Carlo Rovelli conta que Nāgārjuna orientou sua reflexão sobre a interpretação relacional da mecânica quântica.[nota 37][150][151] A relação é filosófica, não uma afirmação de que Nāgārjuna antecipou a física quântica. O físico norte-americano David Ritz Finkelstein também partiu de sua obra ao desenvolver a "relatividade universal", na qual todos os fenômenos físicos são relativos.[152]

Ensino e presença no século XXI

[editar | editar código]

Em novembro de 2022, cerca de cinco mil pessoas de 65 países ouviram o Dalai Lama ensinar a Mūlamadhyamakakārikā no principal templo tibetano de Dharamsala. O encontro havia sido pedido por um grupo budista da Coreia, formado por pessoas ordenadas e leigas.[153]

Na França, Nāgārjuna integra a lista de autores da Antiguidade e da Idade Média que podem ser estudados nas aulas de filosofia da terminale, o último ano do ensino médio.[nota 38][154] O verbete dedicado ao filósofo na Stanford Encyclopedia of Philosophy recebeu uma revisão substancial em 2026.[3]

Homenagens

[editar | editar código]
Entrada da Universidade Acharya Nagarjuna, com arco, portão e letras ANU no canteiro frontal.
A Universidade Acharya Nagarjuna, em Andra Pradexe, recebeu o nome do filósofo e mantém um centro dedicado aos estudos budistas maaianas.

Na Índia, a Universidade Acharya Nagarjuna, criada em 1976 entre Guntur e Vijayawada, recebeu o nome do filósofo e mantém o Centro de Estudos Budistas Maaianas, fundado em 1982, com ensino de pós-graduação e pesquisa sobre filosofia e literatura budistas.[155][156]

Na mesma região, a Nagarjuna Education Society foi fundada em 1967 com o nome do mestre budista e criou faculdades e escolas em Guntur, entre elas o J. K. C. College, aberto no ano seguinte.[157]

O nome do filósofo foi dado ao projeto Nagarjuna Sagar, no rio Krishna, e à vizinha Nāgārjunakoṇḍa, a "colina de Nāgārjuna", onde funciona um museu do Serviço Arqueológico da Índia.[158][159] A homenagem geográfica não prova que ele tenha vivido no sítio, chamado Vijayapuri nas inscrições antigas.[159][33]

No parque budista Buddhavanam, em Telanganá, o Museu do Patrimônio Budista presta homenagem a Nāgārjuna em suas galerias, enquanto o centro de meditação Dhamma Nagarjuna fica ao lado do conjunto.[160][161]

Ver também

[editar | editar código]
  • Budismo, tradição religiosa em que Nāgārjuna desenvolveu seus ensinamentos.
  • Madhyamaka, escola filosófica fundada por Nāgārjuna.
  • Caminho do Meio, noção que orienta sua crítica aos extremos da existência e da inexistência.
  • Sunyata, conceito de vacuidade no centro de sua filosofia.
  • Filosofia budista, campo de pensamento ao qual pertencem seus tratados e debates.
  • Originação dependente, doutrina que fundamenta sua explicação da vacuidade.
  • Anatta, ensinamento do não eu relacionado à sua crítica da existência intrínseca.
  • Tetralema, estrutura de quatro alternativas empregada na argumentação Madhyamaka.
  • Bodicita, aspiração ao despertar discutida nas obras que lhe são atribuídas.
  • Śāntarakṣita, filósofo budista posterior da tradição Madhyamaka.
  • Sun Simiao, autor chinês ligado à medicina e ao budismo, temas das tradições sobre Nāgārjuna.
  • Rangtong-Shentong, distinção entre interpretações tibetanas da vacuidade.

Notas

  1. ↑ As escolas budistas eram comunidades com maneiras próprias de organizar os ensinamentos e a vida monástica. Nem sempre eram religiões separadas.
  2. ↑ Maaiana quer dizer "Grande Veículo". O nome designa uma corrente do budismo que dá especial destaque ao caminho do bodisatva, voltado ao benefício de todos os seres.
  3. ↑ Ali, nikāya quer dizer uma comunidade ou escola budista já estabelecida. O movimento maaiana podia crescer dentro dela.
  4. ↑ Uma hagiografia conta a vida de alguém venerado para transmitir ensinamentos e exemplos religiosos. Seus episódios maravilhosos não servem, por si sós, como prova do que aconteceu.
  5. ↑ O Decão ocupa grande parte do interior do sul da Índia, e os vestígios de Amaravati entram nas pesquisas sobre a vida de Nāgārjuna.
  6. ↑ A letra T seguida de um número identifica um texto na edição Taishō do cânone budista chinês. É uma forma de localizar a obra, semelhante ao número de catálogo de uma biblioteca.
  7. ↑ Darma, aqui, é o ensinamento do Buda e sua prática. A ideia de uma época em que esse ensinamento enfraquece pertence à narrativa religiosa.
  8. ↑ Os nagas dessas histórias são seres míticos ligados às serpentes e às águas. O episódio explica religiosamente a preservação dos textos. Não é um relato histórico comprovado.
  9. ↑ Mantras são fórmulas ou sílabas recitadas em práticas religiosas. Nas biografias lendárias, também aparecem associados a poderes extraordinários.
  10. ↑ Elixir é o nome dado a uma preparação à qual se atribuem poderes especiais, como prolongar a vida. Nessa passagem, a afirmação pertence às lendas sobre Nāgārjuna.
  11. ↑ Uma obra pseudepígrafa circula com o nome de um autor que provavelmente não a escreveu. Isso torna difícil decidir quais textos são mesmo de Nāgārjuna.
  12. ↑ Uma kārikā é um verso curto usado para formular uma ideia ou um argumento. O formato facilitava a memorização e o comentário do texto.
  13. ↑ Nirvana é a libertação do sofrimento buscada no budismo. Nāgārjuna examina como falar desse objetivo sem tratá-lo como uma coisa independente.
  14. ↑ A expressão reúne tratados de raciocínio atribuídos a Nāgārjuna. Não resolve, por si só, a dúvida histórica sobre a autoria de cada um.
  15. ↑ Se uma planta depende de semente, água, solo e luz, ela não existe por conta própria. A originação dependente estende essa atenção às condições para outros fenômenos.
  16. ↑ A expressão nomeia uma característica fixa que a coisa teria por si mesma, sem depender de causas, partes ou da maneira como a compreendemos. É isso que Nāgārjuna põe em questão.
  17. ↑ Reificar é tratar uma ideia ou uma maneira de ver algo como se fosse uma coisa pronta, com existência própria.
  18. ↑ Cada par rejeita dois extremos opostos, como dizer que algo simplesmente surge ou simplesmente não surge. A intenção é examinar o que essas afirmações deixam de perceber.
  19. ↑ Nesse modo de argumentar, acompanha-se a ideia do outro até mostrar uma consequência que ele próprio teria dificuldade de aceitar.
  20. ↑ Em vez de escolher apenas entre "é" e "não é", esse esquema também examina "é e não é" e "nem é nem não é".
  21. ↑ Dizer que algo depende de condições não equivale a dizer que nada acontece. Uma semente pode germinar, mas não faz isso sozinha.
  22. ↑ Saṃsāra é o ciclo de renascimentos e sofrimento descrito pelas tradições budistas. Aqui, interessa a relação entre a pessoa e o processo de renascer.
  23. ↑ Os cinco agregados reúnem aspectos da experiência, como o corpo, as sensações e a consciência. Eles ajudam a discutir a pessoa sem supor um "eu" fixo por trás de tudo.
  24. ↑ Por exemplo, os olhos podem ser um meio de perceber uma maçã, e a maçã, aquilo que se tenta conhecer. A questão do texto é como confiar nesse meio.
  25. ↑ Se cada prova precisa de outra prova para ser aceita, surge a pergunta sobre o que sustenta essa segunda prova, e assim por diante, sem chegar a um começo.
  26. ↑ "Convencional" não quer dizer simplesmente falsa. É a maneira comum e útil de falar das coisas. A análise da verdade última pergunta se elas existem por si mesmas.
  27. ↑ A própria ideia de vacuidade também não seria uma essência escondida. Ela questiona a independência das coisas, inclusive a dessa ideia.
  28. ↑ O Kātyāyanagotrasūtra afirma: "Em geral, Kātyāyana, este mundo se apoia na dualidade de existência e inexistência. Este mundo, que se apoia na existência e na inexistência, está apegado, agarrado e preso. Essa tendência obstinada da mente a agarrar e se apegar, eles não a sustentam, não a aceitam, não insistem nela nem tendem a dizer: este é meu eu. O que surge é o surgimento da insatisfação, o que cessa é a cessação da insatisfação. A esse respeito, ele não tem dúvida nem incerteza e possui conhecimento independente disso". "É dessa maneira que há visão correta, Kātyāyana. É dessa maneira que o Tathāgata ensina a compreensão da visão correta". "Por quê? O surgimento no mundo, Kātyāyana, visto e corretamente compreendido tal como é, mostra que não há inexistência no mundo. A cessação no mundo, Kātyāyana, vista e corretamente compreendida tal como é, mostra que não há existência permanente no mundo". "Evitando os dois extremos, o Tathāgata ensina o Darma pelo Caminho do Meio. Isto é, existindo isto, aquilo se torna, com o surgimento disto, aquilo surge. Com a ignorância como condição, há volição [...]", seguindo a formulação anterior para o surgimento e a cessação.[82]
  29. ↑ Dedicar mérito é oferecer simbolicamente o valor de uma boa ação ou prática religiosa em benefício de outros seres e de um objetivo espiritual.
  30. ↑ Um "campo de buda" é o ambiente ligado à atuação de um buda. Nas tradições da Terra Pura, nascer nele favorece a prática rumo ao despertar.
  31. ↑ Um éon é um tempo imensamente longo. Nesse trecho, a palavra dá a medida da dificuldade atribuída ao caminho gradual.
  32. ↑ Um silogismo organiza uma conclusão a partir de razões. Contar seus "membros" é contar as etapas explícitas usadas para apresentar esse raciocínio.
  33. ↑ O atomismo discutido aqui é uma teoria filosófica antiga sobre partes últimas da matéria. Não se trata do modelo de átomos estudado na química.
  34. ↑ Essas palavras gregas aparecem no debate sobre como Pirro via as coisas, sem distinções fixas, instáveis e sem uma determinação definitiva. A semelhança com ideias budistas é discutida, mas não prova contato direto.
  35. ↑ O nome remete aos três textos centrais estudados nessa tradição chinesa e à transmissão de escritos atribuídos a Nāgārjuna.
  36. ↑ Nessas genealogias, um patriarca é um mestre reconhecido como elo de transmissão dos ensinamentos, não necessariamente um antepassado da família.
  37. ↑ A interpretação relacional trata as propriedades físicas como relativas a outros sistemas. A aproximação feita por Rovelli é filosófica. Isso não significa que os textos de Nāgārjuna anteciparam a física quântica.
  38. ↑ Na França, terminale é o último ano do ensino médio. O programa inclui Nāgārjuna entre os autores que podem ser estudados nas aulas de filosofia dessa etapa.

Referências

  1. 1 2 Kalupahana 1994, p. 160.
  2. ↑ Walser (2005) p. 1-3.
  3. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 Westerhoff, Jan Christoph (31 de maio de 2026). «Nāgārjuna» (em inglês). The Stanford Encyclopedia of Philosophy. Consultado em 1 de outubro de 2026. Revisão substantiva de 31 de maio de 2026.
  4. 1 2 Garfield, Jay L. (1995), The Fundamental Wisdom of the Middle Way, Oxford: Oxford University Press.
  5. ↑ Walser (2005) p. 3.
  6. ↑ Garfield (1995), p. 87.
  7. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Ye Shaoyong. "Nāgārjuna". Em: Brill's Encyclopedia of Buddhism, vol. II, Lives, 2019, pp. 335-347.
  8. 1 2 Boucher, Daniel (20 de janeiro de 2021). «Mahāyāna» (em inglês). Oxford Bibliographies. doi:10.1093/obo/9780195393521-0018. Consultado em 2 de outubro de 2026
  9. ↑ Walser (2005), p. 43.
  10. ↑ Chemburkar, Swati (28 de janeiro de 2022). «Prajñāpāramitā and Khmer Esoteric Buddhism in the 10th to 13th Centuries» (em inglês). Oxford Research Encyclopedia of Religion. doi:10.1093/acrefore/9780199340378.013.675. Consultado em 2 de outubro de 2026
  11. 1 2 Walser (2005), p. 60.
  12. 1 2 3 Walser (2005), p. 61.
  13. 1 2 3 Walser (2005), p. 66.
  14. 1 2 Walser (2005), p. 87.
  15. ↑ Christian Lindtner, Master of Wisdom. Dharma Publishing 1997, p. 324.
  16. ↑ David Kalupahana, Mulamadhyamakakarika of Nāgārjuna: The Philosophy of the Middle Way. Motilal Banarsidass, 2005, pp. 2, 5.
  17. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 Young, Stuart H. "Nāgārjuna in China". Em: Brill's Encyclopedia of Buddhism, vol. II, Lives, 2019, pp. 728–734.
  18. ↑ Nalinaksha Dutt (setembro de 1931). «Notes on the Nagarjunikonda Inscriptions». The Indian Historical Quarterly. 7 (3): 633–653. A tradição tibetana afirma que Nāgārjuna nasceu em uma família brâmane de Amaravati.
  19. ↑ Geri Hockfield Malandra, Unfolding A Mandala: The Buddhist Cave Temples at Ellora, SUNY Press, 1993, p. 17
  20. ↑ Shōhei Ichimura, Buddhist Critical Spirituality: Prajñā and Śūnyatā, Motilal Banarsidass Publishers (2001), p. 67
  21. ↑ Takpo Tashi Namgyal (1993). Mahāmudrā: The Quintessence of Mind and Meditation (em inglês). Tradução e notas de Lobsang P. Lhalungpa, prefácio de Chögyam Trungpa. Deli: Motilal Banarsidass Publishers. p. 443. ISBN 81-208-1064-3
  22. ↑ Buddhist Text & Research Society (1895). Journal. 3–5. [S.l.: s.n.] p. 16
  23. ↑ Transaction - Indian Institute of World Culture, n.º 73, Indian Institute of World Culture, 1987, p. 5
  24. ↑ Lives of Great Monks and Nuns (em inglês). Tradução de Li Rongxi e Albert A. Dalia. Berkeley: Numata Center for Buddhist Translation and Research. 2002. pp. 21–23, 30. ISBN 1-886439-14-1. The Life of Nāgārjuna Bodhisattva, tradução de Li Rongxi.
  25. ↑ Walser (2005), pp. 75-76.
  26. ↑ Walser (2005), pp. 69, 74.
  27. ↑ Walser (2005), p. 74.
  28. ↑ Berger, Douglas. «Nagarjuna (c. 150–c. 250)». Internet Encyclopedia of Philosophy. Consultado em 2 de maio de 2017
  29. ↑ Walser (2005), p. 78
  30. 1 2 Hirakawa, Akira (2007). A History of Indian Buddhism: From Śākyamuni to Early Mahāyāna (em inglês). Tradução e edição de Paul Groner. Deli: Motilal Banarsidass Publishers. p. 242. ISBN 978-81-208-0955-0
  31. ↑ Walser (2005), p. 72.
  32. ↑ «Andhra Pradesh: Amaravati Circle» (em inglês). National Culture Fund, Ministério da Cultura da Índia. Consultado em 1 de outubro de 2026. Monumentos de Nāgārjunakoṇḍa identificados no distrito de Palnadu.
  33. 1 2 K. Krishna Murthy (1977). Nāgārjunakoṇḍā: A Cultural Study. [S.l.]: Concept Publishing Company. p. 1. OCLC 4541213
  34. 1 2 3 Walser (2005), p. 69.
  35. ↑ Hsing Yun (2010). Infinite Compassion, Endless Wisdom: The Practice of the Bodhisattva Path (em inglês). Tradução de Tom Manzo e Shujan Cheng, Fo Guang Shan International Translation Center. Hacienda Heights, Califórnia: Buddha's Light Publishing. ISBN 978-1-932293-36-4
  36. ↑ Lopez, Donald S. Jr. (28 de maio de 2019). Seeing the Sacred in Samsara: An Illustrated Guide to the Eighty-Four Mahasiddhas (em inglês). [S.l.]: Shambhala Publications. 75 páginas. ISBN 978-0-8348-4212-0
  37. ↑ Kalupahana 1994, p. 161.
  38. ↑ Kalupahana 1992, p. 120.
  39. ↑ «Nāgārjuna's Middle Way» (em inglês). Wisdom Publications. Consultado em 1 de outubro de 2026
  40. 1 2 Ruegg, David Seyfort, The Literature of the Madhyamaka School of Philosophy in India, Otto Harrassowitz Verlag, 1981, p. 8.
  41. ↑ Lindtner, C. (1982). Nagarjuniana: studies in the writings and philosophy of Nāgārjuna, Copenhagen: Akademisk forlag, p. 11.
  42. ↑ Ruegg, David Seyfort, The Literature of the Madhyamaka School of Philosophy in India, Otto Harrassowitz Verlag, 1981, p. 9.
  43. ↑ Tola, Fernando; Dragonetti, Carmen (março de 1985). «Nāgārjuna's Catustava». Journal of Indian Philosophy (em inglês). 13 (1): 1–54. doi:10.1007/BF00208526
  44. ↑ Ruegg, David Seyfort, The Literature of the Madhyamaka School of Philosophy in India, Otto Harrassowitz Verlag, 1981, p. 24.
  45. ↑ Buswell, Robert E.; Lopez, Donald S. (2014). The Princeton Dictionary of Buddhism (em inglês). [S.l.]: Princeton University Press. p. 876. ISBN 978-0-691-15786-3. Verbete "Sūtrasamuccaya".
  46. ↑ Ruegg, David Seyfort, The Literature of the Madhyamaka School of Philosophy in India, Otto Harrassowitz Verlag, 1981, p. 29.
  47. 1 2 Burton, David F. (2015). Emptiness Appraised: A Critical Study of Nagarjuna's Philosophy, pp. 13-14. Routledge.
  48. ↑ Westerhoff (2009), pp. 5-6.
  49. ↑ TRV Murti, Central philosophy of Buddhism, pp. 89–91
  50. ↑ Lindtner 1982, p. 10.
  51. ↑ Lindtner 1982, pp. 12-14.
  52. ↑ Ruegg, David Seyfort, The Literature of the Madhyamaka School of Philosophy in India, Otto Harrassowitz Verlag, 1981, pp. 28-46.
  53. ↑ Ruegg, David Seyfort, The Literature of the Madhyamaka School of Philosophy in India, Otto Harrassowitz Verlag, 1981, p. 27.
  54. ↑ Lindtner 1982, pp. 14-17.
  55. ↑ Lindtner 1982, pp. 11-12.
  56. ↑ Ruegg, David Seyfort, The Literature of the Madhyamaka School of Philosophy in India, Otto Harrassowitz Verlag, 1981, p. 32.
  57. 1 2 Ruegg, David Seyfort, The Literature of the Madhyamaka School of Philosophy in India, Otto Harrassowitz Verlag, 1981, p. 28.
  58. ↑ Wedemeyer, Christian K. (2007). Āryadeva's Lamp that Integrates the Practices: The Gradual Path of Vajrayāna Buddhism According to the Esoteric Community Noble Tradition (em inglês). Nova Iorque: AIBS e Columbia University Press. ISBN 978-0-9753734-3-9
  59. ↑ Lindtner 1982, p. 11.
  60. ↑ Della Santina, Peter (2002). Causality and Emptiness: The Wisdom of Nagarjuna (em inglês). [S.l.]: Buddhist Research Society. 5 páginas
  61. ↑ Yin Shun. An Investigation into Emptiness, Kōng zhī Tànjìu, 1985.
  62. ↑ Choong, Mun-keat (1999). The Notion of Emptiness in Early Buddhism (em inglês) 2, revista ed. Deli: Motilal Banarsidass. ISBN 81-208-1649-8
  63. ↑ Medawachchiye Dhammajothi Thero (2009). The Concept of Emptiness in Pali Literature (em inglês). Maradana: Godage International Publishers
  64. ↑ Shì Hùifēng (2013). «"Dependent Origination = Emptiness" – Nāgārjuna's Innovation? An Examination of the Early and Mainstream Sectarian Textual Sources». Journal of the Centre for Buddhist Studies, Sri Lanka (em inglês). 11: 175–228. ISSN 1391-8443
  65. ↑ S.Radhakrishnan, Indian philosophy vol. 1, p. 607
  66. ↑ Siderits, Mark (dezembro de 1988). «Nāgārjuna as anti-realist». Journal of Indian Philosophy (em inglês). 16 (4): 311–325. doi:10.1007/BF00160698
  67. ↑ Westerhoff, Jan. Nagarjuna's Madhyamaka: A Philosophical Introduction.
  68. ↑ Siderits, Mark; Katsura, Shōryū (2013). Nāgārjuna's Middle Way: Mūlamadhyamakakārikā (em inglês). Boston: Wisdom Publications. ISBN 978-1-61429-050-6. Verso dedicatório.
  69. 1 2 3 Hayes, Richard P. (2024). «Madhyamaka» (em inglês). The Stanford Encyclopedia of Philosophy. Consultado em 1 de outubro de 2026. Edição do outono de 2024, seções 2-5 e 8.
  70. 1 2 3 Stepien, Rafal K. (30 de abril de 2024). Buddhism Between Religion and Philosophy: Nāgārjuna and the Ethics of Emptiness (em inglês). [S.l.]: Oxford University Press. pp. 201–210. ISBN 978-0-19-777130-3. doi:10.1093/oso/9780197771303.001.0001
  71. ↑ Dumoulin, Heinrich (1988). Zen Buddhism: A History (em inglês). 1: India and China. Tradução de James W. Heisig e Paul Knitter. Nova Iorque: Macmillan Publishing Company. p. 43
  72. ↑ Garfield, Jay L (abril de 1994). «Dependent Arising and the Emptiness of Emptiness: Why Did Nāgārjuna Start with Causation?». Philosophy East and West. 44 (2): 219–50. JSTOR 1399593. doi:10.2307/1399593. S2CID: 51932733
  73. ↑ Siderits, Mark; Katsura, Shoryu (2013). Nagarjuna's Middle Way: Mulamadhyamakakarika (Classics of Indian Buddhism). [S.l.]: Wisdom Publications. pp. 275–76. ISBN 978-1-61429-050-6
  74. ↑ Kalupahana 1975, pp. 96-97. A passagem páli está no Sattadhātusutta, SN 14.11, correspondente a SN II 150 na paginação da Pali Text Society.
  75. ↑ «Sattadhātusutta» (em páli). SuttaCentral. Consultado em 2 de outubro de 2026. Saṃyutta Nikāya 14.11.
  76. ↑ Nāgārjuna (31 de julho de 2020). «Mūlamadhyamakakārikā» (em sânscrito). Göttingen Register of Electronic Texts in Indian Languages, SUB Göttingen. Consultado em 1 de outubro de 2026. Capítulo 19, versos 1–6. Transcrição de Douglas Bachman, revista por Richard Mahoney.
  77. ↑ Siderits, Mark; Katsura, Shoryu (22 de abril de 2013). Nagarjuna's Middle Way: Mulamadhyamakakarika (em inglês). [S.l.]: Wisdom Publications. pp. 272–273. ISBN 978-1-61429-061-2
  78. ↑ Garfield, Jay. Empty Words: Buddhist Philosophy and Cross-cultural Interpretation, p. 91.
  79. 1 2 Siderits, Mark (2003). «On the Soteriological Significance of Emptiness». Contemporary Buddhism (em inglês). 4 (1): 9–23. doi:10.1080/1463994032000140158
  80. ↑ Garfield, J. L. (2002). Empty words, pp. 38–39
  81. ↑ Siderits, Mark; Katsura, Shoryu (22 de abril de 2013). Nagarjuna's Middle Way: Mulamadhyamakakarika (em inglês). [S.l.]: Wisdom Publications. 274 páginas. ISBN 978-1-61429-061-2
  82. ↑ Jayarava, trad. «Kātyāyanagotrasūtra» (em inglês). SuttaCentral. Consultado em 2 de outubro de 2026. Tradução do sânscrito.
  83. ↑ A.K. Warder, A Course in Indian Philosophy. Motilal Banarsidass Publ., 1998, pp. 55-56.
  84. ↑ Choong Mun-keat. The Fundamental Teachings of Early Buddhism: A Comparative Study Based on the Sutranga Portion of the Pali Samyutta-Nikaya and the Chinese Samyuktagama. Wiesbaden: Harrassowitz Verlag, 2000, pp. 192-195, com o texto integral das duas versões e sua análise.
  85. ↑ Kalupahana 1986, p. 232.
  86. 1 2 3 4 5 6 Nāgārjuna (5 de março de 2024). Nāgārjuna's Precious Garland: Ratnāvalī (em inglês). Tradução de Sara L. McClintock e John D. Dunne. [S.l.]: Wisdom Publications. pp. 27–29, 77. ISBN 978-1-61429-846-5
  87. ↑ Ratnāvalī, verso 1.3, tradução de Sara L. McClintock e John D. Dunne, p. 77.
  88. 1 2 Stepien, Rafal K. (30 de abril de 2024). Buddhism Between Religion and Philosophy: Nāgārjuna and the Ethics of Emptiness (em inglês). [S.l.]: Oxford University Press. pp. 211–231. ISBN 978-0-19-777130-3. doi:10.1093/oso/9780197771303.001.0001
  89. ↑ Stepien (2024), p. 246.
  90. ↑ Stepien (2024), pp. 255-256.
  91. ↑ Goodman, Charles; Schultz, Aaron (2024). «Ethics in Indian Buddhism» (em inglês). The Stanford Encyclopedia of Philosophy. Consultado em 1 de outubro de 2026. Seção sobre punição na Ratnāvalī.
  92. 1 2 Siderits, Mark; Katsura, Shoryu (22 de abril de 2013). Nagarjuna's Middle Way: Mulamadhyamakakarika (em inglês). [S.l.]: Wisdom Publications. pp. 241–247. ISBN 978-1-61429-061-2
  93. ↑ Siderits & Katsura (2013), p. 251
  94. ↑ Siderits & Katsura (2013), pp. 249-250
  95. ↑ Siderits & Katsura (2013), p. 289
  96. ↑ Siderits & Katsura (2013), p. 294-295
  97. ↑ Siderits & Katsura (2013), p. 301
  98. ↑ Siderits & Katsura (2013), p. 302
  99. ↑ Siderits & Katsura (2013), p. 304
  100. ↑ Szántó, Péter-Dániel (11 de novembro de 2021). «The Suhṛllekha of Nāgārjuna, editio minor 2.0» (em inglês). Consultado em 2 de outubro de 2026. Edição do manuscrito sânscrito.
  101. ↑ «Suhṛllekhaḥ» (em sânscrito). Digital Sanskrit Buddhist Canon. Consultado em 2 de outubro de 2026. Estrofes finais da obra.
  102. ↑ Nagarjuna's Letter to a Friend: With Commentary by Kangyur Rinpoche. Shambhala Publications, 2006. ISBN 978-1-55939-850-3. Tradução a partir do tibetano.
  103. 1 2 Travagnin, Stefania (2013). «Yinshun's Recovery of Shizhu Piposha Lun: a Madhyamaka-based Pure Land practice in twentieth-century Taiwan». Contemporary Buddhism: An Interdisciplinary Journal (em inglês). 14 (2): 320-343. doi:10.1080/14639947.2013.832497
  104. ↑ Jones, Charles B. (2019). Chinese Pure Land Buddhism, Understanding a Tradition of Practice, pp. 37, 65. Honolulu: University of Hawai'i Press.
  105. ↑ Yamaguchi, Susumu (2012). «The Concept of the Pure Land in the Teaching of Nāgārjuna». Listening to Shin Buddhism: Starting Points of Modern Dialogue (em inglês). [S.l.]: Equinox Publishing. pp. 161–172. doi:10.1558/equinox.20366
  106. ↑ Dharmamitra, Bhiksu, trad. (2012). Nāgārjuna's Treatise on the Ten Bodhisattva Grounds (PDF) (em inglês). Seattle: Kalavinka Press. p. 121
  107. ↑ Dharmamitra, Bhiksu trad.. Nāgārjuna's Treatise on the Ten Bodhisattva Grounds, pp. 121-123. Seattle, WA: Kalavinka Press, 2012.
  108. 1 2 Dharmamitra, Bhiksu trad.. Nāgārjuna's Treatise on the Ten Bodhisattva Grounds, p. 124. Seattle, WA: Kalavinka Press, 2012.
  109. ↑ Dharmamitra, Bhiksu trad.. Nāgārjuna's Treatise on the Ten Bodhisattva Grounds, p. 125. Seattle, WA: Kalavinka Press, 2012.
  110. ↑ Jones, Charles B. (2019). Chinese Pure Land Buddhism, Understanding a Tradition of Practice, pp. 73. Honolulu: University of Hawai'i Press.
  111. ↑ Dharmamitra, Bhiksu trad.. Nāgārjuna's Treatise on the Ten Bodhisattva Grounds vol. I, pp. 301-311. Seattle, WA: Kalavinka Press, 2012.
  112. ↑ Dharmamitra, Bhiksu trad.. Nāgārjuna's Treatise on the Ten Bodhisattva Grounds vol. I, pp. 315-316. Seattle, WA: Kalavinka Press, 2012.
  113. ↑ Westerhoff, Jan (2009). Nagarjuna's Madhyamaka: A Philosophical Introduction. Oxford University Press.
  114. 1 2 Ferraro, Giuseppe (2022). «Contra o movimento e o atomismo: uma comparação entre Nāgārjuna, Vasubandhu e Zenão de Eleia». Archai. 32: e03224. doi:10.14195/1984-249X_32_24
  115. 1 2 Westerhoff, Jan (2018). «Introduction». Crushing the Categories: Vaidalyaprakaraṇa by Nāgārjuna (em inglês). [S.l.]: Wisdom Publications
  116. ↑ TRV Murti, The central philosophy of Buddhism, p. 92.
  117. ↑ Dasti, Matthew R. «Nyaya» (em inglês). Internet Encyclopedia of Philosophy. Consultado em 1 de outubro de 2026
  118. ↑ Matilal, B.K. (1986). Perception: An Essay on Classical Indian Theories of Knowledge. Oxford University Press.
  119. ↑ Williams-Wyant, Matthew D. (2017). «Nagarjuna's no-thesis view revisited: the significance of classical Indian debate culture on verse 29 of the Vigrahavyāvartanī». Asian Philosophy (em inglês). 27 (3): 263–277. doi:10.1080/09552367.2017.1353210
  120. ↑ Garfield, Jay L. (1995). The Fundamental Wisdom of the Middle Way. Oxford University Press.
  121. ↑ Lindtner, Christian (1982). Nagarjuniana: Studies in the Writings and Philosophy of Nagarjuna. Akademisk Forlag.
  122. ↑ «Nyāya-Vaiśeṣika» (em inglês). Routledge Encyclopedia of Philosophy. Consultado em 2 de outubro de 2026
  123. 1 2 3 4 Phillips, Stephen H. «Epistemology in Classical Indian Philosophy» (em inglês). The Stanford Encyclopedia of Philosophy. Consultado em 1 de outubro de 2026
  124. 1 2 3 Gillon, Brendan S. «Logic in Classical Indian Philosophy» (em inglês). The Stanford Encyclopedia of Philosophy. Consultado em 1 de outubro de 2026
  125. ↑ «Perceptual Experience and Concepts in Classical Indian Philosophy» (em inglês). The Stanford Encyclopedia of Philosophy. Consultado em 1 de outubro de 2026
  126. ↑ Adrian Kuzminski, Pyrrhonism: How the Ancient Greeks Reinvented Buddhism, 2008.
  127. ↑ Thomas McEvilley, The Shape of Ancient Thought, 2002, pp. 499-505.
  128. ↑ Groarke, Leo. «Ancient Skepticism» (em inglês). The Stanford Encyclopedia of Philosophy. Consultado em 1 de outubro de 2026
  129. ↑ Beckwith 2015, p. 28.
  130. ↑ Beckwith 2015, p. 221.
  131. ↑ Batchelor, Stephen (2016). «Greek Buddha: Pyrrho's Encounter with Early Buddhism in Central Asia». Contemporary Buddhism (em inglês). 17 (1): 195-215. doi:10.1080/14639947.2016.1189141
  132. ↑ Goodman, Charles (julho de 2018). «Neither Scythian nor Greek: A Response to Beckwith's Greek Buddha and Kuzminski's "Early Buddhism Reconsidered"». Philosophy East and West (em inglês). 68 (3): 984-1006. doi:10.1353/pew.2018.0082
  133. ↑ Lives of Great Monks and Nuns (em inglês). Tradução de Li Rongxi e Albert A. Dalia. Berkeley: Numata Center for Buddhist Translation and Research. 2002. pp. 17–18. ISBN 1-886439-14-1. Introdução de Li Rongxi a The Life of Nāgārjuna Bodhisattva.
  134. ↑ Hong, Xiuping (2024). «Chapter 4: The Flourishing of Buddhism and the Founding of Buddhist Schools during the Sui and Tang Dynasties». A Brief History of Chinese Buddhism and Buddhist Thought (em inglês). Tradução de Jack Hargreaves e Darcy Littler. [S.l.]: Brill. Consultado em 1 de outubro de 2026. Nāgārjuna aparece como primeiro patriarca da genealogia Tiantai.
  135. ↑ Keizan (2017). Record of the Transmission of Illumination by the Great Ancestor, Zen Master Keizan (PDF) (em inglês). [S.l.]: Sōtōshū Shūmuchō. p. 126. Capítulo 14, The Fourteenth Ancestor, Venerable Nāgārjuna.
  136. ↑ «Esoteric art» (em inglês). Koyasan Shingon Sect Main Temple Kongobu-ji. Consultado em 1 de outubro de 2026
  137. ↑ «Amida Hall» (em inglês). Jodo Shinshu Hongwanji-ha, Hongwanji. Consultado em 1 de outubro de 2026
  138. ↑ Shinran (1997). «Nagarjuna». The Collected Works of Shinran (em inglês). Jodo Shinshu Hongwanji-ha. Consultado em 1 de outubro de 2026. Hymns of the Pure Land Masters, dez hinos a Nāgārjuna.
  139. ↑ Sparham, Gareth; Ehm, Chandra Chiara (2025). «Tsongkhapa» (em inglês). The Stanford Encyclopedia of Philosophy. Consultado em 1 de outubro de 2026. Edição do outono de 2025, seções 1.1 e 1.2.
  140. ↑ «Versos fundamentais do Caminho do Meio». Editora Phi. 2016. Consultado em 2 de outubro de 2026
  141. ↑ «Nāgārjuna: Exame do ser e do não ser». Editora Phi. 2018. Consultado em 2 de outubro de 2026
  142. ↑ «Dissolução das controvérsias». Editora Phi. 2021. Consultado em 2 de outubro de 2026
  143. ↑ «Catálogo do 64.º Prêmio Jabuti» (PDF). Câmara Brasileira do Livro. 2022. pp. 122–126. Consultado em 2 de outubro de 2026
  144. ↑ Vieira, Leonardo Alves (2016). «Apresentação». Kriterion. 57 (133): 7-16. doi:10.1590/0100-512X2016n13300lav. Consultado em 2 de outubro de 2026
  145. ↑ Teixeira, Alexandra Cristina Moreira (2022). A problemática do vazio e do sofrimento na perspetiva do filósofo Nāgārjuna (Dissertação de mestrado). Universidade Católica Portuguesa. Consultado em 2 de outubro de 2026
  146. ↑ «A vida extraordinária de Nagarjuna e seu legado». Centro Nyingma do Rio de Janeiro. 30 de setembro de 2026. Consultado em 2 de outubro de 2026
  147. ↑ Tuck, Andrew P. (1990). Comparative Philosophy and the Philosophy of Scholarship: On the Western Interpretation of Nāgārjuna (em inglês). Oxford: Oxford University Press. ISBN 978-0-19-506156-7
  148. ↑ Westerhoff, Jan (2020). The Non-Existence of the Real World (em inglês). Oxford: Oxford University Press. ISBN 978-0-19-884791-5
  149. ↑ Priest, Graham (2002). Beyond the Limits of Thought (em inglês) 2 ed. Oxford: Oxford University Press. ISBN 978-0-19-925405-7
  150. ↑ Rovelli, Carlo (2021). «Without Foundation? Nāgārjuna». Helgoland: Making Sense of the Quantum Revolution (em inglês). Tradução de Erica Segre e Simon Carnell. Nova Iorque: Riverhead Books. p. 142. ISBN 978-0-593-32890-3
  151. ↑ Bozzi, Ida (2 de setembro de 2020). «"Helgoland" di Carlo Rovelli, l'isola e gli amici geniali: la fisica dei ventenni». Corriere della Sera (em italiano). Consultado em 2 de setembro de 2020
  152. ↑ Finkelstein, David Ritz. "Emptiness and Relativity". Em: B. Alan Wallace, org., Buddhism and Science: Breaking New Ground. Nova Iorque: Columbia University Press, 2003, pp. 365-386. Versão preliminar, preparada em 16 de agosto de 2000 e revista em 15 de dezembro de 2003, com o título editorial provisório Meeting at the Roots: Essays on Tibetan Buddhism and the Natural Sciences.
  153. ↑ «Fundamental Wisdom of the Middle Way: First Day» (em inglês). The Office of His Holiness the Dalai Lama. 25 de novembro de 2022. Consultado em 2 de outubro de 2026
  154. ↑ «Philosophie, classe terminale, enseignement commun, voie générale» (PDF) (em francês). Ministère de l'Éducation nationale et de la Jeunesse. Maio de 2019. p. 5. Consultado em 1 de outubro de 2026
  155. ↑ «Acharya Nagarjuna University» (em inglês). Acharya Nagarjuna University. Consultado em 2 de outubro de 2026
  156. ↑ «Centre for Mahayana Buddhist Studies» (em inglês). Acharya Nagarjuna University. Consultado em 2 de outubro de 2026
  157. ↑ «History of JKC College» (em inglês). Nagarjuna Education Society. Consultado em 2 de outubro de 2026
  158. ↑ «President of India in Andhra Pradesh attends civic reception hosted by the Government of Andhra Pradesh» (em inglês). Press Information Bureau, Government of India. 4 de dezembro de 2022. Consultado em 2 de outubro de 2026
  159. 1 2 «Archaeological Survey of India, Nagarjunakonda» (em inglês). Museums of India, Ministério da Cultura da Índia. Consultado em 2 de outubro de 2026
  160. ↑ «Buddhist Heritage Museum, Buddhavanam Nagarjuna Sagar» (em inglês). Department of Heritage Telangana. Consultado em 2 de outubro de 2026
  161. ↑ «Dhyana Vanam» (em inglês). Telangana State Tourism Development Corporation. Consultado em 2 de outubro de 2026

Bibliografia

[editar | editar código]
  • Beckwith, Christopher I. (2015). Greek Buddha: Pyrrho's Encounter with Early Buddhism in Central Asia (PDF). [S.l.]: Princeton University Press. ISBN 9781400866328 
  • Garfield, Jay L., 1995. The Fundamental Wisdom of the Middle Way. Oxford: Oxford University Press.
  • Garfield, Jay L.; Priest, Graham (janeiro de 2003). «Nagarjuna and the Limits of Thought». Philosophy East and West (em inglês). 53 (1): 1–21. doi:10.1353/pew.2003.0004 
  • Jones, Richard H., 2014. Nagarjuna: Buddhism's Most Important Philosopher. 2.ª ed. Nova Iorque: Jackson Square Books.
  • Kalupahana, David J. (1975). Causality: The Central Philosophy of Buddhism. [S.l.]: The University Press of Hawaii. ISBN 9780824802981 
  • Kalupahana, David J. (1986). The Philosophy of the Middle Way. Albany: SUNY Press. ISBN 9780887061486 
  • Kalupahana, David J. (1992). The Principles of Buddhist Psychology. Deli: Sri Satguru Publications. ISBN 81-7030-322-2 
  • Kalupahana, David J. (1994). A History of Buddhist Philosophy: Continuities and Discontinuities. Deli: Motilal Banarsidass Publishers Private Limited. ISBN 81-208-1191-7 
  • Lamotte, E. Le Traité de la Grande Vertu de Sagesse. Vol. I, 1944, vol. II, 1949, vol. III, 1970, vol. IV, 1976. Louvain-la-Neuve: Institut Orientaliste.
  • Lindtner, Christian, 1982. Nagarjuniana: Studies in the Writings and Philosophy of Nāgārjuna. Akademisk Forlag.
  • Mabbett, Ian (1998). «The Problem of the Historical Nāgārjuna Revisited». Journal of the American Oriental Society (em inglês). 118 (3): 332–346. doi:10.2307/606062 
  • Murti, T. R. V., 1955. The Central Philosophy of Buddhism. Londres: George Allen and Unwin. 2.ª ed., 1960.
  • Murty, K. Satchidananda, 1971. Nagarjuna. Nova Deli: National Book Trust. 2.ª ed., 1978.
  • Ramanan, K. Venkata, 1966. Nāgārjuna's Philosophy. Vermont e Tóquio: Charles E. Tuttle. Reimpressão, Deli: Motilal Banarsidass, 1978.
  • Ruegg, D. Seyfort, 1981. The Literature of the Madhyamaka School of Philosophy in India. Coleção A History of Indian Literature. Harrassowitz. ISBN 978-3-447-02204-0.
  • Sastri, H. Chatterjee, org., 1977. The Philosophy of Nāgārjuna as Contained in the Ratnāvalī. Parte I, com o texto e a introdução. Calcutá: Saraswat Library.
  • Streng, Frederick J., 1967. Emptiness: A Study in Religious Meaning. Nashville: Abingdon Press.
  • Tuck, Andrew P., 1990. Comparative Philosophy and the Philosophy of Scholarship: On the Western Interpretation of Nāgārjuna. Oxford: Oxford University Press.
  • Walser, Joseph, 2002. Nagarjuna and the Ratnavali: New Ways to Date an Old Philosopher. Journal of the International Association of Buddhist Studies, vol. 25, n.º 1–2, pp. 209–262.
  • Walser, Joseph, 2005. Nāgārjuna in Context: Mahāyāna Buddhism and Early Indian Culture. Nova Iorque: Columbia University Press.
  • Westerhoff, Jan, 2010. The Dispeller of Disputes: Nāgārjuna's Vigrahavyāvartanī. Oxford: Oxford University Press.
  • Westerhoff, Jan, 2009. Nāgārjuna's Madhyamaka: A Philosophical Introduction. Oxford: Oxford University Press.
  • Wedemeyer, Christian K., 2007. Āryadeva's Lamp that Integrates the Practices: The Gradual Path of Vajrayāna Buddhism According to the Esoteric Community Noble Tradition. Nova Iorque: AIBS/Columbia University Press.

Leitura adicional

[editar | editar código]

Ligações externas

[editar | editar código]
O Commons possui uma categoria com imagens e outros ficheiros sobre Nāgārjuna