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Migrações dos povos bárbaros

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Migrações na Europa entre os séculos II e V

Na História da Europa, dá-se o nome de migrações bárbaras, invasões bárbaras ou período das migrações, ou a expressão alemã Völkerwanderung (AFI: [fœlkervandəruŋ]; em alemão: Völkerwanderung; lit. "migração de povos"), à série de migrações de vários povos que ocorreu entre os anos 300 e 800[1] a partir da Europa Central e que se estenderia a todo o continente. A referência aos bárbaros, nome cunhado pelos gregos e que em grego antigo significava apenas estrangeiro, foi usada pelos Romanos para designar os povos que não partilhavam seus costumes e cultura (nem a sua organização política). Estas migrações nem sempre implicaram violentos combates entre os migrantes e os povos do Império Romano, embora estes tenham existido. Já os romanos também eram chamados de "bárbaros" (estrangeiros) pelos gregos. Os povos migrantes, em muitos casos, coexistiam pacificamente com os cidadãos do Império Romano nos anos que antecederam este período.

No sentido mais estrito, refere-se à "migração" de grupos, principalmente germânicos, a partir da invasão dos hunos na Europa por volta de 375/376 até à invasão dos lombardos na Itália em 568[2]. O Período de Migração forma um elo entre a Antiguidade Clássica e o início da Idade Média na Europa Ocidental.

Na pesquisa moderna, o termo "migração de povos" está sendo usado de forma cada vez mais crítica, pois, de acordo com as avaliações atuais, a imagem de "povos migrantes" não é sustentável ou a ideia de uma migração de povos é fundamentalmente um "mito de pesquisa"[3].

Destacam-se, neste processo, os Godos (originários do sudeste europeu), os Vândalos e os Anglos (da Europa Central), entre outros povos germânicos e eslavos. Os motivos que desencadearam estas migrações em todo o continente são incertos: talvez como reação às incursões dos Hunos, pressões populacionais ou alterações climáticas.

Os historiadores modernos dividem este movimento migracional em duas fases. Na primeira, de 300 a 500, assistiu-se a uma movimentação de povos maioritariamente germânicos por toda a Europa, colidindo, portanto, com as várias regiões ocupadas pelo Império Romano. Foram os Visigodos os primeiros a eclodir com o império — na verdade, os Visigodos foram inicialmente contratados para ajudar na defesa das fronteiras do império, mas mais tarde seriam responsáveis pela invasão da península Itálica; de imediato, seguiram-lhes os Ostrogodos, liderados por Teodorico, o Grande.

Europa Ocidental no fim do século V.

Na segunda fase, entre os anos 500 e 700, assiste-se ao estabelecimento progressivo dos Eslavos no Leste Europeu, tornando-a predominantemente eslava, num movimento iniciado pela ocupação da região da actual República Checa.

Os búlgaros estavam estabelecidos na Europa no século II, mas no século IV, parte deles migrou do Cáucaso do Norte à Arménia. Em 632 estabeleceram a Antiga Grande Bulgária (em grego: Η παλαιά μεγάλη Βουλγαρία; nas crónicas romanas) no território entre o Cáucaso e o rio Danúbio. No século VII, búlgaros migraram também à Baviera, à península Itálica, à Panónia e à Macedónia. Em 681, o Império Búlgaro expandiu-se nos Balcãs ao sul do Danúbio, e no século IX era o berço do eslavo eclesiástico e alfabeto cirílico, que nos séculos subsequentes foram espalhados aos estados europeus medievais tais como Rússia, Croácia, Sérvia, Valáquia e Moldávia.

Já excluídos do período de migrações, mas ainda na Alta Idade Média, formam-se ainda movimentos migratórios, nomeadamente o dos Magiares, para a Panónia e, mais tarde, dos Turcos, para a Anatólia e do Cáucaso (século XI), e ainda a expansão dos Viquingues a partir da Escandinávia, ameaçando o recém-estabelecido Império Franco na Europa Ocidental, por Carlos Magno. No século VIII, os árabes tentaram invadir o sudeste da Europa, mas foram derrotados pelo cã Tervel da Bulgária e pelo imperador bizantino Leão III, o Isauro em 717, e desviaram sua expansão à Península Ibérica.

Visão geral

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Sarcófago de Portonaccio, de um general romano envolvido nas campanhas de Marco Aurélio, representa a batalha entre romanos e germânicos, 180-190 dC.
Museu Nacional Romano, Itália[4]

O conceito de Völkerwanderung

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O termo Völkerwanderung ("migração dos povos") surgiu no idioma alemão no final do século XVIII. O Dicionário dos Irmãos Grimm (*Deutsches Wörterbuch*) registra a expressão na obra histórica Geschichte der Deutschen, publicada por Michael Ignaz Schmidt em 1778, na qual se menciona a "chamada migração dos povos" (sogenannte Völkerwanderung).[5] Como designação periódica consolidada, foi empregado em 1790/1792 por Friedrich Schiller em seu ensaio intitulado Ueber Völkerwanderung, Kreuzzüge und Mittelalter ("Sobre a migração dos povos, cruzadas e Idade Média"),[6] alcançando rápida difusão no século XIX.[7] Uma das problemáticas historiográficas reside no fato de o termo designar simultaneamente uma época histórica e determinados desenvolvimentos sociopolíticos que supostamente teriam ocorrido nesse intervalo. Em sua gênese, a construção conceitual remonta ao humanista Wolfgang Lazius, que publicou em 1557 a obra De gentium aliquot migrationibus.

Fora do espaço germanófono, a tradição historiográfica enfatizou por muito tempo o caráter bélico do período associado às "invasões bárbaras" (como no inglês barbarian invasions — atualmente substituído frequentemente por Migration Period —, no francês invasions barbares ou no italiano invasioni barbariche).[8]

Para a historiografia tradicional dos séculos XVIII e XIX, influenciada pelo nacionalismo emergente, parecia evidente que os deslocamentos populacionais da Antiguidade Tardia correspondiam a migrações de "povos" inteiros em busca de uma nova pátria, invadindo violentamente o território romano para conquistar terras de colonização. Essa perspectiva consolidou-se no imaginário coletivo e ainda permanece difundida fora do meio acadêmico. Contudo, segundo o consenso de grande parte dos historiadores e arqueólogos contemporâneos, a tese de "povos inteiros em marcha migratória" é cientificamente insustentável.[9]

O cerne da questão reside na própria definição do conceito de "povo" (etnicidade). Embora tenham ocorrido movimentações de grupos de dimensões variadas, esses agrupamentos eram heterogêneos. A pesquisa contemporânea interpreta grande parte desses contingentes não como nações coesas, mas sim como exércitos mercenários multiétnicos acompanhados por um séquito familiar (Tross), frequentemente convocados pelas próprias autoridades romanas para lutar em guerras civis ou proteger fronteiras contra inimigos externos.[10] Além disso, assim como em outras épocas, registrou-se a migração desorganizada de indivíduos e pequenos núcleos familiares. Portanto, a ideia de uma marcha coordenada de nações homogêneas é amplamente considerada um "mito historiográfico" gestado no século XIX, tornando problemático o uso acrítico da expressão.[11]

Da mesma forma, não há razão para conceber o período como uma ruptura abrupta e absoluta, visto que a transição para a Idade Média constituiu um processo gradual e multifacetado.[12] As migrações foram apenas um dos seus componentes, e inúmeros elementos da cultura clássica continuaram vigorando, sob novas formas, após o século VI.

Formação de identidades

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Mapa da distribuição das tribos germânicas entre 50 e 100 d.C.

Segundo o consenso acadêmico atual, as "tribos" germânicas (gentes, nationes) do período migratório não representavam comunidades biológicas de descendência comum nem entidades étnicas estáticas, ainda que fontes clássicas romanas frequentemente as descrevessem dessa maneira. Agrupamentos confederados, como os godos, incorporavam contingentes de diversas origens, como Rúgios ou Hérulos, e indivíduos ou grupos inteiros podiam alterar suas alianças ao longo do tempo. A arqueologia e a historiografia demonstraram que uniformidades linguísticas, indumentárias ou de armamento não bastam para fundamentar uma atribuição étnica unívoca.[13] Do mesmo modo, o recurso crescente à análise de DNA antigo tem sido alvo de debates metodológicos por pesquisadores que alertam contra o risco de superestimar determinismos genéticos em detrimento das construções culturais e identitárias.[14]

Análises paleogenéticas de esqueletos em necrópoles fornecem dados empíricos importantes, mas apresentam limitações hermenêuticas, já que artefatos funerários nem sempre correspondem à autoidentificação do falecido em vida e marcadores biológicos nada informam, por si sós, sobre pertencimento cultural. Por isso, a cooperação interdisciplinar entre arqueólogos, historiadores e geneticistas é considerada imprescindível.[15]

Nesse debate, destaca-se o estudo do fenômeno da Etnogênese. A formação de identidades étnicas na Antiguidade Tardia e no início da Alta Idade Média[16] não é vista pela pesquisa moderna como uma realidade biológica herdada, mas sim como um processo social dinâmico e situacional.[17] Grupos heterogêneos podiam congregar-se sob a autoridade militar de um novo comandante (Heerkönig), bastando demonstrar lealdade bélica ao coletivo.[18] Contudo, as premissas da chamada "Escola de Viena" em torno de Wolfram e Pohl também receberam revisões críticas nas últimas décadas.[19] Trabalhos recentes tendem a priorizar categorias de "identidade" fluida em vez de estruturas etnogênicas rígidas.[20]

As discussões historiográficas indicam, portanto, que a ideia de povos inteiros e homogêneos que teriam partido de uma "pátria originária" (Urheimat) e preservado sua integridade étnica inalterada até o assentamento definitivo é um modelo superado:

Hoje, a ciência abandonou concepções desse tipo (embora elas atualmente voltem a ganhar espaço no discurso político). Os povos são agora considerados formações sociais que passaram por múltiplas transformações ao longo do tempo e já não podem ser acompanhados através dos séculos como unidades coerentes.

— Mischa Meier: Geschichte der Völkerwanderung. Munique, 2019, p. 102.

Ao término do processo migratório, a identidade de uma dada gens diferia substancialmente de seu perfil originário.[21] Sob essas designações genéricas deve-se compreender, em regra, federações móveis de guerreiros com suas famílias, caracterizadas por instabilidade interna, cooptações e frequentes cisões.[22]

Uma gens tardo-antiga constituía primordialmente uma comunidade jurídica e militar com composição variável. Na historiografia do pós-guerra, identificava-se um elemento aglutinador no chamado "núcleo de tradição" (Traditionskern, conceito formulado por Reinhard Wenskus), custodiado pela aristocracia governante. A coesão também era reforçada por mitos fundadores de origens lendárias (ver Origo gentis), que comumente atribuíam a ancestralidade a heróis míticos e a uma suposta proveniência escandinava. No entanto, autores contemporâneos encaram essas narrativas com ceticismo metodológico, interpretando-as não como tradições orais imemoriais preservadas, mas como reelaborações literárias tardias influenciadas pela etnografia greco-romana.[23] Outros pesquisadores sublinham que muitos desses agrupamentos atuaram inicialmente como tropas de federados (foederati) a serviço do Estado romano, desenvolvendo uma identidade partilhada no curso das guerras civis crônicas que desestabilizaram o Império Romano do Ocidente no século V.[24] O deslocamento das guarnições de fronteira para conflitos internos foi o fator que viabilizou saques e invasões nas províncias limítrofes.

O colapso do Império Romano do Ocidente

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Processo de transformação

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O peso das migrações na desintegração do Império Romano do Ocidente permanece um tema central de debate acadêmico. A controvérsia reside principalmente em saber se os movimentos populacionais foram a causa motriz ou antes o sintoma do colapso institucional romano. É fato estabelecido que Roma perdeu a capacidade de guarnecer suas fronteiras com a eficácia de períodos anteriores. Todavia, a fundação dos reinos germânicos (regna) no Ocidente durante os séculos V e VI decorreu de um processo paulatino de acomodação política, e não de uma conquista territorial sistemática nos moldes tradicionais.[25]

A clássica formulação do historiador francês André Piganiol, que em 1947 afirmara em sua obra L’Empire chrétien que a civilização romana fora "assassinada" pelos germanos, não encontra mais respaldo historiográfico. No início do século XX, teses desse gênero eram frequentemente alimentadas pelas rivalidades bélicas contemporâneas entre a França, o Reino Unido e o Estado nacional alemão, identificado anacronicamente como herdeiro direto dos antigos germanos. Em contrapartida, historiadores alemães de viés nacionalista, particularmente durante o período do nacional-socialismo, recorriam ao pretenso "legado germânico" para sustentar que a vitalidade dos povos setentrionais teria suplantado a suposta decadência do mundo romano.[26]

Desde a década de 1970, os estudos privilegiam o conceito de Antiguidade Tardia como um processo de contínua transformação sociocultural, no qual as populações periféricas desempenharam papel ativo. Embora a tese da conquista militar catastrófica tenha sido desconstruída no meio especializado, parte da historiografia recente voltou a ressaltar os episódios de violência armada e a retração material do período.[27] Nesse prisma, certos contingentes guerreiros heterogêneos são descritos analiticamente como "comunidades de violência", cuja finalidade consistia na inserção e partilha dos recursos do espaço imperial romano.[28] No continente europeu ocidental, esse processo culminou frequentemente em uma simbiose entre as elites senatoriais hispano-romanas e galo-romanas e as novas aristocracias militares germânicas.[29]

Os hunos como catalisadores?

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Para alguns historiadores, a expansão dos hunos constituiu o estopim fundamental da crise ocidental: sua incursão nas estepes europeias a partir do século IV forçou populações transdanubianas a buscar refúgio em massa no interior do território romano, gerando uma sobrecarga estrutural que o império não conseguiu absorver.[30] Sob essa perspectiva, o Império Romano do Oriente, alvo inicial das investidas hunas e godas, preservou sua integridade territorial porque as defesas de Constantinopla impediram a travessia das forças invasoras em direção às prósperas províncias agrícolas e fiscais da Ásia Menor e do Oriente Médio.

Guerras civis como causa primordial?

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Essa leitura tradicional é contestada por pesquisadores como Guy Halsall, que atribuem papel secundário à pressão externa huna e aproximam governantes como Átila da tipologia de chefes militares autônomos da época (senhores da guerra), a exemplo de Genserico. Sem desconsiderar as campanhas militares destrutivas, essa corrente interpreta os movimentos de guerreiros federados primariamente como efeito, e não causa primária, do esfacelamento do poder central ocidental, fragilizado por sucessivas guerras civis intestinas.[31]

Os contingentes federados eram regidos por tratados bilaterais celebrados com a administração romana. Em troca de contingentes militares, recebiam provisões logísticas (annona militaris), soldo em moeda ou rendas fiscais de terras. O acordo atendia às necessidades prementes de defesa das autoridades romanas e garantia a subsistência dos federados. O colapso financeiro da corte ocidental e as disputas fratricidas pelo trono criaram vazios de autoridade que levaram os chefes militares a assumir diretamente a administração civil das províncias sob seu controle. Por essa razão, com a dissolução do império no Ocidente e a consolidação dos novos reinos em meados do século VI, tais migrações militares deixaram de ocorrer.

Dimensão militar

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A estratégia imperial do século V de jogar confederações bárbaras umas contra as outras (como os visigodos contra os vândalos na Hispânia ou os ostrogodos contra Odoacro na Itália) apresentou eficácia temporária limitada, pois o vencedor fortalecia sua posição de barganha diante de Ravena. Fator crucial foi a gradual substituição do exército romano regular — integrado e assimilado — por tropas mercenárias autônomas de federados. Com a perda do Norte da África após a expansão vândala, a corte de Ravena foi privada de sua maior fonte de receita tributária e abastecimento de grãos, inviabilizando a manutenção de forças legadas regulares. À medida que o poder imperial se esvaziava, os chefes confederados passaram a governar com autonomia fática, ainda que preservassem formalmente o reconhecimento da autoridade cerimonial do imperador em Constantinopla para legitimar seu domínio. As prolongadas Guerras Góticas travadas pelo imperador Justiniano I evidenciaram a capacidade de intervenção do Império Oriental no Ocidente, mas também demarcaram os limites do esforço bélico bizantino.

Os regna germano-romanos

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Elmo de lamelas (Spangenhelm) do século VI, de produção bizantina

O legado duradouro da administração romana consistiu na transição para os reinos sucessores nascidos na periferia e no interior do antigo território imperial: o Reino Ostrogodo na Itália (posteriormente sucedido pela ocupação dos Lombardos), o Reino Visigótico na Hispânia e na Gália, o Reino Vândalo no Norte da África, as monarquias dos Francos e dos Burgúndios na Gália e os principados dos Anglo-saxões na Britânia pós-romana. Tais entidades políticas preencheram a lacuna deixada pela derrocada do aparato estatal romano ocidental e lançaram as bases da Europa medieval.

Longe de pretender a destruição da ordem clássica, as novas aristocracias governantes procuraram preservar e adaptar as estruturas administrativas, fiscais e jurídicas romanas preexistentes. Conforme destacou o historiador Patrick J. Geary:

O mundo germânico foi talvez a mais grandiosa e duradoura criação do gênio militar e político dos romanos.

— Patrick Geary: Die Merowinger. Munique, 1996, p. 7.

Por outro lado, a assimilação cultural plena encontrou frequentes entraves no domínio religioso. Ao se estabelecerem nas províncias romanas, a maioria dos guerreiros germânicos converteu-se ao cristianismo sob a vertente do Arianismo. Durante várias gerações, a adesão à fé ariana serviu como marcador identitário de distinção entre as aristocracias militares governantes e as populações civis romanas, adeptas da ortodoxia niceno-calcedoniana.

Em termos demográficos, os guerreiros germânicos assentados constituíam uma minoria restrita em relação às populações provinciais romanas. Embora fontes documentais antigas tendam a números hiperbólicos, estima-se que os exércitos migratórios variassem comumente entre 20.000 e 30.000 combatentes — patamar correspondente ao limite de sustentação logística do século V —, acompanhados por suas famílias.[32] Devido a essa assimetria populacional, os novos monarcas buscaram a colaboração ativa das elites senatoriais civis romanas para a gestão burocrática, preservando postos-chave da administração pública como o de referendário (referendarius), encarregado da chancelaria régia. Por essa razão, a historiografia contemporânea designa essas estruturas como reinos romano-germânicos ou pós-romanos.[33] Entre esses Estados, apenas os reinos dos francos, dos lombardos, dos anglo-saxões e dos visigodos tiveram permanência de longo prazo.

Cronologia

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  • 375: Morte do imperador Valentiniano I. Por volta desse período (a datação exata é controversa), os Hunos submetem os Alanos e os godos greutungos.
  • 376: Fuga dos godos do Danúbio perante o avanço huno e seu acolhimento no território imperial romano. Pouco depois, eclode uma revolta armada dos godos contra Roma.
  • 9 de agosto de 378: Batalha de Adrianópolis. O imperador Valente e grande parte do exército imperial oriental perecem em combate.
  • 380: Assentamento da confederação tripartite na Panônia pelo imperador Graciano.
  • 382: Tratado de paz com os godos. O imperador Teodósio I assenta contingentes godos federados ao longo da bacia do baixo Danúbio.
  • 395: Divisão do Império Romano em 395; incursões dos hunos no Império Sassânida e nas províncias orientais romanas. Tropas de federados godos sob a liderança de Alarico I amotinam-se e realizam saques na península balcânica.
  • 402: Transferência oficial da corte do Império Romano do Ocidente de Mediolano (Milão) para Ravena.
  • 405: Invasão da península itálica pelas forças de Radagaiso. O general romano ocidental (magister militum) Estilicão aniquila as forças invasoras em agosto de 406.
  • 406/407: Travessia do Reno. Ruptura temporária do dispositivo defensivo da fronteira renana. Contingentes de Vândalos, Suevos e alanos atravessam e saqueiam a Gália. Na Britânia, as legiões aclamam o usurpador Constantino III, retirando os últimos destacamentos do exército de campanha da ilha e dando início a décadas de guerras civis no Ocidente.
  • 408: Queda política e execução sumária de Estilicão.
  • 409: Deslocamento e penetração de vândalos, suevos e alanos na Península Ibérica.
  • 410: Em fins de agosto, ocorre o saque de Roma pelos visigodos sob o comando de Alarico.
  • 418: Estabelecimento formal do assentamento visigodo na província da Aquitânia.
  • 429: Travessia dos vândalos e alanos rumo ao Norte da África sob a chefia de Genserico; até 439, dá-se a conquista de Cartago. Em 442, a corte de Ravena reconhece formalmente a perda fática do território.
  • 436: Destruição do reino dos Burgúndios no Médio Reno pelo general romano Flávio Aécio, que reassenta os sobreviventes em 443 na região da Sapáudia.
  • c. 440/441: Frações de guerreiros Saxões e de outros grupos germânicos estabelecidos na Britânia como federados rebelam-se e dão início à tomada e fixação definitiva em terras insulares.
  • 451: Campanha militar do chefe huno Átila contra Aécio na Gália. Dá-se a Batalha dos Campos Cataláunicos e o recuo das forças de Átila. Em 452, os hunos invadem o norte da península itálica, mas retiram-se em seguida. Após a morte de Átila em 453, o império confederado huno desintegra-se rapidamente.
  • 455: Com o assassinato do imperador Valentiniano III, extingue-se a dinastia teodosiana no Ocidente. Dá-se o saque de Roma pelas forças navais vândalas de Genserico.
  • 456: Tropas federadas visigodas derrotam os suevos na Península Ibérica a serviço nominal da corte romana.
  • 468: O monarca visigodo Eurico rompe os tratados de federação com Roma e deflagra ampla expansão territorial, incorporando a maior parte da Hispânia e o sudoeste da Gália. No mesmo ano, fracassa a massiva expedição naval conjunta dos impérios do Ocidente e do Oriente contra o Reino Vândalo.
  • 472: Durante o conflito civil travado entre o general Ricimero e o imperador Antêmio, a cidade de Roma sofre o seu terceiro saque no século V.
  • 475: O imperador Júlio Nepos ratifica um tratado de paz com os visigodos, concedendo-lhes formalmente a posse de quase todo o sul da Gália.
  • 476: Deposição de Rômulo Augústulo, o último imperador romano ocidental em solo itálico, pelo comandante de tropas federadas Odoacro. Júlio Nepos, refugiado na Dalmácia desde 475, mantém a reivindicação do título imperial até seu assassinato em 480. Na Gália, o enclave galo-romano instituído pelo general Egídio preserva-se autônomo sob Siágrio até 486.
  • 486/487: Destruição do Reino de Soissons de Siágrio pelas forças francas sob a liderança de Clóvis I, marcando a expansão inicial do Reino Franco.
  • 489: O líder ostrogodo Teodorico invade a Itália investido de mandato conferido pelo imperador de Constantinopla, fundando a partir de 493 o Reino Ostrogótico.
  • 507: O rei visigodo Alarico II é derrotado e morto pelos francos na Batalha de Vouillé, consolidando a ocupação franca no sudoeste da Gália e transferindo o centro do reino visigodo para a Península Ibérica.
  • 533/534: Conquista do Reino Vândalo pelas forças bizantinas comandadas pelo general Belisário. O reino burgúndio é conquistado e absorvido pelos francos em 534.
  • 535–552: Guerra Gótica na península itálica. O imperador Justiniano I executa campanhas para reconquistar as províncias centrais do antigo Império Ocidental.
  • 554: Justiniano promulga a Pragmática Sanção, reorganizando a administração itálica e extinguindo as prerrogativas da corte imperial ocidental e do cursus honorum senatorial tradicional.
  • 568: Invasão dos Lombardos no norte da península itálica sob o comando de Alboíno, marco que encerra tradicionalmente a Antiguidade Tardia e o Período das Migrações no Ocidente.

Movimentos migratórios germânicos antes da invasão dos hunos

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Reconstrução tradicional das chamadas migrações dos povos entre os séculos II e V
O noroeste da Gália e as fronteiras do Reno e do Danúbio do Império Romano à época do imperador Juliano († 363)

Muito antes do início da "migração dos povos" propriamente dita, já haviam ocorrido deslocamentos de grupos germânicos no espaço exterior ao Império Romano, o chamado Barbaricum. As populações situadas a leste do Reno e ao norte do Danúbio buscavam acesso à prosperidade romana, e os guerreiros germânicos defrontavam-se frequentemente com o dilema entre empreender incursões de pilhagem de alto risco ou ingressar a serviço de Roma. Paralelamente aos confrontos militares, estabeleceram-se intensas relações pacíficas: ao longo da fronteira renana, delineada sob o principado de Tibério, desenvolveu-se ativo intercâmbio comercial, e guerreiros germânicos serviram com regularidade no exército imperial com o intuito de obter a cidadania romana.[34]

Acerca das migrações ocorridas para além do horizonte territorial romano, as fontes documentais limitam-se, em sua maioria, a tradições orais preservadas tardiamente por escrito, frequentemente envoltas em elementos míticos. O exemplo mais notório desse gênero de narrativa de origens — denominado Origo gentis — é a história dos godos (a Gética), redigida por Jordanes no século VI. Em oposição à narrativa de Jordanes, segundo a qual os godos seriam originários da Escandinávia, a investigação contemporânea sustenta que tais populações migraram no século II d.C. da região do curso do Vístula em direção ao Mar Negro, ou, alternativamente, formaram-se como entidade política ao longo do Danúbio no século III mediante um processo gradual de etnogênese.[35] Um fragmento de uma crônica grega do século III, publicado em 2014 (provavelmente pertencente à obra Skythika de Déxipo), atesta a existência de um comandante godo (archon) chamado Ostrogota já em torno do ano 250 d.C. O impacto desse achado para a reconstituição da emergência dos ostrogodos ainda é objeto de análise. Na interpretação historiográfica tradicional, o avanço godo desencadeou as primeiras grandes comoções populacionais, empurrando os Vândalos e os Marcomanos em direção ao sul e os Burgúndios para o oeste. Tais deslocamentos constituíram um dos principais fatores catalisadores das Guerras Marcomanas, nas quais o Império Romano conteve as investidas com severas dificuldades militares.[36] Nas décadas de 250 e 260 d.C., período no qual Roma enfrentava a chamada Crise do terceiro século com seu aparato defensivo fragilizado por conflitos civis, coalizões de godos e alamanos realizaram sucessivas incursões de saque pelo interior do território imperial.[37]

No debate acadêmico contemporâneo, discute-se a escala real e a profundidade demográfica desses movimentos migratórios originários. Diversas evidências sugerem que as grandes confederações tribais dos francos, alamanos e saxões consolidaram-se em torno de 200 d.C. mediante processos de etnogênese nas imediações imediatas das fronteiras romanas. Enquanto essa abordagem é amplamente aceita para as referidas confederações, subsiste a controvérsia sobre se os godos imigraram das bacias orientais para a região danubiana ou se consolidaram sua estrutura identitária diretamente nas proximidades do limes.

Por volta de 290 d.C., os godos dividiram-se presumivelmente em dois agrupamentos: tervíngios/visigodos e greutungos/ostrogodos.[38] Os greutungos/ostrogodos fixaram-se na bacia do Mar Negro, no território da atual Ucrânia. Os tervíngios/visigodos assentaram-se inicialmente ao norte do Danúbio, na atual Transilvânia. Ali, entraram em contato direto com a administração romana, o que ocasionou conflitos fronteiriços pontuais. Em 332 d.C., os godos do Danúbio obtiveram o estatuto de federados (foederati), assumindo compromissos jurídicos de prestar auxílio militar em troca de subsídios e abastecimento. Essa movimentação dos godos reveste-se de relevância primordial porque suas repercussões históricas foram profundas: a invasão dos hunos por volta de 375 d.C. desalojou os godos de seus assentamentos e precipitou sua travessia em massa para o interior do império romano, desencadeando acontecimentos que colocaram a integridade do Estado romano em xeque segundo autores como Peter Heather — embora historiadores como Guy Halsall, Michael Kulikowski e Henning Börm confiram peso mais restrito a tais eventos em relação à dinâmica interna imperial.

Aproximadamente no mesmo período dos godos, os Lombardos deslocaram-se da região do baixo Elba em direção à Morávia e à Panônia. Incursões menores em solo romano foram rechaçadas ou resolvidas mediante ajustes de demarcação fronteiriça. Mais a oeste, a confederação dos Alamanos rompeu no século III as fortificações do Limes da Germânia Superior e Récia, assentando-se nos chamados Campos Decúmanos (Agri decumates) após a evacuação estratégica das forças romanas (a chamada "queda do Limes", ou Limesfall). Inúmeras comunidades foram assentadas sistematicamente pelo governo de Roma nas bordas fronteiriças na condição de confederadas, servindo como zonas de contenção e amortecimento contra agrupamentos hostis.

O comando militar romano aprendeu com as invasões germânicas e as convulsões civis do século III, implementando amplas reformas estruturais no início do século IV. Um fator geopolítico determinante foi o surgimento do Império Sassânida, que forçou Roma a manter frentes defensivas simultâneas; as intensas campanhas contra as forças persas mobilizaram vultosos recursos militares no Oriente, o que, na visão de parcela da historiografia, facilitara as investidas germânicas nas fronteiras europeias no século anterior.[39] Diante desse desafio estratégico, tornou-se imperativo reestruturar o potencial operacional do império. Os imperadores Diocleciano e Constantino, o Grande — responsável pela concessão de privilégios ao Cristianismo (a chamada Reviravolta Constantiniana) — reorganizaram as forças armadas criando exércitos de manobra móveis (os chamados comitatenses), recuaram linhas limítrofes vulneráveis junto ao Reno e ao Danúbio e construíram cinturões fortificados para proteger as províncias do norte e do leste. Em 357 d.C., o futuro imperador Juliano derrotou forças alamanas numericamente superiores na Batalha de Argentorato. Apesar das dificuldades estruturais decorrentes da formação de grandes confederações germânicas e das guerras simultâneas contra a Pérsia, Roma manteve, até então, capacidade militar para repelir tais ameaças fronteiriças.[40]

Antes de 378 d.C., a iniciativa estratégica e militar permanecia primordialmente com o Estado romano. Contudo, a irrupção dos hunos transformou a conjuntura geopolítica de forma súbita, segundo historiadores como Peter Heather; simultaneamente, o exército romano atingira os limites operacionais de seu recrutamento e de sua capacidade logística, reduzindo sua flexibilidade de resposta. Esse esgotamento operacional, conjugado à transformação na escala e na coesão organizacional das forças migrantes, é apontado pela historiografia como o elemento distintivo do Período das Migrações em contraste com as movimentações esporádicas anteriores.[41]

Na Europa Ocidental

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O avanço dos Hunos para oeste, das estepes da Ásia Central até à Germânia; e do Danúbio ao mar Báltico

Segundos alguns cronistas chineses, os Hiong-nu (Hunos) seriam povos nómadas que constituíam uma ameaça constante ao Império Chinês. Foi para se proteger dos seus ataques que a dinastia Han (202 a.C.–220 d.C.) construiu a Grande Muralha. Ainda assim, a China do Norte foi devastada e, mais tarde, com a chegada dos novos invasores mongóis, os Hunos deslocaram-se para oeste, abrindo caminho pelas planícies russas derrotando os Alanos e os Sármatas e, por volta de 370, cruzaram o Volga e o Dom, confrontando os germanos Ostrogodos, já sedentarizados. O escritor latino Amiano Marcelino descreve o pânico provocado nas regiões invadidas destes homens de pequena estatura, relativamente largos, com a pele avermelhada do sol dos desertos e semi-desertos da Ásia Central (a exemplo do tom de pele atribuído aos citas asiáticos por fontes antigas, sendo os cíticos descritos como loiros, enquanto hunos com outros traços) que, incapazes de se fixarem fosse onde fosse, se deslocavam constantemente, arrastando consigo as famílias, instaladas com todas as suas posses em carroças.

Depois de se desembaraçar do seu irmão Bleda, o cã (rei) dos Hunos, Átila, inicia o governo das hordas hunas a partir de 434. O historiador grego Prisco de Pânio, que teve a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente numa embaixada, deu destaque à simplicidade e sentido político deste homem, cujas lendas a respeito o caracterizam como "barbaramente selvagem".

No século V, os Hunos abandonam o nomadismo, instalando-se nos territórios balcânicos, onde tomam conhecimento do avanço tecnológico o estilo de vida das civilizações helenizadas. À esta altura, Honória, filha da imperatriz Gala Placídia, decidiu vingar-se do seu banimento pelo irmão Valentiniano III, enviando a Átila uma carta na qual solicita ajuda e que o huno entendeu como uma proposta de casamento. Sabe-se que em 443 chegaram diante de Constantinopla e, em 448, penetram na Grécia até as Termópilas. Para conter os temíveis invasores, Teodósio II foi obrigado a lhes pagar um tributo anual.

Encontro de Átila com Leão I
Rafael, Museus Vaticanos

No entanto, sem razão aparente, Átila voltou-se para Ocidente e, em 451 atravessou o Reno, destruiu Metz e Troyes. Por esta altura que surgiu a lenda da Santa Genoveva, que incitou os parisienses à resistência. Porém, Átila ignorou Paris e sitiou Orleães, cuja queda lhe permitiu entrar em contacto com o reino dos Visigodos. No entanto, foi Aécio que parou o khan, que, com a ajuda de Teodorico I, rei visigodo da Aquitânia, conseguiu unir os Romanos, Francos, Alanos e Burgúndios na Batalha dos Campos Cataláunicos (junho de 451), forçando os hunos a uma retirada para a margem oposta do Reno.

Átila refez suas forças e, no ano seguinte, moveu-se em direcção à península Itálica, apoderando-se de Aquileia e devastando Milão, Feltre, Pádua e Pavia, cujas populações se refugiam nos Apeninos. A cidade de Veneza foi fundada por refugiados dessas regiões.[42] O próprio imperador Valentiniano III abandonou Ravena para se refugiar em Roma. Observando a incapacidade do imperador romano de defender o território, o papa Leão I confrontou pessoalmente Átila em Mântua numa conversa cujo teor nunca foi descrito, logrando fazê-lo desistir de invadir a cidade em troca de um tributo considerável. Muitos atribuíram o fato de Roma ter sido poupada à intercessão "milagrosa" do papa Leão I. Ao que parece, o medo da peste, as superstições de Átila e um compromisso com o imperador Valentiniano III livraram Roma do saque. Átila morreu em 455, antecipando o colapso do império huno.

Em 463, os daneses chegaram à península Itálica, e em seguida, os hérulos, liderados por Odoacro e, finalmente, os ostrogodos (com batalhas em Isonzo e em Verona). Ressalva-se também uma deslocação dos Francos em 594 para o norte da Itália, com confrontos violentos.

Ostrogodos

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O Reino Ostrogótico em seu apogeu, no reinado de Teodorico, o Grande em 523: reinos ostrogodo e visigótico

Derrotados pelos Hunos, parte dos Ostrogodos conseguiu fugir para oeste, aliando-se aos Visigodos, enquanto que a restante passou a integrar, tal como os Alanos e Sármatas, a poderosa cavalaria huna. Também os Visigodos foram derrotados pelos Hunos e, sem escapatória, pediram asilo nas terras do Império Romano, que seria consentido pelo imperador Valente. Dava-se a entrada de todo um povo ameaçado pelos hunos, como prelúdio para as grandes migrações. A penetração foi pacífica, porém os romanos passaram a explorar, de forma sórdida, os visigodos. Estes se rebelaram e surpreendentemente venceram os romanos na Batalha de Adrianópolis (378).

O imperador do Ocidente, Graciano, concedeu terras aos visigodos, adotando uma política amigável que deu certo, até por volta de 406, quando todo o império foi invadido pelos suevos, vândalos e burgúndios. A 482, Teodorico, o Grande, rei dos Ostrogodos, conseguiu fixá-los na Mésia Secunda, província situada ao norte da península Balcânica.

Visigodos

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O Reino Visigótico

Enquanto isso, os Visigodos, chefiados por Alarico , revoltaram-se novamente contra a exploração dos funcionários romanos em 401. Entraram na península Itálica e invadiram a planície do Pó, mas foram repelidos. Em 408, atacaram pela segunda vez e desta vez chegaram às portas de Roma. O chefe godo entrou em Roma (24 de agosto de 410) e pilhou a capital do império (ver Saque de Roma). Depois de três dias de saques, em 27 de agosto, Alarico partiu para o Sul da Itália, com o objetivo de atingir a África, no entanto os seus planos foram gorados com a perda da frota e a sua morte precoce. Seu substituto, Ataulfo, estabeleceu-se na Gália e estendeu os seus domínios até a Península Ibérica, conseguindo afastar os Alanos e os Vândalos. Ataulfo instalou a sua base em Bordéus e tornou-se aliado dos romanos.

A pedido do imperador Honório, invadem a Hispânia (418), onde se instalaram como federados. Para conquistar o domínio da Península Ibérica, os Visigodos tiveram que enfrentar Suevos, Alanos e Vândalos que já se haviam aí fixado. Em compensação, obtêm de Roma o direito de se estabelecer no sudoeste da Gália.

Após a morte de Teodorico I, na Batalha dos Campos Cataláunicos (451), os seus filhos Teodorico II e Eurico alargam as possessões que, em 476, se estendiam já do Atlântico aos Alpes do Sul, e do Loire a Gibraltar.

Os Visigodos foram gradualmente empurrados da Gália pelos Francos, perdendo o seu reino de Tolosa, embora seu reino de Toledo tenha subsistido na Península Ibérica até 711, data em que se deu início a uma invasão muçulmana que os confinou a um pequena região nas Astúrias.

Burgúndios

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Estas movimentações foram imitadas por diversos outros povos, dos quais se destacam os Burgúndios, cujos domínios na margem esquerda do Reno foram destruídos pelos Hunos em 437, sendo obrigados a deslocar-se para oeste, na região do alto vale do Ródano, entre Lyon e os Alpes. O rei Gondicário e a maior parte dos seus guerreiros foram chacinados de forma atroz; pensa-se que este facto estará na origem provável dos poemas heroicos dedicados à morte dos reis burgúndios, cujas reminiscências se encontram nos Eddas nórdicos. Combinados com a lenda de um herói mítico, Siegfried, os Edas deram origem, no século III, à Canção dos Nibelungos (em alemão: Das Nibelungenlied) e nos quais, já no século XIX, Richard Wagner se inspirou para um ciclo de quatro óperas, O Anel do Nibelungo.

Nos finais do século V, o reino burgúndio estendia-se da actual Borgonha ao baixo vale do Ródano e das Cevenas à Suíça Ocidental. Em 532, foram finalmente submetidos pelos Francos, e o seu território anexado à Nêustria.

Alanos, Suevos e Vândalos

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Saque de Roma pelos Vândalos, em 455, por Heinrich Leutemann

Em 406, os Alanos, Suevos e Vândalos atravessaram a fronteira do Reno. Entre 407 e 409, a Gália foi saqueada por Alanos, Suevos e Vândalos, que logo de seguida (409-411) se apoderaram da Hispânia. Estilicão foi obrigado a chamar as legiões estacionadas na Britânia e na Gália do norte, acabando assim com o domínio romano sobre a Britânia.

Esses povos bárbaros fundaram na África, em 429, o primeiro reino independente em solo do império. Os Suevos seriam empurrados pelos Alanos para noroeste, fixando-se na Galécia, enquanto que os segundos foram etnicamente absorvidos pelos Vândalos em direcção a África. Nesta movimentação, os Vândalos, sob a liderança de Genserico, sitiaram a cidade africana de Hipona, onde morreu Agostinho de Hipona, em agosto de 430, e ocuparam Cirta e Cartago, dando cabo à grande resistência. Em seguida, apoderaram-se das Baleares, da Córsega, da Sardenha e da Sicília. Potenciados pelas divergências religiosas da sua vertente ariana contra o catolicismo romano, os Vândalos confrontar-se-iam daí para a frente várias vezes com o império, chegando mesmo a saquear Roma, em 455. Em 470, o império mediterrânico dos Vândalos estendeu-se do Norte de África às ilhas mediterrânicas.

A dominação sueva foi terminada pelos Visigodos aquando da sua migração bárbara da Península Ibérica, enquanto o reino vândalo foi conquistado por Belisário.

Anglos, Saxões e Jutos

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Em meados do século V, os Saxões, os Anglos e os Jutos abandonaram o norte da Germânia e a península da Jutlândia para invadir a Britânia, já abandonada pelos romanos desde o início do século V. A região foi submetida por esses povos que, apesar da feroz resistência, empurraram os Bretões para o lado ocidental. No sul, os jutos fundaram o Reino de Kent. Também no sul, os saxões fundaram os reinos de Essex, Wessex e Sussex. Os anglos se estabeleceram no norte e centro, onde fundaram os reinos de Ânglia Oriental, Nortúmbria e da Mércia. Os reinos independentes dos Anglo-Saxões tornar-se-iam rivais entre si. Mais tarde, a região foi conquistada pelos Viquingues.

Rómulo Augusto abdica à coroa perante Odoacro

O último imperador romano do Ocidente, Rómulo Augusto, tinha sua autoridade praticamente restrita à cidade de Roma. Os bárbaros hérulos, que faziam parte do exército romano, depuseram-no em 476, colocando no poder seu chefe, Odoacro, que se intitulou rei de Itália. Assim acabou-se definitivamente a autoridade do Império Romano do Ocidente. A historiografia escolheu essa data para marcar a Queda do Império Romano do Ocidente e assinalar o fim da Idade Antiga e o início de Idade Média.

A Gália, no oeste da Europa, que já assistira à passagem de muitos dos povos germânicos que migraram durante este período, já vinha sendo assediada pelos Francos desde o século II. Em grande parte devido à sólida estrutura política, souberam sobreviver à fase das migrações, e fixaram-se definitivamente na Gália Belga (Renânia, Bélgica e Artois), a cerca de 430, também com o consentimento do Império Romano, como federados, ajudando a defender as fronteiras, durante algum tempo. Destaca-se a aliança de Quilderico I com o império contra os Visigodos. Com efeito, foi a primeira dinastia de reis francos, a dos Merovíngios, que conseguiu erradicar a presença alamana, burgúndia e visigótica (na batalha de Vouillé em 507, que marcou o fim do Reino Visigodo de Tolosa). Começava assim, subtilmente, a expansão do império Franco, anexando vários territórios vizinhos. O seu rei Clóvis (482-511), converteu-se para o cristianismo e promoveu uma aliança com a Igreja Católica.

Repercussões

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Tijolo com o emblema de Teodorico, o Grande, encontrado no Templo de Vesta, em Roma

Enquanto o desmembramento do Império Romano se tornava inevitável — em 455 os Vândalos de Genserico pilharam Roma; os Visigodos, Suevos e Burgúndios declaram-se independentes em 476. O chefe Odoacro depôs o último imperador do Ocidente, Rómulo Augusto, e enviou as insígnias imperiais ao imperador do Oriente — os Bárbaros assimilavam a língua e grande parte dos costumes romanos, enquanto introduziam, mais ou menos harmoniosamente, os hábitos e termos germânicos.

Terminava assim o Império do Ocidente. No entanto, a civilização persistia: as instituições políticas, como o senado e o consulado subsistiram entre os bárbaros. Em 493, o chefe ostrogodo Teodorico, o Grande tomou o poder na Itália, fazendo-se reconhecer como representante legítimo do imperador bizantino. Permaneceram intactos o estatuto do latim como língua oficial e as estruturas sociais; o grande obstáculo então eram as diferenças de religiões: o choque entre o catolicismo e o arianismo.

Não obstante, de 456 a 472, o Império Romano revelava a sua fragilidade, denunciada pelas movimentações bárbaras: durante este período, foram sucessivamente nomeados e destituídos vários imperadores. Em 475, é Orestes, um panónio outrora ao serviço de Átila, o Huno, que faz nomear imperador o seu filho de doze anos, o jovem Rómulo Augusto, que reinou escassos meses, até que Odoacro, chefe dos mercenários instalados na Itália, organize uma revolta que culmina na deposição de Rómulo, que é relegado para a Campânia. Era a queda definitiva do Império Romano.

A reconquista da Itália pelos exércitos bizantinos, na Guerra Gótica, sob o imperador Justiniano conseguiria restabelecer por algum tempo a unidade imperial, reconquistando também o norte de África e parte da Hispânia. O reino Vândalo foi, portanto, destruído (534), enquanto que na Península Ibérica a monarquia visigótica foi seriamente enfraquecida.

As medidas de Justiniano durariam pouco tempo. Na verdade, o enfraquecimento das regiões reunificadas seria a principal causa para o impacto do surgimento do Islão, cujas repercussões se verificaram na Península Ibérica e no corte de ligações entre as duas metades do Império Romano.

Fíbula visigótica (século VI) em forma de águia de Elche
Museu de Arte Walters
Coroa votiva de Recesvinto (m. 672), em exposição no Tesouro de Guarrazar

Embora este período seja considerado um período de decadência artística, os estudos[quais?] recentes[quando?] confirmam que houve, de facto, alguma expressão, inserindo-a portanto como ramo da arte pré-românica.[carece de fontes]? No caso particular da arte visigótica, esta exprimiu-se na Península Ibérica desde a entrada dos Visigodos (415) até à invasão muçulmana da Península Ibérica. Na Gália, entre os finais do século V e os finais do século seguinte, assiste-se a um incremento do número de mosteiros, que passa de 40 para 250, embora de uma forma geral, a arquitectura civil em pedra pareça ter quase estagnado.

Porém, e ainda no século II, surgiu um interesse artístico particular em peças em ouro e com incrustações de pedras preciosas por parte dos Godos, possível legado dos Citas e Sármatas, e mesmo alguma influência romana, reconhecida popularmente entre os Hunos. A produção artística consiste sobretudo de joias (broches, anéis, brincos, fíbulas ou alfinetes, colares), placas e fivelas de cinto. Este período fornece também alguns objectos de culto: relicários, cruzes e coroas, com técnicas de trabalho do metal muito refinadas. A damasquinação consiste em incrustar, por martelamento, um fio de ouro, prata ou cobre, numa superfície de cobre ou prata. A joalharia cloisonnée consiste em desenhar uma série de alvéolos separados por pequenas peças metálicas a uma placa de metal.

Talvez os melhores exemplos sejam os achados na Roménia (em Pietrarossa), como esta grande águia. Os Godos portaram este estilo à Itália, Gália e Hispânia e, um exemplo disso, é esta coroa votiva de Recesvinto, rei de Toledo, de cerca de 670, encontrada em Fuente de Guarrazar, perto de Toledo, que não se destinava a ser usada, mas sim exposta numa igreja. A popularidade deste estilo policromático pode ser confirmada pela descoberta de uma espada no túmulo de Quilderico I, rei dos Francos, data do século V.

Literatura

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Na literatura, destacam-se poetas como Rutílio Numaciano que, no seu poema "De reditu suo in patriam libri II" descreve o seu regresso de Roma à Gália; Merobaldo, um retórico hispânico ("Laus Christi").

Entre os historiadores, destaca-se Paulo Orósio, também hispânico que nos fala da história da criação do mundo, tema muito popular na Idade Média, em "Adversus paganos" e Jordanes, com sua Gética, sobre a origem e feitos dos povos góticos.

Na teologia, Próspero da Aquitânia compôs "De ingratis", um poema moralista com fim didáctico, e o papa Leão I (Leo I Summus Pontifex), profundo pensador, que deixou Sermões e Epístolas.

Em 438, tornou-se memorável o Código de Teodósio, publicado em Constantinopla. Ainda antes da morte de Teodósio II, foi divulgada a Consultatio, uma colecção de pareceres legais da época.

Na gramática, Fábio Plancíade Fulgêncio deixou Mithologicon libri III, Virgiliana continentia e De Abstrusis sermonibus, e Fulgêncio de Ruspe, que escreveu De aetatibus mundi, um tratado teológico. Na verdade, durante o reinado de Teodósio, surgiram grandes representantes de actividade intelectual: Boécio, que escreveu De consolatione philosophiae, Magno Félix Enódio, autor de um panegírico a Teodorico e de outros trabalhos poéticos, Prisciano escreveu Institutiones grammaticae, Eutiques, Ars de verbo, e Cassiodoro cuja produção durou além dos seus registos públicos: as Chronica, sobre História Universal, Historia Gothorum, Lectiones divinae e Institutiones divinarum et saecularium literarum.

Destacam-se ainda compilações especiais por Gregório de Tours História dos Francos libri X e Gildas, a História da Bretanha, e Venâncio Fortunato, um poeta lírico, o papa Gregório I , que promoveu o canto eclesiástico, e Isidoro de Sevilha, com "Origines libri XX".

Sociedade

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A progressiva cristianização dos povos ajudou a manter a língua latina, já que o fundamental era propagar o Evangelho. Porém, com a quebra da estrutura romana, o desenvolvimento tecnológico até então foi parado quase por completo. Na verdade, pode-se dizer mesmo que regrediu, em alguns casos. A cultura intelectual tornara-se um privilégio do clero, que dela se servia para os seus próprios propósitos, o que justifica que a literatura da época tenha um forte carácter religioso. As cortes teutónicas subsistiram, assim, como único refúgio para o espírito literário da Roma Antiga. É o Direito a disciplina que conservou os seus traços de vitalidade, e que esteve na base da constituição de novas nacionalidades, adaptando as leis antigas para a nova distribuição político-administrativa.

Algumas tentativas de adaptação foram precisamente o Édito de Teodorico, o Breviário de Alarico e a Lex Burgundiorum.

Ver também

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Referências

  1. ↑ John Hines, Karen Høilund Nielsen, Frank Siegmund, The pace of change: studies in early-medieval chronology, Oxbow Books, 1999, p. 93, ISBN 978-1900188784. (em inglês)
  2. ↑ Allgemein Springer (2006), "der auch auf alternative Definitionen außerhalb der communis opinio hinweist. Alle Epochengrenzen sind letztlich nur ein Konstrukt und vor allem durch Konvention begründet". Vgl. auch Stefan Krautschick: "Zur Entstehung eines Datums. 375 – Beginn der Völkerwanderung". In: Klio 82, 2000, sowie Stefan Krautschick: "Hunnensturm und Germanenflut: 375 – Beginn der Völkerwanderung?" In: "Byzantinische Zeitschrift 92, 1999",
  3. ↑ Philipp von Rummel, Hubert Fehr: "Die Völkerwanderung. Theiss", Stuttgart 2011. (aktuelle Einführung aus archäologischer Perspektive)
  4. ↑ «Legenda do Museu Nacional de Roma ao lado do sarcófago, primeiro andar, sala XII». Consultado em 3 de fevereiro de 2012. Arquivado do original em 17 de maio de 2009
  5. ↑ Volume 26, coluna 514 (consulta online).
  6. ↑ Friedrich Schiller. «Ueber Völkerwanderung, Kreuzzüge und Mittelalter». Projekt Gutenberg-DE (em alemão). Consultado em 1 de março de 2026
  7. ↑ Springer (2006), pp. 509–510.
  8. ↑ Para uma síntese, ver: Rosen (2003), pp. 28 e seguintes.
  9. ↑ Cf. Pohl (2005) e Rummel/Fehr (2011); ver também: Mischa Meier, "Wandernde Völker?", in: Damals, v. 7, 2016, pp. 16–19.
  10. ↑ Com ênfase nos grupos guerreiros móveis no espaço geográfico, ver: Halsall (2007).
  11. ↑ Ver com documentação: Roland Steinacher, "Wanderung der Barbaren? Zur Entstehung und Bedeutung des Epochenbegriffs ‚Völkerwanderung‘ bis ins 19. Jahrhundert", in: Felix Wiedemann, Kerstin P. Hofmann, Hans-Joachim Gehrke (orgs.), Vom Wandern der Völker. Migrationserzählungen in den Altertumswissenschaften, Berlim, 2017, pp. 67–95.
  12. ↑ Cf. von Rummel/Fehr (2011), pp. 7–8.
  13. ↑ Philipp von Rummel (2010). «Gotisch, germanisch oder römisch? Methodologische Überlegungen zur ethnischen Interpretation von Kleidung». In: Walter Pohl, Mathias Mehofer. Archäologie der Identität (em alemão). Viena: [s.n.] pp. 51–77. Ver também: Walter Pohl (1998). «Telling the Difference: Signs of ethnic Identity». In: Walter Pohl, Helmut Reimitz. Strategies of Distinction: The Construction of Ethnic Communities, 300–800 (em inglês). Leiden: [s.n.] pp. 17 e seguintes.
  14. ↑ Cf. Martin P. Evison, "All in the Genes? Evaluating the Biological Evidence of Contact and Migration", in: D. M. Hadley, J. D. Richards (orgs.), Cultures in Contact, Turnhout, 2000, pp. 277–294; Mischa Meier, Steffen Patzold, Gene und Geschichte. Was die Archäogenetik zur Geschichtsforschung beitragen kann, Stuttgart, 2021.
  15. ↑ Para uma síntese, ver: Mischa Meier, Geschichte der Völkerwanderung. Europa, Asien und Afrika vom 3. bis zum 8. Jahrhundert, Munique, 2019, pp. 837–839.
  16. ↑ Em caráter introdutório, ver: Walter Pohl (1999). «Ethnizität des Frühmittelalters als interdisziplinäres Problem». Das Mittelalter. Perspektiven mediävistischer Forschung (em alemão). 4: 69–75.
  17. ↑ Cf. Peter Stachel, "Identität. Genese, Inflation und Probleme eines für die zeitgenössischen Sozial- und Kulturwissenschaften zentralen Begriffs", in: Archiv für Kulturgeschichte, v. 87, 2005, pp. 395–425.
  18. ↑ Obra seminal a esse respeito: Reinhard Wenskus, Stammesbildung und Verfassung. Das Werden der frühmittelalterlichen gentes, 2.ª ed., Colônia/Viena, 1977. O modelo de etnogênese de Wenskus foi ampliado por Herwig Wolfram e Walter Pohl. Para um balanço bibliográfico, ver: Pohl (2005), pp. 13 e seguintes.
  19. ↑ Ver a revisão crítica em: Michael Kulikowski, "Barbarische Identität. Aktuelle Forschungen und neue Interpretationsansätze", in: M. Konrad, C. Witschel (orgs.), Römische Legionslager in den Rhein- und Donauprovinzen – Nuclei spätantik-frühmittelalterlichen Lebens?, Bayerische Akademie der Wissenschaften, Munique, 2012, pp. 103–111.
  20. ↑ Cf. Mischa Meier, Geschichte der Völkerwanderung, Munique, 2019, pp. 99 e seguintes; Walter Pohl, "Von der Ethnogenese zur Identitätsforschung", in: Walter Pohl et al. (orgs.), Neue Wege der Frühmittelalterforschung. Bilanz und Perspektiven, Viena, 2018, pp. 9–34; Roland Steinacher, "Zur Identitätsbildung frühmittelalterlicher Gemeinschaften. Überblick über den historischen Forschungsstand", in: Irmtraud Heitmeier, Hubert Fehr (orgs.), Die Anfänge Bayerns. Von Raetien und Noricum zur frühmittelalterlichen Baiovaria, St. Ottilien, 2012, pp. 73–124.
  21. ↑ Springer (2006), pp. 511–512.
  22. ↑ Mischa Meier, Geschichte der Völkerwanderung, Munique, 2019, p. 105.
  23. ↑ Para uma visão geral, ver: Alheydis Plassmann, Origo gentis. Identitäts- und Legitimitätsstiftung in früh- und hochmittelalterlichen Herkunftserzählungen, Berlim, 2006. Sobre visões críticas às abordagens de Herwig Wolfram, ver os estudos de Walter Goffart, que enfatiza a influência dos modelos etnográficos clássicos na confecção tardia das lendas de origem.
  24. ↑ Börm (2013), pp. 114 e seguintes.
  25. ↑ Goetz, Jarnut, Pohl (2003); Pohl (1997).
  26. ↑ Sobre a instrumentalização política do tema, ver: Rosen (2003), pp. 109–121.
  27. ↑ O caráter destrutivo da época foi enfatizado recentemente por Heather (2005) e particularmente por Ward-Perkins (2005). Em contraposição, ver: Goffart (1980, 2006) e a bibliografia associada a Peter Brown. Ver ainda os 14 volumes do projeto internacional Transformation of the Roman World.
  28. ↑ Cf. Hans-Ulrich Wiemer, "Die Goten in Italien. Wandlungen und Zerfall einer Gewaltgemeinschaft", in: Historische Zeitschrift, v. 296, 2013, pp. 593–628 (especialmente p. 598).
  29. ↑ Springer (2006), p. 514.
  30. ↑ Peter J. Heather (1995). «The Huns and the end of the Roman Empire in Western Europe». The English Historical Review (em inglês). 110: 4–41; ver também: Heather (2005). Em sentido diverso: Halsall (2007) e Börm (2013).
  31. ↑ Halsall (2007); Börm (2013).
  32. ↑ Pohl (2005), pp. 31–32; Rosen (2003), pp. 99–101.
  33. ↑ Ver: Springer (2006).
  34. ↑ Para uma síntese concisa, ver: Rosen (2003), pp. 22 e seguintes. Sobre as relações romano-germânicas, ver: Thomas Fischer (2020). Gladius. Roms Legionen in Germanien (em alemão). Munique: C.H. Beck. ISBN 978-3-406-75616-0; Gustav Adolf Lehmann (2011). Imperium und Barbaricum. Neue Befunde und Erkenntnisse zu den römisch-germanischen Auseinandersetzungen im nordwestdeutschen Raum (em alemão). Viena: Österreichische Akademie der Wissenschaften. ISBN 978-3-7001-7093-8. Em caráter introdutório sobre os povos germânicos: Heinrich Beck; et al., eds. (1998). Germanen, Germania, Germanische Altertumskunde (em alemão). Berlim: De Gruyter. ISBN 978-3-11-016383-4; Walter Pohl (2004). Die Germanen (em alemão) 2.ª ed. Munique: C.H. Beck. ISBN 978-3-406-50636-9; Bruno Bleckmann (2009). Die Germanen (em alemão). Munique: C.H. Beck. ISBN 978-3-406-58476-3. Na historiografia mais recente, contudo, parte dos pesquisadores propõe evitar o termo genérico "germânico", argumentando que os grupos assim categorizados pelos romanos nunca compartilharam uma identidade comum unificada. Cf., por exemplo: Matthias Friedrich, James Harland, ed. (2020). Interrogating the ‘Germanic’. A Category and its Use in Late Antiquity and the Early Middle Ages (em inglês). Berlim / Nova York: De Gruyter. ISBN 978-3-11-069976-0.
  35. ↑ Sobre a Gética, ver a análise crítica de: Arne Søby Christensen (2002). Cassiodorus, Jordanes and the History of the Goths. Studies in a Migration Myth (em inglês). Copenhague: Museum Tusculanum Press. ISBN 978-87-7289-711-0; ver também: Herwig Wolfram, "Einige Überlegungen zur gotischen Origo gentis", in: Henrik Birnbaum et al. (orgs.), Festschrift Alexander Issatschenko, Lund, 1978, pp. 487–499 (citação na p. 496: «A origem ultramarina dos godos mantém-se ou desmorona unicamente perante a possibilidade de justificar a Gética no plano histórico»). A obra de Wolfram (1979 [e ed. 2001]) é referência basilar. Ver ainda: Volker Bierbrauer (1994). «Archäologie und Geschichte der Goten vom 1.–7. Jahrhundert». Frühmittelalterliche Studien (em alemão). 28: 51–171; Heather (1991).
  36. ↑ Ver: Karl Christ (2002). Geschichte der römischen Kaiserzeit (em alemão) 4.ª ed. Munique: C.H. Beck. pp. 336 e seguintes. ISBN 978-3-406-36316-0; em síntese: Rosen (2003), pp. 43–45.
  37. ↑ Wolfram (1979), pp. 41 e seguintes.
  38. ↑ Posteriormente, a distinção entre ambos foi compreendida como mera partilha geográfica: dos primeiros derivaram os "visigodos" e dos últimos os "ostrogodos". Essa formulação, todavia, é excessivamente esquemática, visto que frações de greutungos e indivíduos de outras gentes participaram ativamente da etnogênese visigótica, assim como os ostrogodos não constituíam um corpo étnico homogêneo. Ver o verbete "Goten", in: Reallexikon der Germanischen Altertumskunde (RGA), v. 12, 1998, pp. 402–443 (especialmente pp. 428 e seguintes); sobre a etimologia e nomenclatura goda, ver também: Arne Søby Christensen, Cassiodorus, Jordanes and the History of the Goths, Copenhague, 2002, pp. 197 e seguintes; Heather (1991), pp. 331–333.
  39. ↑ Para uma interpretação alternativa, ver: Henning Börm (2016). «A Threat or a Blessing? The Sasanians and the Roman Empire». In: Carsten Binder, Henning Börm, Andreas Luther. Diwan. Studies in the History and Culture of the Ancient Near East and the Eastern Mediterranean (em inglês). Duisburgo: [s.n.] pp. 615–646. ISBN 978-3-946503-01-9.
  40. ↑ Heather (2005), p. 82.
  41. ↑ Martin (2001), p. 166.
  42. ↑ Thomas Osmond Summers (1860). Venice, past and present. [S.l.]: Southern Methodist Publishing House

Bibliografia

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Ligações externas

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