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Mary Douglas

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Mary Douglas
Nascimento
Morte
16 de maio de 2007 (86 anos)

NacionalidadeBritânica
OcupaçãoAntropóloga

Mary Douglas (Sanremo, 25 de Março de 1921 – Londres, 16 de Maio de 2007) foi uma antropóloga britânica, especialista em antropologia social. Suas áreas de estudo são bastante amplas, mas, de modo geral, dizem respeito a processos simbólicos, à teoria do risco e à religião comparada.

Mary Douglas é filha de Gilbert Tew, funcionário do serviço colonial Britânico, e de Phyllis Tew. O nome de solteira de Douglas era Margaret Mary Tew. Passou a infância em Totnes, sul da Inglaterra.

A área de pesquisa é a de antropologia social. Foi considerada uma seguidora de Émile Durkheim e uma proponente da análise estruturalista, com um grande interesse por religião comparada.

Quando Douglas tinha 12 anos, sua mãe morreu. Desse modo, a antropóloga e sua irmã tiveram que ficar aos cuidados dos avós.[1] Margaret e a irmã foram educadas no colégio católico "Sagrado Coração de Roehampton", distrito a sudoeste de Londres. Entre 1939 e 1943 estudou Filosofia, Ciências Políticas e Economia em Oxford onde foi aluna do antropólogo Evans-Pritchard que exerceu uma grande influência intelectual sobre ela[2].

Mary Douglas rodeada por colegas

Durante a Segunda Guerra trabalhou em um serviço colonial mas retornando a Oxford em 1947, terminou os estudos em 1949 realizando um trabalho antropológico com os Lele, uma tribo africana que vivia na época no Congo Belga; isso a levou à vida da aldeia na região entre o rio Kasai e o rio Loange, onde os Lele viviam à beira do que anteriormente era o Reino Kuba. Por fim, uma guerra civil a impediu de continuar seu trabalho de campo, mas, no entanto, isso levou à primeira publicação de Douglas, The Lele of the Kasai, publicada em 1963.[3][4]

No início dos anos 50, se casou com James Douglas e tiveram três filhos. Durante 25 anos, foi professora universitária do Colégio de Londres e depois lecionou nos Estados Unidos por mais 11 anos. Na obra aparecem os temas: análise de risco, economia, economia do consumo e bem-estar, comida e ritual. Muitos dos trabalhos foram tornados populares fora dos círculos antropológicos; o livro Pureza e Perigo se tornou célebre dentro da área. Nele, a antropóloga investiga as palavras e o significado da sujeira em diferentes contextos culturais, demonstrando que o que é considerado sujeira em uma dada sociedade é qualquer questão considerada fora de lugar. Por meio de uma leitura complexa e sofisticada de ritual, religião e estilo de vida, Douglas desafiou as ideias ocidentais de poluição, deixando claro como o contexto e a história social são essenciais.

Após quatro anos de trabalho (1977-1981) como professora de Estudos Culturais no Instituto Russel Sage de Nova York; mudou para a Universidade Northwestern como professora de Humanidades, produzindo os vínculos entre Teologia e Antropologia. Nesta época, com ajuda do economista Baron Isherwood, publica O mundo dos bens que foi uma obra pioneira na antropologia econômica[5]. Logo em seguida, em 1982, em coautoria com Aaron Wildasvky, escreveu Risco e Cultura, livro no qual os autores utilizam a teoria do risco para explorar como e por quais motivos os grupos sociais ignoram alguns perigos, ao passo que identificam outros riscos que consideram necessitar algum tipo de mitigação[6].

Em 1989, foi eleita Fellow da British Academy. Em 1992, se tornou Comendadora da Ordem do Império Britânico (CBE). Em 2006, foi considerada, pela Lista de Homenagens da Rainha, Dama-Comendadora da Ordem do Império Britânico (DBE).[7]

Em 2004, perde o marido e em 16 de maio de 2007 falece em Londres aos 86 anos, por complicações associadas a um câncer.

Em inglês

  • The Lele of kasai (1963)
  • Purity and Danger: An Analisys of Concepts of Pollution an Taboo (1966) (edição em português: Pureza e perigo)
  • Natural Symbols: Exploration in Cosmology (1970)
  • Rules and Meanings. The Anthropology of Everyday Knowledge: Selected Readings (1973)
  • Implicit meanings: Essays in Anthropology (1975)
  • The World of Goods: An Anthropological Approach of the Theory of Consuption, em coautoria com Baron Isherwood (1976)
  • Risk and Culture: An Essay on the Selection of Technological and Environmental Danger (1982), em coautoria com Aaron Wildalwsky
  • How Institutions Think (1986)
  • Missing persons: a critique of the social sciences (1988) with Steven Ney
  • Risk and Blame: Essays in Cultural Theory (1992)
  • Thought styles: Critical essays on good taste (1996)
  • Leviticus as Literature (1999)
  • In the Wilderness: The Doctrine of Defilement in the Book of Numbers (2001)
  • Constructive Drinking: Perspectives on Drink from Anthropology (2002)
  • Jacob's Tears: The Priestly Work of Reconciliation (2004)
  • Thinking in Circles (2007)

Em português

Livros

  • Levítico como literatura. São Paulo: Ed. Loyola, 2019.
  • O mundo dos bens - para uma antropologia do consumo. Rio de Janeiro: Ed. UFRJ, 2013. ISBN 978-8571083738
  • Risco e cultura: um ensaio sobre a seleção de riscos tecnológicos e ambientais.Rio de Janeiro: Campus, 2012. ISBN 9788535255669
  • Como as instituições pensam. São Paulo: EDUSP, 2007. ISBN 978-8531404559
  • As lágrimas de Jacó - o trabalho sacerdotal da reconciliação. São Paulo: Ed. Loyola, 2010.
  • Pureza e perigo. São Paulo: Perspectiva. ISBN 9788527309080

Artigos

Referências

  1. ↑ ROCHA, Everardo; FRID, Marina (2015). «Mary Douglas (1921- 2007)». Os antropólogos. de Edward Tylor a Pierre Clastres. Rio de Janeiro/Petrópolis: PUC RIO/Vozes. pp. p.225
  2. ↑ Oliveira, Janaina de; Casagrande, Natalia; Jardim, Maria A. Chaves (2012). «Homenagem: Mary Douglas». REDD – Revista Espaço de Diálogo e Desconexão (2). ISSN 1984-1736. doi:10.32760/1984-1736/REDD/2012.v4i2.5175. Consultado em 31 de dezembro de 2020
  3. ↑ Tambascia, Christiano Key (5 de fevereiro de 2010). «Recontando Mary Douglas: metodologias de pesquisa para análise de uma trajetória intelectual». Revista Espaço Acadêmico (106): 36–41. ISSN 1519-6186. Consultado em 31 de dezembro de 2020
  4. ↑ Fardon, Richard. (2004). Mary Douglas : uma biografia intelectual. Rio de Janeiro (RJ): UFRJ. OCLC 817967173
  5. ↑ Douglas, Mary; Isherwood, Baron (2009). O Mundo dos Bens: para uma antropologia do consumo. Rio de Janeiro: Editora UFRJ
  6. ↑ Douglas, Mary (2012). Risco e cultura: um ensaio sobre a seleção de riscos tecnológicos e ambientais. Rio de Janeiro: Campus
  7. ↑ «Academy of Europe: Douglas Mary». www.ae-info.org. Consultado em 23 de janeiro de 2025
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