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Louis Pasteur

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Este artigo é sobre o cientista Louis Pasteur. Para o processo de conservação de alimentos que leva seu nome, veja pasteurização.

Louis Pasteur
Fotografia de Paul Nadar, anterior a 1895.
Conhecido(a) porVacinas contra o antraz, a cólera aviária e a raiva
Quiralidade, dextrana e galactose
Estudos sobre a fermentação e a teoria microbiana das doenças
Resolução cinética e estereoquímica
Rivalidade científica com Robert Koch e controvérsia com Justus von Liebig
Pasteurização e efeito Pasteur
Pipeta Pasteur e filtro Pasteur–Chamberland
Ácido racêmico e geração espontânea
Frasco de pescoço de cisne e zimologia
Nascimento
Morte
28 de setembro de 1895 (72 anos)

Nacionalidadefrancês
CônjugeMarie Laurent (1849–1895)
Filho(a)(s)5
EducaçãoEscola Normal Superior de Paris
Universidade de Paris
Conservatório Nacional de Artes e Ofícios
Alma materEscola Normal Superior de Paris
Ocupaçãoquímico e microbiologista; pesquisas em biologia, matemática e física
PrêmiosGrã-cruz da Legião de Honra (1881)
Medalha Rumford (1856)
Medalha Copley (1874)
Medalha Albert da Royal Society of Arts (1882)[1]
Prêmio Bressa (1888)[2]
Prêmio Cameron (1889)
Medalha Leeuwenhoek (1895)
Ordem do Medjidie (1886)[3]
Empregador(a)Universidade de Estrasburgo
Universidade de Lille
Escola Normal Superior de Paris
Instituto Pasteur
Assinatura

Louis Pasteur (Dole, 27 de dezembro de 1822 – Marnes-la-Coquette, 28 de setembro de 1895) foi um químico e microbiologista francês. Seus estudos ajudaram a estabelecer o papel dos microrganismos na fermentação e em doenças infecciosas. Deles também resultaram métodos de conservação de alimentos e experiências decisivas para o desenvolvimento de vacinas.[4]

Em 1848, ainda no início da carreira, Pasteur separou cristais de duas formas de um mesmo composto químico e mostrou que elas desviavam a luz em sentidos opostos. Suas observações sobre essa assimetria, hoje estudada como quiralidade molecular, contribuíram para o desenvolvimento da estereoquímica.[5]

Ao investigar problemas enfrentados por produtores de vinho e cerveja, demonstrou que diferentes microrganismos participavam de diferentes fermentações e da deterioração das bebidas. Propôs o aquecimento controlado do vinho para reduzir essa deterioração. O processo passou a ser chamado pasteurização e mais tarde foi aplicado a outros produtos, entre eles o leite.[5]

Pasteur também examinou a alegação de que seres microscópicos surgiam por geração espontânea. Seus experimentos com frascos de gargalo curvo mostraram que caldos nutritivos podiam permanecer sem microrganismos quando protegidos das partículas presentes no ar. Estudou ainda doenças dos bichos-da-seda e defendeu medidas de higiene baseadas no conhecimento dos micróbios; esse conjunto de pesquisas influenciou a prevenção de infecções.[5]

Com seus colaboradores, desenvolveu vacinas experimentais contra a cólera aviária e o antraz. Em 1885, sua equipe aplicou um tratamento preventivo contra a raiva em Joseph Meister, menino mordido por um cão considerado raivoso. A procura por esse tratamento ajudou a impulsionar a criação do Instituto Pasteur, inaugurado em Paris em 1888.[4][6]

Biografia

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Infância

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Louis Pasteur nasceu às duas horas da manhã de 27 de dezembro de 1822 em casa da família em Dole, terceiro filho de Jean-Joseph Pasteur e Jeanne-Étiennette Roqui[7],[8],[9],[10]. Foi batizado na colegiada de Notre-Dame de Dole em 15 de janeiro de 1823. Seu pai, depois de ter sido sargento do exército napoleônico, retomou o ofício familiar de curtidor[9].

Em 1827, a família trocou Dole por Marnoz, local da casa da família Roqui[9], fixando-se finalmente em casa nova em 1830 em Arbois, localidade mais propícia à atividade de curtume.[nota 1] O jovem Pasteur fez os cursos de ensino mútuo em Arbois e depois ingressou no colégio da cidade.

Foi nessa época que se tornou conhecido por seu talento como pintor; ele também fez numerosos retratos de membros de sua família e dos habitantes da pequena cidade.

Formação

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Ingressou no colégio real de Besançon[9]. Em outubro de 1838, partiu para a Instituição Barbet, em Paris, para se preparar para o bacharelado e depois para os concursos.[nota 2] Porém, deprimido com esta nova vida, desistiu do projeto e deixou Paris, terminando o ano letivo no colégio de Arbois. No início do ano letivo de 1839, regressou ao colégio real de Besançon. Em 1840, obteve o bacharelado em letras e, em 1842, após reprovação, o bacharelado em ciências matemáticas[11].

Pasteur voltou a Paris em novembro de 1842. Alojado na pensão Barbet, onde também exerceu funções de tutor,[nota 3] estudou no Lycée Saint-Louis e acompanhou aulas na Sorbonne por Jean-Baptiste Dumas e Claude Pouillet[11].

Retrato desenhado de Pasteur jovem, de casaca escura, visto de perfil.
Ainda estudante, Pasteur também se dedicava ao desenho; este retrato de 1845 é de Charles Lebayle.

Em 1843, ficou em quarto lugar no concurso da Escola Normal Superior de Paris, na qual ingressou[9].

Mais tarde, foi aluno de Jean-Baptiste Boussingault no Conservatório Nacional de Artes e Ofícios[12].

Casamento e descendência

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Enquanto era professor substituto na Faculdade de Ciências de Estrasburgo, Pasteur casou-se em 29 de maio de 1849 com Marie-Anne, filha do reitor Aristide Laurent, que residia nos edifícios da Academia com a sua família[13]. Segundo Émile Roux, ela foi “a melhor colaboradora de Louis Pasteur”: escrevia sob seu ditado, organizava a revisão da imprensa e cuidou da imagem do marido e de sua memória até morrer, em 1910.[14]

O casal teve cinco filhos, os três primeiros nascidos em Estrasburgo[15]: Jeanne, Jean Baptiste e Cécile Marie Louise Marguerite, chamada Cécile. A quarta, Marie-Louise, casou-se em 1879 com René Vallery-Radot. A última filha do casal foi Camille. Marie-Louise e René tiveram três filhos: Camille Vallery-Radot, Marie-Madeleine, falecida na infância, e Louis Pasteur Vallery-Radot, que foi membro da Academia Francesa e da Academia Nacional de Medicina (França). Nenhum dos três deixou descendentes.[16]

Fotografia em grupo de Louis Pasteur, sua esposa Marie e parentes da família Vallery-Radot.
Pasteur e Marie Pasteur com familiares Vallery-Radot; Marie colaborou em sua atividade científica e cuidou de sua memória.

Na Escola Normal Superior de Paris, Pasteur estudou química, física e Cristalografia. Tornou-se assistente de química no laboratório de Antoine Jérôme Balard e defendeu, em 1847, suas teses de doutorado[nota 4] na Faculdade de Ciências de Paris[9]. As duas teses, sobre os arsenitos de potássio, sódio e amônio e sobre a polarização rotatória dos líquidos, foram publicadas sob os títulos Recherches sur la capacité de saturation de l’acide arsénieux. Étude des arsénites de potasse, de soude et d’ammoniaque e Études des phénomènes relatifs à la polarisation rotatoire des liquides. Application de la polarisation rotatoire des liquides à la solution de diverses questions de chimie.[17] Seu trabalho sobre a quiralidade molecular lhe rendeu a Medalha Rumford em 1856[18].

Foi professor em Dijon[19] e depois em Estrasburgo de 1848 a 1853. Em 19 de janeiro de 1849, foi nomeado professor substituto na Faculdade de Ciências de Estrasburgo; também substituiu o titular da cadeira de química na escola de farmácia da cidade, de 4 de junho de 1849 a 17 de janeiro de 1851[20]. Entre os alunos de suas aulas de mineralogia em Estrasburgo estava o futuro químico Charles Friedel.[21]

Monumento de pedra em homenagem a Pasteur diante do Instituto Pasteur de Lille.
O Instituto Pasteur de Lille, inaugurado após sua morte, recorda a ligação de Pasteur com a cidade onde estudou a fermentação.

Em 1853, foi feito cavaleiro da Legião de Honra[22].

Em fevereiro de 1854, para ter tempo para realizar trabalhos que lhe valessem o título de correspondente do Instituto,[nota 5] obteve três meses de licença remunerada com auxílio de atestado médico de conveniência[23]. Prorrogou a licença até 1.º de agosto, data de início dos exames[24].

Em 1854, foi nomeado professor de química e decano[nota 6] da recém-criada Faculdade de Ciências de Lille[9]. Foi nessa ocasião que pronunciou a frase: “No campo da observação, o acaso só favorece os espíritos preparados”[25]. Em Lille, as destilarias locais solicitaram a Pasteur que investigasse problemas na produção de álcool; mais tarde, ele também estudou a conservação da cerveja.[26][27]

Retrato de Pasteur em 1857, com barba e traje escuro.
Pasteur em 1857, ano em que apresentou suas pesquisas sobre a fermentação láctica.

Depois de Frédéric Kuhlmann e Charles Delezenne, Pasteur foi um dos primeiros na França a estabelecer relações frutíferas entre o ensino superior e a indústria química.[28]

Entre 1854 e 1857, seus trabalhos em Lille, sobretudo os feitos a pedido do industrial Louis Bigo na destilaria de beterraba sacarina dele[nota 7] em Esquermes, levaram à apresentação de seu Mémoire sur la fermentation appelée lactique à Sociedade de Ciências, Agricultura e Artes de Lille em 8 de agosto de 1857[29].

Em 1857, foi nomeado administrador responsável pela direção dos estudos da Escola Normal Superior[9].

Em 1861 e 1862, Pasteur publicou experiências contrárias às alegações então apresentadas em favor da geração espontânea[9]. A Academia de Ciências da França concedeu-lhe o Prêmio Jecker em 1861 por suas pesquisas sobre fermentações.[30] Em 1862, foi eleito para a Academia de Ciências da França, na seção de mineralogia, substituindo Henri Hureau de Senarmont[31].

Em 1863, iniciou o estudo das alterações do vinho, inclusive da formação do vinagre, e publicou um trabalho sobre o assunto em 1866[32].

Sala histórica com bancada e equipamentos do laboratório de Pasteur.
O laboratório da Escola Normal Superior deu a Pasteur um espaço próprio para investigar fermentações e microrganismos.

Em outubro de 1865, o barão Haussmann criou uma comissão para estudar a causa do cólera e as medidas para combatê-lo e[nota 8] nomeou Pasteur para integrá-la, junto com Dumas (presidente), Claude Bernard (doente, participaria apenas a distância), Sainte-Claire Deville e Pelouze[33]. Os cientistas procuraram no ar a causa do contágio; John Snow, porém, já havia apontado a água como veículo de transmissão em um trabalho publicado em 1855. A comissão não encontrou o microrganismo causador da doença, identificado em 1854 por Filippo Pacini[34].

Na Escola Normal Superior de Paris, onde predominavam as ideias republicanas, Pasteur, próximo de Napoleão III, enfrentou a oposição de colegas e estudantes[35], o que o levou a renunciar, em 1867, às funções de administrador. Recebeu uma cátedra em Sorbonne e a École Normale atribuiu-lhe a direção de um laboratório de química fisiológica criado especialmente para ele.[nota 9]

Seus estudos sobre as doenças dos bichos-da-seda, realizados de 1865 a 1869 a pedido de seu antigo professor Jean-Baptiste Dumas, estabeleceram meios de prevenir a pebrina pela seleção dos ovos e a flacherie por medidas de higiene, embora a produção de seda não tenha retornado imediatamente aos níveis anteriores às epidemias.[36][nota 10] Durante esses estudos, morou em Pont-Gisquet, perto de Alès[9]. Nesse período, sofreu um acidente vascular cerebral que o deixou com hemiplegia: perdeu o uso da mão esquerda e passou a se locomover com dificuldade.[37] Em 1868, tornou-se comandante da Legião de Honra. No mesmo ano, a Universidade de Bonn concedeu-lhe o título de doutor honoris causa em medicina.[38]

Placa na fachada da rua d’Ulm, em Paris, em memória de Pasteur.
A placa na rua d’Ulm recorda o período em que Pasteur dirigiu um laboratório na Escola Normal Superior.

Em 1869, hospedou-se por algum tempo em Saint-Hippolyte-du-Fort durante as pesquisas sobre as doenças dos bichos-da-seda, antes de voltar à propriedade de Pont-Gisquet.[39]

A derrota francesa de 1870 e a queda de Napoleão III foram um duro golpe para Pasteur, que afirmou que a história se lembrará bem do imperador[40]. A Assembleia Nacional Francesa aprovou uma recompensa por seus trabalhos, que tiveram consequências econômicas consideráveis. Em 25 de março de 1873, foi eleito “membro associado livre” da Academia de Medicina[41],[42]. Em 1874, suas pesquisas sobre fermentação lhe renderam a Medalha Copley, concedida pela Royal Society de Londres[43].

Tendo perdido o apoio financeiro da corte em 1870, Pasteur abriu um negócio. Ele registrou duas patentes em 1871 e 1873 sobre a fabricação de cerveja e as colocou à disposição de uma empresa em troca de 20% dos lucros[nota 11][44].

Em 1876, Pasteur candidatou-se ao Senado da França, sem se eleger[45]. Partiu para Clermont-Ferrand, onde estudou problemas de conservação da cerveja[46] com seu antigo preparador Émile Duclaux, e concluiu seus estudos sobre fermentação com a publicação de um livro: Les Études sur la bière[47].

Em 1878, tornou-se grande oficial da Legião de Honra. Em 11 de dezembro de 1879, Louis Pasteur foi eleito por unanimidade para a Academia Veterinária Francesa. Em 1881, a equipe de Pasteur desenvolveu uma vacina contra o antraz em ovelhas, após estudos iniciados em 1877[9]. Ele lançou dois novos negócios que prosperariam: uma empresa para comercializar sua vacina em todo o mundo e uma empresa para explorar a invenção de um colaborador sobre filtragem de água[44].

Medalha comemorativa com o perfil de Pasteur.
A medalha do jubileu de 1892 expressa o reconhecimento público alcançado por Pasteur ainda em vida.

Em 1882, foi admitido na Academia Francesa. Em seu discurso de posse[48], aceita o epíteto “positivista” para a ciência experimental,[nota 12] no sentido de que o seu domínio é causas secundárias e por isso se abstém de especular sobre causas primeiras e sobre a essência das coisas, mas critica Auguste Comte e Émile Littré por terem querido impor esta abstenção a todo o pensamento humano. Defende o espiritualismo filosófico e celebra “as duas santidades do Homem-Deus”, que vê unidas no casal que o agnóstico Littré formou com a sua esposa cristã. Em seguida, comentou a origem grega da palavra “entusiasmo”, associando-a à ideia de uma divindade interior.

Em 29 de dezembro de 1883, recebeu a Ordem do Mérito Agrícola por seus trabalhos sobre o vinho e a fermentação. Também participava regularmente das reuniões do Círculo Saint-Simon.[49]

A aplicação da vacina antirrábica desenvolvida por Pasteur e seus colaboradores em 1885 rendeu a Pasteur sua consagração. A Academia de Ciências da França atribuiu-lhe o Prêmio Jean-Reynaud do Instituto de França em 1886, saudando “a emoção produzida na Academia e, logo depois, em todo o mundo, pela comunicação” pela qual, poucos meses antes, Pasteur anunciou os resultados do caso Joseph Meister[50]. A Academia recompensou essas pesquisas e as considerou “uma das mais belas obras que a ciência já registrou”[51].

Interior da cripta de Pasteur, com túmulo e decoração em mosaico.
A família escolheu a cripta do Instituto Pasteur como local de sepultamento.

Ela também propôs a criação de um estabelecimento destinado ao tratamento da raiva: o Instituto Pasteur nasceu em 1888. Em 1892, a Terceira República Francesa organizou um jubileu pelo seu 70.º aniversário[nota 13][52]. Na ocasião, uma medalha gravada por Oscar Roty lhe foi oferecida por meio de subscrição pública[53]

Louis Pasteur morreu em 28 de setembro de 1895 em Villeneuve-l’Étang, no anexo do Instituto Pasteur conhecido como “anexo de Garches”[54][55].

Após o funeral de Estado, em 5 de outubro, seu corpo, previamente embalsamado,[nota 14] foi colocado em uma das criptas de Notre Dame, depois transferido em 27 de dezembro de 1896, a pedido de sua família, para a cripta do Museu Pasteur. A família recusou a oferta de enterro em Panteão[56].

Sua carreira científica começou com experimentações progressivas em minerais, insetos e depois em plantas. Ele então se voltou para o estudo da fermentação e dos álcoois e, finalmente, para a saúde humana com a vacinação contra a raiva[57].

Descoberta da assimetria molecular

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Esquema de dois cristais em formas espelhadas e de suas rotações opostas da luz polarizada.
Os cristais das duas formas do ácido tartárico são imagens especulares: suas soluções desviam a luz polarizada em sentidos opostos, enquanto a mistura racêmica não produz desvio.

No início da carreira de químico, em 1848[58], Pasteur investigou a assimetria molecular: separou manualmente os cristais de duas formas do tartarato duplo de sódio e amônio, sal do ácido tartárico.[59] O ácido tartárico conhecido na época era um subproduto da produção de vinho usado no tingimento. Em algumas preparações, porém, obtinha-se outro ácido, chamado ácido racêmico e depois ácido paratartárico[nota 15][60]. As soluções de ácido tartárico e de seus sais, os tartaratos, desviavam o plano da luz polarizada; as soluções do ácido paratartárico e de seus sais não produziam esse efeito, embora os compostos tivessem a mesma fórmula molecular. Em 1844, Mitscherlich[61] afirmou que, entre os pares de tartaratos e paratartaratos, os sais duplos de sódio e amônio se distinguiam apenas pela atividade óptica: o tartarato desviava a luz, e o paratartarato, não. Na nomenclatura da época, a palavra “duplo”[62] indicava a presença de sódio e amônio no mesmo sal do ácido tartárico. Segundo Mitscherlich, os cristais dos dois sais também tinham a mesma forma. Pasteur custou a acreditar que duas substâncias fossem tão semelhantes sem serem idênticas[63]. Ao repetir as observações, notou um detalhe: os cristais do tartarato apresentavam uma assimetria, ou “hemiedria”, sempre com a mesma orientação; já entre os cristais do paratartarato coexistiam duas formas que eram imagens espelhadas não sobreponíveis, uma delas igual à do tartarato. Pasteur separou manualmente os dois tipos de cristal, preparou uma solução de cada um e observou que desviavam o plano da luz polarizada em sentidos opostos. Desde os estudos de Biot, essa rotação era associada à estrutura molecular[64]; Pasteur, seguindo também trabalhos de seu professor Gabriel Delafosse[65], propôs que a assimetria dos cristais refletia uma assimetria interna das moléculas, que poderiam existir em duas formas inversas[66]. Esse resultado antecipou a noção de quiralidade molecular[67]. Assim se compreendeu que o ácido racêmico, ou paratartárico, é uma mistura de duas formas do ácido tartárico, uma que desvia a luz para a direita e outra para a esquerda[68].

O trabalho de Pasteur nesta área resultou, alguns anos depois, no nascimento da área de Estereoquímica com a publicação da obra Chimie dans l'Espace por van't Hoff que, ao introduzir a noção de assimetria do átomo de carbono, muito contribuiu para o surgimento[nota 16] do Química orgânica[69] moderno.

Vitrine com modelos de cristais, frascos e instrumentos usados nos estudos de cristalografia.
Modelos de cristais e instrumentos preservados no Museu Pasteur ilustram os métodos usados para investigar a assimetria molecular.

Pasteur demonstrou corretamente (através do exame dos cristais e depois do teste polarimétrico)[nota 17] que o ácido paratartárico é composto de duas formas distintas de ácido tartárico. Por outro lado, a relação geral que ele acreditava poder deduzir entre a forma cristalina e a constituição da molécula[70] era imprecisa, estando o caso espetacular do ácido paratartárico longe de ser a ilustração de uma lei geral, como o próprio Pasteur notou[71]. François Dagognet diz sobre este assunto: “a estereoquímica não reteve nada dos pontos de vista de Pasteur, mesmo que continue a ser verdade que as moléculas biológicas têm uma forma helicoidal”[72].

Gerald L. Geison, em um livro de 1995, e outros autores depois dele notaram uma tendência em Pasteur de atenuar sua dívida para com Auguste Laurent no que diz respeito ao seu conhecimento de tartaratos[73]. Geison fez outras críticas ao trabalho de Pasteur sobre a quiralidade das moléculas, mas num trabalho publicado em 2019, Joseph Gal doUniversidade do Colorado em Denver conclui que, na sua maioria, estas críticas são totalmente desprovidas de valor científico.[74]

Estudos sobre a fermentação

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Da assimetria molecular à fermentação

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Micrografia eletrônica de células de levedura com brotos.
Leveduras em brotamento: o estudo de organismos vivos como esses foi central para a explicação da fermentação alcoólica.

Em 1849, Biot relatou a Pasteur que Álcool amílico desvia o plano de polarização da luz[75] e, portanto, tem a propriedade de dissimetria molecular.[nota 18] Pasteur considera pouco provável que o álcool amílico herde esta propriedade do açúcar de onde provém (por fermentação), porque, por um lado, a constituição molecular dos açúcares parece-lhe muito diferente da do álcool amílico e, além disso, sempre viu os derivados perderem a propriedade rotativa dos corpos de partida. Ele conjectura, portanto, que a assimetria molecular do álcool amílico se deve à ação do fermento. Tendo-se convencido (sob a influência de Biot[76]) de que a assimetria molecular está intimamente ligada à vida, ele vê nisso a confirmação de certas “ideias pré-concebidas” que tem sobre a causa de Fermentação e que o colocam entre os proponentes do fermento vivo[77].

As ideias da época sobre a fermentação

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Em 1787, Adamo Fabbroni sustentou em Ragionamento sull’arte di far vino (Florença)[nota 19] que a fermentação do vinho era causada por uma substância viva presente no mosto[78]. Charles Cagniard de Latour e Theodor Schwann depois reuniram outros indícios de que a levedura era um ser vivo[79]. Em 1843, quando Pasteur ainda assistia às aulas de Jean-Baptiste Dumas na Sorbonne[80], o químico também descreveu o fermento como um ser organizado e comparou sua atividade à nutrição animal[81].

Berzelius, por sua vez, entendia a fermentação como um processo puramente catalítico, sem atuação necessária de organismos vivos.[nota 20] Liebig admitia que a levedura pudesse ser viva[82], mas atribuía a fermentação à decomposição dela, que transmitiria um movimento às substâncias próximas. Ambos contestaram os trabalhos de Cagniard de Latour e Schwann[83].

As descobertas de Pasteur

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Como observa André Pichot, Pasteur retomou uma linha de pesquisa aberta por Charles Cagniard de Latour e mostrou que a levedura atuava na fermentação como organismo vivo, e não como matéria orgânica em decomposição[84]. Seus estudos também se beneficiaram das primeiras objetivas acromáticas, que reduziam distorções de cor na observação microscópica[85]. Entre 1857 e 1867, publicou estudos sobre diferentes fermentações[86]. Com o uso de culturas puras[nota 21][87], demonstrou que processos como as fermentações láctica e butírica[88], nos quais antes não se identificara um agente semelhante à levedura[89] — fato usado por Liebig como argumento contra a explicação biológica[90] — também eram produzidos por organismos vivos[91].

Pasteur também demonstrou[92] que alguns microrganismos vivem sem oxigênio livre e os chamou de anaeróbios[nota 22][93].

Escultura em memória de Pasteur num jardim de Lille.
Em Lille, uma escultura assinala o local onde Pasteur conduziu pesquisas decisivas para seus estudos das fermentações.

Assim, no caso da fermentação alcoólica, a levedura mantida afastada do ar vive provocando uma reação química em detrimento do açúcar que libera as substâncias de que necessita e ao mesmo tempo provoca o aparecimento do álcool. Por outro lado, se a levedura estiver na presença de oxigênio livre, ela se desenvolve mais e a fermentação produtora de álcool é fraca. Os rendimentos de levedura e álcool são, portanto, antagônicos. A inibição da fermentação pela presença de oxigênio livre é o que chamamos de “Efeito Pasteur”[nota 23][94].

Debate sobre o papel dos organismos vivos na fermentação

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Retrato fotográfico do químico Eduard Buchner.
Os experimentos posteriores de Eduard Buchner mostraram que extratos celulares também podiam produzir fermentação.

Embora Liebig tenha se mantido firme, o trabalho de Pasteur foi geralmente aceito como uma prova definitiva do papel dos organismos vivos na fermentação. No entanto, certos fatos (como o papel desempenhado em Hidrólise de Amido por diastase ou alfa-amilase,[nota 24]descobertos em 1833 por Payen e Persoz[95]) estavam de acordo com a concepção catalítico de Berzelius.É por isso que Moritz Traube em 1858[96] e Marcellin Berthelot em 1860[97] propuseram uma síntese das duas teorias, fisiológica e catalítica: a fermentação não é produzida diretamente pelos seres vivos que são comumente responsáveis ​​por ela (leveduras etc.), mas por substâncias não vivas, "fermentos solúveis" (às vezes dizíamos "diástases" e mais tarde diremos "Enzimas"), as próprias substâncias secretado ou excretado pelos seres vivos em questão. Em 1878,Berthelot publicou uma obra póstuma de Claude Bernard que, contradizendo Pasteur, enfatizava o papel dos “fermentos solúveis” na fermentação alcoólica[98]. Isto resultou entre Pasteur e Berthelot numa das famosas controvérsias da história da ciência[99].

Pasteur não rejeitou absolutamente o papel dos “fermentos solúveis”.[nota 25] No caso particular da fermentação amoniacal da urina, considerou estabelecido, na sequência de uma publicação de Musculus[100], que a causa imediata da fermentação foi um “fermento solúvel” (neste caso, a enzima que chamaremos de “Urease”) produzido pelo fermento microbiano que ele próprio descobriu[101]. Admitiu também o fenômeno, relatado por Georges Lechartier e Bellamy[102], da alcoolização de frutas sem a intervenção do fermento microbiano alcoólico. Mais de uma vez declarou que não rejeitava (mas também não adotava) a hipótese de fermento solúvel na fermentação alcoólica[103]. Contudo, ele escreveu em 1879 (sobre o fermento alcoólico solúvel): “A questão do fermento solúvel está resolvida: ele não existe;Bernard estava iludido”[104]. Concordamos, portanto, que Pasteur foi incapaz de compreender a importância dos “fermentos solúveis” (já estabelecidos pelo trabalho de Eduard Buchner) e enfatizou o papel dos microrganismos nas “fermentações propriamente ditas” com excessiva insistência[105], o que não foi na direção do progresso na enzimologia[106]. A relutância de Pasteur em relativizar o papel dos organismos vivos é atribuída ao seu vitalismo[107], que também o impediu de compreender o papel das toxinas e de admitir em 1881, durante sua rivalidade com o veterinárioHenry Toussaint na corrida por uma vacina contra o antraz, que uma vacina “morta” poderia ser eficaz[108].

O trabalho de Pasteur sobre a fermentação foi objeto de debate nas décadas de 1970 e 1980, questionando-se se, ao falar de "fermentações propriamente ditas", Pasteur cometeu uma tautologia que lhe permitiu provar com pouco custo a causa biológica das fermentações[109].

Refutação da geração espontânea

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A partir de 1859, Pasteur contestou os defensores da geração espontânea, em especial Félix Archimède Pouchet. O jovem jornalista e médico Georges Clemenceau também questionou sua competência nesse campo e atribuiu sua posição a convicções ideológicas e religiosas[110]. Pasteur dedicou cerca de seis anos a experiências para testar as alegações de que microrganismos surgiam espontaneamente nas condições investigadas[111].

As questões específicas

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Retrato gravado do naturalista Félix Archimède Pouchet.
Félix Archimède Pouchet foi o principal adversário de Pasteur no debate experimental sobre a geração espontânea.

Desde o século XVIII, defensores e críticos de Geração espontânea (também chamada de heterogenia)[nota 26] procuravam experiências capazes de decidir a controvérsia.

Os defensores desta teoria (chamados esponteparistas ou heterogenistas) sustentam que, quando o contato com o ar faz com que seres vivos microscópicos apareçam em certas substâncias, esta vida não se origina de vida pré-existente, mas de um “poder reprodutivo” do ar.[nota 27]

Para os críticos dessa hipótese, o ar introduzia microrganismos ou seus germes nas substâncias, em vez de criar vida por uma propriedade própria.

Já em 1791, Pierre Bulliard argumentou, após experiências rigorosas, que a putrefação[nota 28] não dá origem a seres organizados e que qualquer bolor só pode surgir da “semente de um indivíduo da mesma espécie”[112].

Em 1837, Schwann mostrou que o aquecimento do ar antes de sua entrada numa preparação impedia o aparecimento de microrganismos, resultado que os críticos da geração espontânea consideraram favorável à sua tese[113].

Em 1847, o senhor Blondeau de Carolles, relatando uma experiência repetindo as realizadas por Turpin, concluiu: “todo ser organizado provém de um germe que, para se desenvolver, necessita apenas de circunstâncias favoráveis, e que esse germe não pode desviar-se da missão que lhe foi atribuída, que é a de reproduzir um ser semelhante àquele que o formou”[112].

Em 20 de dezembro de 1858[114], a Academia de Ciências recebeu duas comunicações nas quais Félix Pouchet, naturalista e médico de Rouen, afirmava apresentar provas definitivas da geração espontânea.

Em 3 de janeiro de 1859[115], a Academia de Ciências debateu as comunicações de Pouchet. Os acadêmicos que participaram da discussão — Milne Edwards, Payen, Quatrefages, Claude Bernard e Dumas — citaram suas próprias experiências para se opor à geração espontânea, que já era uma posição minoritária.

Mesmo depois das discussões da Academia, contudo, permanecem dois pontos fracos na posição dos oponentes da geração espontânea:

  1. Sob certas condições, obtêm, sem poder explicar, resultados aparentemente favoráveis ​​à geração espontânea[116];
  2. Os processos (aquecimento, lavagem com ácido sulfúrico, filtragem) pelos quais livram o ar dos germes que ele poderia transportar são acusados ​​pelo esponteparistas de “atormentar” o ar e privá-lo do seu poder reprodutivo[117].

“Ninguém”, conta Pasteur, “foi capaz de indicar a verdadeira causa do erro em seus experimentos [= de Pouchet], e logo a Academia, compreendendo tudo o que ainda faltava ser feito, propôs como tema do prêmio a seguinte questão: Tentar, através de experimentos bem feitos, lançar nova luz sobre a questão das gerações espontâneas”[118].

Foi Pasteur quem ganhou o prêmio em 1862, pelo trabalho experimental exposto em seu Mémoire sur les corpuscules organisés qui existent dans l'atmosphère. Examen de la doctrine des générations spontanées[119].

Os experimentos de Pasteur

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Seus experimentos aperfeiçoaram, em grande parte, os procedimentos de pesquisadores anteriores[120]. Além disso, respondeu às duas dificuldades mencionadas acima. Primeiro, percebeu que certos resultados anteriores, aparentemente favoráveis ​​à geração espontânea[121], decorriam do uso de uma cuba de mercúrio para barrar o ar ambiente:[nota 29] o próprio mercúrio podia conter germes[122].

Desenho de um frasco de vidro com gargalo longo curvado em forma de S.
No frasco de gargalo de cisne, o ar entrava, mas a poeira com microrganismos ficava retida nas curvas.

Em seguida, Pasteur apresentou uma experiência em que o ar não era aquecido nem filtrado: usou frascos com o gargalo curvado em forma de S, o chamado pescoço de cisne[nota 30]. Observou que, em muitos casos[123], o ar atravessava as curvas sem provocar o aparecimento de microrganismos no líquido do fundo do frasco, enquanto uma gota colocada perto da entrada do gargalo se contaminava. A ausência de alteração no líquido[124] indicava que as partículas portadoras de germes ficavam retidas nas curvas e se depositavam no vidro. O químico Balard havia sugerido o experimento a Pasteur, e Chevreul realizara demonstrações semelhantes em suas aulas[125].

Por fim, Pasteur também respondeu a um argumento específico de Pouchet: este último, argumentando a partir da constância com que (em seus experimentos, pelo menos) a vida aparecia em infusões,[nota 31] concluiu que, se a teoria de seus adversários estivesse correta, os germes seriam tão onipresentes que “o ar em que vivemos teria quase a densidade do ferro”[126]. Pasteur realizou experiências em vários lugares, épocas e altitudes e mostrou que (se o ar ambiente penetrar sem se livrar dos germes) a proporção de frascos contaminados é tanto menor quanto o ar é mais puro. Assim, em Mar de Gelo, apenas uma das vinte preparações se deteriora[127].

No experimento do balão pescoço de cisne, o ar era ar normal, não aquecido, nem filtrado, nem lavado quimicamente, mas o material fermentável era aquecido, o que um esponteparista poderia ter usado como argumento para afirmar que o resultado do experimento (não aparecimento de vida) não advinha da ausência de germes, mas de uma modificação das propriedades do material fermentável. Em 1863, Pasteur mostrou que se colocarmos um líquido orgânico fresco (sangue ou urina) na presença de ar esterilizado, a vida não aparece, o que, concluiu, "dá um golpe final na doutrina das gerações espontâneas"[128].

Limites da demonstração de Pasteur

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Fotomicrografia de bacilos vermelhos e esporos ovais verdes após coloração.
Os esporos de Bacillus subtilis (verdes nesta coloração) resistem ao calor e ajudam a explicar resultados antes interpretados como geração espontânea.

Houve, no entanto, uma lacuna na demonstração de Pasteur: embora ele se apresentasse como uma refutação de Pouchet, ele nunca usou uma infusão de feno como fez Pouchet[nota 32][129]. Se o tivesse feito, poderia ter-se deparado com uma dificuldade inesperada[130]. Na verdade, de 1872 a 1876, alguns anos depois da controvérsia entre Pasteur e Pouchet, Ferdinand Cohn estabeleceu que um bacilo do feno, Bacillus subtilis, pode formar Endósporos resistentes à fervura[131].

À luz do trabalho de Cohn, o pasteuriano Émile Duclaux reconhece que a refutação de Pasteur a Pouchet perante a Comissão Acadêmica sobre Gerações Espontâneas era errônea: "O ar é muitas vezes outro fator importante na revivescência dos germes [...]. [O] feno geralmente contém, como Cohn mostrou desde então, um bacilo muito tênue [...]. É este famoso bacillus subtilis [...]. Seus esporos, em particular, podem suportar várias horas de fervura sem perecendo, mas são tanto mais difíceis de rejuvenescer quanto mais foram maltratados. Se fecharmos o gargalo do frasco que os contém com uma lâmpada, no momento em que o líquido que os banha está fervendo, eles não estão mortos, mas não se desenvolvem no líquido resfriado e devolvido ao forno, porque falta ar, a infusão é povoada, e ainda estaria povoada se apenas deixássemos entrar ar aquecido, porque o ar não atua, como. Pasteur acreditava na época dos debates perante a Comissão Acadêmica de Gerações Espontâneas, ao trazer germes: é o seu oxigênio que entra em jogo » (Émile Duclaux acrescenta que Pasteur voltou do seu erro[132]).

O ar como fator de renascimento dos germes, não mortos, mas em estado de não desenvolvimento, é, portanto, a explicação de que a ciência acabou preferindo o transportador aéreo de germes para dar conta de um fenômeno que Pouchet, por sua vez, interpretou da seguinte forma: “os proto-organismos, que nascem espontaneamente [...] com as partes constituintes dos minerais. Segundo esta doutrina, não são, portanto, as moléculas minerais que se organizam, mas sim as partículas orgânicas que são chamadas a uma nova vida”[133].

Com base nos estudos de Cohn, John Tyndall realizou experiências que contribuíram para encerrar a controvérsia sobre a geração espontânea[134].

Pasteur também acreditava que a geração espontânea não era absolutamente refutada, mas apenas nas experiências pelas quais se pretendia demonstrá-la. Em texto inédito de 1878, declarou não considerar impossível a geração espontânea[135].

Críticas externalistas

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Gravura histórica de frascos e tubos usados nos experimentos de Pasteur.
A aparelhagem dos experimentos sobre a geração espontânea está no centro da avaliação posterior de seus métodos.

[136]Se podemos criticar Pasteur como falta de rigor por não ter procurado repetir verdadeiramente as experiências de Pouchet, há outra circunstância em que, no seu trabalho sobre a geração espontânea, Pasteur pode parecer tendencioso, uma vez que admite ter deixado de lado observações que não iam na direcção da sua tese. Com efeito, trabalhando com a ajuda do tanque de mercúrio quando ainda não tinha compreendido que o próprio mercúrio traz germes, obteve resultados aparentemente favoráveis ​​à geração espontânea: “Não publiquei estas experiências; as consequências que delas deviam ser deduzidas eram demasiado graves para que eu não tivesse medo de alguma causa oculta de erro, apesar do cuidado que tive para torná-las irrepreensíveis.

Desenho histórico do aparelho experimental de Pouchet, com tubos e recipientes de vidro.
O aparelho de Pouchet ilustra os procedimentos que historiadores posteriores reexaminaram na controvérsia sobre a geração espontânea.

Baseando-se nestes dois desvios do método científico puro de Pasteur, e também no que consideravam ser a óbvia parcialidade da Academia de Ciências em favor de Pasteur, Farley e Geison, num artigo de 1974[137], sustentaram que um factor externo à ciência[nota 33] interveio na abordagem de Pasteur e da Academia de Ciências: o desejo de derrotar as ideias materialistas e subversivas cuja geração espontânea era considerada aliada. (Pasteur, que era espiritualista, via uma ligação entre o materialismo e a adesão à geração espontânea, mas negou ter-se deixado influenciar por este tipo de considerações no seu trabalho científico[138]) No seu livro de 1995[139], Geison retoma boa parte do artigo de 1974, mas reconhece que este artigo foi demasiado "externalista" em detrimento de Pasteur e deu demasiada ênfase a Pouchet.

H. Collins e T. Pinch, em 1993, também tomaram como ponto de partida para a sua reflexão os dois afastamentos de Pasteur do método científico puro e a parcialidade da Academia de Ciências. Também mencionaram (brevemente) as questões religiosas e políticas que alguns acreditavam ver na questão, mas não mencionaram a possibilidade de o próprio Pasteur ter cedido a tais motivos ideológicos. Na verdade, eles exoneram Pasteur e, em vez disso, culpam uma concepção higienizada do método científico: “Pasteur sabia o que deveria ser considerado um resultado e o que deveria ser considerado um 'erro'. Pasteur foi um grande cientista, mas a forma como agiu dificilmente se aproxima do ideal do método científico proposto hoje. atitude”[140].

Salientamos, no entanto, em relação a este pedido de desculpas um tanto cínico, que se levantaram vozes contra a tendência de certos teóricos da ciência “externalistas” ou “Relativistas” de reduzir a atividade científica, e em particular a de Pasteur, a manobras e golpes nos quais a racionalidade teria pouco papel[141].

Num artigo de 1999[142] e num livro de 2003[143], D. Raynaud reexaminou a controvérsia sobre a geração espontânea com base em correspondência não publicada entre membros da Academia de Ciências e Pouchet. Com base em quatro argumentos principais, concluiu que a apologia a Pouchet apresentada por certos historiadores e sociólogos da ciência “relativistas” é uma inanidade.

  • Défaite de Pouchet. Em 1862, após apresentar sua dissertação para o concurso do Prêmio Alhumbert, Pouchet decidiu retirar-se do concurso, ajudando assim a garantir a vitória de Pasteur. Em 1864, após pedir que a polêmica fosse resolvida por uma comissão de peritos (MHNR, FAP 3978), Pouchet recuou porque os resultados seriam “comprometidos pelas baixas temperaturas da primavera”. As experiências foram adiadas para junho, e Pouchet recusou-se mais uma vez a aparecer em Paris. Numa carta de 18 de junho de 1864, Flourens deveria dar-lhe uma última oportunidade para realizar as suas experiências, mas ele recusou novamente, deixando a comissão avaliar sozinha o trabalho de Pasteur.
  • Coalition anti-Pouchet. Raynaud observa que a coligação anti-Pouchet dentro da Academia de Ciências foi mais suposta do que realmente demonstrada. A correspondência mostra que Pouchet mantinha relações estreitas e amigáveis ​​com vários acadêmicos, em particular Geoffroy Saint-Hilaire, Serres, Coste e Flourens, secretário perpétuo da Academia das Ciências[144].
  • Qualités d'expérimentateur. Raynaud equilibra os erros metodológicos de Pasteur, muitas vezes destacados, com os, menos conhecidos, do seu adversário de Rouen. O argumento de Bacillus subtilis é enfraquecido pelo fato de que Pouchet “transportou o corpo putrescível para 200 °C, 250 °C e ainda mais, sem impedir o aparecimento de microrganismos”[145]. Pouchet pensava ter demonstrado experimentalmente que a luz vermelha favorece o aparecimento de microrganismos de origem animal, a luz verde, a das micrófitas[146]. Ele também admitiu chuva de sapos e “avalanches de esgana-gatas” como prova irrefutável de geração espontânea[147].
  • Probité intellectuelle. Em 1863, Pouchet, Joly e Musset tentaram reproduzir os experimentos de Pasteur nos Pirenéus. Eles abrem quatro balões (A, B, C, D) na aldeia de Rencluse a 2083 m altitude; quatro outros balões (E, F, G, H) nas geleiras Maladeta a 3000 m altitude. Aos seus olhos, todos os balões contêm microorganismos. A nota de Comptes rendus de l'Académie des Sciences de 1863 não descrevendo o conteúdo dos balões um por um, Pasteur convocou Pouchet para explicar o que aconteceu com os balões desaparecidos (B, C, G, H). Pouchet então pede a Joly que responda: "Você vê de onde ele vem. Pese suas frases com cuidado. Além disso, segundo D. Raynaud, o pedido de desculpas de Pouchet se basearia na consideração por historiadores e sociólogos da ciência do testemunho de Pennetier, discípulo de Pouchet, que tira sua leitura da polêmica de uma suposta carta de Isidore Geoffroy Saint-Hilaire de 31 de agosto de 1859, que é uma falsificação de Pouchet.

As doenças do vinho e a pasteurização

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Capa antiga do livro Études sur le vin, de Pasteur.
Em Études sur le vin, Pasteur reuniu resultados de seus estudos sobre alterações e conservação do vinho.

Em 1862, Pasteur confirmou a opinião formulada em 1822 por Christiaan Hendrik Persoon, ao estabelecer o papel de um microrganismo, mycoderma aceti (renomeado Acetobacter aceti) na formação de Vinagre[148].

Em 1863, as alterações do vinho já prejudicavam o comércio francês havia anos. Napoléon III pediu a Pasteur, especialista em fermentação e putrefação, que procurasse um remédio: Pasteur, que mudou seu laboratório para Arbois por dois anos consecutivos no outono, publicou os resultados de seu trabalho em Études sur le vin em 1866 (ele havia publicado um primeiro artigo sobre o assunto em 1863)[149]. Para impedir a proliferação dos microrganismos responsáveis por essas alterações, Pasteur propôs aquecer o vinho após a fermentação e patenteou o procedimento em 11 de abril de 1865, marco no desenvolvimento da pasteurização.[150] Ele tem uma disputa sobre esse processo com o enólogo Alfred de Vergnette de Lamotte,em que os estudiosos Balard e Thenard tomam partido respectivamente de Pasteur e Vergnette[151]. Pasteur e Vergnette foram precedidos por Nicolas Appert que publicou o aquecimento de vinhos em 1831 em sua obra Le livre de tous les ménages[152]. A descoberta da pasteurização rendeu a Pasteur o Mérito Agrícola, mas também o Grande Prêmio da Exposição Universal (1867).

Os provadores cegos concluíram que a pasteurização não alterava o bouquet dos grandes vinhos,[nota 34] mas “Pasteur foi forçado a reconhecer a forte influência da imaginação depois de ver o seu commission d'expertise reverter completamente as suas conclusões sobre o mesmo vinho no espaço de alguns dias”[153]. No final das contas, a pasteurização do vinho não teve muito sucesso e foi abandonada antes do final do século XIX[154]. Antes de Primeira Guerra Mundial,o Instituto Pasteur praticou no vinho um pasteurisation rapide en couche mince que dificilmente se espalhou, mas depois fez “um retorno triunfante à França sob seu nome americano” de flash pasteurization[155].

Máquina metálica de pasteurização do século XIX exposta em um museu do vinho.
Um pasteurizador francês do século XIX preservado no VINSEUM ilustra a aplicação industrial do aquecimento estudado por Pasteur.

Na Borgonha, a pasteurização do vinho foi abandonada na década de 1930[156].

As doenças microbianas no vinho têm sido evitadas por outros meios que não a pasteurização: gestão racional das fermentações, sulfitação da colheita[nota 35][157], redução das populações contaminantes através de diferentes processos de clarificação. Difícil de utilizar na adega, onde não protege a vindima da contaminação pós-aquecimento, a pasteurização é, no entanto, útil para certos tipos de vinho - aliás de qualidade média e de consumo rápido - no momento do engarrafamento onde às vezes são preferidas técnicas de sulfitação e filtração estéril (mas a cervejaria utiliza mais prontamente a pasteurização)[158].

Por demonstrar o papel dos organismos vivos na fermentação alcoólica e aplicar esse conhecimento à produção de vinho, Pasteur é considerado um dos fundadores da enologia, campo para o qual Chaptal já havia contribuído. No entanto, ao atribuir papel benéfico apenas às leveduras, Pasteur não conseguiu ver o papel de certas bactérias no início da fermentação malolática (um papel que, uma vez redescoberto - em 1946 - permitirá um controle mais preciso da vinificação)[85].

A pasteurização do leite, ao contrário daquela aplicada ao vinho, difundiu-se amplamente. Pasteur não havia proposto esse uso; em 1886, o químico alemão Franz von Soxhlet sugeriu aquecer o leite para conservá-lo[159]. O procedimento também deu continuidade a técnicas anteriores de conservação de alimentos estudadas por Nicolas Appert[160].

Doenças contagiosas

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Microscópio histórico de corpo metálico usado por Pasteur.
O microscópio de Pasteur permite situar os recursos de observação disponíveis durante suas pesquisas sobre microrganismos.

A teoria microbiana das doenças vinha sendo formulada havia décadas, mas ainda não era amplamente aceita para explicar as doenças contagiosas. Em 1687, Giovanni Cosimo Bonomo e Diacinto Cestoni relacionaram a sarna ao ácaro Sarcoptes scabiei, em uma das primeiras demonstrações da causa parasitária de uma doença humana.[161] Esta descoberta, no entanto, não teve eco[162]. Por volta de 1835, alguns estudiosos, dos quais nos lembramos principalmente Agostino Bassi[163],prove que uma das doenças dos bichos-da-seda, a muscardina, é causada por um fungo microscópico. Em 1836-37 Alfred François Donné descreveu o protista responsável por tricomoníase: Trichomonas vaginalis. Em 1839 Johann Lukas Schönlein identificou o agente da micose favica: Trichophyton schoenleinii; em 1841,o sueco Frederick Theodor Berg identificou Candida albicans, o agente de Candidíase oral e em 1844, David Gruby identificou o agente das mariposas tosquiadoras, Trichophyton tonsuranos (esta última descoberta aparentemente esquecida, foi feita novamente por Saboureau em 1894). Esses agentes eram parasitas e outros organismos eucarióticos, não bactérias. Em 1861, Anton de Bary estabeleceu a ligação causal entre a requeima da batata - responsável em particular por Grande fome de 1845–1849 na Irlanda - e o organismo hoje denominado Phytophthora infestans, um oomiceto que Miles Joseph Berkeley já havia observado em 1845.[164]

Num ensaio de 1840, Friedrich Gustav Jakob Henle, ecoando o trabalho de Bassi sobre a natureza microbiana da muscardina de bicho-da-seda e os de Cagniard de Latour e Theodor Schwann sobre a natureza viva da levedura, desenvolveu uma Teoria microbiana das doenças de doenças contagiosas e formulou os critérios que permitem, segundo ele, decidir se uma determinada doença é causada por um determinado microrganismo.

Lâmina de vidro histórica preparada por Filippo Pacini com material relacionado ao cólera.
Uma lâmina preparada por Filippo Pacini em 1854 documenta a identificação precoce do agente do cólera, que só alcançaria ampla aceitação décadas depois.

A teoria, apesar desses avanços, encontrou resistência e desenvolveu-se de forma bastante lenta, principalmente no que diz respeito a doenças humanas contagiosas. Assim, a descoberta do bacilo de Cólera permaneceu quase letra morta quando Pacini a publicou em 1854, ao passo que deve ter encontrado imediatamente uma ampla audiência quando Koch a repetiu em 1883. Na época dos primórdios de Pasteur, portanto, a teoria microbiana existia, mesmo que ainda estivesse em sua infância. Por outro lado, é tradicional, especialmente desde século XVIII, enfatizar a analogia entre doenças febris e fermentação[165]. Não é portanto surpreendente, neste contexto, que o trabalho de Pasteur sobre a fermentação tenha estimulado o desenvolvimento da teoria microbiana das doenças contagiosas. Em 1860, depois de ter reafirmado o papel dos organismos vivos na putrefação e na fermentação, o próprio Pasteur acrescentou: "No entanto, não terminei todos estes estudos. O que seria mais desejável seria levá-los longe o suficiente para preparar o caminho para pesquisas sérias sobre as origens de várias doenças"[166]. Casimir Davaine,no início de suas publicações de 1863 sobre carvão, que hoje são consideradas a primeira evidência da origem microbiana de uma doença transmissível aos humanos, escreveu "1=Sr. Pasteur, em fevereiro de 1861, publicou seu notável trabalho sobre o fermento butírico, fermento que consiste em pequenos bastões cilíndricos, possuindo todas as características dos vibrios ou bactérias. Os corpúsculos filiformes que eu tinha visto no sangue de ovelhas afetadas por sang de rate [= carvão] tendo uma grande analogia na forma com esses vibrios, fui levado a examinar se corpúsculos análogos ou do mesmo tipo daqueles que determinam a fermentação butírica, introduzidos no sangue de um animal, não desempenhariam também o papel de fermento."[167]. O próprio Pasteur, em 1880, relembrou seu trabalho sobre fermentações e acrescentou: "A medicina humana, tal como a medicina veterinária, aproveitou a luz que estes novos resultados lhes trouxeram. Em particular, apressámo-nos a investigar se os vírus e as infecções não poderiam ser seres animados. O Doutor Davaine (1863) tentou destacar as funções de Bactérias de carvão, que ele havia visto no ano de 1850"[168]. Veremos, porém, que Pasteur, quando teve que lidar com as doenças do bicho-da-seda, em 1865, começou por negar o caráter microbiano de Pebrinha, compreendido por outros antes dele. Quanto às doenças humanas contagiosas, foi apenas a partir de 1877[169] que ele participou pessoalmente no desenvolvimento dos seus conhecimentos.(Já em 1873 Gerhard Armauer Hansen, impulsionado pela conclusão de Pasteur no debate sobre a geração espontânea, é claro, mas também um leitor de Charles-Louis Drognat-Landré[170] e Davaine, identificou o agente causal de Lepra. Esta descoberta, no entanto, não foi imediatamente unânime[171]).

Antissepsia e assepsia

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Antissepsia

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Gravura de uma equipe cirúrgica utilizando um pulverizador de ácido carbólico.
A aplicação de antisséptico durante uma cirurgia ilustra a influência da teoria dos germes sobre as práticas de Joseph Lister.

O cirurgião inglês Joseph Lister, após ler o trabalho de Pasteur sobre fermentação (onde a putrefação é explicada, como a fermentação, pela ação de organismos vivos), convence-se de que a infecção pós-operatória (facilmente descrita na época como podridão, putrefação) também se deve a organismos microscópicos. Tendo lido em outro lugar que o ácido carbólico (fenol)[nota 36] destruiu os enterozoários que infectavam certos animais de criação, ele lavou as feridas de seus pacientes com água carbólica e aplicou-lhes algodão embebido em ácido carbólico. O resultado é uma redução drástica na infecção e na mortalidade.

Lister publicou sua teoria e método em 1867, vinculando-os explicitamente ao trabalho de Pasteur[172]. Numa carta de 1874, ele agradeceu a Pasteur “por ter me demonstrado, através de sua brilhante pesquisa, a verdade da teoria dos germes de putrefação, e assim me dar o único princípio que poderia ter levado o sistema anti-séptico a uma conclusão bem sucedida”[173].

A anti-sepsia listeriana,[nota 37] cuja eficácia triunfará sobre a resistência dentro de alguns anos, é, do ponto de vista teórico, um importante ramo da teoria microbiana. No plano prático, porém, não é totalmente satisfatório: Lister, que pensava apenas nos germes presentes no ar, e não naqueles espalhados pela água[174], nas mãos dos operadores, bem como nos instrumentos e tecidos que utilizam, ataca os micróbios no campo operatório, vaporizando ácido carbólico no ar e aplicando-o nas feridas. Não é muito eficaz quando é necessário operar em profundidade e, além disso, o ácido carbólico tem efeito cáustico no operador e no paciente. Procuramos, portanto, logo prevenir a infecção (assepsia) em vez de combatê-la (antissepsia)[175].

Antiga autoclave de metal utilizada para esterilização por vapor.
A autoclave desenvolvida por Charles Chamberland permitia esterilizar materiais por vapor sob pressão.

Pasteur “é um daqueles que procuram ir além da antissepsia através de Assepsia”[176]. Na sessão de 30 de abril de 1878 da Academia de Medicina, chamou a atenção para os germes transmitidos pela água, esponja ou fiapos com que os cirurgiões lavam ou cobrem feridas e recomendou que usassem apenas instrumentos perfeitamente limpos, limpassem as mãos e depois as submetessem a chamas rápidas e usassem apenas fiapos, tiras, esponjas e água previamente exposta a diversas temperaturas que ele especifica. Sendo muito menos germes suspensos no ar ao redor da cama do paciente do que na água e na superfície dos objetos, esses cuidados possibilitariam o uso de um ácido carbólico diluído o suficiente para não ser cáustico [177].

É claro que estas recomendações não eram inteiramente novas: Semmelweis e outros antes dele (por exemplo Claude Pouteau e Jacques-Mathieu Delpech[178],[179]) já tinham entendido que os próprios perpetradores de procedimentos médicos poderiam transmitir a infecção, e tinham feito recomendações nesse sentido, mas os avanços na teoria microbiana mudaram tanto os dados que o conselho de Pasteur recebeu muito mais atenção do que o dos seus antecessores.

Ao defender assim a assepsia, Pasteur traçava um caminho que seria seguido (não sem resistência da classe médica) por Octave Terrillon (1883), Ernst von Bergmann e William Halsted[180],[181].

Combate às doenças dos bichos-da-seda

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Conjunto de casulos de bicho-da-seda preservados em uma coleção histórica.
Casulos utilizados nas pesquisas de Pasteur sobre as doenças dos bichos-da-seda mostram o material que ele examinou entre 1865 e 1870.

Em 1865, Jean-Baptiste Dumas, o senador e ex-ministro da Agricultura e Comércio, pediu a Pasteur que estudasse uma nova doença que estava dizimando criações de bichos-da-seda no sul da França e da Europa, Pebrinha, caracterizada na escala macroscópica por manchas pretas e na escala microscópica por “corpúsculos de Cornalia”.[nota 38] Pasteur aceita e fará cinco estadias longas em Alès,entre 7 de junho de 1865 e 1869[182].

Erros iniciais

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Chegando a Alès, Pasteur familiarizou-se com a pébrina e também[183] com outra doença do bicho-da-seda, conhecida antes[184] da pébrina: Flacherie ou doença das lagartas mortas. Ao contrário, por exemplo, de Quatrefages, que cunhou a palavra novo pébrine[185], Pasteur cometeu o erro de acreditar que as duas doenças são uma só e mesmo que a maioria das doenças do bicho-da-seda conhecidas até então são idênticas entre si e à pebrina[186]. Foi nas cartas de 30 abril e 21 de maio de 1867 a Dumas que ele fez pela primeira vez a distinção entre pébrine e flacherie[187].

Ele comete outro erro: começa por negar o caráter “parasitário” (microbiano) da pebrina, que vários estudiosos (notadamente Antoine Béchamp[188]) consideraram bem estabelecido. Mesmo uma nota publicada em 27 de agosto de 1866[189] por Balbiani, que Pasteur inicialmente pareceu acolher favoravelmente[190], permaneceu sem efeito, pelo menos imediatamente[191]. “Pasteur está errado.Ele só mudou de opinião durante 1867”[192].

Vitória contra a pebrina

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Ilustração histórica de bichos-da-seda afetados pela pebrina, com manchas escuras.
Ilustração de bichos-da-seda com pebrina: a observação dos corpúsculos orientava a seleção de lotes para reprodução.

Embora Pasteur ainda não tivesse entendido a causa da doença, ele propagou um processo eficaz para deter as infecções: escolheu-se uma amostra de crisálidas, elas foram trituradas e os corpúsculos foram procurados no material triturado; se a proporção de crisálidas com corpúsculos na amostra é muito baixa, o lote é considerado adequado para reprodução[193]. Este método de triagem de “sementes” (ovos)[nota 39] aproxima-se de um método que Osimo havia proposto alguns anos antes, mas cujos testes não foram conclusivos[194]. Através deste processo, Pasteur restringiu a pebrina e salvou em grande parte a indústria da seda em Cévennes[195],[196].

A resistência da flacherie

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Desenho microscópico histórico com estruturas observadas em bicho-da-seda doente.
Uma ilustração de estruturas encontradas em bichos-da-seda doentes recorda a dificuldade de distinguir a flacherie da pebrina.

Em 1884, Balbiani[197], que prestou pouca atenção ao valor teórico do trabalho de Pasteur sobre as doenças do bicho-da-seda, reconheceu que seu processo prático havia remediado a devastação da pebrina, mas acrescentou que esse resultado tendia a ser contrabalançado pelo desenvolvimento da flacherie, menos conhecida e mais difícil de prevenir[198]. Em 1886, Sociedade de Agricultores Franceses manifestou o desejo “que o governo examine se não há necessidade de realizar novos estudos científicos e práticos sobre o caráter epidêmico das doenças do bicho-da-seda e sobre os meios de combater esta influência”. Decourt[199], que cita este desejo, apresenta números dos quais conclui que depois do trabalho de Pasteur, a produção de bichos-da-seda sempre permaneceu muito inferior à que era antes do aparecimento da pebrina e, portanto, contesta o título de Pasteur de "salvador da sericultura francesa".

Micróbios e vacinas

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Filtro de porcelana histórico desenvolvido por Charles Chamberland.
O filtro de Charles Chamberland fazia parte das técnicas de laboratório associadas à investigação de microrganismos.

A partir de 1876, Pasteur trabalhou sucessivamente no filtro e na autoclave, ambos desenvolvidos por Charles Chamberland (1851-1908), e também na flambagem de vasos[nota 40][200].

Embora o seu trabalho sobre fermentações, como vimos, tenha estimulado o desenvolvimento da teoria microbiana das doenças contagiosas, e embora, no estudo das doenças do bicho-da-seda, tenha acabado por concordar com a opinião daqueles que consideravam a pebrina como “parasita”, Pasteur, no final de 1876 (ano em que os alemães Robert Koch avançaram o conhecimento da bactéria antraz), ainda estava indeciso sobre a origem das doenças. doenças contagiosas humanas: “Sem qualquer preconceito neste difícil assunto, inclino-me pela natureza dos meus estudos anteriores para o lado daqueles que afirmam que as doenças contagiosas nunca são espontâneas […] Vejo com satisfação os médicos ingleses que estudaram a febre febre tifóide com o maior vigor e rigor rejeitando absolutamente a espontaneidade desta terrível doença”[201]. Mas ele logo se tornou um dos mais ativos e proeminentes defensores da teoria microbiana das doenças contagiosas, um campo onde seu maior adversário era Robert Koch, sua rivalidade feroz (no contexto de Guerra Franco-Prussiana), mas frutífera, estendendo-se às escolas que eles criaram e manifestando-se primeiro na etiologia de carvão, depois na cólera, na soroterapia antidiftérica e na peste [202]. Em 1877,Pasteur descobriu o “vibrio séptico”[203], que causa um tipo de sepse e obscureceu a etiologia do antraz; este micróbio será nomeado posteriormente Clostridium septicum[204]. Em 1880, ele descobriu estafilococo, que identificou como responsável por furúnculos e Osteomielite[205]. A sua luta em favor da teoria microbiana não o impediu de reconhecer a importância do “campo”[206], importância ilustrada pela imunização vacinal, à qual dedicaria a última parte da sua carreira.

Os inoculadores antes de Pasteur: em busca da atenuação

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Pintura histórica de Edward Jenner vacinando uma criança com auxílio de adultos.
A vacinação contra a varíola de Edward Jenner precedeu os estudos de Pasteur sobre a atenuação artificial de agentes infecciosos.

Quando Pasteur iniciou sua pesquisa em vacinas, foram feitas inoculações preventivas[nota 41] contra uma doença humana, a varíola (o método de Jenner é famoso), e contra duas doenças do gado: varíola ovina, doença dos ovinos e pleuropneumonia bovina[207].

Alguns clavelizadores procuram atenuar[208] a virulência da claveau (a substância mórbida injetada)[nota 42] pela cultura ou por inoculações sucessivas de animal para animal, mas, segundo um dicionário da época, seus resultados são ilusórios[209].

A vacina contra a cólera aviária

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Prancha didática antiga com desenhos de amostras de sangue de aves com cólera aviária.
Prancha didática do Instituto Pasteur sobre o sangue de aves com cólera; o estudo dessas culturas levou aos ensaios de atenuação.

O agente da cólera aviária, hoje identificado como Pasteurella multocida, foi isolado em 1879 pelo italiano Perroncito; no mesmo ano Henry Toussaint conseguiu cultivá-lo. Foi também de Toussaint que Pasteur obteve a cepa do micróbio da cólera da galinha[nota 43][210].

Uma descoberta fortuita?
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No verão de 1879, Pasteur, Émile Roux e Émile Duclaux observaram que galinhas inoculadas com culturas envelhecidas do microrganismo causador da cólera aviária[nota 44] sobreviviam e resistiam a uma inoculação posterior com uma cultura virulenta. O experimento apontava para uma vacina de novo tipo: em vez de empregar um agente naturalmente pouco perigoso, como na vacinação de Jenner contra a varíola, os pesquisadores reduziam em laboratório a virulência de uma linhagem inicialmente perigosa[211].

Se acreditarmos na famosa versão de René Vallery-Radot[212] e Émile Duclaux[213], é retomando velhas culturas esquecidas (ou deixadas de lado durante as férias) que teríamos notado com surpresa que não mataram e até deram imunidade. Este seria um caso de Serendipidade.

Antonio Cadeddu[214], porém, lembra que “desde os anos 1877-1878, [Pasteur] compreendeu perfeitamente o conceito de atenuação da virulência”[215]. Esta é uma das razões pelas quais Cadeddu[216], seguindo Mirko Grmek, questiona o alegado papel do acaso na descoberta do processo de atenuação da virulência e pensa que esta atenuação foi certamente procurada ativamente, o que as notas laboratoriais de Pasteur parecem confirmar[217].

Irregularidade da vacina contra a cólera aviária
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Micrografias eletrônicas em preto e branco de bactérias Pasteurella multocida.
Micrografias modernas de Pasteurella multocida, bactéria da cólera aviária: a aparência do agente, por si só, não informa o grau de virulência de uma cultura.

Na sua dupla comunicação de 26 de outubro de 1880 à Academia de Ciências e à Academia de Medicina, Pasteur atribui a atenuação da virulência[nota 45] ao contato com o oxigênio. Ele diz que as culturas que envelhecem em contato com o oxigênio perdem a virulência a ponto de poderem servir de vacina, enquanto as culturas que envelhecem em tubos protegidos do oxigênio mantêm a virulência. Porém, ele reconhece em nota de rodapé que o oxigênio nem sempre desempenha seu papel atenuante, ou nem sempre no mesmo intervalo de tempo: “Como, ao abrigo do ar, a atenuação não ocorre, entendemos que, se numa cultura em contato livre com o ar (puro), ocorre um depósito do parasita em alguma espessura, as camadas profundas ficam ao abrigo do ar, enquanto as superficiais ficam em condições completamente diferentes. Falando assim, a quantidade de vírus utilizada, permite compreender que a atenuação de um vírus não deve necessariamente variar proporcionalmente ao tempo de exposição ao ar”[218].

Alguns[219] vêem isto como uma meia admissão da irregularidade da vacina, irregularidade que mais tarde se confirmou: "Este caminho, que o génio de Pasteur tinha aberto e que era então tão fecundo, cedo se revelou fechado no que diz respeito à vacinação anti-pasteurella de galinhas. Surgiram dificuldades na regularidade da atenuação e manutenção da virulência num grau determinado e fixo"[220].

A teoria de Pasteur, segundo a qual a virulência da vacina era atenuada pela ação de Oxigênio, não foi aceita[221].

A vacina contra o antraz

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Gravura histórica de Pasteur e colaboradores preparando a vacinação de ovelhas.
A experiência pública em Pouilly-le-Fort, em 1881, testou a proteção de ovelhas contra o antraz.

Em 1880, Auguste Chauveau[222] e Henry Toussaint[223] publicaram as primeiras experiências francesas na imunização de animais contra carvão por inoculação preventiva. Ao mesmo tempo, W. S. Greenfield, em Londres, obteve a imunização inoculando o bacilo previamente atenuado pela cultura. Diante das publicações de Greenfield, alguns autores acreditam que ele tem prioridade sobre Pasteur[224], mas o próprio Greenfield reconheceu que seus resultados foram inconclusivos[225].

Em 5 de maio de 1881, durante o famoso experimento de Pouilly-le-Fort, um grupo de ovelhas foi vacinado contra o antraz com uma vacina desenvolvida por Pasteur, Émile Roux e especialmente Charles Chamberland. A demonstração mostrou proteção no grupo vacinado. A análise posterior dos cadernos de laboratório indicou que a preparação empregada havia sido atenuada com dicromato de potássio, e não apenas pela exposição ao oxigênio descrita publicamente por Pasteur; essa divergência ficou conhecida como “Segredo de Pouilly-le-Fort”.[226]

Para responder à procura significativa de vacinas contra o antraz que surgiu imediatamente após a experiência de Pouilly-le-fort, tanto em França como no estrangeiro, e embora um decreto de junho de 1882 incluísse a vacina contra o antraz na lei de saúde animal, Pasteur teve de organizar “precipitosamente” a produção e distribuição em grande número de vacinas. Para isso, é criada uma entidade Le Vaccin charbonneux, rue Vauquelin[227]. Os acidentes de vacinação ocorridos no outono de 1881 e na primavera de 1882, na França e no exterior, obrigaram Pasteur a retornar ao postulado da fixidez das vacinas. Em 1886, a distribuição da vacina contra o antraz no estrangeiro foi confiada a uma empresa comercial, a Compagnie de Vulgarisation du Vaccin Anthrax, que detinha um monopólio comercial, mas também técnico, destinado tanto a preservar os segredos de fabrico como a garantir a homogeneidade das vacinas[228].

A vacina de Pasteur e os seus derivados deram resultados geralmente satisfatórios, mas por vezes enfraqueceram a ponto de não provocarem uma resposta imunitária suficiente[nota 46] e, noutros casos, permaneceram suficientemente virulentos para comunicar a doença que pretendiam prevenir. Nicolas Stamatin em 1931 e Max Sterne em 1937 desenvolveram outras vacinas; a linhagem de Sterne tornou-se a mais empregada mundialmente na vacinação de animais contra o antraz.[229] Essas vacinas empregavam bacilos incapazes de formar Cápsula bacteriana (bacilos acapsulados ou acapsulogènes)[230].

A vacina contra a erisipela suína

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Placa de ágar com colônias bacterianas claras de Erysipelothrix rhusiopathiae.
Cultivo de Erysipelothrix rhusiopathiae, bactéria causadora da erisipela suína investigada pela equipe de Pasteur.

Enviado por Pasteur ao sudeste da França onde ocorreu uma epidemia de erisipela dos suínos, conhecida na França como rouget du porc, Louis Thuillier identificou o bacilo desta doença em 15 de março de 1882. Na verdade, esta descoberta já foi feita por H. J. Detmers em Chicago[231]. A descrição original de Pasteur e Thuillier, que apresentava um bacilo em forma de oito, estava incorreta. O Pasteuriano Adrien Loir escreveu em 1937-1938 que o bacilo que cultivaram e que serviu para produzir a vacina (ver abaixo) era de fato o da erisipela suína, embora o tenham descrito incorrectamente[232], mas em 1957,Gaston Ramon estimaram que o bacilo descoberto por Thuillier era uma pasteurella suína e não o bacilo da erisipela suína[233]. Numa comunicação datada de 26 de novembro de 1883 e intitulada La vaccination du rouget des porcs à l'aide du virus mortel atténué de cette maladie , Pasteur apresentou à Academia das Ciências uma vacina obtida através da redução da virulência do bacilo através de passagens sucessivas em coelhos, espécie naturalmente pouco receptiva a esta doença. Este é um novo método de atenuação da virulência, semelhante àquele em que se baseia a vacina de Jenner[234]. Apesar dos esforços da administração francesa, a vacina contra a erisipela suína, colocada no mercado em 1886, não obteve grande sucesso em França. 22 de outubro de 1884, Pasteur observa que “a Sociedade Veterinária de Charente foi mais uma vez desencorajada de vacinar o salmonete devido a um fracasso que sofreu em outubro[235]”.Este fracasso foi atribuído ao investimento insuficiente de Chamberland responsável por garantir o seu desenvolvimento dentro do laboratório Pasteur[236]. Assim, só no ano de 1890, apenas 20000 porcs foram vacinados em França, enquanto na Hungria este número subiu para 250.000[237].

Vacina contra a raiva

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Trabalhos anteriores de Duboué e Galtier
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Micrografia eletrônica colorida com partículas azuis do vírus da raiva dentro de uma célula.
Partículas do vírus da raiva vistas por microscopia eletrônica; sua natureza viral só pôde ser observada muito depois dos ensaios de Pasteur.

A raiva em pessoas e animais parece ter se difundido na Europa Ocidental a partir do século XVI, provavelmente devido ao crescimento demográfico que perturba os habitats da vida selvagem, com um aumento nos contatos entre animais selvagens e domésticos, particularmente durante assilvestramento[238]. A raiva dos lobos, das raposas e dos cães esteve presente na Europa ao longo dos séculos seguintes, causando várias centenas de mortes humanas[238].

Em 1879, Pierre-Henri Duboué formulou, com base em trabalhos da época, uma “teoria nervosa” da raiva: o agente infeccioso se ligaria às fibras nervosas expostas pela mordida[nota 47] e avançaria até o bulbo raquidiano[239]. O papel da via nervosa na propagação do vírus da raiva, conjecturado por Duboué quase exclusivamente a partir de induções, foi posteriormente confirmado experimentalmente por Pasteur e seus assistentes[240].

Em 1879, Pierre Victor Galtier mostrou que o coelho, menos perigoso de manusear que o cão, poderia servir aos experimentos sobre a raiva. Considerou também que o longo período de incubação talvez permitisse aplicar uma medida preventiva após a mordida, mas antes do aparecimento dos sintomas[nota 48][241]. Em 1881, relatou ter imunizado uma ovelha com a injeção intravenosa de saliva de um cão com raiva[242].

Ele conclui erroneamente que, em cães, o vírus só tem sede nas glândulas linguais e na mucosa oral-faríngea[243].

Estudos de Pasteur
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Estudos em animais
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Em uma comunicação de 30 de maio de 1881[244], Pasteur retomou a “teoria nervosa” de Duboué. Ao contrário do que Galtier relatara obter, sua equipe conseguiu transmitir a doença com material do cérebro e da medula de cães com raiva. Na comunicação, destacou dois resultados:

  1. O vírus da raiva não é encontrado apenas na saliva, mas também, e com pelo menos igual virulência, no cérebro;
  2. A inoculação direta da substância cerebral da raiva na superfície do cérebro do cão por trepanação[nota 49] comunica a raiva de forma confiável, com uma incubação significativamente mais curta (morte em menos de três semanas) do que em circunstâncias normais, economizando um tempo valioso para os experimentadores.

Nessa comunicação de 1881, Pasteur citou Galtier apenas para contestar sua conclusão.

Em dezembro de 1882[245], nova nota de Pasteur e seus colaboradores, estabelecendo que o sistema nervoso central é a principal sede do vírus, onde se encontra em estado mais puro que na saliva, e relatando casos de imunização de animais por inoculação do vírus, ou seja, casos de vacinação. Galtier é citado duas vezes no final da página, primeiro em relação às dificuldades intransponíveis enfrentadas pelo estudo da raiva antes da intervenção de Pasteur, nomeadamente porque "a saliva foi o único material onde foi observada a presença do vírus da raiva" (segue uma referência a Galtier) e depois em relação à ausência de imunização que os pasteurianos notaram em cães após injeção intravenosa: "1=Estes resultados contradizem aqueles que foram anunciados pelo Sr. Galtier, a esta Academia, em 1.º de agosto de 1881, através de experiências realizadas em ovelhas." Galtier, em 1891[246] e depois em 1904[247], mostrou-se ulcerado[248] com esta forma de tratar o seu método da imunização de pequenos ruminantes por injeção intravenosa, cuja eficácia foi confirmada em 1888 por dois pasteurianos,Roux e Nocard[249].

Pintura de Pasteur observando um frasco que contém medula de coelho suspensa.
Na pintura de Albert Edelfelt, Pasteur observa a medula de coelho em processo de secagem, etapa de seu método de vacinação contra a raiva.

Duas notas de fevereiro[250] e maio[251] de 1884 são dedicadas a métodos de modificação do grau de virulência por passagens sucessivas em animais[nota 50] (exaltação por passagens sucessivas em coelhos, atenuação por passagens sucessivas em macacos). Os autores acreditam que após um certo número de passagens em animais da mesma espécie, obtemos um vírus fixo, ou seja, um vírus cujas propriedades permanecerão inalteradas durante as passagens subsequentes (em 1935, P. Lépine mostrou que esta fixidez era menos absoluta do que se acreditava e que era necessário controlar o grau de virulência e o poder imunogénico das estirpes "fixas"[252]).

Em 1885, Pasteur disse[253] que era capaz de obter uma forma atenuada do vírus à vontade, deixando secar, em ar dessecado, a medula espinhal de coelhos infectados com raiva[nota 51][254]. Isto torna possível vacinar através de uma série de inoculações cada vez mais virulentas.

Ensaios em seres humanos
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Retrato antigo do menino Joseph Meister em traje escuro.
Joseph Meister recebeu em 1885 o tratamento pós-exposição de Pasteur, em um episódio decisivo para a divulgação do método.

Em carta de 22 de setembro de 1884 a D. Pedro II, Pasteur propôs, em caráter hipotético, testar inoculações preventivas contra a raiva em condenados à morte em troca do perdão da pena. A proposta é conhecida pela correspondência conservada no Museu Imperial.[255][256]

Mas foi em 1885, na França, que realizou os primeiros testes em humanos.

Segundo a análise dos cadernos de laboratório, Pasteur não publicou seus dois primeiros ensaios em seres humanos: um paciente do hospital Necker, Girard, tratado em 2 de maio de 1885, e a menina de 11 anos Julie-Antoinette Poughon, tratada depois de 22 de junho de 1885.[257] Segundo Patrice Debré,[258] o silêncio sobre os dois casos alimentou a suspeita de que Pasteur teria ocultado os primeiros fracassos. De fato, no caso Girard, que parece ter evoluído favoravelmente, o diagnóstico de raiva, apesar dos sintomas que levaram à conclusão de raiva declarada, era duvidoso, e, no caso da menina Poughon (que morreu no dia seguinte à vacinação), muito provavelmente foi raiva declarada, o que foi e ainda é, com quase certeza[259], uma sentença de morte a curto prazo, com ou sem vacinação[260].

G. Geison observou que antes de tratar esses dois casos humanos de raiva manifesta, Pasteur não havia feito nenhuma tentativa de tratar a raiva manifesta em animais.[261]

No dia 6 de julho de 1885, o alsaciano Joseph Meister, de nove anos e morador de Steige, foi levado a Pasteur. Dois dias antes, em 4 de julho, sofrera quatorze mordidas de um cão suspeito de raiva.[262][263] Como a exposição era recente, Meister ainda não apresentava sintomas de raiva. A incerteza sobre a infecção e a eficácia do tratamento tornava o caso delicado. Émile Roux, assistente de Pasteur na pesquisa sobre a raiva, recusou-se a participar das injeções.[264] Pasteur hesitou, mas os médicos Alfred Vulpian e Jacques-Joseph Grancher julgaram o caso suficientemente grave para justificar a vacinação e a administraram sob sua responsabilidade. A cobertura da campanha de vacinação contra a cólera conduzida por Jaume Ferran na Espanha também pode ter influenciado a decisão de Pasteur.[265] Meister recebeu treze inoculações ao longo de dez dias, com preparações de medula espinhal de coelhos infectados, de virulência crescente. Na primeira, utilizou-se uma preparação feita com a medula de um coelho morto de raiva em 21 de junho e mantida por quinze dias. As injeções foram aplicadas na região do hipocôndrio direito com uma seringa de Pravaz.[266] Meister não desenvolveu raiva.

Na verdade, o valor probatório do caso Meister deixa alguns estudiosos céticos. O que nos levou a considerar que o cachorro que o mordeu era raivoso foi o fato de "este, na autópsia, tinha feno, palha e fragmentos de madeira no estômago"[267]. Nenhuma inoculação de substância retirada do cão foi feita. Em comunicação à Academia de Medicina (11 de janeiro de 1887), Peter, principal adversário de Pasteur e grande clínico, declarou que o diagnóstico da raiva pela presença de corpos estranhos no estômago era obsoleto[268]. Victor Babès, discípulo de Pasteur,confirmará em seu Traité de la rage[269] que "a autópsia é, de fato, insuficiente para estabelecer o diagnóstico de raiva. Em particular, a presença de corpos estranhos no estômago é quase inútil[270]."

Um detalhe do tratamento de Meister ilustra estas palavras escritas em 1996 por Maxime Schwartz, então diretor-geral do Instituto Pasteur (Paris):

"Pasteur não é visto hoje como era há um século ou mesmo vinte anos atrás. O tempo de Hagiografia acabou, as imagens de Epinal nos fazem sorrir, e as condições em que a vacina anti-rábica ou a soroterapia antidiftérica foram testadas fariam estremecer nossos comitês de ética modernos em retrospecto[271]. »

Nos últimos dias da série de inoculações, Meister recebeu uma preparação plenamente virulenta, que Pasteur apresentou como uma inoculação de controle da proteção obtida.[nota 52] A sobrevivência do menino, porém, não podia demonstrar sozinha a eficácia do tratamento, pois não houve comprovação laboratorial de que o cão estivesse infectado.[272][273]

O próprio Pasteur disse as coisas claramente: "Joseph Meister escapou, portanto, não só da raiva que suas mordidas poderiam ter desenvolvido, mas daquela que eu inoculei nele para controlar a imunidade devida ao tratamento, uma raiva mais virulenta que a das ruas. A inoculação final, muito virulenta, tem ainda a vantagem de limitar a duração das apreensões que se possam ter sobre as consequências das picadas. Se a raiva pudesse surgir, seria declarada mais rapidamente por um vírus mais virulento do que pelas picadas.".

A propósito da segunda destas três frases, André Pichot, na sua antologia dos escritos de Pasteur, faz uma nota: “Esta frase está um pouco deslocada, na medida em que aqui se tratava de tratar um ser humano (e não de fazer uma experiência num animal)”[274].

Questionamentos sobre a eficácia da vacina de Pasteur
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Litografia de pessoas recebendo vacinação antirrábica na clínica de Pasteur.
A procura pelo tratamento antirrábico cresceu após os primeiros relatos, enquanto seus resultados continuaram a ser avaliados.

Após a divulgação dos primeiros resultados de Pasteur, a procura por seu tratamento antirrábico cresceu; Jean-Baptiste Jupille foi outro paciente que se tornou conhecido. Diante de casos em que o tratamento não protegeu os pacientes, Pasteur propôs um protocolo mais intenso[nota 53], apresentado à Academia de Ciências em 2 de novembro de 1886[275]. Jules Rouyer, tratado em outubro, morreu 24 dias depois da apresentação; seu pai apresentou queixa contra os responsáveis pelo tratamento[276].

Segundo relato feito cerca de cinquenta anos depois dos acontecimentos pelo bacteriologista Adrien Loir, sobrinho de Pasteur e ex-assistente-preparador, a medula da criança, inoculada em coelhos, transmitiu-lhes a raiva, mas Roux (na ausência de Pasteur, que estava de férias na Riviera) relatou o contrário; o médico legista, Brouardel, depois de ter dito a Roux “Se eu não tomar uma posição a seu favor, é um retrocesso imediato de cinquenta anos na evolução da ciência, isso deve ser evitado! », conclui no seu parecer pericial que a criança Rouyer não morreu de raiva. Patrice Debré aceita este relato, embora note que se baseia exclusivamente em Adrien Loir[277].

Na mesma época, o jovem Réveillac, submetido ao protocolo intensivo, morreu com sintomas atípicos. Michel Peter, adversário de Pasteur, interpretou o caso como uma forma de raiva possivelmente associada ao tratamento, então chamada rage de laboratoire, rage Pasteur, sobre a qual começamos a falar muito[278].

Segundo P. Lépine e L. Cruveilhier, “mais tarde abandonamos um método de tratamento tão energético, que poderia apresentar alguns perigos”[279].

O método original de Pasteur e Roux também acabou sendo substituído. Em 1908, o médico italiano Claudio Fermi propôs uma vacina contra a raiva com um vírus tratado com fenol. Gradualmente, em todo o mundo, a vacina fenicada de Fermi suplantou a medula de coelho de Pasteur e Roux. Na França, onde nos limitamos às medulas de coelho, P. Lépine e V. Sautter fizeram comparações rigorosas em 1937: uma versão da vacina tratada com fenol protegeu os coelhos na proporção de 77,7%, enquanto os coelhos vacinados pelo método da medula seca foram protegidos apenas na proporção de 35% [280]. Em trabalho de 1973, André Gamet registrou que a preparação da vacina antirrábica pelo método da medula seca já não era utilizada. Entre os métodos ainda usados em 1973, ele citou o tratamento do vírus com fenol[281]. Atualmente, a Organização Mundial da Saúde recomenda substituir as vacinas preparadas com tecido nervoso por vacinas produzidas em culturas celulares, mais seguras e eficazes; a profilaxia após uma exposição também inclui limpeza imediata da ferida e, quando indicado, imunoglobulina antirrábica.[282]

Segundo Bruno Latour, o verdadeiro apoio do público em geral e dos médicos ao trabalho de Pasteur vem principalmente do desenvolvimento do soro antidifteria por Roux e seus colegas em 1894, mais do que de suas vacinas[283]. Mesmo que tenha sido o último trabalho de Pasteur na vacinação anti-rábica que o tornou mais famoso aos olhos do público em geral, Patrice Debré acredita que o seu trabalho mais notável foi o primeiro [284].

Fundação do Instituto Pasteur

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Fachada do edifício histórico do Instituto Pasteur em Paris.
O edifício histórico do Instituto Pasteur, em Paris, foi erguido para acolher o tratamento antirrábico e a pesquisa.

A criação de um instituto para tratamento da raiva foi proposta à Academia de Ciências por Vulpian em outubro de 1885 depois de Pasteur ter apresentado os resultados do seu tratamento preventivo. Em 1.º de março de 1886, Pasteur apresentou brevemente o projeto à Academia de Ciências. Uma comissão especial[nota 54] aprovou a ideia e decidiu abrir uma subscrição internacional para financiar o futuro Instituto Pasteur.[285] Reconhecido como instituição de utilidade pública em 4 de junho de 1887, o instituto foi inaugurado em 14 de novembro de 1888, com a presença do presidente Sadi Carnot.[285]

No Brasil, um instituto antirrábico denominado Instituto Pasteur foi inaugurado no Rio de Janeiro em 25 de fevereiro de 1888, antes da abertura do instituto parisiense. Ligado à Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, o serviço era dirigido inicialmente por Augusto Ferreira dos Santos, que estudara em Paris a preparação da vacina. D. Pedro II também contribuiu financeiramente para a instituição francesa.[286]

Após a inauguração, os cinco primeiros departamentos foram dirigidos por Émile Duclaux (microbiologia geral), Charles Chamberland (aplicações dos micróbios à higiene), Élie Metchnikoff (morfologia dos micróbios), Jacques-Joseph Grancher (raiva) e Émile Roux (pesquisa técnica). Roux organizou, no ano seguinte, um curso de microbiologia intitulado Cours de Microbie Technique.[287]

Erros teóricos

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As toxinas
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Micrografia de bacilos Corynebacterium diphtheriae corados em azul.
A toxina de Corynebacterium diphtheriae seria demonstrada por Émile Roux e Alexandre Yersin, depois das pesquisas de Pasteur.

Em 1877, Pasteur quis testar a hipótese segundo a qual o bacilo do antraz só causaria o estado mórbido indiretamente, ao produzir um “fermento diastático solúvel” que seria o patógeno imediato. Ele pega o sangue de um animal que acabou de morrer de antraz, filtra-o para remover os bacilos e inocula o filtrado em um animal saudável.[nota 55] O animal receptor não desenvolve a doença e Pasteur acredita que esta experiência “descarta completamente a hipótese do fermento solúvel”[288]. Numa publicação posterior, ainda em 1877, Pasteur observou, porém, que o sangue filtrado, se não causa a doença, torna os glóbulos aglutinantes, tanto ou até mais do que na doença, e considera que este é o efeito de uma “diástase” formada pelos bacilos[289]. Na verdade, os Pasteurianos Roux e Yersin provaram em 1888 (no caso da difteria) que os micróbios segregam de fato uma substância (a toxina) que é a causa directa e isolável da doença.

Epistemologistas e historiadores da ciência como F. ​​Dagognet e A. Pichot[290] pensam que o semi-fracasso de Pasteur em destacar a existência e o papel das toxinas tem a mesma causa que a sua atitude defensiva em relação à teoria das enzimas: o seu "vitalismo"[nota 56] (Dagognet diz "vegetalismo"), que tende a separar rigorosamente os domínios dos vivos e dos não-vivos. Deve ser dito, em defesa de Pasteur, que um fator tóxico do antraz só foi demonstrado experimentalmente em 1954 e caracterizado em estudos publicados em 1955[291][292]. Além disso, em 1880, Pasteur concordou em considerar, como hipótese, o papel de uma substância tóxica[293].

Vacinas com microrganismos mortos (inativados)
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Em 1880, o veterinário Henry Toussaint acreditava, com ou sem razão, ter imunizado ovelhas contra o antraz por dois métodos: inoculando sangue de antraz do qual os micróbios haviam sido removidos por filtração, e inoculando sangue de antraz onde os micróbios haviam sido deixados, mas mortos por aquecimento.[nota 57] Pasteur, que assim vê Toussaint, “sem que ele saiba, talvez, porque não faz alusão a isso”, minando as opiniões anteriormente publicadas por Pasteur, rejeita a ideia de uma vacina que não contenha agentes infecciosos vivos[294]. Aqui, novamente, André Pichot[295] vê um efeito da tendência de Pasteur de compartimentar rigorosamente os domínios do vivo e do inanimado. Pasteur, no entanto, acabaria por admitir a possibilidade de “vacinas químicas”[296].

O mecanismo da imunização
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Para explicar a imunização, Pasteur adotou duas ideias diferentes. A primeira dessas ideias, que já encontramos em Tyndall e em Auzias-Turenne[297], explica a imunização pelo esgotamento, no sujeito, de uma substância necessária ao micróbio[298]. A segunda ideia[299] é que a vida do micróbio acrescenta material que prejudica o seu desenvolvimento[300]. Nenhuma destas duas ideias foi ratificada pela posteridade[301], embora a segunda possa ser considerada como um esboço da teoria dos anticorpos[302].

O "gênio" de Pasteur

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Sistematização mais que inovação

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Monumento com a figura de Pasteur e alegorias na praça de Breteuil, em Paris.
O monumento da Praça de Breteuil, em Paris, representa a ampla recepção pública dos trabalhos de Pasteur.

Em 1950, René Dubos elogiou Pasteur por “adivinhações ousadas”[303]. Em 1967, François Dagognet[304] cita este julgamento de Dubos,mas para ter a visão oposta: ele lembra que Pasteur apenas adicionou ao Química dos Isômero que Berzelius e Mitscherlich haviam fundado, que ele havia sido precedido por Cagniard de Latour no estudo microscópico dos Fermentaçãos,por Davaine em Teoria microbiana das doenças de Doenças contagiosas e, claro, por Jenner em Vacinação. Ele acrescenta que a ciência de Pasteur “consiste menos em descobrir do que em ligar as coisas”.

Na mesma linha de Dagognet, André Pichot define o caráter essencial da obra de Pasteur da seguinte forma: "Esta é a palavra-chave da sua obra: sempre consistiu em estabelecer a ordem, em qualquer nível. Contêm relativamente poucos elementos originais[305]; mas, na maioria das vezes, partem de uma situação muito confusa, e o génio de Pasteur foi sempre encontrar, nesta confusão inicial, um fio condutor que seguiu com constância, paciência e aplicação"[306].

Patrice Debré diz o mesmo: "Pasteur às vezes até dá a impressão de simplesmente verificar resultados descritos por outros, depois de se apropriar deles. No entanto, é precisamente quando retoma demonstrações deixadas, por assim dizer, em pousio, que ele se mostra mais inovador: a marca do seu génio é o seu espírito de síntese"[307].

Um cientista em contato com a sociedade

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Vitrine do museu com condecorações recebidas por Pasteur.
As condecorações preservadas no Museu Pasteur registram o reconhecimento institucional de seu trabalho.

Pasteur não foi de forma alguma um pesquisador isolado em sua torre de marfim. Seu trabalho foi orientado para aplicações médicas, higiênicas, agrícolas e industriais. Sempre colaborou estreitamente com as profissões em causa (mesmo que, entre os médicos, os seus apoiantes fossem minoria[308]) e conseguiu obter o apoio das autoridades públicas para a investigação científica.

É provável que sua grande popularidade se deva a isso. O próprio Pasteur contribuiu conscientemente para a construção de sua imagem, por meio de seus textos e de suas intervenções públicas.[309].

Em Lille, Pasteur registrou uma patente sobre fermentação alcoólica em 3 de fevereiro de 1857[310]. Em Paris, ele registrou uma patente para a fabricação de ácido acético em 9 de julho de 1861. O 11 de abril de 1865, Pasteur obteve na França um Patente sobre a conservação de vinhos por aquecimento moderado longe do ar (método que será chamado de pasteurização)[311]. Em 28 de junho de 1871 obteve uma patente na França para a fabricação de cerveja[312]. Esta patente está na origem da criação da “Sociedade das Cervejas Inalteráveis ​​- Processo Pasteur” que Pasteur criou em 4 de março de 1873[313]. Esta empresa, com capital de 250.000 francos, comprou a patente da cerveja pelo valor de 150000 francs. No mesmo ano, o Escritório Americano de Patentes concedeu a Pasteur uma patente em 1873[314]"em levedura livre de germes de doenças orgânicas, como produto de fabricação".

Pela lei de 3 de agosto de 1875, a Assembleia Nacional concede uma pensão a Louis Pasteur como recompensa pelos serviços prestados.

Além disso, Louis Pasteur tinha alguma inclinação para se envolver ativamente na política.

Na teoria solidarista de Léon Bourgeois

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Em sua teoria solidarismo, que se passa pela ideologia oficial do Terceira República, Léon Bourgeois considera Louis Pasteur um dos fundadores da República por ter identificado um vínculo biológico entre os humanos:[nota 58] segundo o resumo do filósofo Pierre Charbonnier, "sendo cada um potencialmente uma fonte de infecção para o outro, a doença é uma responsabilidade colectiva, a base mais tangível da solidariedade que realmente existe entre nós", o que leva a "a necessidade de instituições de proteção que traduzam a solidariedade microbiana em medidas educacionais e de previsão"[315].

Pasteur, a religião católica e a eutanásia

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Comunicado impresso das cerimônias fúnebres de Pasteur.
O comunicado do funeral de Estado dá contexto aos discursos posteriores sobre as convicções pessoais de Pasteur.

Nos últimos anos de século XIX e no primeiro de século XX, a apologética católica[nota 59] atribuiu prontamente a Pasteur a frase "Quando se estuda bem, volta-se à fé do camponês bretão. Se eu tivesse estudado ainda mais, teria a fé da camponesa bretã"[316].

Em 1939 (o período entre guerras foi a grande era de União Racionalista), Louis Pasteur Vallery-Radot, neto de Louis Pasteur, fez esta declaração: "Meu pai sempre teve o cuidado, e minha mãe também, de dizer que Pasteur não era religioso. Se você abrir Vie de Pasteur, verá que meu pai falava do espiritualismo de Pasteur, e não de seu catolicismo. Lembro-me perfeitamente da irritação de meu pai e de minha mãe, quando algum padre, no púlpito, se permitiu atribuir-lhe esta frase que ele nunca disse: “Tenho a fé do queimador de carvão bretão. “(…) Toda a literatura que foi escrita sobre o alegado catolicismo de Pasteur é absolutamente falsa”[317].

Em 1994-1995, Maurice Vallery-Radot, sobrinho-bisneto de Pasteur[318], não se contentava com o espiritualismo e o teísmo de Pasteur. Ele afirma que Pasteur permaneceu, no fundo, católico, mesmo que não fosse à missa regularmente[319].

No seu livro Pasteur publicado em 1896 (ed. Gauthier-Vilars), Charles Chappuis, seu amigo de infância, testemunha que Louis Pasteur foi a Notre-Dame de Paris para ouvir os sermões da Quaresma.

A filha Jeanne morreu de febre tifoide em 1859, aos nove anos.[320]

Em 1882 foi admitido sob a cúpula da Academia Francesa.

Pasteur falou: “Além desta abóbada estrelada, o que há? Novos céus estrelados. Qualquer um! E além?…

Quando esta noção [do infinito] toma conta do entendimento, basta prostrar-se. Sentimo-nos prontos para sermos dominados pela sublime loucura de Pascal.”

Uma testemunha, Ernest Legouvé, membro do Instituto, declarou no seu discurso no funeral de Pasteur em Notre-Dame de Paris: “Estas palavras transmitiram uma emoção de entusiasmo e fé a toda a assembleia”.

Fotografia histórica de um grupo de pacientes russos tratados contra a raiva em Paris.
O tratamento de pacientes russos contra a raiva em Paris, em 1886, tornou-se tema de relatos depois invocados no debate francês sobre a eutanásia.

Em 2004, numa audiência de uma comissão da Assembleia Nacional Francesa, o filósofo Nicolas Aumonier citou uma narrativa de Léon Daudet sobre russos acometidos de raiva para discutir a eutanásia. Segundo o relato apresentado na audiência, seis pacientes chegaram ao Hôtel-Dieu, um morreu e os outros cinco pediram que lhes abreviassem o sofrimento; Pasteur teria participado da decisão, e o farmacêutico do hospital teria administrado uma substância letal. Trata-se de um testemunho histórico reproduzido numa audiência, não de uma conclusão factual da comissão.[321]

No entanto, houve um tempo em que Pasteur praticando a eutanásia não era algo que fosse facilmente exibido: Axel Munthe tendo também relatado a eutanásia de alguns dos russos mordidos na versão original em inglês do seu Livre de San Michele (The Story of San Michele)[322], a tradução francesa publicada em 1934 por Albin Michel, embora dada como "texto completo", foi amputada da passagem correspondente[323].

Distinções

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Condecorações francesas

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Condecorações estrangeiras

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Em 1895, Pasteur recusou a condecoração alemã Pour le Mérite für Wissenschaften und Künste (para as artes e as ciências).[324]

Doutorados honoris causa

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Posteridade

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Ruas com o nome de Pasteur

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Placa azul com o nome da rua Pasteur em Da Nang, no Vietnã.
A rua Pasteur, em Da Nang, conserva o nome do cientista após a independência do Vietnã.

Mesmo durante a vida de Pasteur, as ruas adotaram o seu nome. Na França, mais de 3.300 ruas, avenidas e bulevares levam seu nome,[326] o que o colocava, num levantamento de 2016, em segundo lugar entre as pessoas homenageadas em vias públicas, atrás de Charles de Gaulle[327]. Durante os grandes movimentos de Descolonização, que levaram a mudanças nos nomes das ruas, as ruas nomeadas em homenagem a Pasteur muitas vezes mantiveram o seu nome. Este ainda é o caso hoje, por exemplo, de uma avenida no bairro residencial de Bellevue, em Constantine, na Argélia[328].

Este também é o caso em Vietnã em pelo menos duas cidades importantes: em Cidade de Ho Chi Minh, no distrito 3.º (vietnamita: Quận 3)[329], onde o Instituto Pasteur da cidade de Ho Chi Minh, fundado em 1891, mantém o nome após a independência[330]; em Danang, terceira cidade do país, onde a rua Pasteur, no distrito de Hải Châu (em vietnamita, Quận Hải Châu), também conserva o nome[331].

No Brasil, a avenida Pasteur, na Urca, no Rio de Janeiro, é um exemplo dessa homenagem. Em Portugal, a Praça Pasteur, no bairro lisboeta do Areeiro, recebeu esse nome por edital municipal de 29 de julho de 1948.[332][333]

Instituições chamadas Louis Pasteur

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Em 2015, Pasteur era a 11.ª personalidade mais homenageada entre os nomes dos 67.000 estabelecimentos públicos franceses: 361 escolas de diferentes níveis levavam seu nome, atrás de São José (880), Jules Ferry (642), Nossa Senhora (546), Jacques Prévert (472), Jean Moulin (434), Jean Jaurès (429), Joana d'Arc (423), Antoine de Saint-Exupéry (418), Santa Maria (377) e Victor Hugo (365), mas à frente de Marie Curie (360), Pierre Curie (357) e Jean de La Fontaine (335).[334]

No Brasil, o Instituto Pasteur de São Paulo foi fundado em 1903 por iniciativa privada e doado ao governo estadual em 1916; tornou-se uma instituição de referência para o estudo e a prevenção da raiva.[335]

Difusão da obra em Portugal

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Em Portugal, o Instituto Bacteriológico de Lisboa, criado em 1892, passou a oferecer o tratamento antirrábico no país a partir de 1893. Antes disso, o governo português enviara pacientes e médicos a Paris para conhecer o procedimento, que também foi tema de debates na Câmara dos Deputados.[336]

Homenagens e exposições

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O nome de Pasteur também foi dado a uma praça no campus da Fundação Oswaldo Cruz em Manguinhos, no Rio de Janeiro. Em 2023, o Museu da Vida participou da realização da exposição Pasteur, O Cientista, dedicada à vida e à obra do pesquisador, apresentada na mesma cidade.[337]

Em Portugal, no cinquentenário da morte de Pasteur, Augusto Celestino da Costa prestou-lhe homenagem na Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa. O discurso, preservado pelo Arquivo de Ciência e Tecnologia português, recordou a influência de seus estudos sobre Luís da Câmara Pestana e o desenvolvimento da bacteriologia no país.[338]

Numismática

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Astronomia e geografia

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Filatelia

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Em 1923 (centenário), os Correios franceses publicaram uma série de selos postais comumente usados com a imagem de Louis Pasteur. Vinte e cinco selos deste tipo, incluindo sobrecarregado ou pré-cancelado, foram emitidos até 1932.

Pasteur também será celebrado com selos de grande formato em 1936, 1938, 1973, 1995 e 2022.

O forro Pasteur, lançado em 1938, foi objeto de um selo de 70 centimes não emitido (em 1939), sobreimpresso 1F + 1F em 1941.

Cinema e televisão

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Fotogravura de Sacha Guitry caracterizado como Louis Pasteur.
Sacha Guitry interpretou Pasteur no cinema, mostrando a presença do cientista em obras de ficção histórica.

Iconografia

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Escultura

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Monumento em Chartres com busto de Pasteur acima de relevo figurativo.
Em Chartres, o monumento de Paul Richer reúne um busto e um relevo para homenagear os trabalhos de Pasteur.

Fotografia

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Museus Pasteur

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Notas

  1. ↑ O curtume trata peles de animais para transformá-las em couro, um ofício que exigia água e espaço para trabalhar.
  2. ↑ Na França, o bacharelado é um exame feito ao fim do ensino secundário. Os concursos selecionavam candidatos para escolas superiores.
  3. ↑ Como tutor, ele ajudava outros estudantes a revisar as matérias enquanto prosseguia os próprios estudos.
  4. ↑ Na época, a obtenção do doutorado em ciências exigia a apresentação de pesquisas próprias perante uma banca.
  5. ↑ Um membro correspondente participava da vida científica de uma academia sem ocupar uma de suas vagas de membro titular.
  6. ↑ O decano dirigia a faculdade, além de exercer suas funções de professor.
  7. ↑ A beterraba sacarina fornece açúcar. Na destilaria, esse açúcar era fermentado para produzir álcool.
  8. ↑ A comissão procurava descobrir como a doença se espalhava e que medidas poderiam interromper esse processo.
  9. ↑ A química fisiológica estudava as transformações químicas que ocorrem nos seres vivos; hoje parte desse trabalho integra a bioquímica.
  10. ↑ A criação de bichos-da-seda fornecia os fios usados na fabricação de tecidos de seda e tinha grande importância econômica na região.
  11. ↑ A patente permitia explorar comercialmente uma invenção por um período determinado, mediante as condições acertadas com a empresa.
  12. ↑ Aqui, a palavra descreve a preferência por observações e experiências verificáveis; Pasteur discutia os limites filosóficos dessa postura.
  13. ↑ Nesse contexto, jubileu era uma homenagem pública prestada a alguém por ocasião de um aniversário marcante.
  14. ↑ O embalsamamento é um conjunto de cuidados destinados a retardar a decomposição do corpo após a morte.
  15. ↑ Os dois nomes franceses foram usados para o mesmo ácido. “Racêmico” indica uma mistura em partes iguais de duas formas moleculares que se comportam como imagens no espelho.
  16. ↑ A disposição dos átomos no espaço pode mudar o comportamento de uma substância mesmo quando sua fórmula química permanece igual.
  17. ↑ O teste mede quanto uma substância desvia a direção de vibração da luz polarizada ao atravessá-la.
  18. ↑ A dissimetria indica que uma molécula e sua imagem no espelho não podem ser sobrepostas perfeitamente.
  19. ↑ O título italiano significa, aproximadamente, “Reflexão sobre a arte de fazer vinho”. A obra tratava da produção de vinho.
  20. ↑ Nessa explicação, uma substância aceleraria a reação química sem que fosse necessário atribuir a fermentação à atividade de seres vivos.
  21. ↑ Uma cultura pura contém microrganismos de um só tipo, permitindo estudar o que eles fazem sem a interferência de outros.
  22. ↑ “Anaeróbios” são seres capazes de viver sem oxigênio disponível no ambiente.
  23. ↑ O nome “efeito Pasteur” descreve a queda da produção de álcool pela levedura quando há oxigênio suficiente para ela respirar.
  24. ↑ “Diastase” era o nome dado a uma substância capaz de quebrar o amido; hoje ela é classificada entre as enzimas.
  25. ↑ A expressão era usada para substâncias produzidas por seres vivos que podiam provocar reações mesmo depois de separadas das células.
  26. ↑ “Heterogenia” era outro nome para a ideia de que pequenos seres vivos poderiam surgir sem descendência de organismos anteriores.
  27. ↑ Os defensores dessa ideia atribuíam ao próprio ar a capacidade de fazer surgir vida nas infusões.
  28. ↑ Putrefação é a decomposição de matéria orgânica, como restos de plantas e animais, geralmente acompanhada de cheiro forte.
  29. ↑ A cuba de mercúrio permitia manipular recipientes sem deixar entrar ar, mas o próprio metal podia levar microrganismos para o experimento.
  30. ↑ As curvas deixavam o ar entrar no frasco, mas retinham muitas partículas de poeira antes que chegassem ao líquido.
  31. ↑ Uma infusão é preparada deixando um material, como o feno, em água. Ela servia de meio para observar o crescimento de microrganismos.
  32. ↑ O feno pode conter esporos que sobrevivem à fervura; por isso esse material tornava a comparação dos experimentos mais difícil.
  33. ↑ A análise chamada “externalista” observa como política, religião e instituições também influenciam a produção e a aceitação de ideias científicas.
  34. ↑ No vocabulário da degustação, bouquet é o conjunto de aromas percebidos no vinho.
  35. ↑ A sulfitação usa compostos de enxofre para dificultar o crescimento de microrganismos indesejados no vinho.
  36. ↑ O fenol era usado para matar microrganismos, mas também é irritante e pode causar danos aos tecidos.
  37. ↑ A antissepsia tenta eliminar microrganismos de uma área; a assepsia busca impedir que eles cheguem até ela.
  38. ↑ Eram pequenas estruturas vistas ao microscópio nas lagartas doentes; sua presença ajudava a identificar a pebrina.
  39. ↑ Os criadores chamavam os ovos do bicho-da-seda de “sementes”. A triagem selecionava lotes com menor sinal da doença.
  40. ↑ Flambar um recipiente significa passar sua superfície pela chama para reduzir a contaminação por microrganismos.
  41. ↑ Inocular é introduzir uma substância no organismo. Nesse caso, a intenção era preparar a defesa do animal antes da doença.
  42. ↑ Esse termo francês designava material retirado de animais com varíola ovina e usado nas tentativas de imunização.
  43. ↑ Uma cepa é uma linhagem de microrganismos mantida para estudo ou para novos experimentos.
  44. ↑ Culturas envelhecidas haviam ficado armazenadas durante algum tempo; nelas, a capacidade de causar doença podia mudar.
  45. ↑ Atenuar a virulência significa reduzir a capacidade de um microrganismo causar uma doença grave.
  46. ↑ A resposta imunitária é a reação de defesa do organismo; se for fraca, a proteção oferecida pela vacina pode falhar.
  47. ↑ A hipótese era que o agente da raiva entraria pelos nervos lesionados e avançaria em direção ao sistema nervoso central.
  48. ↑ O período de incubação é o intervalo entre a entrada do agente infeccioso no corpo e o aparecimento dos primeiros sintomas.
  49. ↑ Trepanação é a abertura de um orifício no crânio para alcançar o cérebro; aqui ela fazia parte de um experimento com animais.
  50. ↑ “Passagem” é a transferência do agente infeccioso de um animal para outro para observar possíveis mudanças em seu comportamento.
  51. ↑ A secagem do tecido nervoso fazia parte da preparação das doses usadas nessa forma histórica de vacinação.
  52. ↑ A dose final também expunha a criança ao agente que os pesquisadores queriam combater; hoje ela seria avaliada como parte do próprio experimento.
  53. ↑ A versão intensiva usava uma sequência de doses diferente da empregada no procedimento anterior.
  54. ↑ A comissão foi formada para analisar o projeto e organizar a arrecadação de recursos.
  55. ↑ O filtrado era a parte líquida que passava pelo filtro depois da retirada dos bacilos visíveis naquele procedimento.
  56. ↑ Nesse debate, “vitalismo” é a tendência a tratar os processos dos seres vivos como diferentes dos processos da matéria sem vida.
  57. ↑ Uma vacina inativada usa um agente que perdeu a capacidade de se multiplicar; ainda assim, pode estimular defesas do organismo.
  58. ↑ A ideia era que a circulação de microrganismos ligava a saúde de cada pessoa à saúde das demais.
  59. ↑ Apologética é a defesa pública de uma crença religiosa por meio de argumentos e exemplos.

Referências

  1. ↑ «Notes», Nature, vol. 26, 1882, p. 183; anúncio da concessão da Medalha Albert a Pasteur.
  2. ↑ Nature, vol. 37, fevereiro de 1888, p. 327, notícia contemporânea sobre a concessão do Prêmio Bressa a Pasteur.
  3. ↑ «Brief History of Vaccines in Turkey». Ministério da Saúde da Turquia (em inglês). Cópia arquivada em 11 de março de 2026
  4. 1 2 «Louis Pasteur». Science History Institute (em inglês). Cópia arquivada em 20 de setembro de 2026
  5. 1 2 3 «Louis Pasteur: a universal legacy». Institut Pasteur (em inglês)
  6. ↑ «History». Institut Pasteur (em inglês)
  7. ↑ Acte de naissance Dôle 1822, cote 3E/3143, page 136/138 acte de droite
  8. ↑ Para pontos cronológicos, ver, por exemplo, P. Debré, Louis Pasteur, Flammarion, 1994, p. 529-538.; Louis nasceu depois de Jean-Denis [R.Moreau de Jean-Charles] (1816, † 1817) e depois de Jeanne Antoine (1818, † 1880); depois dele vieram Joséphine (1825, † 1850) e Jeanne Émilie (1826, † 1853).
  9. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 Folheto da casa natal de Pasteur, em Dole; identifica sua mãe como Jeanne-Étiennette Roqui.
  10. ↑ Jacques Faivre (29 de dezembro de 2018). «Jura. Jeanne-Etiennette Roqui, une mère dans l'ombre de son fils savant». leprogres.fr (em francês). Consultado em 2 de outubro de 2020. Cópia arquivada em 3 de novembro de 2025.
  11. 1 2 René Vallery-Radot, "A vida de Pasteur: infância e juventude" em Revue politique et littéraire : revue bleue, 1900, 2.º semestre.
  12. ↑ Jean Boulaine e Jean-Paul Legros, D'Olivier de Serres à René Dumont : portraits d'agronomes, Paris, Técnica e documentação, 1998 ISBN 2-7430-0289-1.
  13. ↑ Patrice Debré, Louis Pasteur, Flammarion, 1994, p. 530; o casamento ocorreu na igreja de Sainte-Madeleine, em Estrasburgo.
  14. ↑ «La chambre de Madame Pasteur (suite)». Institut Pasteur (em francês). Cópia arquivada em 16 de fevereiro de 2026
  15. ↑ Georges Livet, L'Université de Strasbourg de la Révolution française à la guerre de 1870, Estrasburgo, 1996, p. 120.
  16. ↑ «Musée Pasteur». Institut Pasteur (em francês). Cópia arquivada em 14 de maio de 2024
  17. ↑ Louis Pasteur, teses de doutorado em ciências, Faculdade de Ciências de Paris, 1847, acervo da Universidade Sorbonne.
  18. ↑ «Portrait of Louis Pasteur». Royal Society Picture Library (em inglês). Consultado em 28 de setembro de 2026
  19. ↑ No liceu de Dijon, no local do atual colégio Marcelle-Pardé.
  20. ↑ Louis Sergent, « Le centenaire de Pasteur : Pasteur et la pharmacie », em Bulletin de la Société d'histoire de la pharmacie, 11.º, n.º 38, 1923, p. 192.
  21. ↑ «Charles Friedel». Société Chimique de France (em francês)
  22. ↑ «La vie et l'œuvre de Louis Pasteur». Institut Pasteur (em francês). 20 de maio de 2024. Consultado em 11 de abril de 2026. Cópia arquivada em 19 de maio de 2026
  23. ↑ "Sem este trabalho que me pediram para a Correspondência do Instituto eu teria ficado em Estrasburgo. Só tu entendes que esta licença que estas missões me obrigaram a ter com salário integral é uma irregularidade que precisa ser coberta por um motivo de saúde. » (Pasteur, carta de 25 de fevereiro de 1854 ao pai, in Pasteur, Correspondance, t. 1, Paris, 1940, p. 261.).
  24. ↑ Pasteur, carta de 8 de maio de 1854 a seu pai, em Pasteur, Correspondance, t. 1, Paris, 1940, p. 267. Este episódio da carreira de Pasteur é notado por Pierre-Yves Laurioz, Louis Pasteur. La réalité après la légende, Paris, 2003, p. 79-81. Sobre a atitude de Pasteur em relação ao dinheiro, ver Richard Moreau, La Préhistoire de Pasteur, Paris, L'Harmattan, 2000, p. 257-262.
  25. ↑ L. Pasteur, Discours prononcé à Douai, le 7 décembre 1854, à l'occasion de l'installation solennelle de la Faculté des lettres de Douai et de la Faculdade de Ciências de Lille, Œuvres complètes, t. 7, p. 131, disponível em Gallica. O artigo hasard do índice que aparece no final do vol. 7 das Œuvres complètes apresenta duas outras passagens semelhantes.
  26. ↑ «Première époque : 1847 – 1862». Institut Pasteur (em francês)
  27. ↑ «Pasteur et Carlsberg : une longue histoire de science et d'amitié». Institut Pasteur (em francês)
  28. ↑ «Louis Pasteur». Université de Lille (em francês). Consultado em 28 de setembro de 2026. Cópia arquivada em 17 de maio de 2026
  29. ↑ Louis Pasteur, “Mémoire sur la fermentation appelée lactique”, Mémoires de la Société des sciences, de l’agriculture et des arts de Lille, sessão de 8 de agosto de 1857, 2.ª série, vol. 5, 1858, p. 13–26; Annales de chimie et de physique, 3.ª série, vol. 52, 1858, p. 404–418; texto no Wikisource em francês.
  30. ↑ «2022, l'année du bicentenaire de la naissance de Louis Pasteur». Institut Pasteur (em francês)
  31. ↑ «La vie et l'œuvre de Louis Pasteur». Institut Pasteur (em francês). Consultado em 28 de setembro de 2026. Cópia arquivada em 19 de maio de 2026
  32. ↑ Pasteur, Louis (1873). Études sur le vin, ses maladies, causes qui les provoquent, procédés nouveaux pour le conserver et pour le vieillir études couronnées par le Comité central agricole de Sologne et par le jury de l'Exposition universelle de 1867. [S.l.]: F. Savy. Consultado em 10 de novembro de 2019
  33. ↑ Denise Wrotnowska, “Claude Bernard e Pasteur, Comissão de Cólera, em 1865”, em Histoire des Sciences médicales, t. 13, n.º 1, 1979, p. 25-32, disponível em le site de l'université Paris Descartes. D. Wrotnowska parece não saber que Robert Koch foi precedido por Filippo Pacini na descoberta de Vibrio cholerae.
  34. ↑ Carta de Pasteur para Temps, datada de 26 de julho de 1883, Œuvres complètes de Pasteur, vol. 6, p. 539-540, disponível em Gallica; René Vallery-Radot, La vie de Pasteur, reimpressão. foto. Hachette, 1962, p. 159-160; Patrice Debré, Louis Pasteur, 1994, p. 323-325.
  35. ↑ Em 1867, a propósito de um debate no Senado, oitenta alunos da Escola enviaram um “endereço” ao escritor Sainte-Beuve para apoiá-lo na sua luta pela liberdade da livraria. Tendo dois deles, contrariamente ao regulamento escolar, publicado este “discurso” na imprensa, Pasteur, com o acordo do Ministro da Educação Pública, Victor Duruy, tomou medidas disciplinares contra as quais os estudantes se manifestaram em bloco. A oposição política e a imprensa liberal atacam Pasteur e Duruy, Duruy reconsidera as medidas contra os estudantes, a renúncia de Pasteur ao cargo de administrador da École Normale Supérieure é aceita; recebeu uma cátedra na Sorbonne e foi criado um laboratório de química fisiológica na própria École Normale, cuja gestão lhe foi confiada, segundo Patrice Debré, Louis Pasteur, 1994, p. 149-155.
  36. ↑ «Louis Pasteur: un héritage universel». Institut Pasteur (em francês)
  37. ↑ Patrice Debré, Louis Pasteur, Flammarion, 1994, p. 230-231.
  38. ↑ Debré, Patrice (1995). Louis Pasteur. [S.l.]: Flammarion. p. 168
  39. ↑ Yves Carton (2022). «Louis Pasteur face à la maladie du ver à soie (1865–1870) : du chimiste au biologiste». Comptes Rendus. Chimie (em francês). 25: 315–340. doi:10.5802/crchim.204. Cópia arquivada em 22 de janeiro de 2026
  40. ↑ Patrice Debré (1995). Louis Pasteur. [S.l.]: Flammarion. p. 172.
  41. ↑ P. Debré, Louis Pasteur, Flammarion, 1994, p. 303.
  42. ↑ «Liste des membres». academie-medecine.fr. Cópia arquivada em 12 de novembro de 2025.
  43. ↑ Patrice Debré, Pasteur, 1994, p. 535.
  44. 1 2 Chevassus-au-Louis, Nicolas (10 de julho de 2022). «Louis Pasteur, portrait du chercheur en entrepreneur». Mediapart (em francês). Consultado em 29 de novembro de 2024.
  45. ↑ Patrice Debré, Louis Pasteur, 1997, p. 535.
  46. ↑ De acordo com a cidade natal de Pasteur em Dole, é o ano de 1871.
  47. ↑ Esta é a data indicada na edição das Œuvres complètes, vol. 5.
  48. ↑ Œuvres complètes de Pasteur, t. 7, p. 326-339, disponível em Gallica e Wikisource em francês.
  49. ↑ Patrice Debré (1995). Louis Pasteur. [S.l.]: Flammarion. p. 256
  50. ↑ «Comptes rendus hebdomadaires des séances de l'Académie (27 décembre 1886)». Gallica. 27 de dezembro de 1886. Consultado em 18 de agosto de 2025. Cópia arquivada em 12 de novembro de 2025.
  51. ↑ «Comptes rendus hebdomadaires des séances de l'Académie (27 décembre 1886)». Gallica. 27 de dezembro de 1886. Consultado em 18 de agosto de 2025. Cópia arquivada em 11 de dezembro de 2025.
  52. ↑ Le jubilé de Pasteur.
  53. ↑ A vida de Pasteur, René Vallery-Radot, Éditions L'Harmattan, 2009 Lire disponível em linha.
  54. ↑ Inventário do acervo do anexo de Garches, Institut Pasteur, 2003.
  55. ↑ O certificado de notoriedade estabelecido por ocasião da sua morte por Me Jean André Lindet e o seu testamento manuscrito são conservados em Archives nationales em Paris sob o símbolo MC/ET/XLIII/1495 e podem ser consultados em microfilme (referências MC/MI/XLIII/1171 e 1172).
  56. ↑ Christophe Perrey (2005). «Les figures du sacré à l'Institut Pasteur». L'Homme (175-176). Cópia arquivada em 16 de maio de 2026
  57. ↑ A. Philibert-Soupé (1895). «Louis Pasteur, portraits d'académiciens». La Revue du siècle. 9. 599 páginas
  58. ↑ L. Pasteur, "Memória sobre a relação que pode existir entre a forma cristalina e a composição química, e sobre a causa da polarização rotativa. (Extrato do autor)", Comptes rendus de l'Académie des sciences, sessão de 22 de maio de 1848, vol. 26, p. 535-538, disponível em Gallica. Œuvres complètes de Pasteur, t. 1, p. 61-64 (com data incorreta de 15 de maio em vez de 22 de maio de 1848), disponível em Gallica. Veja também memórias mais detalhadas de Pasteur sobre o mesmo assunto no mesmo volume das Œuvres complètes.
  59. ↑ H. D. Flack (2009). «Louis Pasteur's discovery of molecular chirality and spontaneous resolution in 1848, together with a complete review of his crystallographic and chemical work» (PDF). Acta Crystallographica Section A (em inglês). 65: 371–389. doi:10.1107/S0108767309024088. Cópia arquivada (PDF) em 19 de maio de 2026
  60. ↑ Sobre a história do aparecimento do ácido paratartárico e seus dois nomes, ver J.J. Berzelius, “Composição do ácido tartárico e do ácido racêmico […] e observações gerais sobre corpos que possuem a mesma composição e possuem propriedades diferentes”, Annales de chimie et de physique, t. 46, 1831, p. 113-147. Disponível em Google Books.
  61. ↑ JB Biot, "Química óptica. - Comunicação de uma nota do Sr. Mitscherlich", Comptes rendus de l'Académie des sciences, sessão de 14 de outubro de 1844, vol. 19, p. 719-725. Disponível em Gallica.
  62. ↑ Para expressar o que foi então expresso pela palavra “duplo”, diríamos agora que os dois íons alcalinos estão combinados com a mesma molécula de ácido. (Jean-Jacques, La molécule et son double, 1992, p. 24.).
  63. ↑ “Eu não conseguia entender que duas substâncias fossem tão semelhantes como disse Mitscherlich, sem serem completamente idênticas.” L. Pasteur, “Molecular dissymmetry”, Conferência proferida na Sociedade Química de Paris em 22 de dezembro de 1883, Œuvres complètes de Pasteur, t. 1, p. 369-380, p. 370. Disponível em Gallica.
  64. ↑ "Mostro, de fato, que o hemiédrio [na linguagem de Pasteur, hemiédrico = assimetria da forma cristalina] está ligado à direção da polarização rotativa. Ora, sendo este último fenômeno molecular e apresentando uma assimetria nas moléculas, o hemiédrico, por sua vez, está portanto em estreita ligação com a assimetria dos últimos elementos que compõem o cristal [= com a assimetria das moléculas]. » L. Pasteur, “Pesquisa sobre o cristal relações que podem existir entre a forma cristalina, a composição química e a direção da polarização rotativa”, Annales de chimie et de physique, 3.º, vol. 24, 1848, p. 442-459. Œuvres complètes de L. Pasteur, t. 1, p. 65-80, p. 66. Disponível em Gallica. Encontramos por exemplo a expressão “poder de rotação molecular” em J.-B. Biot, “Memoir on circular polarization and its application to organic chemistry” (lido em 1832), Mémoires de l'Académie des sciences de l'Institut de France, t. 13, 1835, p. 39-176, p. 51, disponível em Gallica.
  65. ↑ Segundo Claude Debru, Pasteur seguiu os passos de seu mestre Delafosse: "Pasteur não foi o primeiro a buscar a razão do hemiédrico dos cristais no arranjo dos átomos que constituem a molécula. Um de seus mestres, Gabriel Delafosse, também havia considerado isso. » (Claude Debru, L'interdisciplinarité et la transdisciplinarité dans l'œuvre de Louis Pasteur, disponível em linha.
  66. ↑ Ver, por exemplo, L. Pasteur, “Pesquisa sobre as relações que podem existir entre a forma cristalina, a composição química e a direção da polarização rotativa”, Annales de chimie et de physique, 3.º, vol. 24, 1848, p. 442-459. Œuvres complètes de L. Pasteur, t. 1, p. 65-80, p. 78 (disponível em Gallica): a partir da existência, no paratartarato duplo de soda e amônia, de dois tipos de cristais, imagens especulares não sobreponíveis um do outro, Pasteur conclui que existem “dois grupos atômicos simetricamente isomórficos”.
  67. ↑ (em francês) Pasteur Œuvre tome 1 – Dissymétrie moléculaire (PDF).
  68. ↑ Anthonny Guerronnan, Dictionnaire Synonymique, Paris, Gauthier-Villars, 1895, reimpressão. Publicação Ayer, 1979, p. 9. Parcialmente disponível em Google Books. Pasteur propôs inicialmente uma terminologia ligeiramente diferente: "O ácido paratartárico, ou racêmico, é realmente composto de dois ácidos distintos, um desviando para a direita, o outro para a esquerda o plano da luz polarizada, e ambos da mesma quantidade absoluta. (…) Proporei chamar acide lévoracémique o ácido que se desvia para a esquerda, acide dextroracémique o ácido que se desvia para a direita o plano de polarização dos raios de luz. » (L. Pasteur, “Pesquisa sobre as relações que podem existir entre os forma cristalina, a composição química e a direção da polarização rotativa (Segunda memória)", Comptes rendus de l'Académie des sciences, sessão de 9 de abril de 1849, t. 28, p. 477-478. Œuvres complètes de Pasteur, t. 1, p. 81-82, p. 81, disponível em Gallica.
  69. ↑ (em inglês) Aaron J. Ihde, The Development of Modern Chemistry, Nova York, 1984.
  70. ↑ “Estes fatos, no entanto, mostram-nos, além disso, a estreita relação que existe entre a forma cristalina e a constituição molecular” L. Pasteur, “Memórias sobre a relação que pode existir entre a forma cristalina e a composição química, e sobre a causa da polarização rotativa (Extrato do autor)”, Comptes rendus de l'Académie des sciences, sessão de 15 de maio de 1848, t. 26, p. 535-538. Œuvres complètes de Pasteur, t. 1, p. 61-64, p. 62. Disponível em Gallica.
  71. ↑ L. Pasteur, Œuvres complètes, t. 1, p. 124, 133, 204, 283-284, 288, 311 (disponível em Gallica); citado por F. Dagognet, Méthodes et doctrine dans l'œuvre de Pasteur, Paris, 1967; junco. sob o título Pasteur sans la légende, 1994, p. 98-101.
  72. ↑ F. Dagognet, Méthodes et doctrine dans l'œuvre de Pasteur, Paris, 1967; junco. sob o título Pasteur sans la légende, 1994, prefácio à nova edição, p. 17.
  73. ↑ Gerald L. Geison, The private science of Louis Pasteur, ed. Imprensa da Universidade de Princeton, 1995, p. 86-89. Ver também (em inglês) (PDF) George B. Kauffman, Robin D. Myers, Pasteur’s resolution of racemic acid : a sesquicentennial retrospect and a new translation, The chemical education, 1998, vol. 3, n.º 6, e Suplementos ao artigo “Auguste Laurent (1807-1853): químico bicentenário e desconhecido”, de Marika Blondel-Mégrelis, L’Actualité Chimique, 2007, n.º 314, p. 36, lire disponível em linha.
  74. ↑ Joseph Gal (31 de janeiro de 2019). «In defense of Louis Pasteur: Critique of Gerald Geison's deconstruction of Pasteur's discovery of molecular chirality». Chirality (em inglês). Cópia arquivada em 7 de abril de 2022.
  75. ↑ L. Pasteur, “Memórias sobre álcool amílico”, Comptes rendus de l'Académie des sciences, sessão de 20 de agosto de 1855, vol. 41, p. 296-300; Œuvres complètes de L. Pasteur, vol. 1, p. 275, disponível em Gallica.
  76. ↑ "Todo mundo sabe, de fato, desde as belas e numerosas pesquisas do Sr. Biot, que muitas substâncias orgânicas gozam da propriedade singular de desviar, no estado de dissolução, o plano de polarização dos raios de luz. » (Pasteur, Mémoire sur la relation qui peut exister entre la forme cristalline et la composition chimique, et sur la cause de la polarisation rotatoire. (Extrait par l'auteur), 1848, Œuvres complètes de Pasteur, t. 1, p. 63, disponível em Gallica. Para a influência de Biot sobre Pasteur sobre este assunto, consulte P. Pinet, Pasteur et la philosophie, Paris, L'Harmattan, 2005, p. 46-50.
  77. ↑ L. Pasteur, “Memórias sobre a fermentação chamada láctica”, Mémoires de la Sociedade de Ciências, Agricultura e Artes de Lille, sessão de 3 de agosto de 1857, 2.º, t. 5, 1858, p. 13-26; Annales de chimie et de physique, 3.º, v. 52, 1858, p. 404-418, Œuvres complètes de L. Pasteur, vol. 2, p. 3-13, especificações. 3-4, disponível em Wikisource em francês. Citado por F. Dagognet, Méthodes et doctrine dans l'œuvre de Pasteur, Paris, 1967, reed. sob o título Pasteur sans la légende, 1994, p. 147, 151 e 181.
  78. ↑ Harry W. Paul, Science, Vine and Wine in Modern France, Cambridge University Press, 2002, p. 123 (disponível na Internet). L. Pasteur, em seu Mémoire sur la fermentation alcoolique, Annales de Chimie et de Physique, Vol. 58, 3.º, 1860, p. 323-426 (Obras completas, vol. 2, p. 80-81 e 83-84), relembra as contribuições de Fabbroni (1787), Cagniard de Latour (1836) e Schwann (1837) para o conhecimento do papel dos organismos vivos na fermentação.
  79. ↑ C. Galey, J. Potus e J. Adrian escrevem de forma um tanto esquemática: "O conhecimento científico da levedura foi estabelecido em século XIX por Cagniard de Latour que descobriu sua natureza viva, por Payen que estabeleceu sua composição química e Pasteur que descreveu seu metabolismo. (C. Galey, J. Potus e J. Adrian, L'emploi de la levure en alimentation, de l'Antiquité à nos jours, Medicina e nutrição, 1994, vol. 30, n.º 6, p. 299-306.).
  80. ↑ Patrice Debré, Louis Pasteur, Flammarion, 1994, p. 42-43.
  81. ↑ J.-B. Dumas, Traité de chimie appliquée aux arts, t. 6, p. 304-305, disponível em Google Books.
  82. ↑ “a formação de glóbulos na fermentação da cerveja deve sem dúvida demonstrar a existência de uma atividade vital” (Justus Liebig, Nouvelles lettres sur la chimie, trad. fr., Paris, 1852, 28.º, p. 30.
  83. ↑ Para Berzelius, ver Hilaire Cuny, Pasteur et le mystère de la vie, Paris, Seghers, 1963, p. 86. Quanto a Liebig, escreveu por exemplo: "A levedura de cerveja e, em geral, toda a matéria animal e vegetal em putrefação, transferem para outros corpos o estado de decomposição em que se encontram. (…) O movimento que, através da perturbação do equilíbrio, é impresso nos seus próprios elementos é também comunicado aos elementos que estão em contato com eles. » (Justus Liebig, Traité de chimie organique, trad. fr., t. 1, Paris, 1840, introd., p. XVIII, disponível em Gallica. Citado por Pasteur, Mémoire sur la fermentation alcoolique, 1860, Œuvres complètes de Pasteur, t. 2, Paris, 1922, p. 84, disponível em Gallica, e por René Dubos, Louis Pasteur franc-tireur de la sciencep. 150, reed. Álcool”, em A. Cornish-Bowden (dir.), New Beer in an Old Bottle: Eduard Buchner and the Growth of Biochemical Knowledge, Universidade de Valência, Valência, 1997, p. 67–122, disponível em linha.
  84. ↑ André Pichot, introdução ao capítulo sobre fermentações em: Louis Pasteur, Écrits scientifiques et médicaux, Choix, présentation et notes par André Pichot, Paris, Flammarion, p. 46-47, com referência precisa às publicações de Cagniard de Latour.
  85. 1 2 Émile Peynaud, Le vin et les jours, Dunod, 10 de outubro de 2012.
  86. ↑ Louis Pasteur, “Mémoire sur la fermentation appelée lactique”, Mémoires de la Société des sciences, de l'agriculture et des arts de Lille, sessão de 8 de agosto de 1857, 2.ª série, vol. 5, 1858, p. 13–26; Annales de chimie et de physique, 3.ª série, vol. 52, 1858, p. 404–418. Texto em francês.
  87. ↑ P. Debré, Louis Pasteur, 1994, p. 121.
  88. ↑ O “vibrio butírico” de Pasteur foi então denominado Bacillus amylobacter ou Clostridium butyricum. Ph. van Tieghem, “Identidade de Bacillus amylobacter e vibrio butírico de M. Pasteur”, Comptes rendus de l'Académie des sciences, t. 89 (1879), p. 5-8, disponível em Gallica; artigo Bacillus amylobacter de Prof. Georges Delisi em Médicopédia.
  89. ↑ "Pesquisas meticulosas ainda não conseguiram revelar o desenvolvimento dos seres organizados. Os observadores que os reconheceram estabeleceram, ao mesmo tempo, que eram acidentais e prejudiciais ao fenômeno. » (L. Pasteur, Mémoire sur la fermentation appelée lactique, 1858, disponível em Wikisource em francês.).
  90. ↑ “Perdemos completamente de vista (…) que a decomposição do açúcar em álcool e ácido carbônico, ou em ácido láctico, em manita, em ácido butírico, ou em óleo de batata, deve depender de uma única e mesma causa; e que os agentes que excitam esses diferentes tipos de decomposição não se assemelham, em todos esses casos, em suas propriedades externas, a certas plantas de ordem inferior. » (Justus Liebig, Lettres sur la chimie, trad. fr. G.W. Bichon, Paris, 1845, p. 207, disponível em Google Books.) Este argumento de Liebig é mencionado por P. Debré, Louis Pasteur, 1994, p. 120.
  91. ↑ Para sua descoberta da “levedura” da fermentação láctica, por exemplo, ver L. Pasteur, “Memoir on fermentação chamada lactic”, Mémoires de la Société des sciences, de l'agriculture et des arts de Lille, sessão de 8 de agosto de 1857, 2.º ser., V, 1858, p. 13-26. - Annales de chimie et de physique, 3.º ser., LII, 1858, p. 404-418. Œuvres complètes por Pasteur, t. 2, Paris, 1922, p. 3-13. Disponível em Wikisource em francês. Resumo em P. Debré, Louis Pasteur, Flammarion, 1994, p. 119-122, que conclui: “Quando olhamos para este primeiro livro de memórias, vemos que Pasteur já encontrou quase tudo. » (Pasteur chamou de "leveduras" os agentes de fermentação vivos que ele descobriu e falou, por exemplo, de levedura láctica. Na terminologia científica atual, um fermento não é necessariamente uma levedura: uma levedura pertence por definição ao reino dos fungos, enquanto, por exemplo, os agentes de fermentação láctica são bactérias, formando o grupo das bactérias lácticas. A expressão "levedura láctica" ainda é comum.).
  92. ↑ Hilaire Cuny (Louis Pasteur et le mystère de la vie, Seghers, 1963, p. 95) escreve: “Foi de fato observando ao microscópio uma gota de líquido em fermentação butírica que uma nova possibilidade de vida, absolutamente insuspeitada por seus antecessores [= Pasteur] foi revelada: l'anaérobiose, ou vida de certos organismos e certos tecidos na ausência de oxigênio livre, isto é, na ausência de ar contendo esse oxigênio livre. » Segundo Hendrik C.D. de Wit, Histoire du développement de la biologie, vol. III, Presses polytechniques et universitaire romandes, 1994, parcialmente disponível em Google Livres, p. 390, Van Leeuwenhoeck e Spallanzani já haviam observado que certos microrganismos vazam oxigênio.
  93. ↑ De acordo com Hendrik C.D. de Wit, Histoire du développement de la biologie, vol. III, Presses polytechniques et universitaire romandes, 1994, parcialmente disponível em Google Livres, p. 390, a palavra anaérobie foi criada em 1768 por O.F. Müller e usada por Ehrenberg em 1838.
  94. ↑ Hilaire Cuny, Pasteur et le mystère de la vie, Seghers, 1963, p. 95; André Pichot, introdução ao capítulo sobre fermentações em Louis Pasteur, Écrits scientifiques et médicaux, Flammarion, 1994, p. 49; Claude Debru, “L'interdisciplinarité et la transdisciplinarité dans l'œuvre de Louis Pasteur”, cap. IV, texto em francês; François Dagognet, Pasteur sans la légende, 1994, p. 201–202. A explicação de Pasteur de que a levedura obteria oxigênio do açúcar em condições anaeróbias foi posteriormente abandonada. Ver também Louis Pasteur, “Sur les ferments”, Bulletin de la Société chimique de Paris, sessão de 28 de junho de 1861, p. 79–80, texto em francês.
  95. ↑ Payen e Persoz, “Memória sobre diástase, os principais produtos de suas reações e suas aplicações às artes industriais”, Annales de chimie et de physique, 2.º, t. 53, 1833, p. 73-92, disponível em Google Books. Citado como indo na direção de Berzelius por François Dagognet, Méthodes et doctrine dans l'œuvre de Pasteur, Paris, 1967, reed. sob o título Pasteur sans la légende, 1994, p. 204, e por André Pichot, Pasteur, écrits scientifiques et médicaux, Paris, 1994, p. 47.
  96. ↑ M. Traube, Theorie der Fermentwirkungen, Berlim, 1858, p. 7–8. Reimpresso em Moritz Traube, Gesammelte Abhandlungen, Berlim, 1899, p. 74, ponto 21 (reimpresso Classic Edition, VDM Verlag Dr. Müller, 2007). Citado na tradução para o inglês por Joseph S. Fruton, Fermentation Vital or Chemical Process?, Brill, 2006, p. 57, «en ligne». Cópia arquivada em 13 de novembro de 2025.
  97. ↑ M. Berthelot, “Sobre a fermentação glicosídica da cana-de-açúcar”, Comptes rendus de l'Académie des sciences, vol. 50, 1860, p. 980-984, espec. 983-984, onde Berthelot estende conjecturalmente a todas as fermentações o que observou na inversão da cana-de-açúcar; disponível em Gallica. Citado por Jean Jacques: Berthelot. Autopsie d'un mythe, Belin, 1987, p. 150 e 280. Ver também André Pichot, introdução ao capítulo sobre fermentações em: Louis Pasteur, Écrits scientifiques et médicaux, Choix, présentation et notes par André Pichot, Paris, Flammarion, p. 47-48.
  98. ↑ Jean Rostand, La genèse de la vie, Histoire des idées sur la génération des idées spontanées, 1943, impressão de 1946, p. 169-181, observa que a obra póstuma de Claude Bernard foi uma regressão à geração espontânea e, p. 180-181, distingue claramente entre a obra de Claude Bernard e a posição de Berthelot no debate que se seguiu entre Berthelot e Pasteur.
  99. ↑ Sobre esta amarga controvérsia entre Pasteur e Berthelot, ver Jean Jacques: Berthelot. Autopsie d'un mythe, Belin, 1987, p. 147-158 e un exposé de B. Bourdoncle, que se refere ao livro de Jean Jacques.
  100. ↑ Musculus, “Sobre o fermento da uréia”, Comptes rendus de l’Académie des sciences, vol. 82, 1876, p. 333-336, disponível em Gallica.
  101. ↑ L. Pasteur, com a colaboração de J. Joubert, “Sobre a fermentação da urina”, publicado diversas vezes em 1876; Œuvres complètes de Pasteur, t. 6, p. 80-84, disponível em Gallica. A publicação original é seguida por uma troca entre Berthelot e Pasteur. (Comptes rendus de l'Académie des sciences, t. 83, 1876, p. 8-10, disponível em Gallica.).
  102. ↑ Comptes rendus de l'Académie des sciences, t. 79, 1874, p. 1006-1009, disponível em Gallica. Pasteur acreditava que a observação de Lechartier e Bellamy confirmava sua teoria da fermentação como vida sem ar: na "fermentação propriamente dita", a vida em questão é a do fermento microbiano; na observação de Lechartier e Bellamy, trata-se da vida dos frutos. (Discussão sobre fermentação, Bulletin de l'Académie de médecine, sessão de 2 de março de 1875, 2.º, vol. 4, p. 230-257; Œuvres complètes de Pasteur, vol. 6, p. 28-37, spec. p. 34-35, disponível em Gallica).
  103. ↑ Em 1860 (ano de publicação da nota de Berthelot): “Diremos ao contrário que a levedura produz à medida que desenvolve um material como a pepsina, que atua sobre o açúcar e desaparece imediatamente quando esgotada, porque nenhuma substância desta natureza é encontrada nos licores? » L. Pasteur, “Memórias sobre fermentação alcoólica”, Annales de chimie et de physique, 3.º, t. 58 (1860), p. 360, disponível em Gallica, relatado por Herbert C. Friedmann (1997) “Da urina de Friedrich Wöhler ao álcool de Eduard Buchner” p. 67–122 em A. Cornish-Bowden (dir.) New Beer in an Old Bottle: Eduard Buchner and the Growth of Biochemical Knowledge, Universidade de Valência, Valência, 1997, disponível em linha. Controvérsia de 1878 com Berthelot; ver Œuvres complètes de Pasteur, vol. 2, p. 534 e 592, disponíveis em Gallica, citado por François Dagognet, Méthodes et doctrine dans l'œuvre de Pasteur, Paris, 1967, reed sob o título Pasteur sans la légende, 1994, p. 204-206Mémoire. a levedura. Numa nota da mesma dissertação, p. 342, disponível em Gallica, ele nega que a fermentação seja produzida pela substância solúvel contida nas células da levedura, o que alguns acreditavam poder ser deduzido dos experimentos de Colin (experiências que Pasteur interpreta de forma diferente) e que serão confirmadas por Eduard Buchner.
  104. ↑ Louis Pasteur, Examen critique d'un écrit posthume de Claude Bernard sur la fermentation, Paris, 1879, p. 79, disponível em linha.
  105. ↑ Ver F. Dagognet, Méthodes et doctrine dans l'œuvre de Pasteur, Paris, 1967, reed. sob os títulos Pasteur sans la légende, 1994, p. 205 e 208-210, que observa que os “aumentos” e “hipóteses excessivas” de Pasteur tiveram sua fecundidade.
  106. ↑ P. Pinet, Pasteur et la philosophie, Paris, L'Harmattan, 2005, p. 79-80, que se refere a A.-M. Moulin, “Biologia sem vida, medicina sem pacientes”, em Anatomie d'un épistémologue: François Dagognet, Paris, Vrin, 1984, p. 60.
  107. ↑ A palavra “vitalismo” tem significados diferentes. Usado em relação a Pasteur, designa a tendência de separar rigorosamente o domínio do vivo e do inanimado. Ver André Pichot, Introdução geral a: Louis Pasteur, Écrits scientifiques et médicaux, Choix, présentation et notes par André Pichot, Paris, Flammarion, 1994, p. 18-19, e Patrice Pinet, Pasteur et la philosophie, Paris, 2005, cap. II, “Pasteur filósofo da vida”, seção 3, “O vitalismo de Pasteur”, p. 46 e ss. Para Pasteur, a barreira entre o reino mineral e o reino orgânico era uma hipótese de trabalho frutífera e não um dogma: "Não só não acredito que esta barreira entre os dois reinos mineral e orgânico seja intransponível, mas fui o primeiro a atribuir condições experimentais que seriam adequadas, na minha opinião, para fazê-la desaparecer. Até que essas condições tenham sido alcançadas com sucesso, é sábio acreditar na distinção em questão e tomá-la como um guia. » (Œuvres complètes de Pasteur, t. 1, p. 365, disponível em Gallica, escrito em 1875.
  108. ↑ François Dagognet, Méthodes et doctrines dans l'œuvre de Pasteur, Paris, PUF, 1967; junco. em 1994 sob o título Pasteur sans la légende, p. 208, 211, 298...; André Pichot, Introdução Geral a: Louis Pasteur, Écrits scientifiques et médicaux, Choix, présentation et notes par André Pichot, Paris, Flammarion, 1994, p. 18.
  109. ↑ Veja um resumo em P. Thuillier, D'Archimède à Einstein, 1988, p. 281-300.
  110. ↑ Clemenceau journaliste1841-1929, les combats d'un républicain pour..., Gérard Minart, 2005.
  111. ↑ http://www.academie-sciences.fr/fondations/lp_pdf/CR1860_p303.pdf Relatórios T.50 p. 303.
  112. 1 2 Lemay Pierre, Gilbert E.-J. Pergunta XX, (colocada por L. S., Paris). E os microrganismos antes de Pasteur? In: Revue d'histoire de la pharmacie, 40.º, n.º 133, 1952. p. 383-384.
  113. ↑ Th. Schwann, Vorläufige Mitteilung betreffend Versuche über Weingährung und Fäulniss., Annalen der Physik und Chemie, XLI, 1837, p. 184-193. Citado por Pasteur, Mémoire sur les corpuscules organisés qui existent dans l'atmosphère. Examen de la doctrine des générations spontanées., 1861, t. 2 do OC, p. 217. P. Debré, Louis Pasteur, 1994, p. 177.
  114. ↑ Pouchet, Note sur les proto-organismes animaux et végétaux nés spontanément dans l'air artificiel et le gaz oxygène ; Pouchet e Houzeau, Expériences sur les générations spontanées. Deuxième partie : Développement de certains proto-organismes dans de l'air artificiel; Comptes rendus de l’Académie des sciences, vol. 47, 1858, p. 979-982 e 982-984, disponível em Gallica.
  115. ↑ Milne Edwards, Remarques sur la valeur des faits qui sont considérés par quelques naturalistes comme étant propres à prouver l'existence de la génération spontanée des animaux, Comptes rendus de l’Académie des sciences, vol. 48, 1859, p. 23-36, disponível em Gallica.
  116. ↑ Por exemplo Th. Schwann, Vorläufige Mitteilung betreffend Versuche über Weingährung und Fäulniss., Annalen der Physik und Chemie, XLI, 1837, p. 184-193. Citado por Pasteur, Mémoire sur les corpuscules organisés qui existent dans l'atmosphère. Examen de la doctrine des générations spontanées., 1861, t. 2 do OC, p. 217-218. P. Debré, Louis Pasteur, 1994, p. 177. Schwann menciona os resultados aberrantes, mas acredita que pode concluir apesar deles.
  117. ↑ "O Sr. Bérard, que admitiu a geração espontânea, afirmou que, em resumo, se mesmo os dois experimentos de Schultz e Schwann fossem positivos, isso significaria simplesmente que os animálculos não podem sair do ar atormentados por ácido sulfúrico ou por calor vermelho. » Pouchet, Remarques sur les objections […], Reports of the Academy of Sciences, vol. 48, 1859, p. 155-156.
  118. ↑ Pasteur, Mémoire sur les corpuscules organisés qui existent dans l'atmosphère. Examen de la doctrine des générations spontanées., 1861, t. 2 do OC, p. 223. A pergunta foi feita pela Academia de Ciências na sessão de 30 de janeiro de 1860; Relatórios acadêmicos. de Ciências, L, 1860, p. 248.
  119. ↑ Anais de ciências naturais (parte zoológica), 4.º ser., XVI, 1861, p. 5-98 en ligne.; Annals of Chemistry and Physics, 3.º ser., LXIV, janeiro de 1862, p. 5-110 en ligne.; Obras de Pasteur, volume 2, p. 210-294 en ligne..
  120. ↑ “as experiências de geração espontânea são o refinamento de um trabalho cujo princípio tinha mais de um século”. André Pichot, Introdução geral a: L. Pasteur, Écrits scientifiques et médicaux, Paris, Flammarion, 1994, p. 12.
  121. ↑ Relatado até por Theodor Schwann (cujos outros experimentos foram considerados refutadores da geração espontânea).
  122. ↑ Émile Duclaux, Pasteur, histoire d'un esprit, 1896, p. 130; Jean Rostand, La genèse de la vie. Histoire des idées sur la génération spontanée, impressão 1946, p. 130.
  123. ↑ "Eu nunca disse que na série de meus experimentos com matras com pescoços curvos ou sinuosos, cem experimentos em cem foram bem-sucedidos. O que deve ser surpreendente, o que originalmente surpreendeu profundamente todas as pessoas que viram esses experimentos e a mim mesmo, é seu sucesso quase constante. » (L. Pasteur, "Observações verbais relativas às notas comunicadas à Academia pelo Sr. Victor Meunier nas sessões de 28 de agosto, 11 de setembro e 11 de dezembro de 1865", Comptes rendus de l'Académie des sciences, sessão de dezembro 18, 1865, LXI, p. 1091-1093p. 349-351; Obras Completas, t.
  124. ↑ “Inalteração n.f. Ausência de alteração, de mudança para pior. » (Litré).
  125. ↑ O pasteuriano Émile Duclaux, em seu livro Pasteur, histoire d'un esprit, 1896, p. 138, relata as circunstâncias em que Balard deu a Pasteur a ideia do pescoço de cisne balões. Pasteur (“Experiências relativas às chamadas gerações espontâneas”, Comptes rendus de l’Académie des sciences, sessão de 6 de fevereiro de 1860, vol. 50, p. 303-307; O.C. de Pasteur, vol. 2, p. 187-191, especificação 190) aponta os experimentos semelhantes realizados anteriormente por Chevreul.
  126. ↑ FA Pouchet, Hétérogénie, Paris, 1859, p. 243. Disponível em Google Books.
  127. ↑ Pasteur, “Seguindo uma comunicação anterior relativa às chamadas gerações espontâneas”, Comptes rendus de l’Académie des sciences, t. 51, sessão de 5 de novembro de 1860, p. 675-678, spec. 676, disponível em Gallica. Ver também conferência de 7 de abril de 1864 na Sorbonne, Complete Works of Pasteur, vol. 2, p. 328-346, especificação. p. 344. Disponível em Gallica.
  128. ↑ L. Pasteur, “Exame do papel atribuído ao gás oxigênio atmosférico na destruição da matéria animal e vegetal após a morte”, Comptes rendus de l'Académie des sciences, sessão de 20 de abril de 1863, vol. 56, p. 734-740, reproduzido em Pasteur Œuvres complètes, vol. 2, p. 165-171, disponível em Gallica. Segundo Jean Rostand (J. Rostand, Le Courrier d'un bilolgiste, Gallimard, 1970, p. 183), esta experiência de 1863 é talvez ainda mais convincente do que todas as anteriores.
  129. ↑ GL Geison, The private science of Louis Pasteur, Princeton University Press, 1995, p. 130-131. O pasteuriano Émile Duclaux disse sobre este assunto que Pasteur “não queria seguir os seus adversários no seu território, sentindo que era perigoso, e que poderíamos assim atraí-lo para onde quiséssemos. » (Émile Duclaux, Pasteur, histoire d'un esprit, Imprimerie Charaire, 1896, p. 139, disponível em Gallica).
  130. ↑ Veja o Pasteuriano Émile Duclaux, Pasteur, histoire d'un esprit, Imprimerie Charaire, 1896, p. 141-142, disponível em Gallica.
  131. ↑ Ferdinand Cohn, “Untersuchungen über Bacterien”, Beiträge zur Biologie der Pflanzen 1, n.º 2, 1872, p. 127-144; “Untersuchungen über Bacterien, II”, Beiträge zur Biologie der Pflanzen 1, n.º 3, 1875, p. 141-207; “Untersuchungen über Bacterien, IV, Beiträge zur Biologie der Bacillen”, Beiträge zur Biologie der Pflanzen 2, n.º 2, 1876; citado por GL Geison, art. Cohn, Ferdinand Julius, em C.G. Gillispie (ed.), The Dictionary of Scientific Biography, vol. 3, Nova York, 1971, p. 338-340. Em 1868, Casimir Davaine já haviam notado que certas bactérias apresentam, além da forma filamentosa, uma forma granular (ou seja, esporular) mais resistente ao calor e que este fato poderia ser importante na questão das gerações espontâneas. (C. Davaine, “Researches fisiológico and pathological on Bacteria”, Comptes rendus de l'Académie des sciences, vol. 66, 1868, p. 499, spec. p. 502-503, disponível em Gallica. Citado por F. Dagognet, Méthodes et doctrine dans l'œuvre de Pasteur, Paris, 1967, reeditado sob o título Pasteur sans la légende, 1994, p. 287.
  132. ↑ Émile Duclaux, Pasteur, histoire d'un esprit, Imprimerie Charaire, 1896, p. 150-151, disponível em Gallica.
  133. ↑ FA Pouchet, Hétérogénie, Paris, 1859, p. 141, disponível em Google Books. Citado por François Dagognet, Méthodes et doctrine dans l'œuvre de Pasteur, Paris, 1967, reed. sob o título Pasteur sans la légende, 1994, p. 217.
  134. ↑ John Tyndall, “Mais pesquisas sobre o comportamento e resistência vital de organismos putrefativos e infecciosos, do ponto de vista físico” Philosophical Transactions of the Royal Society, 167 (1877), p. 149-206; “Sobre o calor como germicida quando aplicado descontinuamente”, Proceedings of the Royal Society (Londres), 25 (1877), p. 569-570; citado por GL Geison, art. Cohn, Ferdinand Julius, em C.G. Gillispie (ed.), The Dictionary of Scientific Biography, vol. 3, Nova York, 1971, p. 339-340. De acordo com Geison, ibid., p. 339, "Cohn e Tyndall juntos contribuíram tanto quanto Pasteur para a vitória final sobre a velha doutrina da geração espontânea."
  135. ↑ Manuscrito 18002 N.A.F. da Bíblia. Nat. Fr., reproduzido incompletamente nas Œuvres complètes de Pasteur, vol. 7, p. 30, disponível em Gallica, e mais detalhadamente em P. Pinet, Pasteur et la philosophie, Paris, 2005, p. 63-64, passagem disponível em Google Books. Na verdade, na sua juventude (1854) e ainda em 1870, Pasteur sonhou e tentou criar vida no laboratório, o que deve qualificar a opinião que lhe foi dada de uma separação radical entre o vivo e o inanimado. Veja René Dubos, Louis Pasteur Franc-tireur de la science, ed. frag. 1995, p. 138-141, que faz o seguinte comentário: “Pasteur dedicou grande parte de sua vida a demonstrar que tudo acontece como se fosse impossível fazer o que ele, Pasteur, foi impotente para conseguir. » (p. 140).
  136. ↑ Pasteur, Memórias sobre os corpúsculos organizados que existem na atmosfera. Exame da doutrina das gerações espontâneas, 1862; Œuvres complètes de Pasteur, t. 2, p. 236, disponível em Gallica.
  137. ↑ J. Farley e G. Geison, “Ciência, Política e Geração Espontânea na França do Século XIX: O Debate Pasteur-Pouchet”, Bulletin of the History of Medicine, t. 48 (1974), p. 161-198; Tradução francesa em M. Callon e B. Latour (dir.), La science telle qu'elle se fait, Paris, 1991, p. 87-146.
  138. ↑ Veja sua conferência de 1864 na Sorbonne, Complete Works of Pasteur, vol. 2, p. 332-333, disponível em Gallica. Ver também seu discurso de aceitação na Academia Francesa (1882): “Ao provar que até hoje a vida nunca se mostrou ao homem como produto das forças que governam a matéria, pude servir à doutrina espírita” (Œuvres complètes de Pasteur, t. 7, p. 326, disponível em Gallica.).
  139. ↑ GL Geison, The Private Science of Louis Pasteur, Princeton University Press, 1995, p. 321.
  140. ↑ H. Collins e T. Pinch, The Golem, Cambridge, 1993, trad. frag. Tout ce que vous devriez savoir sur la science, Paris, 1994, p. 111-125, espec. p. 125.
  141. ↑ Ver sobre este assunto Pierre Thuillier, D'Archimède à Einstein, Fayard, 1988, p. 281-300.
  142. ↑ Dominique Raynaud, “A correspondência de F.-A. Pouchet com os membros da Academia de Ciências: uma reavaliação do debate sobre a geração espontânea”, European Journal of Sociology, 1999, 40 (2), p. 257-276, disponível em linha.
  143. ↑ Dominique Raynaud, Sociologie des controverses scientifiques, Paris, PUF, 2003, p. 45-80.
  144. ↑ Dominique Raynaud, “A correspondência de F.-A. Pouchet com os membros da Academia de Ciências: uma reavaliação do debate sobre a geração espontânea”, European Journal of Sociology, 1999, 40 (2), p. 257-276, disponível em linha.
  145. ↑ G. Pennetier, Un débat scientifique, Pouchet et Pasteur, Rouen, J. Lecerf, p. 36.
  146. ↑ Hétérogénie, p. 197.
  147. ↑ Hétérogénie, p. 448.
  148. ↑ Lisa Solieri, Paolo Giudici, Vinagres do mundo, Springer, 2009.
  149. ↑ Estudos sobre o vinho, suas causas de doenças que as provocam. Novos processos para preservá-lo e envelhecê-lo. Paris, Imprimerie Impériale, 1866. Royal-8vo.. A obra, que teve segunda edição em 1873, só foi republicada uma vez, em 1924.
  150. ↑ «La pasteurisation, inventée pour sauver le vin». Institut Pasteur (em francês)
  151. ↑ P. Debré, Louis Pasteur, Flammarion, 1994, p. 241, 256-258. Sobre as disputas sobre a prioridade que foram travadas com Pasteur em termos de aquecimento do vinho, René Dubos escreve: “Essas controvérsias perderam todo o interesse hoje, exceto para destacar a esmagadora superioridade das técnicas baseadas em uma teoria racional em comparação com os processos do empirismo. Desde os tempos antigos, o calor foi aplicado esporadicamente ao vinho, e certos viticultores sabiam que isso poderia ser feito sob certas condições sem alterar o sabor. Mas foi Pasteur quem primeiro deu uma base racional às tradições empíricas. estes estudos teóricos que permitiram desenvolver técnicas padronizadas e seguras para a conservação não só do vinho, mas também de outros líquidos perecíveis.” (René Dubos, Louis Pasteur franc-tireur de la science, reed. 1995, p. 180; tradução de um livro publicado pela primeira vez em inglês em 1950; primeira tradução francesa em 1955). Contudo, Pierre-Yves Laurioz, Louis Pasteur, la réalité après la légende, Paris, 2003, p. 109-142, defende a prioridade de Vergnette.
  152. ↑ Pasteur conhecia as conservas de Appert, mas declarou que quando publicou seu primeiro trabalho sobre a conservação do vinho, não sabia que o vinho estava entre as substâncias com as quais Appert havia lidado (L. Pasteur, Sur la conservation des vins. [Publicação em brochura de um] Lettre adressée à M. le rédacteur en chef du Moniteur vinicole, Paris, 1865, nota da publicação em brochura; Œuvres completes de Pasteur, t. 3, p. 352, nota 1, disponível em Gallica), Appert só publicou as suas experiências com o vinho nas últimas edições do seu tratado (L. Pasteur, “Note on the Employment of Heat as a Means of Conservation Wine”, Reports of the Academy of Sciences, t. 61 (1865), p. 979, disponível em Gallica). Ver P. Debré, Louis Pasteur, 1994, p. 256.
  153. ↑ Harry W. Paul, Science, Vine and Wine in Modern France, Cambridge University Press, 1996, p. 186-187, que se refere a Georges Curtel, “Experiências de pasteurização organizadas pelo Institut oenologique de Bourgogne”, em Le petit viticulteur bourguignon, 1.º ano, n.º 2, p. 1-3.
  154. ↑ Patrice Debré, Louis Pasteur, 1994, p. 259-260, que atribui o abandono da pasteurização do vinho aos problemas mais graves então colocados por Filoxera.
  155. ↑ Harry W. Paul, Science, Vine and Wine in Modern France, Cambridge University Press, 1996, p. 187.
  156. ↑ Chambertin, Um vinho que encanta Pasteur tira o amargor do vinho, Le Soir, sábado, 23 de setembro de 1995 http://archives.lesoir.be/un-vin-qui-rejouit-pasteur-ota-au-vin-son-amertume_t-19950923-Z0A2A2.html.
  157. ↑ A sulfitagem da colheita antes do início da fermentação desenvolveu-se no início de século XX após o trabalho de Müller; este processo abriu uma nova era no trabalho de vinificação. Émile Peynaud, Le vin et les jours, Dunod, 2012, p. 162.
  158. ↑ Pascal Ribéreau-Gayon, Yves Glories, Alain Maujean, Denis Dubourdieu, Tratado de enologia - Volume 2 - 6.º ed. - Química do vinho. Estabilização e tratamentos", Dunod, 2012, p. 502-504.
  159. ↑ "Em 1886, os químicos alemães V. H. e F. Soxhlet adaptaram a técnica para preservar o leite e reduzir as doenças por ele transmitidas. » Lansing M. Prescott et al., Microbiologie, tr. fr., De Boeck University, 2003, p. 142, disponível em Google Books.
  160. ↑ Nicolas Appert, Livre de tous les ménages, 1831, p. 84.
  161. ↑ Joseph M. Lam e Wingfield Rehmus (2024). «Scabies: a historical perspective». International Journal of Dermatology (em inglês). 63 (12): 1637–1638. doi:10.1111/ijd.17536
  162. ↑ Patrick Berche, Une histoire des microbes, John Libbey Eurotexto, 2007, p. 38-39.
  163. ↑ Dutrochet, “Relatório sobre diversos trabalhos realizados sobre o tema da doença do bicho-da-seda, comumente conhecida pelo nome de muscardine”, Comptes rendus de l'Académie des sciences, t. 6, 1838, p. 86-102, espec. 88-89 e 97-100, disponíveis em Gallica, tendem a colocar em perspectiva o papel de Bassi. Citado por P. Pinet, Pasteur et la philosophie, Paris, L'Harmattan, 2005, p. 180.
  164. ↑ «Late blight of potato and tomato». American Phytopathological Society (em inglês). Cópia arquivada em 16 de julho de 2026
  165. ↑ F. Dagognet, Méthodes et doctrine dans l'œuvre de Pasteur, Paris, 1967, republicado sob o título Pasteur sans la légende, 1994, p. 267-268, dá um exemplo retirado de Nicolas Lémery, Cours de chimie, 10.º ed., Paris, 1713, p. 268. A assimilação da febre à fermentação já era feita em 1663 por Boyle: “Aquele que compreende perfeitamente a natureza dos fermentos e das fermentações, muito melhor do que aquele que os ignora, será capaz de dar conta dos vários aspectos de diversas doenças (febres e outras) que talvez nunca compreenderemos completamente sem ter penetrado na doutrina da fermentação.» (R. Boyle, Sur quelques aspects de la partie pathologique de la physique, 1663; referência dada por René Dubos, Louis Pasteur franc-tireur de la science, reed. 1995, p. 268.) Pasteur cita esta passagem de Boyle em sua carta de 25 de dezembro de 1882 À Monsieur Koch, Complete Works of Pasteur, vol. 6, p. 425, disponível em GallicaPasteur et la philosophiep. 171John Pringle. Pinet, Pasteur et la philosophie, Paris, L'Harmattan, 2005, p. 156 e 175-176, Pasteur menciona esta opinião de Pringle em seu Recherches sur la putréfactionp. 175Gallica, 1863, Complete Works of Pasteur, t.
  166. ↑ Pasteur, “Seguindo uma comunicação anterior relativa às gerações espontâneas”, Comptes rendus de l'Académie des sciences, sessão de 5 de novembro de 1860, t. 51, p. 675-678, Œuvres complètes de Pasteur, vol. 2, p. 202-205, especificação. 204-205, disponível em Gallica. Numa nota inédita, datada de 17 de dezembro de 1859, Pasteur já havia escrito, após descrever o fenômeno da fermentação: “Tudo indica também que é a causas desta natureza que as doenças contagiosas devem a sua existência”, mas esta nota não fala do papel dos organismos vivos. (Note remise par Pasteur au ministre de l'instruction et des cultes, Obras completas, t. 3, p. 481, disponível em Gallica; citado por P. Pinet, Pasteur et la philosophie, Paris, L'Harmattan, Paris, 2005, p. 155.).
  167. ↑ C. Davaine, Pesquisa sobre os infusórios do sangue na doença conhecida como "sangue do baço" - Proceedings of the Academy of Sciences, 1863, vol. 57, pág. 221. (Consultável no site Gallica). Citado por Jean Théodorides; (em inglês) Casimir Davaine (1812-1882) a precursor of Pasteur, Med Hist. 1966 - pág. 159. (PDF).
  168. ↑ L. Pasteur, Sur les maladies virulentes, et en particulier sur la maladie appelée vulgairement choléra des poules., Comptes rendus de l’Académie des sciences, sessão de 9 de fevereiro de 1880, vol. 90, 1880, pág. 239-248; Boletim da Academia de Medicina, sessão de 10 de fevereiro de 1880, 2.º série, vol. 9, pág. 121-134; OC, vol. 6, pág. 291-303, espec. pág. 292.
  169. ↑ P. Pinet, Pasteur et la philosophie, Paris, L'Harmattan, 2005, p. 157.
  170. ↑ Médico holandês de ascendência huguenote, atuando em Suriname, publicou "De la contagion seule cause de la propagation de la lèpre" em francês em 1869 em Paris.
  171. ↑ Jean-Paul Bado, Medicina colonial e principais endemias na África 1900-1960: Lepra, tripanossomíase e oncocercose, Karthala, 2000,p. 64-65.
  172. ↑ P. Debré, Louis Pasteur, 1994, p. 296-297.
  173. ↑ Citado por P. Debré, Louis Pasteur, Paris, 1994, p. 299-300.
  174. ↑ Quanto à demonstração da presença significativa de germes na água, Pasteur e Joubert (“Sobre os germes de bactérias suspensas na atmosfera e na água”, Comptes rendus de l'Académie des sciences, t. 84, 1877, p. 206-209, spec. 207-208, Œuvres complètes de Pasteur, t. 2, p. 467-469, spec. p. 468, disponível em Gallica) prestam homenagem a Burdon-Sanderson, “A origem e distribuição de microzimas (bactérias) na água, e as circunstâncias que determinam sua existência nos tecidos e líquidos do corpo vivo”, Quarterly Journal of Microscopical Science, n. ser., XI, 1871, p. 323-352, disponível em le site du Journal of Cell Science.
  175. ↑ P. Debré, Louis Pasteur, Paris, 1994, p. 301.
  176. ↑ P. Debré, Louis Pasteur, 1994, p. 307. A expressão “Pasteur é um desses” de P. Debré sugere que a assepsia pós-Listeriana não é obra apenas de Pasteur. Em 1874, por exemplo, Félix Terrier, que só mais tarde aprenderia bacteriologia, praticava a assepsia “de certa forma por intuição”. (Em. Lagrange, Monsieur Roux, Bruxelas, 1954, p. 83.).
  177. ↑ Pasteur, Joubert e Chamberland, “A teoria dos germes e suas aplicações à medicina e cirurgia”, Boletim da Academia de Medicina, 2.º série, t. 7, 1878, p. 446; Œuvres complètes de Pasteur, t. 6, p. 112-130, especificações. 123-124, disponível em Gallica. Comunicação publicada com o mesmo título nos Comptes rendus de l’Académie des sciences, sessão de 29 de abril de 1878 (t. 86, 1878, p. 1037-1043), mas a parte que continha as recomendações de esterilização foi suprimida para não ultrapassar a extensão regulamentar. Na reunião de 5 de janeiro de 1874 da Academia de Ciências, Pasteur já havia dito: “Se eu tivesse a honra de ser cirurgião, nunca introduziria nenhum instrumento no corpo do homem sem tê-lo passado por água fervente e, melhor ainda, por uma chama imediatamente antes da operação, e resfriado rapidamente.” (Comptes rendus de l’Académie des sciences, t. 78 (1874), p. 46-47.
  178. ↑ AC Masquelet, “Infecção e cicatrização de feridas”, Maîtrise orthopédique, n.º 94, maio de 2000, disponível em linha.
  179. ↑ “O senhor Delpech estabeleceu pelos seguintes fatos que a podridão hospitalar é contagiosa: (...) tornou-se especialmente muito frequente quando éramos obrigados a usar fiapos que já cobriam as feridas por ela afetadas. Os instrumentos cirúrgicos tornavam-se um meio de propagação se não se tomasse o cuidado de lavá-los em vinagre; até as roupas dos cirurgiões o comunicavam. » (L.J. Ramon, artigo “Podridão hospitalar”, em Encyclopédie méthodique, Médecine, t. 12, Paris, 1827, p. 294, disponível em Google livres.
  180. ↑ P. Debré, Louis Pasteur, Paris, 1994, p. 310. Bruno Halioua, Histoire de la médecine, Paris, Masson, 2004, p. 176, trecho disponível no Google Books.
  181. ↑ Ao contrário do que se diz ou parece dizer sur Internet, a frase “Em vez de tentar matar micróbios nas feridas, já não seria razoável não os introduzir? » não aparece na comunicação que Pasteur fez à Academia das Ciências em 29 de abril de 1878 e à Academia de Medicina no dia seguinte.
  182. ↑ Jimmy Drulhon, Louis Pasteur. Cinq années dans les Cévennes, Éditions Hermann, 2009, Pasteur permanece e realiza seu trabalho científico na magnanerie Pont Gisquet, na estrada para Saint-Jean-du-Pin.voir dans Google Street.
  183. ↑ “Ele [= la flacherie] já o conhecia há muito tempo, desde a sua primeira estadia no Sul em 1865, onde uma das duas educações que serviram de ponto de partida para as suas deduções foi afectada por esta doença, ao mesmo tempo que a dos corpúsculos. » Émile Duclaux, Pasteur, Histoire d'un esprit, p. 218-219, disponível em Gallica.
  184. ↑ "Esta denominação de morts-blancs, usada pelo Abade de Sauvages e vários outros escritores, é imprecisa; por isso achei necessário acrescentar a de morts-flats, comumente usada em vários departamentos, e que designa muito bem o estado de suavidade e flacidez em que se encontram os vermes mortos desta doença. Pierre Hubert Nysten, Recherches sur les maladies des vers à soie, Paris, 1808, p. 5, disponível em Google Books.
  185. ↑ Veja a história de Quatrefages reproduzida em L. Pasteur, Études sur la maladie des vers à soie, Paris, 1870, Œuvres complètes de Pasteur, t. 4, p. 27, disponível em Gallica.
  186. ↑ “Mas os casos de associação eram tão frequentes, precisamente porque a doença dos corpúsculos era muito difundida, que Pasteur considerou as duas afecções como ligadas entre si e devem desaparecer juntas. » (Émile Duclaux, Pasteur, Histoire d'un esprit, p. 218-219, disponível em Gallica) Pasteur expressou esta opinião, nomeadamente em “Novos estudos sobre a doença do bicho-da-seda”, Comptes Rendus de l'Académie des Sciences, t. 63 (1866), p. 126-142: “Estou muito inclinado a creio que não existe actualmente nenhuma doença específica dos bichos-da-seda. O mal de que nos queixamos parece-me que sempre existiu, mas em menor grau. (...) Além disso, tenho sérias razões para acreditar que a maior parte das doenças do bicho-da-seda há muito conhecidas estão ligadas àquela que nos preocupa, com excepção da muscardina e, talvez, da erva. » (p. 136). Disponível em Gallica. A mesma coisa em uma carta de 27 de junho de 1866 a Dumas: “todas as outras chamadas doenças antigas do bicho-da-seda, menos muscardine e talvez grasserie, como motrs-flats, petits, passis, arpians doença, são apenas formas da doença atual. » (Correspondance, t. 2, p. 265. Citado por Ph. Decourt, Les vérités indésirables, Paris, 1989, p. 173, e por P. Pinet, Pasteur et la phiolosophie, Paris, 2004, p. 158.
  187. ↑ "Sobre a doença do bicho-da-seda. Carta de M. L. Pasteur para M. Dumas. »Comptes rendus de l’Académie des sciences, sessão de 3 de junho de 1867, vol. 64, p. 1113. Disponível em Gallica.
  188. ↑ Philippe Decourt, Les vérités indésirables, Paris, 1989, p. 165-193. censura Pasteur pela negação da justiça para com Antoine Béchamp, que estudou pebrina ao mesmo tempo que Pasteur e imediatamente afirmou o caráter parasitário da doença. Veja detalhes no artigo Antoine Béchamp.
  189. ↑ Balbiani, “Pesquisa sobre os corpúsculos de pebrina e seu modo de propagação”, Comptes rendus de l’Académie des sciences, sessão de 27 de agosto de 1866, vol. 63 (1866), p. 388-391, disponível em Gallica. Balbiani começa assim: “Entre todas as opiniões contraditórias que têm sido expressas sobre a natureza dos corpúsculos da pebrina, a mais questionável, a meu ver, é aquela que consiste em assimilá-los a elementos anatômicos normais, ou mais ou menos alterados, ou a produtos mórbidos como os glóbulos de pus, etc. citadas acima, provas mais decisivas, baseadas na observação dos fenómenos que estes corpúsculos apresentam na sua evolução, fenómenos que colocam fora de dúvida a sua estreita relação com os organismos parasitas conhecidos sob o nome de Psorospermies".
  190. ↑ "Quanto às opiniões expressas pelo senhor Balbiani sobre a natureza dos corpúsculos, embora não as compartilhe, terei o maior cuidado em examiná-las, por duas razões: porque são de um observador habilidoso, e porque ainda tenho apenas opiniões pré-concebidas sobre os objetos a que dizem respeito, às quais não detenho mais do que o razoável. Há mais: espero sinceramente que as ideias de MM. Balbiani e Leydig sejam verdadeiras (...)." Pasteur, “Observações sobre uma nota do Sr. Balbiani relativa à doença do bicho-da-seda”, Comptes rendus de l'Académie des Sciences, sessão de 10 de setembro de 1866, vol. 63 (1866), p. 441-443.
  191. ↑ Em 29 de maio de 1867, Pasteur escreveu novamente a Dumas: “Apesar de tudo o que tenho a dizer nas notas de Béchamp, Estor, Balbiani e nos artigos que os dois primeiros inserem em Messager du Midi, sigo o seu conselho, não respondo. Se você soubesse o quão errado é dizer que esta doença não é constitucional e apenas parasitária. Seu caráter essencial é precisamente seu caráter constitucional. » (Citado por Ph. Decourt, Les vérités indésirables, Paris, 1989, p. 190.).
  192. ↑ P. Debré, Louis Pasteur, Flammarion, 1994, p. 219. Em seu Études sur la maladie des vers à soie, publicado em 1870 (Œuvres complètes de Pasteur, vol. 4, disponível em Gallica), Pasteur relata que consultou Leydig sobre a questão da natureza viva dos corpúsculos. (Uma de suas cartas a Leydig é de dezembro de 1866.) Ele admite que “basicamente” adotou as opiniões de Leydig e Balbiani, mas as contradiz na questão do modo de formação dos corpúsculos (p. 135, 137 e 138). Em 1884, Balbiani submeteu a um exame a teoria de Pasteur sobre o desenvolvimento dos corpúsculos e concluiu o seguinte: “Creio que é inútil deter-me mais nas observações do Sr. Pasteur, que penso poder caracterizar numa única palavra, dizendo que o seu autor prova quão pouco está familiarizado com a investigação biológica. Balbiani, Leçons sus les sporozoaires, Paris, 1884, p. 160-163En ligne.) Sobre os erros de Pasteur no estudo dos bichos-da-seda e o julgamento que ele próprio fez sobre esses erros, ver Richard Moreau, “O último envelope selado de Louis Pasteur na Academia de Ciências”, La vie des sciences, Comptes rendusn.º 5p. 403-434disponível em linha, série geral, t.
  193. ↑ Louis Pasteur, Études sur la maladie des vers à soie; Obras completas, t. 4, p. 166-167, disponível em Gallica.
  194. ↑ Pasteur menciona as ideias de Osimo em Louis Pasteur, Études sur la maladie des vers à soie; Obras completas, t. 4, p. 38-39, disponível em Gallica. Resumindo um desenvolvimento do pasteuriano Émile Duclaux (Émile Duclaux, Pasteur, histoire d'un esprit, Sceaux, 1896, p. 198, disponível em Gallica), P. Debré escreve que Pasteur é “levado a propor um método de classificação de sementes quase idêntico ao recomendado alguns anos antes por Orcino [leia-se: Osimo]. Se isso falhou, afirma Pasteur, foi por falta de confiança; o que, claro, não é o seu caso. » P. Debré, Louis Pasteur, Flammarion, 1994, p. 210.
  195. ↑ Patrice Debré (1995). Louis Pasteur. [S.l.]: Flammarion. p. 246.
  196. ↑ Élie Reynier, La soie en Vivarais, 1921, disponível em linha.
  197. ↑ G. Balbiani, Leçons sus les sporozoaires, Paris, 1884, p. 167-168 En ligne..
  198. ↑ Em 1878, em Congrès international séricicole, Pasteur admitiu que “se a pebrina for derrotada, a flacherie ainda exerce sua devastação. »Ele atribuiu a persistência da flacherie ao fato de que os criadores não seguiram seu conselho. (Comptes rendus sténographiques du Congrès international séricicole, tenu à Paris du 5 au 10 septembre 1878; Paris, 1879, p. 27-38. Reproduzido nas Œuvres complètes de Pasteur, vol. 4, p. 698-713, especificações 699 e 713; disponível em Gallica.
  199. ↑ Philippe Decourt, Les vérités indésirables, Paris, 1989, p. 301.
  200. ↑ Segundo o pasteuriano Émile Duclaux, o trabalho no filtro, na autoclave e na flambagem de vasos foi estimulado pelas objeções dos oponentes às ideias de Pasteur sobre a geração espontânea. (Émile Duclaux, Pasteur, histoire d'un esprit, Imprimerie Charaire, 1896, p. 148, 150 e 152, disponível em Gallica.).
  201. ↑ Carta de dezembro de 1876 para Dr. Godelier, Correspondance, t. 2, p. 659. Citado por P. Pinet, Pasteur et la philosophie, Paris, 2005, p. 159-160.
  202. ↑ Annick Perrot et Maxime Schwartz (2014). Pasteur et Koch. Un duel de géants dans le monde des microbes. [S.l.]: Odile Jacob. 240 páginas.
  203. ↑ Pasteur e Joubert, “Carvão e septicemia”, Comptes rendus de l’Académie des sciences, t. 85 (1877), p. 101-115, disponível em Gallica.
  204. ↑ Charles L. Hatheway, “Clostrídios toxigênicos”, Clinical microbiology reviews, vol. 3, n.º 1, janeiro de 1990, p. 66-98, p. 85, disponível em linha.
  205. ↑ Pasteur, “Da extensão da teoria dos germes à etiologia de algumas doenças comuns”, Comptes rendus de l'Académie des sciences, sessão de 3 de maio de 1880, vol. 90, p. 1033-1044; Bulletin de l'Académie de médecine, sessão de 4 de maio de 1880, 2.º série, t. 9, p. 435-447; Obras completas, t. 6, Paris, 1933, p. 147-158, espec. p. 151, disponível em Gallica.
  206. ↑ "(...) germes que, vejam vocês, têm extrema facilidade de propagação nos tecidos e que levariam infalivelmente à morte dos operados em muito pouco tempo se a vida, nestes membros, não se opusesse à multiplicação desses germes. Mas, infelizmente! quantas vezes esta resistência vital é impotente, quantas vezes a constituição da pessoa lesada, o seu enfraquecimento, o seu estado moral (...) apenas constituem uma barreira insuficiente à invasão do infinitamente pequeno" (L. Pasteur, com Joubert e Chamberland, “A teoria dos germes e suas aplicações à medicina e cirurgia”, 1878; Complete Works, t. 6, p. 123-124Gallica, citado por P. Pinet, Pasteur et la philosophie, Paris, L'Harmattan, 2005, p. 193-194.
  207. ↑ "Hoje, em vários países, as ovelhas são coleiras para protegê-las do confinamento; inoculamos a pleuropneumonia para proteger contra esta doença gravíssima da espécie bovina. » L. Pasteur, "Sobre doenças virulentas, e em particular sobre a doença comumente chamada cólera das galinhas", Comptes rendus de l’Académie des sciences, sessão de 10 de fevereiro de 1880, vol. 90,p. 245; Œuvres complètes de Pasteur, t. 6, p. 298; Antologia de Pichot, p. 209.
  208. ↑ Em 1857, J. Reynal usou a palavra “atenuação” sobre este assunto: “Finalmente, em 1847, M. Lebel veio, através de novas pesquisas, confirmar esta opinião, a saber: que o vírus é enfraquecido por inoculações sucessivas, sem perder as suas propriedades virulentas e conservantes; que devemos aproveitar esta atenuação, se assim podemos dizer, para comunicar um clavée benigno. » (Reynal, artigo Clavelisation, in H. Bouley e [J.] Reynal, Nouveau dictionnaire pratique de médecine, de chirurgie et d'hygiène vétérinaires, t. 3, Paris, 1857, p. 728-729.
  209. ↑ “É desta crença que nasceu a ideia de cultivar o vírus clavelous; Pensámos desta forma enfraquecer o vírus clavelous, fazê-lo perder a sua atividade virulenta, mitigá-lo por inoculações sucessivas, mantendo as suas propriedades preservadoras. No entanto, experiências realizadas na escola de Viena comprovaram que (…) o cultivo do vírus clavelous não (…) mitiga a sua acção. » L.H.J. Hurtrel d'Arboval, Dictionnaire de médecine, de chirurgie et d'hygiène vétérinaires, edição completamente reformulada por A. Zundel, vol. 1, Paris, 1874, artigo Clavelisation, p. 402.
  210. ↑ Jean Théodoridès, “Alguns grandes precursores de Pasteur”, em Histoire des Sciences médicales, 1973, vol. 7 (n.º 4), pesquisável sur le site de l'université Paris Descartes. Aqui estão algumas citações da época: "De acordo com a pesquisa de Moritz, [o sangue do animal doente com cólera de galinha] às vezes contém bactérias. Aqui, novamente, novas pesquisas são necessárias para especificar claramente a natureza e as espécies de micrófitas (…)" (Dictionnaire de médecine, de chirurgie et d'hygiène vétérinaires por L. H. J. Hurtrel d’Arboval, reformulado por A. Zundel, t. 2, Paris, 1875, p. 467.) “A doença [= cólera das galinhas] é produzida por um organismo microscópico, que, segundo o dicionário de Zundel, foi inicialmente suspeitado por M. Moritz, veterinário da alta Alsácia, depois foi melhor figurado em 1878 por Perroncito, veterinário de Turim, e finalmente encontrado em 1879 por M. Toussaint, professor de Toulouse, que demonstrou pela cultura do pequeno organismo na urina neutralizada que ele era de fato o autor da virulência do sangue. » L. Pasteur, Sur les maladies virulentes, et en particulier sur la maladie appelée vulgairement choléra des poules, Comptes Rendus de l'Acad of Sciences, sessão de 9 de fevereiro de 1880, XC, p. 239-248; Boletim da Acad. de medicina, sessão de 10 de fevereiro de 1880, 2.º ser., IX, p. 121-1346.ºp. 125-135; (OC, vol. 6, p. 291-303, especificação p. 294.) “Alguns veterinários de lá [= no “vírus” da cólera das galinhas] suspeitaram da existência de pequenos fermentos animados, de bactérias, em particular um aluno do Sr. Também foi relatado por um veterinário de Turim e por um professor da escola de veterinária de Toulouse, M. Toussaint. Foi do Sr. Toussaint que obtive a primeira pequena quantidade de sangue de uma galinha que morreu do que chamamos de cólera aviária. »(L. Pasteur, Sur les virus-vaccins du choléra des poules et du charbon, Relatórios do trabalho do Congresso Internacional de Diretores de Estações Agronômicas, sessão de Versalhes, junho de 1881. Paris, 1881, 4.º sessão, 22 de junho de 1881, p. 151-162. (OC, vol. 6, p. 358-369, especificação p. 359.) (em francês) Pasteur Œuvre tome 6 - Maladie virulentes. Virus. Vaccins. Prophylaxie de la rage (PDF).
  211. ↑ "Em 1880, o Sr. Pasteur descobriu precisamente o primeiro exemplo de uma doença (cólera das galinhas) produzida por um micróbio especial, que, por um dispositivo particular, poderia ser privado de parte de sua virulência e então ser inoculado sem perigo em galinhas. Por meio deste vírus atenuado foi possível transmitir uma doença benigna às galinhas; e, após este leve ataque, elas foram preservadas contra doenças fatais. » (Ch. Chamberland, Le charbon et la vaccination charbonneuse, Paris, 1883, p. 94, citado por A. Cadeddu, Les vérités de la science, Florença, 2005, p. 109.).
  212. ↑ René Vallery-Radot, La vie de Pasteur, 1900, p. 427, disponível em Gallica. Passagem reproduzida por A. Cadeddu, Les vérités de la science, Florença, 2005, p. 108.
  213. ↑ Émile Duclaux, Pasteur. Histoire d'un esprit, Sceaux, 1896, p. 348-349, disponível em Gallica; reproduzido por A. Cadeddu, aberto. citado, p. 110, e resumido por P. Debré, Louis Pasteur, 1997, p. 404.
  214. ↑ Antonio Cadeddu. «Les vérités de la science: pratique, récit, histoire (Catalogue collectif de France de la Bibliothèque nationale de France (BNF)». ccfr.bnf.fr. Consultado em 15 de março de 2021. Cópia arquivada em 7 de abril de 2022
  215. ↑ A. Cadeddu, Les vérités de la science, Florença, 2005, p. 122.
  216. ↑ A. Cadeddu, Les vérités de la science, Florença, 2005, p. 105-125.
  217. ↑ A. Cadeddu já havia tratado desta questão em seu artigo “Pasteur e o cólera das galinhas. Revisão crítica de um relato histórico”, History and Philosophy of the Life Science, 1985, t. VII. Patrice Debré, Louis Pasteur, 1994, que cita este artigo na sua bibliografia, p. 545, escreve no corpo do seu livro, p. 404, depois de ter reproduzido a versão da descoberta fortuita: “Outra versão dos mesmos fatos, reconstituída a partir dos arquivos de Pasteur, dá menos importância ao acaso”.
  218. ↑ (Pasteur, OC, vol. 6, p. 329.) (em francês) Pasteur Œuvre tome 6 - Maladie virulentes. Virus. Vaccins. Prophylaxie de la rage (PDF).
  219. ↑ Philippe Decourt, Les vérités indésirables, Paris, 1989, p. 232, fez o seguinte comentário: "Nestas condições, é impossível falar de um processo de vacinação. Somos obrigados a notar que no final de Outubro de 1880, Pasteur ainda não tinha nenhum."
  220. ↑ G. Lesbouyries, La pathologie des oiseaux, Paris, 1941, p. 340; citado por Hervé Bazin, L'Histoire des vaccinations, 2008, p. 155, que apresenta G. Lesbouyries como “um excelente especialista em patologia de aves”. Lemos numa publicação na Internet de Département américain de l'agriculture datada de 14 de janeiro de 2005: "Pasteur trabalhou em uma vacina contra a cólera aviária, mas sem muito sucesso. Desde Pasteur, houve várias tentativas de produzir uma vacina eficaz contra a cólera aviária. Imunidade substancial, mas não absoluta, pode ser conferida em aves, sob condições controladas, usando vacinas mortas de Pasteurella multocida. » ("Pasteur fez alguns trabalhos com uma vacina para cólera aviária, mas não teve muito sucesso. Desde Pasteur, houve várias tentativas de produzir vacinas eficientes para a cólera aviária. Substancial mas nenhuma imunidade absoluta pode ser induzida em aves usando vacinas mortas de Pasteurella multocida sob condições controladas.”) (Turkey Slaughter, 14 de janeiro de 2005, p. 10.).
  221. ↑ Thomas D. Brock, Milestones in microbiology 1546 to 1940, ASM Press (American Society for Microbiology), 1999, p. 130, trecho disponível em Google Books.
  222. ↑ A. Chauveau, "Sobre o fortalecimento da imunidade das ovelhas argelinas, no que diz respeito ao sangue do baço, por meio de inoculações preventivas. Influência da inoculação materna na receptividade fetal", Comptes rendus de l'Académie des sciences, t. 91, 1880, p. 148-151, espec. p. 151, disponível em Gallica.
  223. ↑ Henry Toussaint, Note contenue dans un pli cacheté et relative à un procédé pour la vaccination du mouton et du jeune chien (Nota de Toussaint apresentada por M. Bouley), Comptes rendus de l’Académie des sciences, 1880, volume 91, 2 de agosto de 1880, p. 303. H. Toussaint, "Vacinações contra antraz. Sessão de 19 de agosto de 1880", Associação Francesa para o Avanço das Ciências, 9, Comptes rendus de la 9.º session, Reims 1880; Paris, 1881, p. 1021-1025. Disponível em Gallica.
  224. ↑ W.D. Tigertt, "Anthrax. William Smith Greenfield, M.D., F.R.C.P., Professor Superintendent, the Brown Animal Sanatory Institution (1878-1881). Quanto à prioridade que lhe é devida para a produção da primeira vacina contra o antraz. », em The Journal of Hygiene, vol. 85 (3), 1980, p. 415-420, resumo disponível gratuitamente disponível em linha; ver também autre lien vers cet article.
  225. ↑ Hervé Bazin, “A história das vacinas, 2.º parte: das vacinas pasteurianas às vacinas modernas”, Bulletin de la Société française d'histoire de la médecine et des sciences vétérinaires, 2013, 13, p. 45-63, online em site de la société.
  226. ↑ Jean-Marc Cavaillon; Sandra Legout (2022). «Louis Pasteur: Between Myth and Reality». Biomolecules (em inglês). 12 (4). 596 páginas. doi:10.3390/biom12040596. Cópia arquivada em 27 de setembro de 2026
  227. ↑ Capítulo de Maurice Cassier na obra coletiva, Sciences, chercheurs et agriculture : Pour une histoire de la recherche agronomique, Quae éditions, 3 de maio de 2010, p. 74.
  228. ↑ Capítulo de Maurice Cassier na obra coletiva, Sciences, chercheurs et agriculture : Pour une histoire de la recherche agronomique, Quae éditions, 3 de maio de 2010, p. 80.
  229. ↑ «Anthrax» (PDF). Organização Mundial de Saúde Animal (em inglês). Cópia arquivada (PDF) em 6 de junho de 2026
  230. ↑ E. Shlyakhov, J. Blancou e E. Rubinstein, “Vacinas contra o antraz em animais, de Louis Pasteur até os dias atuais”; Revue scientifique et technique de l'Office international des épizooties, 1996, 15 (3), p. 853-862, espec. 856 e seguintes, disponível em linha.
  231. ↑ Hervé Bazin, Histoire des vaccinations, 2008, John Libbey Eurotext, Paris, p. 197, que se refere a C. A. Herter, The influence of Pasteur on medical science, An address delivered before the medical school of Johns Hopkins University, New York, 1904, p. 58, disponível para consulta disponível em linha. Ver também Darren R. Flower, Bioinformatics for Vaccinology, John Wiley & Sons, 2008, p. 31, parcialmente disponível em Google Livres, segundo quem Detmers tem prioridade.
  232. ↑ Adrien Loir, À l'ombre de Pasteur, Le Mouvement sanitaire, 1938, p. 36; citado por Hervé Bazin, Histoire des vaccinations, 2008, John Libbey Eurotext, Paris, p. 197.
  233. ↑ Gaston Ramon, Quarante années de recherches et de travaux, Imprimerie regional, Toulouse, 1957, p. 489; citado por Hervé Bazin, Histoire des vaccinations, 2008, John Libbey Eurotext, Paris, p. 197.
  234. ↑ Hervé Bazin, Histoire des vaccinations, 2008, John Libbey Eurotext, Paris, p. 197.
  235. ↑ Hervé Bazin, Histoire des vaccinations, 2008, John Libbey Eurotext, Paris, p. 198, que se refere a Bibliothèque Nationale, Nouvelles Acquisitions Françaises n.º 18016, f.P.140.
  236. ↑ O laboratório stricto sensu não é mais suficiente para atender às necessidades, Chamberland dirige um anexo responsável pela produção quase industrial da vacina. Ver http://www.bruno-latour.fr/livres/PASTEUR-PERRIN.pdf.
  237. ↑ Hervé Bazin, Histoire des vaccinations, 2008, John Libbey Eurotext, Paris, p. 197-198.
  238. 1 2 Kenneth F. Kiple (1993). «Rabies». The Cambridge World History of Human Disease (em inglês). [S.l.]: Cambridge University Press. p. 966-967. ISBN 0-521-33286-9.
  239. ↑ Pierre-Henri Duboué, De la physiologique pathologique et du traitement de la rage, Paris, 1879. Citado por Jean Théodoridès, Histoire de la rage, Paris, Masson, 1986, p. 184.
  240. ↑ Jean Théodoridès, Histoire de la rage, Paris, Masson, 1986, p. 185.
  241. ↑ V. Galtier, “ Études sur la rage ”, Rec. Méd. vét., 6, 2.º série, n.º 17, 1879, 857-67; Ann. méd. vét., 28, 1879, 627-39; conclusões in : Comptes Rendus de l'Académie des Sciences, 89, 1879, 444-6. Cité par Jean Théodoridès, História da raiva, Paris, 1986, p. 191.
  242. ↑ V. Galtier, “Transmissão do vírus da raiva”, Bulletin de l'Académie de Médecine, 2.º série, 10, 1881, 90-94. Citado por J. Théodoridès, Histoire de la rage, Paris, Masson, 1986, p. 192.
  243. ↑ J. Théodoridès, Histoire de la rage, Paris, 1986, p. 191-192 (“afirmação inexata”).
  244. ↑ Pasteur, Chamberland, Roux e Thuillier, “Sobre a raiva”, Comptes rendus de l’Académie des sciences, 92, 1881, 1259-60. Citado por J. Théodoridès, Histoire de la rage, Paris, Masson, 1986, p. 202-203.
  245. ↑ Pasteur, Chamberland, Roux e Thuillier, Nouveaux faits pour servir à la connaissance de la rage, Comptes rendus de l’Académie des sciences, 95, 1882, 1187-92; Bulletin de l'Académie de Médecine, 2.º série, 11, 1882, 1440-45; citado por J. Théodoridès, Histoire de la rage, Paris, 1986, p. 203.
  246. ↑ Segunda edição de seu Traité des maladies contagieuses, 1891, vol. 2, p. 141. Citado por J. Théodoridès, Histoire de la rage, Paris, Masson, 1986, p. 198.
  247. ↑ V. Galtier, "Uma página de história. Descoberta da imunidade anti-rábica. Vacinação anti-rábica por injeção intravenosa", J. Méd. Veterinário. Zoot. (Lyon), 55, 1904, 274-77. Citado por J. Théodoridès, Histoire de la rage, Paris, Masson, 1986, p. 197.
  248. ↑ J. Théodoridès, Histoire de la rage, Paris, 1986, p. 198.
  249. ↑ E. Nocard e É. Roux, “Experimentos sobre a vacinação de ruminantes contra a raiva por injeções intravenosas do vírus da raiva”, Annales de l'Institut Pasteur, 2, 1888, 341-353. Citado por J. Théodoridès, Histoire de la rage, Paris, 1986, p. 197 e 214.
  250. ↑ Pasteur, Chamberland e Roux, “Nova comunicação sobre raiva”, Comptes rendus de l’Académie des sciences, 98, 1884, 457-63; Boletim da Academia de Medicina, 2.º série, 13, 1884, 337-44. Citado por J. Théodoridès, Histoire de la rage, Paris, Masson, 1986, p. 203-204.
  251. ↑ Pasteur, Chamberland e Roux, “Sobre a raiva”, Comptes Rendus de l’Académie des Sciences, 98, 1884, 1229-31; Boletim da Academia de Medicina, 2.º série, 13, 1884, 661-64. Citado por J. Théodoridès, Histoire de la rage, Paris, Masson, 1986, p. 204.
  252. ↑ J. Théodoridès, Histoire de la rage, Paris, Masson, 1986, p. 234-235.
  253. ↑ A. Cadeddu, Les vérités de la science, Florence, Olschki, 2005, p. 178, aponta que, de acordo com as notas de laboratório de Pasteur, seus resultados não tinham realmente tal regularidade.
  254. ↑ L. Pasteur, “Método para prevenir a raiva após uma mordida”, Comptes rendus de l’Académie des sciences, t. 101 (1885), sessão de 26 de outubro de 1885, p. 765-774, disponível em Gallica; reproduzido em L. Pasteur, Écrits scientifiques et médicaux, choix, présentation et notes par André Pichot, Paris, Flammarion, 1994, p. 302-311.
  255. ↑ Marleide da Mota Gomes (2021). «Louis Pasteur and Dom Pedro II engaged in rabies vaccine development». Journal of Preventive Medicine and Hygiene (em inglês). 62 (1): E231–E236. doi:10.15167/2421-4248/jpmh2021.62.1.1631. Cópia arquivada em 24 de junho de 2026
  256. ↑ Hermann G. Schatzmayr; Maulori Curié Cabral (2012). A virologia no Estado do Rio de Janeiro: uma visão global (PDF). [S.l.]: Fundação Oswaldo Cruz. pp. 29–31
  257. ↑ Jean-Marc Cavaillon; Sandra Legout (2022). «Louis Pasteur: Between Myth and Reality». Biomolecules (em inglês). 12 (4). 596 páginas. doi:10.3390/biom12040596. Cópia arquivada em 27 de setembro de 2026
  258. ↑ Patrice Debré, Louis Pasteur, 1994, p. 463.
  259. ↑ Em 1973, André Gamet viu apenas duas exceções individuais, e ainda muito duvidosas, ao prognóstico fatal da raiva declarada. (André Gamet, La rage, Paris, 1973, p. 94.) M. Fekadu, pelo contrário, considera como conclusivos vários casos de recuperação de raiva clínica em animais e em humanos que foram relatados, entre outros pelo próprio Pasteur, em século XIX e século XX. Ver Makonnen Fekadu, em GM Baer (ed.), The natural history of rabies, 2.º ed., CRC Press, 1991, p. 192 e 370.
  260. ↑ Patrice Debré, Louis Pasteur, 1994, p. 463-466; Pierre Madeline, La première vaccination antirabique de Pasteur em L’aventure de la vaccination, ed. Frison-Roche, 1996, p. 160-167. A. Cadeddu, Les vérités de la science, Florence, Olschki, 2005, p. 185-192, que se refere às notas de laboratório de Pasteur, a Geison 1995, p. 198-205, a Madeline in Moulin 1996, p. 160-167, e a Debré 1994, p. 441-474 (espec. 464-465).
  261. ↑ GL Geison, The Private Science of Louis Pasteur, Princeton University Press, 1995, citado por Arthur Goldhammer, site de l'université de Harvard.
  262. ↑ Marleide da Mota Gomes (2021). «Louis Pasteur and Dom Pedro II engaged in rabies vaccine development». Journal of Preventive Medicine and Hygiene (em inglês). 62 (1): E231–E236. doi:10.15167/2421-4248/jpmh2021.62.1.1631. Cópia arquivada em 24 de junho de 2026
  263. ↑ «L'histoire de la première vaccination contre la rage, en 1885». Institut Pasteur (em francês). 15 de novembro de 2023
  264. ↑ Patrice Debré, Louis Pasteur, 1994, p. 467. Essa recusa também é relatada por Adrien Loir e Émile Lagrange, Monsieur Roux, Bruxelas, 1954, p. 75 e 79.
  265. ↑ Hervé Bazin, L'Histoire des vaccinations, p. 303.
  266. ↑ L. Pasteur, “Méthode pour prévenir la rage après morsure”, Comptes rendus de l'Académie des sciences, vol. 101, 1885, p. 765–774, texto original.
  267. ↑ Pasteur, caderno de 6 de julho de 1885, notas reproduzidas em F. Balibar e M.-L. Prévost (coord.), Pasteur, Cahiers d'un savant, CNRS Éditions, Paris, e Zulma, Cardeilhan, 1995, p. 212, e em le site de l'Académie de Versailles. Em sua publicação, Pasteur disse que o estômago era rempli feito de feno, palha e fragmentos de madeira. (L. Pasteur, “Método para prevenir a raiva após mordida”, Comptes Rends de l'Académie des Sciences, t. 101 (1885), sessão de 26 de outubro de 1885, p. 765-774; reproduzido em L. Pasteur, Écrits scientifiques et médicaux, choix, présentation et notes par André Pichot, Paris, Flammarion, 1994, p. 302-311).
  268. ↑ “No passado, você se lembra, qualquer cão em cujo estômago fossem encontrados corpos estranhos: madeira, palha, etc., era considerado raivoso; esta prova é abandonada. » Peter, no Boletim da Academia de Medicina, 2.º série, t. 17, 1887, sessão de 11 de janeiro de 1887, p. 51; citado por Ph. Decourt, Les vérités indésirables, 1989, p. 145.
  269. ↑ Paris, 1912, p. 74).
  270. ↑ O diagnóstico de raiva no cão que mordeu Meister também é considerado incerto por I. Vodopija e H. F. Clark, “Vacinação humana contra a raiva”, em G. M. Baer (dir.), The natural history of Rabies, 2.º ed., 1991, CRC Press, p. 573. Em outro caso famoso de 1885, o do pastor Jean-Baptiste Jupille, de 15 anos, nada, no relato de Pasteur (L. Pasteur, “Método para prevenir a raiva após mordida”, Comptes Renés de l'Académie des Sciences, t. 101 (1885), sessão de 26 de outubro de 1885, p. 765-774; reproduzido em L. Pasteur, Écrits scientifiques et médicaux, choix, présentation et notes par André Pichot, Paris, Flammarion, 1994, p. 302-311), indica que o cão apresentava sinais de agressão antes de Jupille caminhar em sua direção brandindo um chicote para proteger cinco meninos que ele acreditava terem sido atacados (o cão "correu", ou seja, correu em direção ao grupo de crianças), o que, segundo Ph. Decourt, Les vérités indésirables, 1989, p. 146-147, invalida o diagnóstico de raiva.
  271. ↑ Prefácio ao livro de Bruno Latour, Pasteur, une science, un style, un siècle, Perrin e Institut Pasteur, 1996, p. 2.
  272. ↑ Antonio Cadeddu, “Aux origines de la vaccination pasteurienne : la rage”, em Anne-Marie Moulin (dir.), L'Aventure de la vaccination, Fayard, 1996, p. 185–192.
  273. ↑ Jean-Marc Cavaillon; Sandra Legout (2022). «Louis Pasteur: Between Myth and Reality». Biomolecules (em inglês). 12 (4). 596 páginas. doi:10.3390/biom12040596. Cópia arquivada em 27 de setembro de 2026
  274. ↑ L. Pasteur, “Método para prevenir a raiva após uma mordida”, Comptes rendus de l’Académie des sciences, t. 101 (1885), reunião de 26 de outubro de 1885, p. 765-774; reproduzido em L. Pasteur, Écrits scientifiques et médicaux, choix, présentation et notes par André Pichot, Paris, Flammarion, 1994, p. 302-311. Nota 237 de Pichot, p. 308 e 336.
  275. ↑ Louis Pasteur, “Nova comunicação sobre a raiva”, Comptes rendus de l’Académie des sciences, t. 103, sessão de 2 de novembro de 1886, p. 777-785.
  276. ↑ P. Debré, Louis Pasteur, Flammarion, 1994, p. 482.
  277. ↑ P. Debré, Louis Pasteur, Flammarion, 1994, p. 482-485.
  278. ↑ Boletim da Academia de Medicina, sessões de janeiro de 1887. Ph. Decourt, Les vérités indésirables, Paris, 1989, p. 158.
  279. ↑ P. Lépine e L. Cruveilhier, em Annales de l’Institut Pasteur, vol. 55, 1935, suplemento anti-rábico, p. 20. Retomando uma sugestão (retirada quase assim que foi feita) de René Dubos, Louis Pasteur, Freelance of science, Boston, 1950, trad. frag. Louis Pasteur franc-tireur de la science, Paris, 1995, p. 376-377 e 380), François Dagognet pensa que o tratamento de Pasteur, apesar das suas negações, causou de fato acidentes (paralíticos), devidos não ao vírus, mas aos tecidos nervosos (medula) que continha. (F. Dagognet, Méthodes et doctrine dans l'œuvre de Pasteur, Paris, 1967, p. 224, republicado sob o título Pasteur sans la légende, ed. Synthélabo, 1994, p. 354; parecer retomado por Anne-Marie Moulin, “Biologie sans vivant, medicine sans pacientes”, em Anatomie d'un épistémologue : François Dagognet, Paris, 1984, p. 61, e por Jean Théodoridès, Histoire de la rage, Paris, 1986, p. 211.Ver também F. Horaud, Institut Pasteur, “A segurança viral de produtos biológicos: aspectos históricos e conceituais”, Virologie, Volume 1, Número 5, 365-72, setembro - outubro de 1997, disponível em linha.) No início de século XXI, a OMS defendeu o abandono completo das vacinas contra a raiva nos tecidos nervosos. Veja um document de l'Organisation panaméricaine de la santé.
  280. ↑ P. Lépine e V. Sautter, “Essais expérimentaux sur la valeur pratique des vaccins antirabiques phéniqués”, Annals of the Institut Pasteur, vol. 59, 1937, p. 39-56; citado por Ph. Decourt, Les vérités indésirables, Paris, 1989, p. 152-153 e 311. Já em 1927, Paul Remlinger havia criticado o método da medula seca; ver J.-P. Dedet, Les Instituts Pasteur d'outre-mer, Paris, 2000, p. 94, parcialmente disponível em Google Books. Sobre a dificuldade de avaliar a eficácia das vacinas anti-rábicas (vacinação antes da exposição, após a exposição, em humanos, em animais) descritas na literatura antes de 1940, ver algumas indicações em George M. Baer (dir.), The natural history of rabies, 2.º ed., CRC Press, 1991, p. 16, 573 e 575-576, onde nos referimos em particular a L.T. Webster, "A potência imunizante das vacinas anti-rábicas. Uma revisão crítica", em American journal of hygiene, vol. 30, 1939, p. 113.
  281. ↑ André Gamet, La rage, Paris, col. O que eu sei?, 1973, p. 88.
  282. ↑ «Rabies vaccinations and immunization». Organização Mundial da Saúde (em inglês). Cópia arquivada em 23 de setembro de 2026
  283. ↑ Latour, Bruno (1994). Pasteur: une science, un style, un siècle. [S.l.]: Perrin ; Institut Pasteur. ISBN 978-2-262-01059-1
  284. ↑ “seus primeiros trabalhos, que são a meu ver os mais notáveis ​​de todos os seus trabalhos.» (P. Debré, Louis Pasteur, 1994, p. 18.
  285. 1 2 «Il y a 130 ans, l'inauguration de l'Institut Pasteur». Institut Pasteur (em francês)
  286. ↑ Marleide da Mota Gomes (2021). «Louis Pasteur and Dom Pedro II engaged in rabies vaccine development». Journal of Preventive Medicine and Hygiene (em inglês). 62 (1): E231–E236. doi:10.15167/2421-4248/jpmh2021.62.1.1631. Cópia arquivada em 24 de junho de 2026
  287. ↑ Wasik, Bill; Murphy, Monica (2012). Rabid: A Cultural History of the World's Most Diabolical Virus. [S.l.]: Penguin
  288. ↑ Pasteur e Joubert, “Estudo sobre a doença do antraz”, Comptes rendus de l'Académie des sciences, reunião de 30 de abril de 1877, vol. 84, p. 900-906, disponível em Gallica; Œuvres complètes de Pasteur, t. 6, p. 164-171, disponível em Gallica; citado por F. Dagognet, Méthodes et doctrine dans l'œuvre de Pasteur, Paris, 1967, reed. sob o título Pasteur sans la légende, 1994, p. 298-299, como mostrando que Pasteur rejeitou erroneamente a ideia de toxinas.
  289. ↑ Pasteur e Joubert, “Carvão e septicemia”, Comptes rendus de l'Académie des sciences, reunião de 16 de julho de 1877, t. 85, p. 101-105, disponível em Gallica; Œuvres complètes de Pasteur, t. 6, p. 172-188, disponível em Gallica; citado por F. Dagognet, Méthodes et doctrine dans l'œuvre de Pasteur, Paris, 1967, reed. sob o título Pasteur sans la légende, 1994, p. 298-299, sobre a posição de Pasteur sobre toxinas. Dagognet inverte erroneamente a ordem cronológica das publicações de Pasteur de abril e julho de 1877.
  290. ↑ F. Dagognet, Méthodes et doctrine dans l'œuvre de Pasteur, Paris, 1967, reeditado sob o título Pasteur sans la légende, 1994, p. 298-299; André Pichot, Introdução Geral a: Louis Pasteur, Écrits scientifiques et médicaux, Choix, présentation et notes par André Pichot, Paris, Flammarion, 1994, p. 18.
  291. ↑ H. Smith; J. Keppie (1954). «Observations on experimental anthrax; demonstration of a specific lethal factor produced in vivo by Bacillus anthracis». Nature (em inglês). 173: 869–870. Cópia arquivada em 3 de fevereiro de 2025
  292. ↑ Smith, H., J. Keppie e J. L. Stanley, “A base química da virulência de Bacillus anthracis. V. A toxina específica produzida por B. anthracis in vivo. », British journal of experimental pathology, vol. 36, 1955, p. 460-472. Citado, por exemplo, por GG Wright e GL Mandell, “Anthrax toxin (…)”, Journal of experimental medicine, vol. 164, novembro de 1986, p. 1700-1709, disponível em linha, e por Theresa M. Koehler, Anthrax, Springer, 2002, ISBN 3-540-43497-6, 9783540434979, parcialmente disponível em Google Books, p. 125.
  293. ↑ “Fale de veneno, se quiser, mas será forçado a acrescentar que, se um veneno causa a morte, é o micróbio que gera o veneno. » (Pasteur, “Relations of smallpox and vaccinia. Cholera of chickens”, Bulletin de l'Académie de médecine, 2.º série, vol. 9, 1880; Complete works of Pasteur, t. 6, p. 477, disponível em Gallica.) Citado por P. Pinet, Pasteur et la philosophie, Paris, L'Harmattan, 2005, p. 191.
  294. ↑ Pasteur, com a colaboração de Chamberland e Roux, “Sobre a possibilidade de tornar ovelhas refratárias ao antraz pelo método de inoculações preventivas”, Comptes rendus de l'Académie des sciences, t. 92 (1881), sessão de 21 de março de 1881, p. 662-665, disponível em Gallica.
  295. ↑ Pasteur, Écrits scientifiques et médicaux, Escolha, apresentação e notas de André Pichot, 1994, p. 18-19.
  296. ↑ Ver, por exemplo, Pasteur, “Observations on a note from M. N. Gamaleïa”, Comptes rendus de l'Académie des sciences, sessão de 20 de agosto de 1888, vol. 107, p. 434-435, Bulletin de l'Académie de médecine, sessão de 21 de agosto de 1888, 3.º série, t. 20, p. 308-309, Œuvres complètes de Pasteur, t. 6, p. 548 e segs. (disponível em Gallica), que se refere a publicações de Annales de l'Institut Pasteur, 1887. A aceitação final de "vacinas químicas" por Pasteur é observada por M. Grmek, "The heroic age: Pasteur's Vacinas", em A.-M. Moulin (dir.), L'aventure de la vaccination, Fayard, 1996, p. 159, que se refere a René Dubos, Louis Pasteur - Franc-tireur de la science, Presses universitaire de France, 1955, p. 387-390.
  297. ↑ J.-A. Auzias-Turenne, La syphilisation, Paris, 1878, p. 710, citado por F. Dagognet, Méthodes et doctrine dans l'œuvre de Pasteur, Paris, 1967, reed. Sob o título "Pasteur sans la légende, 1994, p. 331. Esta influência de Auzias-Turenne sobre Pasteur foi notada por René Dubos, Louis Pasteur : Freelance of science, Boston, 1950, tr. fr. Louis Pasteur franc-tireur de la science, ed. La Découverte, Paris, 1995, p. 357 e 385-386, que também menciona Tyndall.
  298. ↑ Louis Pasteur, “Sobre as doenças virulentas, e em particular sobre a doença comumente chamada cólera das galinhas”, publicado diversas vezes em 1880; Œuvres complètes de Pasteur, vol. 6, p. 301, disponível em Gallica.
  299. ↑ Esta ideia é atribuída a Auguste Chauveau por André Pichot, Pasteur, écrits scientifiques et médicaux, 1994, p. 200. Ver A. Chauveau, "Sobre o fortalecimento da imunidade das ovelhas argelinas, no que diz respeito ao sangue do baço, por meio de inoculações preventivas. Influência da inoculação materna na receptividade fetal", Comptes rendus de l'Académie des sciences, t. 91, 1880, p. 148-151, espec. p. 151, disponível em Gallica, mas esta comunicação de Chauveau (julho de 1880) é posterior à comunicação de Pasteur de abril de 1880 (L. Pasteur, “Sobre o cólera das galinhas; estudos da condição de não recorrência da doença e algumas outras de suas características”, Comptes rendus de l'Académie des sciences, sessão de 26 de abril de 1880, t. 90, 1880, p. 957; Œuvres complètes de Pasteur, t. 6, p. 308, disponível em Gallica). F. Dagognet, mais benevolente que André Pichot, vê nesta comunicação de Chauveau uma antecipação da soroterapia. (F. Dagognet, Pasteur sans la légende, 1994, p. 327-328.).
  300. ↑ L. Pasteur, “Sobre a cólera aviária; estudos da condição de não recorrência da doença e de algumas outras de suas características”, Comptes rendus de l'Académie des sciences, sessão de 26 de abril de 1880, vol. 90, 1880, p. 957; Œuvres complètes de Pasteur, t. 6, p. 308, disponível em Gallica.
  301. ↑ René Dubos, Louis Pasteur freelance of science, Boston, 1950, trad. frag. Louis Pasteur franc-tireur de la science, Paris, 1995, p. 387-390, cita passagens posteriores de Pasteur que considera proféticas, mas A. Pichot (Pasteur, écrits scientifiques et médicaux, 1994, p. 200) acredita que as tentativas de Pasteur de teorizar a imunização são extremamente sumárias e que Pasteur não estava realmente interessado nesta questão, sendo a ciência para ele, ainda mais do que um meio de conhecimento, um meio de ação.
  302. ↑ Observado por P.-Y. Laurioz, Louis Pasteur. La réalité après la légende, Paris, 2003, p. 150.
  303. ↑ René Dubos, Louis Pasteur, franc-tireur de la science, Paris, 1995, p. 393. (Tradução francesa de um livro americano de 1950).
  304. ↑ François Dagognet, Méthodes et doctrines dans l'œuvre de Pasteur, Paris, 1967, cana. sob o título Pasteur sans la légende, ed. Synthélabo, 1994, p. 361-362.
  305. ↑ Isto pode ser uma surpresa, mas os estudos sobre assimetria molecular já estavam bastante avançados quando Pasteur se interessou por eles, assim como os sobre fermentações; as experiências de geração espontânea são o refinamento de um trabalho cujo princípio tinha mais de um século; a presença de germes nas doenças infecciosas estudadas por Pasteur tem sido frequentemente destacada por outros que não ele; quanto à vacinação, ela foi inventada por Jenner no final de século XVIII, e a ideia de prevenção utilizando o princípio da não recorrência de certas doenças foi proposta muito antes de Pasteur perceber.
  306. ↑ André Pichot, Introdução geral a: L. Pasteur, Écrits scientifiques et médicaux, Paris, Flammarion, 1994, p. 12.
  307. ↑ P. Debré, Louis Pasteur, Flammarion, 1994, p. 17. P. Debré desenvolve esta ideia p. 383.
  308. ↑ "Para com os médicos, Pasteur nem sempre foi compreensivo... e eles foram gentis com ele. » Hilaire Cuny, Pasteur et le mystère de la vie, Paris, 1963, p. 49. Mas H. Cuny também lembra, p. 50, que Pasteur, que não era médico, havia sido admitido na Academia de Medicina (com uma única maioria de votos).
  309. ↑ André Pichot, Introdução geral a: Louis Pasteur, Écrits scientifiques et médicaux, Choix, présentation et notes par André Pichot, Paris, Flammarion, 1994.
  310. ↑ Gabriel Galvezbehar (2016). Louis Pasteur, entrepreneur. Col: note de recherche. [S.l.: s.n.] Cópia arquivada em 7 de abril de 2022.
  311. ↑ Jacques Nicolle (1969). Pasteur. Sa vie, sa méthode, ses découvertes. [S.l.]: Éditions Gérard & Company. p. 148.
  312. ↑ Brevets d'invention français (1791-1902). Un siècle de progrès technique, Bert, Revue d'histoire des sciences et de leurs applications, 1960, vol.13, n.º 13-2, p. 180-183. Por outro lado, santé, argent et éthique: une indispensable conciliation ? Étude française et tunisienne de Amel Aouij-Mrad, Marie-Hélène Douchez, Brigitte Feuillet, mas também outras referências, dão para 1865 uma patente relativa a uma levedura de cerveja.
  313. ↑ Galvez-Behar, Gabriel (setembro de 2018). «Louis Pasteur ou l'entreprise scientifique au temps du capitalisme industriel». Annales. Histoire, Sciences Sociales (em inglês). 73 (3): 627–656. doi:10.1017/ahss.2019.46. Consultado em 29 de dezembro de 2019
  314. ↑ Patente dos EUA n.º 141072. Ver Alexandra Obadia, Xénotransplantation: le brevet sur l'animal, PUQ, 2001, p. 40.
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  316. ↑ Maurice Vallery-Radot (Pasteur, Perrin, 1994, p. 378), segundo quem Pasteur, mesmo sem prática religiosa regular, permanecera basicamente cristão, trata com desdém esta frase que, segundo ele, apareceu, sem referências, poucos dias após a morte de Pasteur, em Semaine religieuse du diocèse de Versailles, 6 de outubro de 1895, p. 153. Na verdade, esta frase é atribuída a Pasteur já em 29 de setembro de 1895 (um dia após a sua morte) num artigo em Gaulois de Jean Songère. (Ver reprodução do artigo no site Gallica, en mode image ou en mode texte.) Esta frase é popularizada pelo livro de François Bournand, Un bienfaiteur de l'humanité, Pasteur, sa vie, son œuvre, Paris, 1904, p. 262. O frontispício deste livro, que traz a frase em questão, está reproduzido em GL Geison, The private science of Louis Pasteur, Princeton, 1995, entre p. 242 e 243.
  317. ↑ Pasteur Vallery-Radot, Carta a Paul Dupuy, 1939, citado por Hilaire Cuny, Pasteur et le mystère de la vie, Paris, Seghers, 1963, p. 53-54. Patrice Pinet, Pasteur et la philosophie, Paris, 2005, p. 134-135, relata comentários de mesmo conteúdo de Pasteur Vallery-Radot e refere-se a Pasteur Vallery-Radot, Pasteur inconnu, p. 232, e a André George, Pasteur, Paris, 1958, p. 187. Da mesma forma, a frase “Um pouco de conhecimento afasta Deus; muito o traz de volta”, muitas vezes atribuída a Pasteur sem referências, na verdade remonta a Francis Bacon, que expressou a mesma ideia em várias de suas obras, notadamente em seu Meditationes sacrae, X, De Atheismo. (Ver por exemplo Œuvres philosophiques de Bacon, avec notice, sommaires et éclaircissemens, de M. Bouillet, vol. 3, Paris, 1834, p. XXXIV, n. 1, e p. 473; disponível em Google Books.).
  318. ↑ Œuvre d'Orient.
  319. ↑ Maurice Vallery-Radot, Pasteur, ed. Perrin, 1994; La Croix, 31 de dezembro de 1995. Ver também Ibid. Recension du livreIbid. Recension sur www.pasteur.fr. "Aparentemente, Pasteur ia aos cultos dominicais no verão, quando estava em Arbois. (…) Pasteur, uma vez dispensado de todas as funções administrativas da Escola Normal, não ia (…) à missa na sua paróquia, e a sua mulher e filha iam lá sozinhas. » P. Pinet, Pasteur et la philosophie, Paris, L'Harmattan, 2005, p. 135, que se refere ao trabalho de Richard Moreau (R. Moreau, "Pasteur's experiment onspontâneo gerações", La Vie des sciences. Comptes rendus de l'Académie des sciences, série geral, t. 9, 1992, p. 254-260Préhistoire de Pasteur; Paris, L'Harmattan, 2000, p. 210-214Louis Pasteur : De Besançon à Paris, l'envol; Paris, L'Harmattan, 2003, p. 154-156) segundo o qual Pasteur era um deísta em vez de um cristão.
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  321. ↑ «Rapport fait au nom de la mission d'information sur l'accompagnement de la fin de vie, tome II: auditions» (PDF). Assemblée nationale (em francês). 30 de junho de 2004. pp. 41–42. Cópia arquivada (PDF) em 12 de fevereiro de 2026
  322. ↑ Axel Munthe, The story of San Michele, ed. John Murray, 2004 (primeira edição 1929), p. 54-56 ISBN 0-7195-6699-1.
  323. ↑ Anotado por Louise Lambrichs, La vérité médicale, ed. R. Laffont, Coll. Pluriel, 2001, p. 98.
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  328. ↑ «Boulevard Pasteur Constantine». google.com/maps. Consultado em 20 de março de 2020. Cópia arquivada em 13 de novembro de 2025
  329. ↑ «Rue Pasteur à Ho Chi Minh Ville, dans le 3e arrondissement (vietnamien: Quận 3), Viêt Nam». google.com/maps. Consultado em 21 de março de 2020. Cópia arquivada em 3 de janeiro de 2026
  330. ↑ «Du vaccin contre la rage à la création de l'Institut». Institut Pasteur (em francês)
  331. ↑ «Rue Pasteur à Da Nang, située dans l'arrondissement Hải Châu (vietnamien: Quận Hải Châu), Viêt Nam». google.com/maps. Consultado em 21 de março de 2020. Cópia arquivada em 7 de novembro de 2025
  332. ↑ «Botão com alerta sonoro facilita a travessia de frequentadores do Instituto Benjamin Constant, na Urca». Prefeitura do Rio de Janeiro. 21 de julho de 2021. Cópia arquivada em 10 de março de 2026
  333. ↑ «O inventor da pasteurização na Praça Pasteur, no Areeiro». Toponímia de Lisboa. 7 de agosto de 2017. Cópia arquivada em 14 de fevereiro de 2026
  334. ↑ «De Jules Ferry à Pierre Perret, l'étonnant palmarès des noms d'écoles, de collèges et de lycées en France». Le Monde. 18 de abril de 2015. Cópia arquivada em 16 de março de 2025.
  335. ↑ «Histórico». Instituto Pasteur. Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo
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  339. ↑ Philatélie 50.
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  351. ↑ « Portrait de Louis Pasteur (1822-1895) », aviso em parismuseescollections.paris.fr.
  352. ↑ Lille, Webmaster Institut Pasteur de (1 de outubro de 2018). «Notre musée». pasteur-lille.fr (em francês). Consultado em 6 de outubro de 2018. Cópia arquivada em 24 de julho de 2020

Ver também

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Leitura adicional

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  • Émile Duclaux, Pasteur, histoire d'un esprit, Imprimerie Charaire, 1896 disponível na Gallica
  • Léon Boutroux, Pasteur, discours lu à l'Académie des sciences, belles-lettres et arts de Besançon, na sessão pública de 6 de fevereiro de 1896, 20 páginas, Besançon, Jacquin, 1896.
  • René Vallery-Radot, La vie de Pasteur, Paris, Hachette, 1900, disponível em Gallica.
  • Léon Boutroux, Sur les progrès accomplis depuis Pasteur dans la science qu'il a fondée, 22 páginas, extrato de “Mémoires de l’Académie de Besançon”, Besançon, Jacquin, 1903.
  • Dr. Adrien Loir, À l'ombre de Pasteur, ed. Le Mouvement sanitaire, 1938 (escrito pelo sobrinho de Pasteur)
  • Louis Pasteur (coletado e anotado por Louis Pasteur Vallery-Radot), Œuvres de Pasteur (7 volumes), Masson, 1939
  • Paul Langevin, Pasteur, le savant et l'homme, La Pensée, 1945.
  • Ethel Douglas Hume, Béchamp ou Pasteur ?, 1948, traduzido do inglês por Aurore Valérie.
  • Pierre Chanlaine, Pasteur et ses Découvertes, Fernand Nathan, 1966.
  • François Dagognet, Méthodes et doctrines dans l'œuvre de Pasteur, Paris, 1967, reeditado sob o título Pasteur sans la légende, ed. Synthelabo, 1994.
  • Gerald L. Geison, artigo Pasteur de Dicionário de biografia científica (dir. C. C. Gillispie), Nova York, 1974.
  • Claire Salomon-Bayet (dir.). Pasteur et la révolution pastorienne. Paris: Payot, col. “Medicina e sociedades”, 436 páginas, 1986 ISBN 978-2228550802
  • Pierre Gascar, Du côté de chez Monsieur Pasteur, Odile Jacob, 1986.
  • Philippe Decourt, Les vérités indésirables, 2.º parte: Comment on falsifie l'histoire : le cas Pasteur, Paris, 1989.
  • Patrice Debré, Louis Pasteur, col. “Grandes Biografias”, edições Flammarion, 1993, 562 p.
  • Maurice Vallery-Radot, Pasteur, Perrin, 1994
  • Bruno Latour, Pasteur, une science, un style, un siècle, Perrin/Instituto Pasteur, 1995
  • Pierre Darmon, Pasteur, 1995, Fayard.
  • René Dubos, Louis Pasteur - Franc-tireur de la science, PUF, 1955, reeditado por La Découverte, 1995, ISBN 2707124109
  • Bruno Latour, Jean-Marc Pau, Pasteur, bataille contre les microbes, ed. Nathan, 1995 ISBN 2-09-204466-4 (livro fácil de ler para crianças)
  • Coletivo CNRS, Pasteur, cahiers d'un savant, Zulma, 1995.
  • Daniel Raichwarg, Louis Pasteur, l'empire des microbes, Découvertes Gallimard, 1995
  • Gerald L. Geison, The private science of Louis Pasteur, Princeton University Press, 1995. ("livro finalmente publicado pelo único historiador verdadeiramente especializado na história de Pasteur" Bruno Latour, Pasteur : guerre et paix des microbes, 2001, p. 10)
  • Anne-Marie Moulin, dir., L'Aventure de la vaccination, Fayard, 1996. (Capítulo de Mirko D. Grmek em Pasteur.)
  • (em inglês) James Strick, “New Details Add to Our Understanding of Spontaneous Generation Controversies”, ASM News (Sociedade Americana de Bacteriologia) 63, 1997. p. 193-198 disponível em linha (PDF)
  • Annick Perrot e Maxime Schwartz, Pasteur, des microbes au vaccin, Casterman/Institut Pasteur, 1999
  • Richard Moreau, Préhistoire de Pasteur, Paris, L'Harmattan, 2000.
  • Pierre-Yves Laurioz, Louis Pasteur : La réalité après la légende, Éditions de Paris, 2003 ISBN 2851620967
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Documentário

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  • Maxime Schwartz e Annick Perrot, Pasteur et Koch, un duel de géants dans le monde des microbes, Arte, 6 de outubro de 2018.

Ligações externas

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Instituições ligadas à obra de Pasteur

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Outros sites

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