Laqueadura
| Laqueadura | |
|---|---|
| Informação | |
| Tipo | Esterilização |
| Primeiro uso | 1930 |
| Taxas de falha (primeiro ano) | |
| Uso perfeito | 0,5% |
| Uso típico | 0,5% |
| Utilização | |
| Duração do efeito | Permanente |
| Reversibilidade | 80 a 100% dos casos |
| Notas | Nenhum |
| Intervalo clínico | Nenhum |
| Vantagens e desvantagens | |
| Proteção contra IST | Não |
| Aumento de peso | Não |
| Benefícios | Contracepção permanente |
| Riscos | Complicações operatórias e pós-operatórias |
Laqueadura, laqueação ou ligadura de tubas uterinas consiste no método de esterilização feminina caracterizado pela remoção ou ligamento cirúrgico das tubas uterinas, que fazem o caminho dos ovários até ao útero.
Assim, as tubas uterinas impedem a passagem do ovócito e os espermatozoides não o encontram, não havendo fecundação, i.e., impossibilitando a formação do óvulo, ou seja, a própria gravidez da mulher. É um procedimento seguro que pode ser feito de várias maneiras, sendo necessária internação e anestesia geral ou regional. Existem cerca de dez técnicas para a laqueadura: pode-se colocar anéis de plástico, queimar e cortar as tubas uterinas, clipes de titânio, fazer com fio de sutura etc. Também existem alguns dos possíveis problemas que podem ocorrer durante o procedimento, como o médico dar um nó muito forte ou atingir as artérias; quando cortar as tubas pode prejudicar a circulação do ovário e suas funções. Segundo o ginecologista Malcolm Montgomery, isso pode, em casos extremos, causar menopausa precoce.[1]
Após a operação, o risco de gravidez da mulher é de menos de 1%.[2] O uso de métodos contracetivos torna-se obsoleto. Porém uma laqueadura não impede a mulher de contrair DSTs.
Reversão
[editar | editar código]A decisão de realizar a cirurgia deve ser tomada com ponderação e cautela, visto que a mulher está sujeita a danos psicológicos, e chegam a se arrepender de tê-la feito. Segundo alguns dados, cerca de 60% das pacientes que querem fazer reversão é porque mudaram de parceiro, os outros motivos principais são a perda dos filhos ou mudança nas condições financeiras.[3]
A laqueadura é reversível em aproximadamente 80% dos casos, atingindo quase 100% quando feita por anéis.
No Brasil
[editar | editar código]O Brasil teve proporcionalmente um grande número de laqueaduras realizadas em mulheres pobres, cujo percentual de esterilização atingiu 80% em estados pobres como o Maranhão na década de 1980, caso considerado pela academia como um exemplo de eugenia.[4] O caso foi investigado pelo Congresso Nacional em 1992 através da CPMI da Esterilização em Massa de Mulheres.[5]
A cirurgia foi regulamentada pela Lei 9 263 (Lei Sobre Planejamento Familiar), de 1996 (art. 226 da Constituição Federal).[6] Segundo a Lei, para ser submetida à laqueadura, a mulher precisa ter mais de 21 anos ou 2 filhos.[7] Além disso, ela também precisa de uma reunião de planejamento familiar e entrevista com assistente social. A cirurgia também não pode ser feita logo após o parto ou a cesárea, a não ser que a mulher tenha algum problema grave de saúde ou tenha feito várias cesarianas.[8]
Em 2026 o procedimento voltou ao noticiário com a divulgação do documentário Revelando: Mulheres pobres podem ter filhos? Eugenia no Brasil, produzido pelo Calma Urgente com apoio do Instituto Conhecimento Liberta e Mídia Ninja e apresentado pela atriz Samara Felippo, trazendo notícias de época, estatísticas e os debates de CPMI. O documentário foi disponibilizado em 14 de setembro gratuitamente no YouTube.[9] Em nota enviada à Folha de S.Paulo, Samara declarou: "A maternidade deveria ser uma escolha. Nem uma imposição e nem uma castração. Esse projeto eugenista de esterilização foi uma das coisas mais cruéis que tive conhecimento. Tenho medo que hoje muitas mulheres ainda sejam enganadas por falta de informação".[10]
Ver também
[editar | editar código]Referências
[editar | editar código]- ↑ Terra - Como é feita a Rugiria
- ↑ A laqueadura de trompas: esterilidade definitiva
- ↑ A laqueadura é reversível?
- ↑ Silva, Sabrina Cristina Queiroz (5 de dezembro de 2018). Planejamento familiar ou esterilização em massa de mulheres negras? : o relatório da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) de 1993 (Trabalho de Conclusão de Curso). Brasília: Universidade de Brasília. Consultado em 23 de setembro de 2026. Cópia arquivada em 6 de novembro de 2022.
Esta pesquisa tem como objetivo analisar as discussões sobre a esterilização de mulheres negras na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) de 1992 presentes nas falas de parlamentares e palestrantes registradas no Relatório Nº2, de 1993. Esta Comissão, composta por 15 deputados e 15 senadores, com seus respectivos suplentes, foi requerida no mês de novembro de 1991 pela deputada federal negra Benedita da Silva (PT-RJ) e instalada em 1 de abril de 1992, cujo relatório final de 144 páginas foi aprovado em 1993. Foi O relator foi o médico/senador Carlos Patrocínio (PFL-TO). Essa CPMI tratou da esterilização cirúrgica em massa de mulheres no Brasil nos anos 70 e 80. Dentre as pautas da Comissão estava à denúncia da esterilização massiva e, por vezes, compulsória de mulheres negras, demandada por mulheres do Movimento Negro, bem como a necessidade de averiguação da prática de esterilização cirúrgica como uma política eugênica direcionada a população feminina negra no país.
- ↑ «Relatório n. 2, de 1993 - CN : relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito destinada a examinar a incidência de esterilização em massa de mulheres no Brasil». Senado Federal. Consultado em 23 de setembro de 2026. Cópia arquivada em 2 de junho de 2026
- ↑ Rede Brasileira de Promoção, de Informação e Disponibilização da Contracepção de Emergência
- ↑ «Idade para realização de laqueadura e vasectomia passa de 25 para 21 anos». Ministério da Saúde. Consultado em 27 de setembro de 2023. Cópia arquivada em 1 de março de 2026
- ↑ Terra
- ↑ Calma Urgente; Revelando; 342 Artes; Mídia Ninja; Instituto Conhecimento Liberta (14 de setembro de 2026). Revelando: Mulheres pobres podem ter filhos? | Ep #1. YouTube. Consultado em 23 de setembro de 2026. Cópia arquivada em 16 de setembro de 2026
- ↑ Bergamo, Mônica (23 de agosto de 2026). «Projeto 'Revelando' estreia com Samara Felippo e resgata CPI sobre esterilização em massa no Brasil»
. Folha de S.Paulo. Consultado em 23 de setembro de 2026. Cópia arquivada em 15 de setembro de 2026