Heurística

técnicas de resolução de problemas baseadas na experiência e sem garantia de adequação

Heurística, ou técnica heurística, é uma maneira prática de procurar uma solução ou tomar uma decisão quando examinar todas as possibilidades seria lento, caro ou impossível. Em vez de garantir a melhor resposta, ela reduz a busca a caminhos que parecem úteis e procura uma resposta adequada ao objetivo.[1][2][3]

Heurística
Estratégia aproximativa de resolução de problemas e decisão
Labirinto quadrado visto de cima, com corredores e becos sem saída
Como em um labirinto, uma heurística prioriza caminhos promissores para reduzir a busca, sem exigir o exame de todas as possibilidades.
Características
FinalidadeEncontrar soluções satisfatórias com menos tempo, informação ou cálculo
FormasRegras de busca, parada e decisão, funções de avaliação e métodos aproximativos
ÁreasPsicologia cognitiva, economia comportamental, resolução de problemas, inteligência artificial e otimização
Conceitos relacionadosRacionalidade limitada, racionalidade ecológica, viés cognitivo e meta-heurística

Uma heurística pode ser uma regra escolhida de propósito para organizar a solução de um problema matemático, um processo mental rápido que permite decidir com informação incompleta ou uma função que orienta a busca de um computador. O termo também abrange métodos aproximativos da otimização matemática.[4] Na vida mental, esse tipo de atalho pode diminuir o esforço cognitivo exigido por uma escolha.[5]

A simplicidade, sozinha, não torna uma heurística certa nem errada, pois uma regra bem ajustada à situação pode produzir decisões rápidas e precisas e levar a erros previsíveis quando usada em outro ambiente.[6][7] Para compreender o resultado, é preciso olhar para a regra usada, a informação disponível e o problema que precisa ser resolvido.

Definição e alcance

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Entre os planos usados para chegar a um resultado, as heurísticas são as estratégias que simplificam a procura ou a escolha.[nota 1] A análise de regressão e a inferência bayesiana também produzem julgamentos e decisões, mas usam relações matemáticas e dados para estimar resultados.[nota 2][3] Ao deixar de lado parte da informação, uma heurística pode decidir com mais rapidez e menos recursos, e às vezes alcançar maior precisão do que um método mais elaborado.[2] A regra trabalha com informações acessíveis, mesmo quando a relação delas com o problema é aproximada, e pode orientar pessoas, máquinas ou sistemas abstratos.[nota 3][8][9]

A tentativa e erro aparece em tarefas simples, como encaixar duas peças, e em problemas de álgebra, quando se testam valores possíveis para uma variável.[nota 4] Na matemática, uma pessoa também pode desenhar o problema, acrescentar uma suposição que facilite o raciocínio, simplificar a questão ou percorrer o caminho em duas direções.[nota 5][10]

Distinções relacionadas

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Um algoritmo especifica a sequência de operações que executa uma tarefa, enquanto uma heurística pode abrir mão da garantia de encontrar a melhor solução para ganhar rapidez, usar menos informação ou tornar o procedimento viável.[nota 6][1][2] Os conceitos ainda podem se sobrepor, pois uma regra heurística pode ser escrita como algoritmo e incorporada a um procedimento computacional.[8]

Embora uma heurística cognitiva possa levar a um viés cognitivo, os dois termos não significam a mesma coisa. A representatividade, a disponibilidade e o efeito de ancoragem economizam esforço e costumam funcionar, mas podem produzir erros sistemáticos e previsíveis em certas condições.[11] O viés é um desvio que reaparece no julgamento, enquanto a heurística é o processo ou a regra que pode produzi-lo.[nota 7]

Na otimização, um algoritmo de aproximação vem acompanhado de um limite matemático para a qualidade da resposta.[nota 8] O desempenho de uma heurística costuma ser medido por testes com exemplos, simulações ou dados reais.[nota 9] Uma meta-heurística coordena a procura de soluções aproximadas em diferentes problemas difíceis de otimização e pode trabalhar com uma solução de cada vez ou com uma população de soluções.[nota 10][12]

Panorama dos principais usos

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Em todos os seus usos, a heurística orienta uma busca ou decisão sem testar cada possibilidade.[nota 11] Cada área, porém, usa essa ideia para responder a uma pergunta diferente.[2][3][8]

Contexto Pergunta central Papel da heurística Exemplos
Descoberta e resolução de problemas Como encontrar um caminho promissor até uma solução? Representar, decompor ou reorganizar o problema para reduzir a busca Trabalhar de trás para a frente ou introduzir uma construção auxiliar[10]
Julgamento e decisão Como escolher com tempo, informação ou capacidade de cálculo limitados? Definir o que procurar, quando parar e como decidir Satisfação suficiente ou escolher o melhor[3]
Computação e otimização Como orientar uma busca quando a enumeração completa é inviável? Estimar quais estados, soluções ou regiões do espaço de busca são promissores Funções heurísticas e meta-heurísticas[8][12]

Etimologia e uso

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Pintura de um estudioso idoso, identificado como Arquimedes, concentrado diante de um objeto geométrico
A exclamação "eureca" aproximou Arquimedes da ideia de descoberta. A heurística procura caminhos que permitam encontrar uma solução.

A palavra "heurística" vem do grego antigo heurísko, que significa "encontro" ou "descubro", e tem a mesma origem da exclamação "eureca".[nota 12][13][14] Como substantivo, a palavra nomeia uma regra, um procedimento ou a arte da descoberta. Como adjetivo, qualifica estratégias, argumentos e métodos que orientam uma busca ou levam a uma solução provisória.

Na descoberta matemática, o raciocínio heurístico pode procurar regularidades por indução, comparar problemas por analogia, partir de um caso particular ou avançar para uma generalização.[10]

História e tradições de pesquisa

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Matemática e descoberta

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Retrato de George Pólya idoso, sentado e sorrindo
Pólya organizou estratégias de descoberta matemática em etapas que ajudam o leitor a compreender, planejar, executar e rever uma solução.

Papo de Alexandria resolvia problemas por meio da análise e da síntese.[nota 13] No século XX, George Pólya reuniu procedimentos desse tipo sob o nome "heurística" em How to Solve It, publicado originalmente em 1945.[10][14] Seu método começa pela compreensão do problema, passa pelo planejamento e pela execução e termina com o exame da resposta encontrada. Desenhar um esquema, trabalhar de trás para a frente e trocar uma questão abstrata por um exemplo concreto estão entre os caminhos possíveis. Outro deles é resolver primeiro uma versão mais geral e depois retornar ao caso específico, procedimento chamado paradoxo do inventor.

Como não garantem a melhor solução, essas técnicas podem chegar primeiro a uma resposta válida ou aproximada, ainda sem uma demonstração formal.[nota 14] A intuição entra conscientemente na estratégia, acompanhada do reconhecimento de seus limites. O ensino por descoberta já estava presente no século XIX em trabalhos de David Perkins Page, Herbert Spencer, Charles Alexander McMurry e Frank Morton McMurry.[13]

Racionalidade limitada

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Animação de um esquema cíclico com três etapas da tomada de decisão: inteligência, projeto e escolha
A decisão pode ser decomposta em etapas de identificação, elaboração de alternativas e escolha, sem pressupor que todas as possibilidades sejam calculadas.

Em meados do século XX, Herbert A. Simon passou a estudar a resolução de problemas e a escolha a partir da racionalidade limitada. Seu modelo parte de pessoas que decidem com restrições de informação e de cálculo, sem supor que consigam examinar todas as alternativas.[15] Simon chamou de satisficing, expressão traduzida como satisfação suficiente, a escolha de uma alternativa que supera um nível de aspiração antes que todas as possibilidades sejam comparadas.[nota 15][16]

Heurísticas e vieses

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Retrato de Daniel Kahneman durante uma conferência
Regras geralmente úteis também podem produzir erros sistemáticos em condições específicas.

Nas décadas de 1970 e 1980, Amos Tversky e Daniel Kahneman investigaram como as pessoas julgam situações incertas. Os experimentos se concentraram na representatividade, na disponibilidade e na ancoragem, junto aos erros sistemáticos que podem surgir desses processos.[11][17] Essa linha recebeu o nome de pesquisa sobre heurísticas e vieses.

Heurísticas rápidas e frugais

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Retrato de Gerd Gigerenzer falando diante de um microfone
A pesquisa sobre heurísticas rápidas e frugais examina quando uma regra falha e em quais ambientes sua simplicidade favorece decisões adequadas.

Outra linha, desenvolvida por Gerd Gigerenzer e pelo grupo ABC, formulou as heurísticas como regras explícitas de busca, parada e decisão, que podem ser testadas em ambientes definidos.[18] Seu foco está nas regras rápidas e frugais usadas por pessoas e instituições, com atenção às condições em que cada uma funciona. O ajuste entre regra e ambiente recebe o nome de racionalidade ecológica.[19]

Abordagens contemporâneas

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Diagrama da mente com dois sistemas de processamento, um intuitivo e outro analítico
Modelos de processo dual distinguem respostas rápidas e intuitivas de análises lentas e deliberadas, embora os dois modos possam interagir.

A teoria do processo dual reúne modelos que separam o pensamento rápido e automático do pensamento lento e deliberado.[nota 16] Nenhum dos modos acerta por definição, pois uma resposta rápida pode ser racional e a deliberação também pode falhar.[20] Na teoria do eu cognitivo-experiencial, um sistema é analítico e verbal, enquanto o outro é intuitivo, global e exige pouco esforço.[21] As heurísticas corporificadas acrescentam capacidades sensoriais e motoras, inatas ou aprendidas, às explicações de como alguém responde quando faltam informações.[22]

Ao acompanhar o conceito da Grécia Antiga até a psicologia cognitiva e a inteligência artificial, Rudolf Groner propôs uma dimensão de estilo cognitivo chamada "pensamento heurístico versus pensamento algorítmico". Essa preferência pode ser avaliada por questionário.[23][24]

A análise da racionalidade de recursos procura explicar como a mente usa tempo, atenção e memória de trabalho limitados.[nota 17] Essa abordagem aproxima teorias da psicologia de trabalhos em inteligência artificial, economia, neurociência e linguística.[25] A racionalidade computacional segue uma ideia próxima e incorpora o custo do cálculo aos modelos de decisão usados para estudar cérebros, mentes e máquinas.[26]

Da representação do problema à decisão

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Representação e espaço de busca

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Animação de um percurso que explora um labirinto, marca becos sem saída e encontra a saída
Representar um problema como espaço de busca permite descartar becos sem saída e concentrar a exploração em estados promissores.

Para orientar uma busca, a heurística precisa partir de uma forma clara do problema, com uma situação inicial, um objetivo e operações capazes de transformar uma situação em outra.[nota 18] Na abordagem de Allen Newell e Herbert A. Simon, resolver o problema equivale a procurar um percurso dentro de um espaço de possibilidades. Como testar cada caminho costuma ser inviável, as heurísticas escolhem os estados, as operações ou os subproblemas que parecem mais promissores.[nota 19][27][28]

A maneira de formular o problema muda os caminhos disponíveis, porque dividir a tarefa em partes menores, comparar a situação presente com o objetivo ou trabalhar de trás para a frente reduz ou reorganiza o espaço que precisa ser percorrido.[27][10]

Busca, parada e decisão

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Um modelo heurístico pode dizer qual informação procurar, em que momento parar e como escolher. Nas heurísticas de uma única razão, a busca termina quando uma pista basta para separar as alternativas, sem consultar o restante da informação.[29] Na satisfação suficiente, a pessoa examina as opções até encontrar uma que ultrapasse seu nível de aspiração.[nota 20][3]

Exemplo de uma regra completa

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Ao comparar duas alternativas, a heurística de escolher o melhor consulta pistas ordenadas pela capacidade de prever o resultado que interessa.[nota 21] O procedimento fica completo quando se definem três regras.[30]

Componente Regra
Busca Examinar as pistas em ordem decrescente de validade
Parada Interromper a busca na primeira pista que diferencie as alternativas
Decisão Escolher a alternativa favorecida por essa pista

Chamar um procedimento apenas de "atalho" não basta para transformá-lo em um modelo testável. É preciso explicar como a informação entra no processo e leva a uma escolha.[nota 22][18][3]

Redução do esforço

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O esforço diminui quando a heurística consulta menos pistas, recupera menos alternativas, simplifica o peso dado às informações, combina menos dados ou faz menos comparações. Organizar as heurísticas por esses mecanismos evita dar um nome novo a cada mudança superficial.[31] Psicólogos da psicologia da forma também usaram a exploração consciente do ambiente, chamada "olhar ao redor", para orientar a procura de informações.[3]

Seleção e aprendizagem de estratégias

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A heurística escolhida pode mudar de uma tarefa para outra porque as pessoas procuram equilibrar precisão, esforço e tempo diante das características de cada problema.[32]

A experiência pode alterar o que uma pessoa espera de cada estratégia e, com isso, a chance de escolhê-la outra vez. No modelo de aprendizagem por seleção de estratégias, conhecido pela sigla inglesa SSL, a retroalimentação atualiza essas expectativas e muda as escolhas futuras.[33][nota 23]

Substituição de atributos

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Na substituição de atributos, uma pergunta difícil é trocada sem intenção consciente por outra mais fácil.[34] Quando calcular o atributo que realmente interessa exige muito esforço, a pessoa pode responder a partir de uma característica mais acessível.[nota 24] A troca ajuda a explicar julgamentos que deixam de levar em conta a regressão à média.[35]

Estudo e avaliação

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Uma heurística pode ser formulada como um modelo de processo, capaz de gerar previsões que depois são comparadas com decisões observadas. Experimentos, simulações e testes com dados novos medem a precisão, a velocidade e a quantidade de informação exigida.[nota 25] Modelos desse tipo já foram aplicados a organizações, assistência à saúde e instituições jurídicas.[3] Uma avaliação completa também define a estratégia de comparação e o ambiente da decisão.

Em tarefas de escolha sob risco, o peso dado à probabilidade ou à recompensa coincidiu com maior atividade ligada aos estímulos pertinentes a cada tipo de informação. Essa relação foi medida com modelagem do comportamento e magnetoencefalografia, mas vale para as tarefas examinadas e não estabelece um marcador neural universal das heurísticas.[36]

Principais famílias

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Como as heurísticas podem ser agrupadas pela maneira como funcionam, pela informação que usam, pela tarefa que resolvem ou pela área em que são aplicadas, não existe uma classificação única. As famílias abaixo se sobrepõem e não esgotam todas as possibilidades.[2][37]

Heurísticas de uma única razão

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  • A heurística de escolher o melhor usa a sequência de busca, parada e decisão apresentada no exemplo anterior.[30][38]
  • A heurística minimalista procura pistas em ordem aleatória e decide com a primeira pista discriminante.[30]
  • A heurística do hiato classifica um cliente como inativo quando ele não compra por certo número de meses. Se a última compra estiver dentro desse intervalo, o cliente é classificado como ativo.[3]
  • A heurística da prioridade examina, em ordem, o ganho mínimo, a probabilidade desse ganho e o ganho máximo, interrompendo a comparação quando a diferença encontrada supera um limiar.[39] O alcance descritivo do modelo foi contestado em testes posteriores, que encontraram escolhas não explicadas por ele.[40]
  • A heurística de escolher a primeira seleciona a primeira alternativa que vem à mente.[3]

A heurística do padrão aceita a opção já selecionada, e o efeito padrão ocorre quando uma alternativa é escolhida com mais frequência por ter sido apresentada dessa maneira. A força do efeito muda bastante de uma tarefa para outra.[41] Aqui, a apresentação das alternativas dirige a escolha, sem uma busca sequencial por pistas.

Reconhecimento e fluência

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Quando uma de duas alternativas é reconhecida e a outra não, a heurística do reconhecimento escolhe a reconhecida como a de maior valor no critério avaliado, deixando de lado outras pistas.[3][38] Se as duas forem reconhecidas, a heurística da fluência favorece aquela que veio à mente mais depressa.[3]

Ponderação igual e integração de pistas

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Quando todas as pistas recebem o mesmo peso, a heurística de contagem simplesmente soma quantas favorecem cada opção.[3] A heurística da igualdade, também chamada regra 1/N, divide os recursos igualmente entre N alternativas.[nota 26][3][38]

Heurísticas de rastreamento

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Diagrama de uma pessoa correndo para manter constante o ângulo de visão de uma bola no ar
Na heurística do olhar, manter constante o ângulo visual da bola transforma uma trajetória complexa em uma regra simples de movimento.

Ao acompanhar um objeto em movimento, as heurísticas de rastreamento ajustam a ação continuamente.[29] Quem tenta interceptar uma bola pode usar a heurística do olhar e correr de modo a manter constante o ângulo pelo qual enxerga a bola.

Julgamentos sob incerteza

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Esquema do problema dos táxis com veículos azuis e verdes e suas proporções
Em problemas de taxa-base, a semelhança com uma descrição típica pode receber mais peso do que a frequência inicial das alternativas.

A heurística da representatividade estima a probabilidade de uma coisa ou de um acontecimento pela semelhança com uma categoria ou um exemplo típico.[42][43] A heurística de disponibilidade estima a frequência ou a probabilidade pela facilidade com que exemplos ou associações vêm à mente.[44]

Na ancoragem e ajustamento, uma informação inicial se torna o ponto de partida das estimativas posteriores, e a correção feita a partir dela pode ser insuficiente.[nota 27][11] A heurística do afeto permite que reações emocionais rápidas orientem uma avaliação de risco ou benefício.[45][46]

Heurísticas sociais

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Vieses inconscientes e dinâmica de grupo podem alterar decisões coletivas. A imitação e a combinação de julgamentos precisam ser avaliadas com cuidado nesse tipo de situação.

Quando a decisão toma a conduta alheia como pista, entram em ação heurísticas sociais de imitação, reciprocidade ou combinação de julgamentos.[3] A imitação pode seguir a maioria do grupo ou a pessoa que obteve o melhor resultado. A estratégia olho por olho começa cooperando e, a partir daí, repete a última ação do parceiro.[38] A Sabedoria da multidão combina avaliações e funciona melhor quando os erros individuais não caminham todos na mesma direção. A pressão social pode diminuir a diversidade e a independência das estimativas.[47] Na psicologia política, a origem de uma mensagem pode orientar o julgamento quando a informação é limitada.[48] Em um experimento sobre desinformação, as correções diminuíram a crença em afirmações falsas. As avaliações dos políticos, porém, só caíram diante de uma quantidade muito maior de informações falsas, e mesmo essa mudança foi pequena.[49] A heurística do merecimento relaciona o apoio a benefícios sociais ao esforço ou à sorte atribuídos aos beneficiários.[50]

Heurísticas científicas e epistêmicas

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Ao produzir e revisar conhecimento, as heurísticas epistêmicas ajudam a escolher quais perguntas fazer e quais caminhos investigar.[nota 28] Na metodologia de Imre Lakatos, a heurística positiva aponta caminhos a seguir e a negativa aponta caminhos a evitar.[51] No ensino de ciências, uma regra pode pedir que o estudante procure mecanismos numa escala menor que a do fenômeno, examine seus elementos e confira se a explicação se ajusta ao que foi observado.[52] O conhecimento também pode ser revisto quando a experiência entra em conflito com a maneira preferida de organizá-lo.[53]

Na construção de teorias, uma heurística pode dar ao pesquisador uma estrutura provisória para organizar o problema. Em Karl Marx, isso ocorre nos modelos de base e superestrutura, organismo social e desenvolvimento dialético.[54] Outros caminhos substituem estruturas discretas por um limite contínuo,[55] procuram reunir explicações numa teoria comum[56] ou buscam princípios de otimalidade.[57] Na neurobiologia de Alan Hodgkin e Andrew Huxley, também foram examinadas heurísticas reducionistas e não reducionistas.[58]

Desempenho, racionalidade e limitações

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Heurísticas e vieses

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Infográfico circular em português que organiza dezenas de vieses cognitivos em quatro grandes grupos
O códice organiza vieses ligados ao excesso de informação, à falta de significado, à necessidade de agir depressa e aos limites da memória. A classificação separa os erros observados das heurísticas que podem produzi-los.

Avaliar uma heurística exige olhar além de sua simplicidade e medir a precisão, a informação necessária, o tempo gasto e os erros produzidos. Regras econômicas e geralmente eficazes podem gerar desvios sistemáticos em tarefas específicas.[11] Mesmo quando chega a uma resposta enviesada, o processamento rápido pode perceber, sem plena consciência, que ela entra em conflito com princípios lógicos ou probabilísticos.[59]

Caixa de ferramentas adaptativa e racionalidade ecológica

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A expressão caixa de ferramentas adaptativa compara as capacidades de decisão a ferramentas escolhidas para trabalhos diferentes. Ela reúne as heurísticas e as capacidades mentais que uma pessoa ou espécie pode combinar para criar regras de decisão, como a memória de reconhecimento, o acompanhamento de frequências e objetos e a imitação.[3][nota 29]

A racionalidade ecológica depende do encaixe entre a estrutura de uma heurística e o ambiente em que ela é usada.[nota 30][19] Observações e experimentos permitem descobrir quais regras as pessoas usam. Modelos formais e simulações ajudam a definir em quais condições cada regra tende a funcionar. A estratégia escolhida por uma pessoa ou organização pode mudar conforme a informação disponível e a previsibilidade do ambiente.[3] Ainda permanecem perguntas sobre o desempenho em ambientes dinâmicos e estratégicos, a aprendizagem sem supervisão e a origem das estruturas ambientais às quais as heurísticas se ajustam.[60]

Risco, incerteza e condições de sucesso

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Gráfico em que o viés diminui e a variância aumenta conforme cresce a complexidade do modelo
A complexidade pode reduzir o viés e aumentar a variância: regras mais simples às vezes generalizam melhor ao evitar o sobreajuste.

Quando há risco, as ações possíveis, seus resultados e suas probabilidades são conhecidos ou podem ser modelados. Na incerteza, parte dessa informação não está disponível.[nota 31] Uma heurística nem sempre troca precisão por menor esforço. Em certos ambientes, ignorar parte da informação reduz o sobreajuste e melhora previsões feitas com amostras pequenas ou pouco previsíveis.[61][3][nota 32] Esse efeito recebe o nome "menos é mais", mas uma regra simples não será superior em qualquer situação. Seu desempenho depende do problema, dos dados e da estratégia usada na comparação.

Efeitos sociais e estereótipos

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Ao avaliar uma pessoa, um objeto ou uma situação que não observou diretamente, alguém pode usar um estereótipo como heurística e aplicar ao caso particular características atribuídas a uma categoria.[62] O jornalista Walter Lippmann chamou os estereótipos de "imagens em nossas cabeças" no livro Public Opinion, de 1922.[63][64] Embora reduzam o esforço mental, essas simplificações podem criar generalizações falsas e sustentar preconceitos.

Áreas de estudo e aplicação

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Psicologia e economia comportamental

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Na psicologia, regras simples ajudam a explicar como as pessoas decidem, julgam e resolvem problemas difíceis com informação incompleta. Os experimentos procuram descobrir quando cada regra é usada e em que ambiente funciona. Uma mesma heurística pode acertar em certas condições e produzir erros sistemáticos em outras.[65]

Na economia comportamental, as heurísticas explicam escolhas que não seguem a hipótese de racionalidade perfeita.[nota 33] Ancoragem, representatividade, disponibilidade e afeto foram examinados em decisões financeiras, consumo, negociação e avaliação de riscos.[43][66] Modelos adaptativos ajustam a conduta futura por meio de retroalimentação, reforço e relações entre estímulos, respostas e resultados.[nota 34][67]

Matemática e educação

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Diagrama que relaciona especialização, generalização e analogia na descoberta matemática
Especialização, generalização e analogia permitem passar de casos conhecidos a conjecturas que depois precisam ser demonstradas.

Antes de chegar a uma demonstração formal, quem resolve um problema matemático pode procurar uma questão parecida, acrescentar uma construção auxiliar, trabalhar de trás para a frente, estudar um caso particular ou tentar uma generalização.[10] No ensino heurístico, o estudante participa da descoberta das relações usadas na solução, em vez de apenas repetir um procedimento pronto.[13] O termo também ocorre em resultados especializados, como o princípio heurístico de Lawrence Zalcman para a teoria das funções complexas.[68]

Medicina e saúde

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Árvore de decisão que encerra cada ramo após uma resposta discriminante
Árvores rápidas e frugais convertem poucas perguntas ordenadas em decisões transparentes, úteis quando tempo e informação clínica são limitados.

Quando há pouco tempo ou falta informação, uma heurística pode tornar o julgamento clínico mais manejável, embora a simplificação também possa introduzir erros.[69] Árvores rápidas e frugais e outras regras explícitas já foram testadas em triagem, diagnóstico e escolhas de tratamento. Elas são comparadas com outros procedimentos pela precisão, pela transparência e pelos recursos que exigem.[37][nota 35]

Como processos rápidos e lentos podem acertar ou falhar, raciocínio rápido, uso de heurísticas e erro não são equivalentes. A qualidade do diagnóstico depende muito do conhecimento disponível e da experiência.[70]

Filosofia

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Modelo do átomo de Bohr com núcleo central e elétrons em órbitas circulares
Usado como recurso heurístico, um modelo científico simplifica certas relações para torná-las analisáveis, sem ser idêntico ao objeto representado.

Quando algo mais simples é usado para compreender outra coisa, ele recebe o nome de recurso heurístico. Um mapa é um exemplo familiar.[nota 36] Um modelo científico também simplifica propriedades do objeto estudado para torná-las mais fáceis de examinar.[71] Histórias e metáforas podem fazer o mesmo. Na República, de Platão, a cidade justa construída no argumento permite investigar a justiça no indivíduo sem precisar ser entendida como um programa político diretamente realizável.[72]

Em filosofia, "heurística" também nomeia uma regra prática, um procedimento ou um método.[9] A filosofia da ciência examina seu uso na criação de hipóteses, modelos e teorias.[71][9] Karl Popper, Imre Lakatos, Lindley Darden e William C. Wimsatt estudaram sua relação com a descoberta científica.[73][9]

Direito e políticas públicas

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Na teoria do direito, sobretudo na análise econômica do direito, regras heurísticas são usadas quando uma avaliação individual de cada caso seria impraticável para a administração pública.[nota 37][74] Normas gerais podem substituir avaliações que exigiriam tempo, informação ou recursos excessivos.

No direito de patentes, um prazo igual para todas as patentes pode não acompanhar o período de retorno econômico de cada produto ou setor, o que levou a propostas de durações diferentes, inclusive para patente de softwares.[75]

Interação humano-computador e design

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Diagrama comparando avaliação heurística e teste de usabilidade em torno da interface de um sistema
Na avaliação heurística, especialistas confrontam a interface com princípios gerais. No teste de usabilidade, pessoas executam tarefas. Cada método localiza problemas de uma maneira diferente.

Na interação humano-computador, a avaliação heurística procura problemas de usabilidade ao comparar uma interface com princípios gerais.[76] A capacidade desses princípios de explicar falhas conhecidas foi comparada com conjuntos de problemas encontrados em interfaces.[77] Nesse uso, a palavra "heurística" se refere a critérios práticos de inspeção, sem precisar explicar o processo mental do avaliador.[2]

Inteligência artificial e otimização

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Dois gráficos com estimativas diferentes do custo restante até a meta em uma busca
Duas funções heurísticas podem ordenar os mesmos caminhos de maneira distinta. A qualidade da estimativa altera o esforço necessário para alcançar o objetivo.

Em sistemas de inteligência artificial, uma função heurística dá um valor aos ramos de um espaço de estados para estimar quais deles podem levar ao objetivo.[nota 38][8] A função pode ser definida pelo projetista ou ajustada por um sistema de aprendizagem que seleciona heurísticas a partir de dados.[nota 39][78] O equilíbrio entre viés e variância explica por que, em certas condições, uma estratégia simples pode prever melhor do que um modelo mais flexível.[3]

Na otimização e na inteligência computacional, problemas reais podem tornar a busca exata lenta ou inviável. Uma heurística construtiva monta a solução elemento por elemento. Uma heurística de vizinhança começa com uma solução viável e tenta melhorá-la.[nota 40] Uma heurística sistemática percorre uma árvore de soluções por regras de ramificação e corte, enquanto os métodos híbridos combinam estratégias. As meta-heurísticas coordenam a exploração do espaço de busca e procuram equilibrar a visita a novas regiões com o exame mais cuidadoso das regiões promissoras.[nota 41] Seus métodos podem acompanhar uma única solução ou uma população de soluções.[12]

As hiper-heurísticas automatizam a seleção, a criação ou a ordem de aplicação de heurísticas de nível inferior. Esse processo também pode usar técnicas de aprendizado de máquina.[78]

Ver também

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Notas

  1. ↑ "Estratégia" é o termo mais amplo para qualquer plano que conduza a um resultado. A heurística é um tipo de estratégia que reduz o trabalho necessário para procurar ou escolher.
  2. ↑ Esses métodos podem examinar mais dados do que uma regra heurística, sem que sejam seus opostos. Cada abordagem convém a certos tipos de problema.
  3. ↑ Um "sistema abstrato" pode ser um modelo matemático ou um programa de computador. Ele não precisa ser uma pessoa nem uma máquina física completa.
  4. ↑ Em álgebra, uma variável é um símbolo, muitas vezes uma letra, usado no lugar de um valor desconhecido ou sujeito a mudança.
  5. ↑ Raciocinar "para a frente" é partir do que já se sabe e procurar as consequências. Trabalhar "para trás" é começar pelo resultado desejado e perguntar o que precisaria ser verdadeiro para chegar até ele.
  6. ↑ "Operação", aqui, é cada passo permitido do procedimento, como comparar dois valores, somar números, mover uma peça ou visitar um ponto de uma rede.
  7. ↑ A repetição é o ponto decisivo. Um viés não é um erro isolado nem simples falta de atenção, mas uma tendência que volta a ocorrer em situações semelhantes.
  8. ↑ Esse limite informa quão distante a resposta poderá ficar da melhor solução possível, mesmo quando a solução exata não é calculada.
  9. ↑ Esse tipo de avaliação é chamado de empírico. A regra é testada e seu desempenho é observado, sem depender apenas de uma garantia matemática.
  10. ↑ Em otimização, "população" não é um grupo de pessoas. É um conjunto de soluções candidatas que o método compara e modifica ao longo da busca.
  11. ↑ Testar todas as opções pode funcionar em um problema pequeno, mas se torna lento ou impossível quando o número de alternativas cresce muito.
  12. ↑ Heurísko é uma transliteração, isto é, a escrita de uma palavra grega com o alfabeto latino.
  13. ↑ Na análise, parte-se do resultado procurado e investiga-se o que seria necessário para obtê-lo. Na síntese, o caminho é reconstruído na direção normal, mostrando como o resultado decorre do que já se conhece.
  14. ↑ Na matemática, uma demonstração não é apenas um exemplo que "deu certo". É um argumento lógico que prova por que a afirmação vale em todos os casos abrangidos.
  15. ↑ Isso não significa escolher qualquer opção. Primeiro se define um nível mínimo aceitável. A busca pode parar quando aparece uma alternativa que atinge esse nível.
  16. ↑ Esses "dois processos" são maneiras teóricas de explicar o pensamento. Não são duas peças do cérebro nem duas personalidades dentro da mesma pessoa.
  17. ↑ A palavra "computação" se refere ao processamento de informação. Ela não quer dizer que o cérebro seja literalmente um computador comum.
  18. ↑ Num labirinto, a situação inicial é a entrada, o objetivo é a saída e as operações possíveis são os movimentos pelos corredores.
  19. ↑ Um "estado" é a situação do problema em certo momento. Num jogo de xadrez, cada disposição das peças no tabuleiro forma um estado diferente.
  20. ↑ O nível de aspiração é o mínimo que a pessoa aceita naquele momento. Ele pode mudar com a experiência, o tempo disponível ou as alternativas encontradas.
  21. ↑ Uma pista é uma informação que ajuda a distinguir as opções. Sua validade mede quanto ela costuma acertar ao prever o critério desejado.
  22. ↑ Um modelo é testável quando prevê o que deverá acontecer numa situação concreta. Se a previsão falhar repetidamente, o modelo pode ser corrigido ou rejeitado.
  23. ↑ SSL vem de strategy selection learning, literalmente "aprendizagem por seleção de estratégias". O modelo explica como a experiência altera a chance de uma estratégia voltar a ser escolhida.
  24. ↑ O atributo-alvo é aquilo que se quer avaliar. O atributo heurístico é a característica mais fácil que responde em seu lugar. Uma pessoa pode trocar "qual é a probabilidade?" por "com que facilidade lembro de um caso?".
  25. ↑ Os dados usados para construir o modelo devem ser separados dos dados usados para testá-lo. Caso contrário, uma regra pode parecer excelente apenas porque foi ajustada aos mesmos exemplos em que está sendo avaliada.
  26. ↑ A letra N é o número total de alternativas. Com quatro opções, a regra 1/N destina um quarto dos recursos a cada uma.
  27. ↑ A "âncora" pode ser relevante, mas também pode ser um número casual. O efeito ocorre quando o valor inicial continua puxando a estimativa mesmo depois de a pessoa tentar corrigi-la.
  28. ↑ "Epistêmico" significa "relativo ao conhecimento", incluindo a maneira como ele é obtido, justificado, organizado ou revisto.
  29. ↑ A expressão é uma metáfora. Assim como uma caixa contém ferramentas para trabalhos diferentes, a mente dispõe de regras para situações diferentes.
  30. ↑ "Ambiente", aqui, é a situação da decisão, com as informações disponíveis, a frequência com que aparecem e o quanto podem ser previstas, não somente o meio natural.
  31. ↑ Um dado comum é um exemplo de risco, pois conhecemos os resultados possíveis e suas chances. Prever o surgimento de uma tecnologia inteiramente nova envolve incerteza, porque não é possível listar com segurança todos os resultados e probabilidades.
  32. ↑ Sobreajuste ocorre quando um modelo aprende detalhes e ruídos dos exemplos usados no treino, mas perde a capacidade de funcionar bem com casos novos.
  33. ↑ Em alguns modelos, a "racionalidade perfeita" supõe que a pessoa conhece as alternativas relevantes, compara todas elas de modo consistente e escolhe a que melhor atende aos seus objetivos.
  34. ↑ O modelo observa o que aconteceu depois de uma escolha. Um resultado melhor aumenta a chance de a estratégia ser usada de novo, enquanto um resultado pior pode diminuí-la.
  35. ↑ Triagem é a avaliação inicial que define a urgência do atendimento ou encaminha a pessoa ao serviço adequado. Ela não substitui um diagnóstico completo.
  36. ↑ O mapa não é o território, mas seleciona relações úteis, como caminhos, distâncias e posições, para que alguém possa entendê-lo ou atravessá-lo.
  37. ↑ Uma regra geral reduz o custo de decidir milhares de casos um por um, mas pode dar o mesmo tratamento a situações que seriam diferentes quando examinadas em detalhe.
  38. ↑ "Custo" e "valor" não precisam significar dinheiro. Podem medir distância, tempo, número de movimentos, consumo de energia ou qualquer quantidade que o sistema tente reduzir ou aumentar.
  39. ↑ Um peso determina quanta força cada informação terá no resultado. Ajustá-lo a partir dos dados significa mudar essa força conforme os exemplos observados.
  40. ↑ "Vizinhança" é o conjunto de soluções alcançáveis por uma pequena mudança, como trocar dois itens de posição numa rota. A palavra não se refere à proximidade geográfica.
  41. ↑ Visitar novas regiões evita que a busca fique presa numa área ruim. Examinar uma região promissora com mais cuidado aumenta a chance de encontrar ali uma solução melhor.

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Leitura adicional

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Ligações externas

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