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Carlo Maria Buonaparte

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(Redirecionado de Carlo Maria Bonaparte)
Carlo Maria Buonaparte
Patrício da Toscana
Retrato atribuído a Anton Raphael Mengs, c. 1766-1779
Dados pessoais
Nascimento29 de março de 1746
Ajaccio, Córsega
Morte24 de fevereiro de 1785 (38 anos)
Montpellier, França
SepultamentoCapela Imperial, Ajaccio, Córsega
EsposaLetizia Ramolino
Descendência
José
Napoleão
Luciano
Elisa
Luís
Paulina
Carolina
Jerónimo
CasaBonaparte
PaiGiuseppe Maria Buonaparte
MãeMaria Saveria Paravicini
ReligiãoCatolicismo
Brasão

Carlo Maria Buonaparte[nota 1] Ajaccio, 29 de março de 1746 – Montpellier, 24 de fevereiro de 1785) foi um aristocrata e político corso, pai do imperador Napoleão e patriarca da dinastia Bonaparte, que reinou na França e boa parte da Europa durante o início do século XIX.

Biografia

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Ajaccio, capital da Córsega, local de nascimento de Carlo Buonaparte.

Carlo Maria Buonaparte nasceu em 27 de março de 1746[1] em Ajaccio, na Córsega, que na época fazia parte da República de Gênova. Era filho de Giuseppe Buonaparte e de Maria Saveria Paravicini. Tinha uma irmã chamada Maria Gertrude, nascida em 1741, e um irmão chamado Sebastiano, nascido em 1743. Uma irmã mais nova, Marianna, não sobreviveu. Sua mãe morreu poucos anos após o seu nascimento e, em 1750, seu pai voltou a casar-se com Maria Virginia Alata, nascida em 1725, com quem não teve filhos.[2]

Os Buonaparte afirmavam descender da nobreza toscana, especialmente de Guglielmo Buonaparte, membro do conselho gibelino de Florença no século XIII, que fugiu para Sarzana quando a cidade passou para o controle dos guelfos. A partir dali, no século XVI, Francesco Buonaparte emigrou para a Córsega em busca de melhores oportunidades e fundou o ramo corsa da família Buonaparte, ao qual Carlo pertencia.[3][4]

Carlo Buonaparte e Letizia Ramolino.

Carlo iniciou estudos de jurisprudência em Pisa. Em 1763 seu pai faleceu e, ao mesmo tempo, seu tio, o arquidiácono Luciano Buonaparte, propôs que ele se casasse com a jovem nobre Letizia Ramolino, de quatorze anos, também natural de Ajaccio e de origem italiana. A herança paterna somada ao dote de Letizia, que poderia render cerca de dez mil francos por ano, convenceu Carlo a abandonar os estudos e retornar a Ajaccio. Em 2 de junho de 1764 ele se casou com Letizia, que lhe daria treze filhos, dos quais oito sobreviveriam.[4][5][6]

Logo após o casamento, Carlo tornou-se secretário do patriota republicano Pasquale Paoli, líder do principal movimento independentista da ilha. Em 1766 ele viajou a Roma como embaixador junto ao Papa Clemente XIII. Retornou apressadamente a Ajaccio em 1768, aparentemente por causa de um relacionamento adúltero com uma mulher casada que terminou de maneira desfavorável. Durante o período de seu retorno ocorreu a cessão da Córsega à França e a proscrição de Paoli. Em resposta, o líder reuniu seus seguidores nas montanhas de Corte e iniciou uma resistência obstinada, embora sem sucesso. Os Buonaparte, que naquele momento já tinham o recém-nascido José, terceiro filho do casal e o primeiro a sobreviver, estiveram entre os partidários de Paoli e o acompanharam, apesar de Letizia estar novamente grávida, desta vez do futuro Napoleão. Posteriormente, quando a guerrilha de Paoli foi definitivamente derrotada, a família conseguiu integrar-se à nova elite política francesa e estabeleceu amizade com o governador Charles René de Marbeuf.[7] Essa relação mostrou-se proveitosa. Além de impulsionar a carreira política de Carlo, René também se encarregou de garantir bolsas de estudo para José e Napoleão no Collège des Oratoriens de Autun e, posteriormente, no caso de Napoleão, na prestigiosa Academia Militar de Brienne.[8]

Retrato postúmo de Carlo Buonaparte, por Anne-Louis Girodet.

Quanto a Carlo, em 1769 ele obteve o reconhecimento de nobreza, confirmado em 13 de setembro de 1771, que o reconhecia como "Nobre Patrício da Toscana", além do doutorado em direito em 27 de novembro de 1769, apesar de nunca ter concluído formalmente seus estudos. Em 20 de setembro de 1769 foi eleito deputado da Córsega graças ao apoio de Charles René, o que deu início a uma sequência de cargos cada vez mais prestigiosos. Em abril de 1770 foi agraciado com a recém-criada Ordem Nobre Corsa. Em 11 de dezembro de 1769 tornou-se advogado do Conselho Superior da Córsega e, em outubro de 1770, foi nomeado Procurador Substituto do rei da França em Ajaccio. Em fevereiro de 1771 passou a exercer o cargo de assessor da Real Jurisdição de Ajaccio. Em 13 de setembro de 1771 tornou-se Deputado da Nobreza nos Estados Gerais da Córsega. Em maio de 1772 foi nomeado membro do Conselho dos Doze Nobres de Dila, na Córsega Ocidental. Em julho de 1777 tornou-se Deputado da Nobreza da Córsega junto à Corte Real da França e, finalmente, em 1778 foi nomeado representante da Córsega na corte de Luís XVI da França em Versalhes.[9][10]

Apesar dessas conquistas, Buonaparte não se sentia satisfeito. Ele desperdiçou grande parte de suas finanças em tentativas de adquirir mais terras e rendas, enquanto o restante alimentava sua paixão pelo jogo de azar. Em uma anotação de seu diário escreveu que "em Paris recebi quatro mil francos do rei e uma compensação de mil coroas do governo, mas retornei sem um único centavo".[9]

Enquanto isso, sua saúde se deteriorava. Em 1782 ele foi a Montpellier na tentativa de tratar o que aparentemente era um câncer no estômago.[11] Nada pôde ser feito e Carlo Buonaparte morreu ali em 24 de fevereiro de 1785, aos 38 anos. Deixou sua esposa viúva aos 35 anos, com oito filhos, dos quais seis ainda dependiam dela. O mais novo tinha apenas três meses de idade. A família ficou quase sem recursos devido aos gastos excessivos que ele havia mantido durante os quinze anos anteriores.[12]

Em 1951 seu corpo foi trasladado para a Capela Imperial de Ajaccio, onde foi colocado ao lado do de sua esposa Letizia, que havia morrido em 1836 e fora sepultada ali em 1851.[13]

Descendência

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Retrato NomeNascimentoMorteNotas[6]
Napoleão17 de agosto de 1765Natimorto.
Maria Ana13 de janeiro de 17671 de janeiro de 1768Morreu na infância.
José7 de janeiro de 1768 28 de julho de 1844Rei de Nápoles e Rei da Espanha e das Índias. Casou-se com Júlia Clary, com descendência.
Napoleão15 de agosto de 17695 de maio de 1821Imperador dos Franceses e Rei da Itália. Casou-se pela primeira vez com Josefina Tascher de La Pagerie, sem descendência. Casou-se pela segunda vez com Maria Luísa da Áustria, com descendência.
Maria Ana1770Natimorta.
Maria Ana14 de julho de 177123 de novembro de 1771Morreu na infância.
Natimorto1773
Luciano21 de março de 177529 de junho de 1840Príncipe de Canino e Musignano. Casou-se pela primeira vez com Cristina Boyer, com descendência. Casou-se pela segunda vez com Alexandrina de Bleschamp, com descendência.
Elisa3 de janeiro de 1777 7 de agosto de 1820Princesa de Lucca e Piombino e Grã-Duquesa da Toscana. Casou-se com Félix Baciocchi, com descendência.
Luís2 de setembro de 1778 25 de julho de 1846Rei da Holanda. Casou-se com Hortênsia de Beauharnais, com descendência.
Paulina20 de outubro de 1780 9 de junho de 1825Princesa de Guastalla e Princesa de Sulmona e Rossano. Casou-se pela primeira vez com Charles Leclerc, com descendência. Casou-se pela segunda vez com Camillo Borghese, 6.º Príncipe de Sulmona, sem descendência.
Carolina 25 de março de 1782 18 de maio de 1839 Rainha de Nápoles e Grã-Duquesa de Berg e Cleves. Casou-se pela primeira vez com Joaquim Murat, com descendência. Casou-se pela segunda vez com Francesco MacDonald, sem descendência.
Jerónimo 15 de novembro de 1784 24 de junho de 1860 Rei da Vestfália. Casou-se pela primeira vez com Elizabeth Patterson, com descendência. Casou-se pela segunda vez com Catarina de Württemberg, com descendência. Casou-se pela terceira vez com Giustina Pecori-Suárez, sem descendência.

Notas

  1. ↑ Gráfia original do italiano Buonaparte, posteriormente afrancesada para Bonaparte.

Referências

  1. ↑ Seward 1986, p. 6
  2. ↑ Richardson 1920, p. 85
  3. ↑ McLynn 1998, p. 2
  4. 1 2 Stroud 2014, p. 2
  5. ↑ Harvey 2009, p. 58
  6. 1 2 McLynn 1998, p. 4
  7. ↑ Harvey 2009, pp. 59-60
  8. ↑ Masson 2016, p. 52
  9. 1 2 Seward 1986, p. 9
  10. ↑ McLynn 2011, p. 14
  11. ↑ Herold 2002, p. 18
  12. ↑ McLynn 1998, p. 41
  13. ↑ Decaux 1962, p. 273

Bibliografia

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Ligações externas

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