Advérbio

palavra que modifica o verbo, adjetivo, ou outro advérbio

Advérbio (do latim: adverbium)[1] é a classe gramatical das palavras que expressa uma circunstância (de lugar, tempo, modo, intensidade, etc.), modificando, normalmente, o sentido de um verbo, de um adjetivo, de um outro advérbio ou até de um enunciado inteiro. É formado por palavra de função nominal, como o substantivo, ou pronominal.[2]

Alguns advérbios de intensidade, de lugar, de tempo e de modo podem ser flexionados em grau, sendo que os demais são todos invariáveis.[3]

Existem também as formas analíticas de representar o grau, que não são flexionadas, mas sim, representadas por advérbios de intensidade como mais, muito, etc. Nesse caso, existe o grau comparativo (de igualdade, de superioridade, de inferioridade) e o grau superlativo.[4]

Classificação

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Na foto, uma aranha caminha cuidadosamente na folha. A palavra cuidadosamente é um advérbio de modo.

Os advérbios da língua portuguesa são classificados conforme a circunstância que expressam.[5]

De modo geral, há sete grupos de advérbios na língua portuguesa: de afirmação, de dúvida, de intensidade, de lugar, de modo, de negação e de tempo.[3] No entanto, para Bechara e Câmara, a classificação é prejudicada devido a alta flexibilidade semântica e funcional que é característica dos advérbios.[2]

Advérbios de afirmação

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Indicam opinião ou confirmam algo dito na oração.[3]

Sim, decerto, certamente, efetivamente, seguramente, realmente.[6]

Locuções adverbiais de afirmação

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Sem dúvida, por certo, com certeza, de fato.[6][7]

Advérbios de dúvida

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Apresentam certa incerteza ou hesitação.[3]

Talvez, quiçá, acaso, porventura, possivelmente, provavelmente, eventualmente.[6]

Advérbios de grau (intensidade) ou quantidade

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Muito, pouco, mais, menos, ainda, bastante, excessivamente, sobremaneira, deveras, assaz, demais, bem, tanto, quanto, quase, apenas, mal, tão.[7][6]

Locuções adverbiais de intensidade ou quantidade

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De pouco, de todo, em excesso, por completo.[6][7]

Advérbios de lugar

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Sugerem uma ideia de onde acontecem os fatos citados na oração, às vezes, tornando-se um ponto de referência interno ou externo ao contexto da mesma.[3]

Aqui, aí, ali, cá, lá, acolá, além, longe, perto, dentro, adiante, defronte, onde, acima, abaixo, atrás, algures (em algum lugar), alhures (em outro lugar), nenhures (em nenhum lugar).[6]

Locuções Adverbiais de Lugar

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Em cima, de cima, à direita, à esquerda, ao lado, de fora, por fora.[6]

Advérbios de modo

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Indicam a forma que o processo verbal ocorre. Frequentemente, advérbios terminados em -mente indicam modo.[3]

Bem, mal, assim, depressa, devagar, alerta, rapidamente, lentamente, facilmente (e a maioria dos terminados em -mente).[6][7]

Locuções Adverbiais de Modo

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Às claras, às ocultas, às pressas, à vontade, à toa, de cor, de mansinho, de cócoras, de cor, em silêncio, com rancor, sem medo, frente a frente, face a face.[6][7]

Advérbios de negação

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Não, absolutamente, tampouco, nem.[6][7]

Locuções adverbiais de negação

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De modo algum, de jeito nenhum, de forma nenhuma, em hipótese alguma[6]

Advérbios de tempo

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Indicam quando o processo verbal ocorre. [3]

Hoje, ontem, anteontem, amanhã, atualmente, brevemente, raramente, sempre, nunca, jamais, cedo, tarde, antes, depois, logo, já, agora, ora, então, outrora, ai, quando.[6][7]

Locuções adverbiais de tempo

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À noite, à tarde, de manhã, de vez em quando, às vezes, vez ou outra de repente, hoje em dia.[6][7]

Flexão

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Os advérbios da língua portuguesa são invariáveis em gênero e número, porém flexionam-se em grau. Assim como os adjetivos,[4] admitem dois graus: comparativo e superlativo.[8]

Grau comparativo

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Comparativo de igualdade

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tão + advérbio + quanto (ou como)[9]

Carlos fala tão alto quanto Marcos.

Comparativo de superioridade

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Analítico
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mais + advérbio + (do) que[9]

Carlos fala mais alto do que Marcos.
Sintético
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Para os advérbios bem e mal, as formas de comparativo são sintéticas: melhor/pior (do) que.[2][9]

Carlos fala melhor/pior do que Marcos.

Comparativo de inferioridade

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menos + advérbio + (do) que[9]

Carlos fala menos alto do que Marcos.

Grau superlativo

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O superlativo dos advérbios é absoluto e pode ser formado de dois modos: analítico e sintético.[9]

Analítico

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É construído através do uso de um advérbio de intensidade.[9]

Carlos fala muito alto.

No exemplo anterior, muito é um advérbio de intensidade e alto é um advérbio de modo.[10]

Sintético

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É construído através do uso do sufixo -íssimo.[9]

Carlos fala altíssimo.

Diminutivo com valor de superlativo

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Na linguagem popular, o valor superlativo de um advérbio pode ser expresso por meio de sua forma diminutiva, combinada com o sentido do advérbio original e o contexto das palavras que o acompanham.[2]

Andar devagarinho (muito devagar).[2]

Locução adverbial

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Locução adverbial é a reunião de duas ou mais palavras com valor de advérbio. Geralmente, é formada por preposição + substantivo. A preposição atua como um conector, preparando o substantivo para desempenhar uma função que, essencialmente, não lhe é característica. O substantivo presente na locução pode estar no masculino, no feminino, no singular ou no plural.[2]

As locuções adverbiais podem expressar ideia de: assunto, causa, companhia, concessão, condição, etc.[2]

Carlos saiu às pressas. (indicando modo)
Maria saiu à tarde. (indicando tempo)
Ele virá com certeza. (indicando afirmação)

Adverbialização de adjetivos

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Em muitos casos, adjetivos, mantendo sua flexão de gênero e número originais, podem atuar como advérbio na oração.[2]

Fala claro na hora de sua defesa.[2]
Agora estão vivendo melhor.[2]

Ver também

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Outros projetos Wikimedia também contêm material sobre este tema:
Wikcionário Definições no Wikcionário
Wikilivros Livros e manuais no Wikilivros

Referências

  1. ↑ «Advérbio». Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Priberam Informática S.A. Consultado em 16 de junho de 2026
  2. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Bechara, Evanildo (2019). Moderna gramática portuguesa 39ª, revisada e ampliada ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. pp. 310–319. 716 páginas. ISBN 978-85-209-4319-9
  3. 1 2 3 4 5 6 7 Coelho, Antônio Carlos (2020). Pequeno manual para o ensino de advérbio (Tese de Especialização em Gramática da Língua Portuguesa: Reflexão e Ensino). Belo Horizonte, MG: Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). pp. 27–36
  4. 1 2 Ferraz, José Emmanuel. «Advérbio». Júlio Battisti Livros e Cursos. Consultado em 22 de agosto de 2009. Cópia arquivada em 4 de setembro de 2025
  5. ↑ Nicola, José de; Infante, Ulisses (1992). Gramática Contemporânea da Língua Portuguesa. [S.l.]: Scipione
  6. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 Cipro Neto, Pasquale; Infante, Ulisses (1998). Gramática da língua portuguesa. São Paulo: Scipione. p. 171. 587 páginas. ISBN 9788526233454
  7. 1 2 3 4 5 6 7 8 Chini, Alexandre; Caetano, Marcelo Moraes (2020). Gramática normativa da língua portuguesa: um guia completo do idioma. Brasília: OAB Editora. p. 181. 769 páginas. ISBN 978-65-5819-000-4
  8. ↑ Spadoto, Neuza Terezinha; Paschoalin, Maria Aparecida (1996). Gramática: Teoria e Exercícios. [S.l.]: FTD
  9. 1 2 3 4 5 6 7 Cipro Neto, Pasquale; Infante, Ulisses (2008). Gramática da Língua Portuguesa. São Paulo: Scipione. p. 269. 646 páginas. ISBN 978-852627076-3
  10. ↑ «Flexão do Advérbio». Só Português. Virtuous Tecnologia da Informação. Consultado em 24 de junho de 2015. Cópia arquivada em 13 de abril de 2026


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