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1714 no Brasil

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Anos no Brasil
Cronologia da história do Brasil

1714 foi um ano comum do século XVIII no Calendário Gregoriano. No Brasil colonial, o ano foi marcado pela posse de um novo governador-geral em Salvador, pelo estabelecimento de uma nova Casa da Moeda na Bahia e pela crescente preocupação da Coroa com a segurança das rotas comerciais nas regiões auríferas. Um documento oficial da época descrevia o sertão da capitania da Bahia — que englobava as comunidades mineradoras de Jacobina e Rio das Contas, bem como a região do Rio São Francisco — como um "covil de ladrões", ilustrando a dificuldade de impor a lei da Coroa nas zonas de mineração mais afastadas.[1]

Novo governador-geral e Casa da Moeda na Bahia

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  • Em junho de 1714, tomou posse em Salvador como novo governador-geral do Estado do Brasil Pedro Antônio de Noronha Albuquerque e Sousa, o Marquês de Angeja, que substituía Pedro de Vasconcelos e Sousa. Angeja permaneceria no cargo até 1718, período que coincidiu com a fase de maior produção aurífera da história colonial e com a organização gradual das estruturas fiscais e administrativas das minas.[2]
  • No mesmo ano, foi estabelecida uma nova Casa da Moeda na Bahia, vinculada ao esforço de centralização da fundição e cunhagem do ouro colonial. As Casas da Moeda eram os espaços onde o ouro era fundido em barras, selado com a marca da Coroa e tributado pelo quinto real — o imposto de 20% sobre toda a produção aurífera. A existência de uma Casa da Moeda na Bahia reduzia a necessidade de transportar o ouro bruto pelas longas rotas que iam das minas até o Rio de Janeiro, diminuindo o risco de contrabando e o desgaste físico das comitivas.[3]

Os sertões mineradores da Bahia

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  • Um documento oficial enviado a Lisboa em 1714 descrevia o interior da capitania da Bahia — especialmente as regiões de Jacobina e Rio das Contas, no atual interior baiano — como um "covil de ladrões", caracterização que refletia tanto a ausência de autoridade civil quanto a proliferação de aventureiros, contrabandistas e escravos fugidos que se acumulavam nas novas regiões de garimpo. A questão seria debatida na Corte durante décadas, e só em 1734 seria criada uma nova comarca específica para administrar a região.[4]

A Igreja e a assistência hospitalar colonial

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  • Os Sete Povos das Missões, no atual Rio Grande do Sul, continuavam sob a administração dos jesuítas, que mantinham nos povoamentos guaraníticos uma estrutura social completa: igrejas barrocas, oficinas de artesanato, hospitais, plantações comunitárias e um sistema de ensino que incluía música, canto coral e aprendizado de ofícios. Em 1714, a população missioneira no lado português da fronteira foi estimada em aproximadamente 30 mil habitantes, todos sob a direção dos padres da Companhia de Jesus.[6]

Quadro político

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CargoTitular
Rei de PortugalDom João V (reinado: 1706–1750)
Governador-Geral do Estado do BrasilPedro Antônio de Noronha Albuquerque e Sousa, Marquês de Angeja (1714–1718)
Governador da Capitania de SP e MGBrás Baltazar da Silveira (1713–1717)

Ver também

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Referências

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  1. ↑ BOXER, Charles Ralph. The Golden Age of Brazil, 1695–1750. Berkeley: University of California Press, 1962, p. 224.
  2. ↑ VARNHAGEN, Francisco Adolfo de. História Geral do Brasil. 3. ed. São Paulo: Melhoramentos, 1927, t. IV.
  3. ↑ SALGADO, Graça (org.). Fiscais e Meirinhos: a administração no Brasil colonial. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985, p. 163.
  4. ↑ BOXER, Charles Ralph. The Golden Age of Brazil, 1695–1750. Berkeley: University of California Press, 1962, p. 224.
  5. ↑ GANDELMAN, Luciana Mendes. A Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro nos séculos XVI ao XIX. Niterói: UFF, 2001.
  6. ↑ KERN, Arno Alvarez. Missões: uma utopia política. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1982, p. 193.