Canal do Otário
| Canal do Otário | |
|---|---|
Otário Anonymous, criador do canal | |
| Informações do YouTube | |
| Gêneros | |
| Inscritos | 595 mil (em 11 de abril de 2023) |
| Visualizações | 86 milhões (acumulado até 11 de abril de 2023) |
| Website | www |
Canal do Otário foi uma rede de canais do YouTube[1][2][3] e um website,[4] criada em 4 de fevereiro de 2012[5] por Cláudio Robinson Tapié Pereira,[6] mais conhecido pelo pseudônimo Otário Anonymous,[7] em condição de anonimato antes da revelação de sua identidade, notável pela produção de conteúdo audiovisual de investigação e denúncia sobre campanhas publicitárias enganosas, a alta carga tributária sobre bens de consumo no Brasil, preços abusivos praticados por empresas,[8][9][10] além de irregularidades de políticos, desperdício de gastos públicos e corrupção,[11][12][13] entre a data de criação da rede e meados de 2018. Em 19 de janeiro de 2018, o canal principal somava 694 350 inscritos e 75,664,325 visualizações.[14]
Cláudio costumava apresentar um viés libertário, alinhado ao libertarianismo de direita.[15]
Estrutura da rede
[editar | editar código]O Canal do Otário consistia em uma rede de canais no YouTube e o website gerenciado por Cláudio. O canal principal, de nome de usuário @OtarioAnonymous, foi criado em 4 de fevereiro de 2012[5] e encerrado entre 27 de junho de 2023 e 8 de setembro de 2023[16][17]. Além do canal principal, Pereira mantinha pelo menos dois canais secundários: o Canal do Otário (Sem Palavrão) (@CanalDoOtario), uma versão dos vídeos sem palavrões, ainda ativo,[18] e o CanalDoOtarioReserva (@CanalDoOtarioReserva), também ainda ativo.[19][20]
Origem do canal principal
[editar | editar código]O canal principal surgiu depois que o criador relatou ter se sentido lesado ao comprar um pacote de biscoitos cuja imagem da embalagem não correspondia ao produto. A partir dessa experiência, ele passou a criticar recorrentemente a publicidade enganosa em seus vídeos.[21]
Anonimato
[editar | editar código]Em entrevista ao The Wall Street Journal,[7] Otário Anonymous afirmou que o anonimato protege sua capacidade de se expressar abertamente e permite que os espectadores se identifiquem com ele. Além de usar um saco de papel na cabeça, ele veste terno e luvas brancas para ocultar etnia e idade, e sua voz é alterada para um tom mais agudo.[21][22]
No programa The Noite, do SBT, Otário disse que o anonimato também ajuda a preservar sua integridade física.[23] Em entrevista ao jornal Gazeta, ele declarou manter o anonimato por medo de represálias de empresas de marketing multinível[24] e de pessoas ligadas à política.[25]
Processos
[editar | editar código]Crítica ao Bradesco
[editar | editar código]Em um vídeo de 2014,[26] ele alertou sobre supostas taxas abusivas no fundo Bradesco FIC Referenciado DI Hiperfundo, imitando um assalto a mão armada. O Bradesco considerou o vídeo ofensivo e obteve uma decisão judicial contra o Google em 2012 para removê-lo do YouTube.[27] O Google recorreu e, até pelo menos 2017, não havia removido o vídeo.[7][28]
Crítica aos Correios
[editar | editar código]O vídeo "Correios ou CUrreios",[29] que criticava a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, foi censurado no YouTube Brasil por determinação judicial (embora permanecesse disponível em outros países). O Tribunal Regional Federal da 3ª Região ordenou ao Google que removesse partes do vídeo que exibiam o logotipo da empresa, sob alegação de "uso indevido de marca". A decisão foi proferida em novembro de 2013,[30] mas o vídeo só foi censurado em junho de 2014, após o início do Marco Civil da Internet.[31] No entanto, o juiz federal José Carlos Motta, da 19ª Vara Federal de São Paulo, entendeu que o vídeo expressava apenas descontentamento com o serviço, configurando direito de crítica, e julgou o pedido dos Correios improcedente em outubro de 2014, assegurando a manutenção do vídeo na internet.[32][33]
Conflito com Nando Moura
[editar | editar código]O Canal do Otário envolveu-se em um conflito público com o youtuber Nando Moura. Após uma entrevista cancelada, Otário Anonymous passou a produzir conteúdo com críticas e paródias direcionadas a Moura, incluindo um personagem chamado "Chorão Moura" e produtos derivados.[34] Moura, por sua vez, acusou o criador do canal de ofensas, calúnias e difamação, afirmando que as investidas ocorreram porque ele teria recusado participar do programa de Otário. Em um vídeo de 2021, Moura revelou o nome verdadeiro de Cláudio Robinson Tapié Pereira e declarou ter vencido uma ação judicial contra ele.[35]
Segundo a sentença citada por Moura, o canal do réu criou um personagem (Chorão Moura) para difamar o autor, gerou produtos com essa imagem e obteve renda com a comercialização, o que foi considerado excesso à liberdade de expressão. O juiz condenou Cláudio Robinson Tapié Pereira ao pagamento de R$ 20 mil reais por danos morais, com juros e correção monetária, além de determinar a suspensão da venda dos produtos. A decisão transitou em julgado, não cabendo mais recursos.[6]
Encerramento do canal principal
[editar | editar código]Em meados de agosto de 2023, o canal principal (@OtarioAnonymous) foi repentinamente deletado e a conta no Patreon foi encerrada. A última captura do canal no Internet Archive Wayback Machine data de 27 de junho de 2023, quando o canal ainda estava ativo, com cerca de 593 mil inscritos e mais de mil vídeos disponíveis.[16] A captura seguinte, de 8 de setembro de 2023, já exibia a mensagem "This channel is not available".[17] A maioria dos vídeos foi removida, exceto os disponíveis nos canais secundários do mesmo autor. Nenhuma explicação foi fornecida pelo criador, e suas demais redes sociais permanecem inativas.[carece de fontes] Grande parte do conteúdo passou a ser considerada mídia perdida.[nota 1]
Prêmios
[editar | editar código]- 2012 – Revista Info Exame (Editora Abril) – "Perfil Geek do Ano"[36]
- 2013 – Shorty Awards – Vox Populi Winner em Ativismo[37]
- 2014 – Shorty Awards – Finalista na categoria Ativismo[38][39]
- 2015 – Shorty Awards – Finalista na categoria Ativismo[40]
- 2015 – Webby Awards – Menção honrosa para Filme & Vídeo Online / Serviço Público & Ativismo[41]
Notas
[editar | editar código]Referências
- ↑ «Wayback Machine: Página inicial do canal 'Canal do Otario'». Internet Archive. Consultado em 15 de maio de 2026
- ↑ «Canal do Otário (Sem Palavrão) – YouTube». YouTube. Consultado em 15 de maio de 2026. Cópia arquivada em 8 de março de 2026
- ↑ «CanalDoOtarioReserva – YouTube». YouTube. Consultado em 15 de maio de 2026. Cópia arquivada em 1 de março de 2026
- ↑ «Wayback Machine: Página inicial do site 'www.canaldootario.com.br'». Internet Archive. Consultado em 15 de maio de 2026
- 1 2 «Canal do Otario's YouTube Statistics». Social Blade. Consultado em 15 de maio de 2026. Cópia arquivada em 8 de janeiro de 2025
- 1 2 «Sentença – Processo nº 0018120-51.2013.403.6100» (PDF). Justiça Federal – 19ª Vara Cível de São Paulo. 8 de outubro de 2014. Consultado em 15 de maio de 2026. Cópia arquivada (PDF) em 10 de março de 2016
- 1 2 3 «Brazilians on Social Media at Fore of Free-Speech Battle» (em inglês). The Wall Street Journal. 9 de outubro de 2013. Consultado em 10 de agosto de 2014. Cópia arquivada em 12 de agosto de 2024
- ↑ «Canal do Otário mostra preços abusivos de produtos brasileiros». TecMundo. 28 de agosto de 2012. Consultado em 4 de fevereiro de 2014. Cópia arquivada em 22 de dezembro de 2024
- ↑ «Canal do Otário é referência na Record News». Record News. 20 de janeiro de 2014. Consultado em 12 de agosto de 2014. Cópia arquivada em 15 de maio de 2025
- ↑ Siqueira, D. C. O. (outubro de 2013). «Comunicação e Organizações» (PDF) (em espanhol). Revista Científica da ALACAURP. Consultado em 14 de fevereiro de 2014. Cópia arquivada (PDF) em 29 de março de 2017
- ↑ «Salário dos Políticos». Canal do Otário. Consultado em 21 de dezembro de 2016. Cópia arquivada em 12 de setembro de 2017
- ↑ «Transparência Internacional: Brasil corrupto!». Canal do Otário. 3 de dezembro de 2013. Consultado em 21 de dezembro de 2016. Cópia arquivada em 29 de agosto de 2017
- ↑ Guga Noblat (7 de junho de 2015). «A vida mansa dos políticos mais caros do mundo». Canal do Otário. Consultado em 21 de dezembro de 2016
- ↑ «Estatísticas do Canal OtarioAnonymous». Social Blade. Consultado em 23 de dezembro de 2016. Cópia arquivada em 20 de janeiro de 2018
- ↑ «Impostos Malditos (Sem Palavrões)». Canal do Otário (Sem Palavrão) – via YouTube. 8 de maio de 2013. Consultado em 15 de maio de 2026. Cópia arquivada em 24 de janeiro de 2024
- 1 2 «Captura do canal @OtarioAnonymous em 27 de junho de 2023». Wayback Machine. 27 de junho de 2023. Consultado em 15 de maio de 2026
- 1 2 «Captura do canal @OtarioAnonymous em 8 de setembro de 2023 (canal removido)». Wayback Machine. 8 de setembro de 2023. Consultado em 15 de maio de 2026
- ↑ «Canal do Otário (Sem Palavrão)». YouTube. Consultado em 15 de maio de 2026. Cópia arquivada em 8 de março de 2026
- ↑ «CanalDoOtarioReserva». YouTube. Consultado em 15 de maio de 2026. Cópia arquivada em 1 de março de 2026
- ↑ Descrição do canal principal @OtarioAnonymous menciona ainda um terceiro canal secundário, @CanalDoOtario3, que não está mais disponível. Fonte: Captura do canal principal no Wayback Machine, 27 de junho de 2023.
- 1 2 «'Canal do Otário': página no YouTube alerta sobre armadilha para consumidor». UOL Tecnologia. 7 de fevereiro de 2014. Consultado em 10 de agosto de 2014. Cópia arquivada em 16 de setembro de 2018
- ↑ «Usuários de redes sociais debatem liberdade de expressão no Brasil». The Wall Street Journal (Brasil). 10 de outubro de 2013. Consultado em 12 de agosto de 2014. Cópia arquivada em 10 de janeiro de 2014
- ↑ «Otário, do 'Canal do Otário', revela detalhes de sua vida no 'The Noite'». SBT. 30 de julho de 2014. Consultado em 27 de agosto de 2014
- ↑ «Canal do Otário detona os esquemas de pirâmide». O Pequeno Investidor. 8 de março de 2013. Consultado em 5 de dezembro de 2014. Cópia arquivada em 24 de setembro de 2015
- ↑ «Cidadão que largou tudo para denunciar os abusos de empresas e governos contra o consumidor/contribuinte se mantém anônimo». Gazeta Online. 1 de novembro de 2014. Consultado em 5 de dezembro de 2014. Cópia arquivada em 4 de março de 2016
- ↑ «Hiperfundo Bradesco». Canal do Otário. Consultado em 12 de agosto de 2014. Cópia arquivada em 28 de julho de 2017
- ↑ Andrade, A. P. (28 de novembro de 2012). «10 Mantras de Social Media Marketing». DP6. Consultado em 12 de agosto de 2014. Cópia arquivada em 13 de maio de 2017
- ↑ «Google não deve excluir vídeo que critica serviço oferecido por banco». Consultor Jurídico. 15 de março de 2017. Consultado em 15 de maio de 2026. Cópia arquivada em 4 de abril de 2025
- ↑ «Correios ou Curreios». Canal do Otário. Consultado em 12 de agosto de 2013. Cópia arquivada em 26 de julho de 2017
- ↑ «Ordem judicial». Tribunal Regional Federal da 3ª Região. 25 de novembro de 2013. Consultado em 12 de agosto de 2014. Cópia arquivada em 16 de maio de 2025
- ↑ «Vídeo com críticas aos Correios é retirado do YouTube pela Justiça». Estadão. 1 de julho de 2014. Consultado em 12 de agosto de 2014
- ↑ «Correios não conseguem tirar do YouTube vídeo com críticas à instituição». Conjur. 25 de novembro de 2014. Consultado em 26 de novembro de 2014. Cópia arquivada em 26 de julho de 2025
- ↑ «Vídeo com críticas aos Correios não deve ser retirado do ar». Migalhas. 25 de novembro de 2014. Consultado em 26 de novembro de 2014. Cópia arquivada em 14 de outubro de 2019
- ↑ «Canal do Otario - Eu já sabia covarde...». Nando Moura – via YouTube. 17 de fevereiro de 2021. Consultado em 15 de maio de 2026
- ↑ «Perdeu OTÁRIO...PERDEU!!!». Nando Moura – via YouTube. 29 de julho de 2021. Consultado em 15 de maio de 2026. Cópia arquivada em 25 de maio de 2023
- ↑ «Prêmio INFO 2012: Perfil Geek do ano». Editora Abril. Consultado em 12 de agosto de 2014. Cópia arquivada em 18 de novembro de 2015
- ↑ «Canal do Otário is the Vox Populi Winner at 5th Annual Shorty Awards» (em inglês). Shorty Awards. Consultado em 4 de fevereiro de 2014
- ↑ «Announcing the 6th Annual Shorty Awards finalists!» (em inglês). Shorty Awards. 24 de fevereiro de 2014. Consultado em 24 de fevereiro de 2014. Cópia arquivada em 28 de dezembro de 2025
- ↑ «Justin Bieber, Lena Dunham, Jimmy Fallon Among Shorty Awards Finalists» (em inglês). The Hollywood Reporter. 24 de fevereiro de 2014. Consultado em 12 de agosto de 2014
- ↑ «Shorty Awards 2015: Nominees Include Shonda Rhimes, Chris Pratt, Laverne Cox». The Hollywood Reporter. 2 de março de 2015. Consultado em 27 de outubro de 2015. Cópia arquivada em 26 de fevereiro de 2021
- ↑ «19th Annual Webby Awards: Honorees for Online Film & Video / Public Service & Activism» (em inglês). Webby Awards. 7 de abril de 2015. Consultado em 27 de outubro de 2015. Cópia arquivada em 9 de abril de 2015
Ligações externas
[editar | editar código]- Anonimato
- Blogueiros do Brasil
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