Temer se afasta de Dilma, que fala em mudar governo
Vice reclama de 'intrigas e fofocas' e entrega fun��o de articulador pol�tico
Presidente anuncia redu��o de minist�rios e convoca entrevista para justificar nova medida contra a crise
O vice-presidente Michel Temer comunicou � presidente Dilma Rousseff que deixar� a fun��o de principal articulador pol�tico do Pal�cio do Planalto, obrigando-a a buscar novas medidas para contornar a profunda crise em que seu governo mergulhou.
Temer reuniu-se com Dilma na manh� desta segunda (24). Contrariado com o que descreveu como um "ambiente de intrigas e fofocas", avisou que n�o cuidar� mais da distribui��o de cargos e verbas para os partidos que d�o sustenta��o ao governo no Congresso.
Na pr�tica, Temer devolveu a fun��o que Dilma havia delegado a ele em abril, numa de suas primeiras tentativas de pacificar a rela��o com o Congresso, onde sofreu derrotas sucessivas desde o in�cio de seu segundo mandato.
O afastamento do vice tende a aumentar o distanciamento entre Dilma e o PMDB, partido que � presidido por Temer, comanda a C�mara dos Deputados e o Senado e � o principal aliado do PT.
Logo depois da reuni�o com o vice, Dilma autorizou seu ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, a anunciar uma reforma administrativa com o objetivo de eliminar dez dos seus 39 minist�rios e mil cargos at� setembro.
O an�ncio foi feito de maneira repentina e sem que fossem oferecidos detalhes sobre os cortes, que dever�o aumentar ainda mais a tens�o entre o governo e os seus aliados.
Horas depois, Dilma convocou a Folha e outros dois jornais para uma entrevista, em que admitiu ter errado ao subestimar a gravidade da crise econ�mica no ano passado e defendeu a redu��o do n�mero de minist�rios, ideia que combateu durante a campanha eleitoral.
Temer vinha demonstrando insatisfa��o h� meses. A gota d'�gua foi uma disputa pela libera��o de R$ 500 milh�es em verbas destinados pelo Or�amento a projetos em redutos eleitorais de pol�ticos aliados.
O ministro da Avia��o Civil, Eliseu Padilha, que � do PMDB e tem auxiliado Temer na articula��o pol�tica, obteve o compromisso de que o dinheiro sairia, mas o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, barrou sua libera��o.
Na reuni�o desta segunda, Temer anunciou que sairia da linha de frente da coordena��o pol�tica e disse que continuaria � disposi��o para ajudar com a "macropol�tica" e as vota��es no Congresso.
Em seguida, Dilma e o ministro da Casa Civil, o petista Aloizio Mercadante, seu principal auxiliar, discutiram com Temer e Padilha o novo desenho da articula��o pol�tica.
O vice se queixou das "intrigas e fofocas" que surgiram nas �ltimas semanas, ap�s a entrevista em que ele disse que "algu�m" precisava reunificar o pa�s. Os petistas interpretaram a fala de Temer como uma tentativa dele de se credenciar para assumir o poder em caso de impeachment ou ren�ncia de Dilma.
A presidente recha�ou as especula��es, disse que o discurso de Temer fora combinado com ela e afirmou que o peemedebista era "imprescind�vel" para o governo e que "sair agora" seria "ruim" para o Planalto. Diante da insist�ncia do seu vice, Dilma aceitou suas condi��es.
O vice vinha sendo pressionado pelo pr�prio PMDB a se afastar. Na sexta-feira (21), o presidente da C�mara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), sugeriu que Temer antecipasse o congresso do PMDB, marcado para novembro, para discutir o rompimento com o governo.
Ap�s comunicar sua decis�o a Dilma, Temer se reuniu com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o l�der do PMDB no Senado, Eun�cio Oliveira (PMDB-CE), para alinhar um discurso mais cauteloso e evitar, nas palavras de um aliado do vice, "explos�es precipitadas".
Renan pediu cautela, dizendo que qualquer "movimento brusco" do vice agora aumentaria a instabilidade e daria muni��o para as alas do PMDB que querem romper com o governo logo. (ANDR�IA SADI, MARINA DIAS, NATUZA NERY E VALDO CRUZ)

