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Foi em 2007 quando a nossa entidade lan�ou a primeira campanha expl�cita para reclamar um Dia das Letras, o de 2009, para o ferrolano Ricardo Carvalho Calero. A� come�ou tamb�m a s�rie consecutiva de negativas expl�citas da Real Academia Galega a essa e a cada umha das peti�ons que posteriormente realiz�rom outras entidades do Pa�s.
Posteriormente, a Funda�om Art�bria preferiu dedicar as suas energias a outras tarefas, evitando entregar � RAG umha centralidade que nom merecia e que o pr�prio Carvalho tinha questionado em vida. Durante todos estes anos, continuamos a desenvolver todo o tipo de actividades de promo�om da figura e obra de Carvalho Calero, em solit�rio ou em colabora�om com outros muitos coletivos locais e nacionais.
Sab�amos que era questom de tempo que a RAG se visse obrigada a assumir a homenagem que o povo galego deve a um dos seus grandes filhos: o Carvalho antifascista, republicano, nacionalista, literato, ensa�sta e defensor da nossa l�ngua, com umha perspectiva inequivocamente reintegracionista.
Esse momento chega agora, com vinte anos de atraso, pois foi a partir do ano 2000, dez anos depois do seu falecimento, que a dedicat�ria do Dia das Letras se podia ter produzido. O sectarismo da RAG impediu-no.
Como � habitual nalguns setores acobardados e oportunistas do oficialismo cultural, a RAG atribuiu ao povo galego umha car�ncia que correspondia � pr�pria entidade interpelada: a de nom estar "preparado" para umha homenagem a um vulto tam "pol�mico". Certamente, a homenagem da oficialidade chega tarde, pois a divulga�om do ide�rio ling��stico de quem foi primeiro catedr�tico de L�ngua e Literatura Galegas teria ajudado a avan�ar a consci�ncia nacional galega e estes som, nessa medida, anos perdidos.
Nom temos, portanto, nada que agradecer � Real Academia Galega, que dever� acrescentar � sua hist�ria a vergonha de negar durante duas d�cadas a homenagem devida a Carvalho Calero, polo simples facto de ser reintegracionista: defensor conseq�ente da unidade ling��stica galego-luso-brasileira. Conseq�entemente, e como defensor de umha Galiza soberana, foi cr�tico da ideologia isolacionista que alimentava e ainda alimenta a Galiza auton�mica.
O nosso povo merece um confronto aberto de ideias que nos permita escolher livremente o melhor caminho para a completa recupera�om da nossa l�ngua, da nossa cultura e da nossa na�om. Oxal� seja poss�vel faz�-lo durante este ano de maneira ampla e sem sectarismos.
Essa ser� a aposta da Funda�om Art�bria, aberta � colabora�om com todo o movimento normalizador de base existente no nosso pa�s, sem exclusons, e dando continuidade ao que foi um dos nossos objetivos fundacionais desde in�cios da d�cada de 90 do s�culo passado at� o presente: a defesa do legado intelectual de Ricardo Carvalho Calero.
Ferrol, 23 de junho de 2019
Bom dia a todos e a todas,
Mais um ano, e j� � f�cil perdermos a conta dos que vam, reunimo-nos ao p� das ru�nas da casa natal de Ricardo Carvalho Calero para reivindicar nom s� a sua figura e o seu papel na hist�ria da Galiza do s�culo XX, lembrando que nasceu e morreu praticamente com o s�culo passado; mas tamb�m, e sobretodo, o legado te�rico que, elaborado por ele a partir de umha experi�ncia de luita e compromisso, ajudou a levantar na pr�tica projetos concretos para a nossa constru�om nacional.
A Funda�om Art�bria tem j� umha trajet�ria suficiente que merece que nomeemos a nossa entidade como um desses projetos concretos surgidos nom da cabe�a de Carvalho, mas si com ajuda das ideias e propostas que ele elaborou e que muitos e muitas de n�s, como parte do povo galego, figemos pr�prias para trabalhar polo Pa�s e pola l�ngua.
Cada ano que nos juntamos aqui, primeiro ao p� da casa e depois ao p� das ru�nas da casa da rua Sam Francisco, reafirmamos as suas ideias para a recupera�om plena da nossa l�ngua como ve�culo principal de expressom do nosso povo. Especialmente a utilidade pr�tica que para isso tem a unidade ling��stica entre a Galiza e o �mbito internacional que fijo do galego umha das l�nguas mais faladas do planeta. Algo que as institui�ons galegas continuam sem assumir, apesar das evid�ncias a favor do reintegracionismo ling��stico. Da mesma forma que a casa natal de Carvalho, a nossa l�ngua deteriora-se cada ano sem que sejam tomadas as medidas necess�rias para a sua recupera�om.
Tamb�m constumamos reivindicar o trabalho de Carvalho como cr�tico liter�rio, um referente acad�mico dos estudos de Filologia Galego-Portuguesa at� hoje, sem esquecermos a sua cria�om liter�ria em praticamente todos os g�neros: a narrativa, o teatro e a poesia, sendo esta a que mais o satisfazia como autor.
Por�m, nesta ocasiom, deixai-me que reivindique especialmente o seu papel c�vico e pol�tico como luitador antifascista, na juventude, numha das piores regressons do Estado espanhol para posi�ons reacion�rias, a partir do golpe de 1936. A� ele assumiu um compromisso como home de esquerda e patriota galego para fazer frente ao fascismo. Um compromisso que ele nom pagou, como milhares de galegos e galegas, com a sua vida, mas si com prisom e repressom, tingida de ostracismo, praticamente o resto da sua vida.
� umha hist�ria bem conhecida, a que o levou da defesa armada da Rep�blica � prisom por dous anos, acusado de ?separatismo?, e � perda do seu posto de trabalho como funcion�rio p�blico, obrigando-o a come�ar do zero depois da guerra.
Ao contr�rio de alguns ex-companheiros de gera�om, Carvalho nunca se integrou no aparelho ideol�gico e de legitima�om franquista. Mantivo lealdade ao seus ideais de juventude e aos companheiros ca�dos. E deu, no resto da sua vida, novas amostras de compromisso com a constru�om da Galiza como pa�s, no �mbito de produ�om intelectual que lhe correspondia. A sua aposta reintegracionista foi umha dessas amostras, que ajud�rom a revitalizar a l�ngua, a literatura e a cultura galegas, especialmente nos anos 70 e 80.
Agora que a l�ngua precisa de novos compromissos, � mais necess�rio que nunca reivindicarmos Ricardo Carvalho Calero. E agora que a vaga reacion�ria amea�a novamente com esmagar direitos conquistados por d�cadas de luitas sociais, com o fascismo ganhando novo f�lego e mesmo protagonizando agressons impunes nas nossas ruas, o exemplo antifascista de Ricardo Carvalho Carvalho tamb�m deve ajudar-nos a fortalecer e necess�ria resposta coletiva.
Pola parte que nos toca, a Funda�om Art�bria renova neste dia o seu compromisso com os valores de constru�om nacional e social que Carvalho representa, inclu�do o firme compromisso de luita antifascista. Convidamos-vos a participar nessa imprescind�vel tarefa coletiva.
Em nome da Junta Diretiva, muito obrigado por virdes e viva a Galiza soberana e antifascista!
Cada ano que a RAG renega dele, Carvalho Calero � mais reconhecido autor das Letras Galegas!
Ap�s umha d�cada de reclama�ons procedentes de diversos coletivos culturais de base para que a Real Academia Galega dedique um Dia das Letras a Ricardo Carvalho Calero, por m�ritos bem conhecidos e indiscut�veis, a RAG continua a negar-se.
A atitude de desprezo d�i, nom polo que podam pensar muitos membros da RAG, mas pola referencialidade que essa entidade centen�ria mant�m ainda em alguns setores.
A atitude institucional e parainstitucional frente a umha figura de grande relevo intelectual e compromisso com o Pa�s, como � a de Carvalho Calero, � muito grave, porque nom � com sectarismo sistem�tico que se fai um pa�s, nem negando-se a reconhecer quem, legitimamente, pensa de maneira diferente ao que marcam os c�nones auton�micos.
Se algo tem mostrado esta d�cada de nega�om constante � a vitalidade das ideias ling��sticas que Carvalho representa, sendo elas precisamente as que explicam a censura da RAG e o sil�ncio c�mplice da Junta da Galiza.
O tecido associativo de base que durante esta d�cada reclamou o reconhecimento oficial de Carvalho Calero nom o fijo para convencer a RAG de nada. Figemo-lo para garantir que as ideias de Carvalho, compartilhadas por importantes setores do galeguismo j� desde muito antes de a RAG existir, pudessem ser conhecidas por mais e mais galegos e galegas.
� por todo isso que, faga o que figer a RAG em futuros Dezassetes de Maio, Carvalho continuar� a ser lembrado e reivindicado por cada vez mais galegos e galegas que rejeitam o sectarismo e apelam �s ideias avan�adas de quem foi primeiro Catedr�tico de L�ngua e Literatura Galega.
Continuaremos a difundir a obra de um dos grandes da nossa hist�ria contempor�nea, autor de umha significativa obra liter�ria nos mais diversos g�neros e destacado te�rico do reintegracionismo ling��stico.
Enquanto houver Povo Galego, garantimos que Carvalho ter� um lugar na mem�ria e na pr�tica coerente em defesa da Galiza e da sua l�ngua.
Galiza, julho de 2018
Associa�om de Estudos Galegos (AEG)
Associa�om Galega da L�ngua (AGAL)
BRIGA
Coletivo Terra (Eume)
CS A Galheira (Ourense)
CS A Gentalha do Pichel (Compostela)
CS Gomes Gaioso (Corunha)
CS A Revolta (Vigo)
CS Fuscalho (Baixo Minho)
CS Madia Leva (Lugo)
CS Xebra (A Marinha)
Di�rio Liberdade
Escolas de Ensino Galego Semente
Funda�om Art�bria (Trasancos)
GalizaLivre
Local Social Faisca (Vigo)
SCD do Condado (Condado)
A Funda�om Art�bria, entre as 16 entidades que subscreve o manifesto reintegracionista de base organizado para a participa�om na manifesta�om do pr�ximo Dia das Letras, que decorrer� a pr�xima quinta-feira em Compostela. Como � habitual no 17 de maio haver� reivindica�om ling��stica nas ruas da Galiza, convocada pola Plataforma Queremos Galego na que participaremos milhaes de galegas e galegos.
Eis os 16 coletivos aderidos ao chamado Bloco Reintegracionista, popularmente conhecido como Bloco Laranja:
A Gentalha do Pichel , Ardora, Associa�om de Estudos Galegos (AEG), Associa�om Xebra, Briga, Centro Social Fa�sca, Centro Social Fuscalho, Centro Social Gomes Gaioso, Centro Social M�dia Leva, Centro Social Revolta, Coletivo Terra, Escolas de Ensino Galego Semente, Di�rio Liberdade, Funda�om Art�bria, Portal Galizalivre, Sociedade Cultural e Desportiva do Condado.
A cita para conformar o Bloco reintegracionista ser� �s 11.45hs na Est�tua das Marias.
Avante o reintegracionismo de base!
A continua�om reproduzimos o manifesto difundido polas entidades convocantes do Bloco Reintegracionista.
A falar ao mundo com os p�s na terra!
A situa�om da comunidade ling��stica galega � preocupante. A falta de soberania do nosso pa�s tem expressom na destrutura�om do idioma, cada vez mais reduzido a um papel secund�rio, frente ao protagonismo e privil�gios de todo o tipo que as institui�ons conferem ao espanhol.
� verdade que existem determinadas normas legais e instrumentos institucionais, mesmo alguns meios p�blicos de comunica�om, que ainda reservam certo papel ao galego, o que mostra que o nosso povo ainda nom o abandonou. Por�m, a degrada�om � vis�vel, mostrando o desprezo dos governos auton�micos e a incapacidade de concelhos e deputa�ons com maiorias teoricamente pr�-galego para articular estrat�gias de avan�o social para o nosso idioma.
Nom h� d�vida que, sem umha maior pressom popular, o Estado espanhol e as suas diversas continuar�m a trabalhar em contra os nossos interesses ling��sticos. Da� a import�ncia da auto-organiza�om em defesa da galeguiza�om de espa�os como o ensino e os meios p�blicos, assi como o das rela�ons laborais, a produ�om, o consumo e a cultura.
Tamb�m devemos valorizar iniciativas de agrupamento dos setores sociais ativamente favor�veis ao idioma em todo o tipo de coletivos ?musicais, culturais, educativos, desportivos, sindicais, etc? para defender coletivamente o direito � l�ngua.
Entre as ferramentas de que dispomos para enfrentar o desafio hist�rico de recuperar o idioma, est� o reintegracionismo, entendido como recurso que situa o galego onde lhe corresponde, como parte de um dos maiores espa�os ling��sticos do mundo, capaz de responder a todas as necessidades de umha sociedade do s�culo XXI, como � a galega.
Fora de qualquer tenta�om elitista ou individualista, consideramos o reintegracionismo um recurso coletivo que facilita que toda a popula�om galega dialogue com todos os povos que j� fig�rom seu o nosso idioma, afirmando a sua pr�pria identidade nacional na variante galega da l�ngua comum.
Nom ser� s� o reintegracionismo que possibilite a plena recupera�om do idioma. � preciso que um setor maiorit�rio do nosso povo aposte ativamente na recupera�om plena dos direitos coletivos para que isso seja poss�vel. � preciso reclamarmos a prioridade legal e efetiva do galego frente a qualquer outro idioma. Por�m, a incorpora�om da Galiza ao espa�o internacional que fala a nossa l�ngua poder� ajudar-nos a ser um povo ling�isticamente soberano e aberto ao di�logo com todos os povos do mundo.
O autonomismo ling��stico, a teima oficialista em virar costas �s variantes portuguesa e brasileira da nossa l�ngua, reduzindo-nos a quatro prov�ncias espanholas, mostra umha voca�om de depend�ncia e confirma a condena imposta � nossa l�ngua, que esmorece e pode acabar por ficar reduzida � irrelev�ncia social.
Indo muito al�m das limita�ons impostas polas institui�ons e polas insufic�ncias legais, os coletivos que participamos neste Bloco Reintegracionista de Base, participantes dia a dia nas mais variadas din�micas populares pola soberania cultural e ling��stica, reafirmamos a aposta numha Galiza em galego, soberana e que fale ao mundo com os p�s na terra.
Compostela, 17 de maio de 2018