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   17h03 - 29/06/2002

Alemanha chega � final calando os descrentes

Por Lia Abbud

S�O PAULO (Reuters) - A Alemanha que chegou � Copa da �sia desacreditada em nada lembrava a sele��o tricampe� mundial que assustava os advers�rios e contava com jogadores que carregavam as esperan�as dos torcedores fan�ticos por futebol do pa�s.

Depois de um grande fracasso na Eurocopa de 2000 -- foi eliminada na primeira fase --, a Alemanha ganhou novo t�cnico. Rudi Voeller, que jogou como atacante em tr�s Copas do Mundo, levantando a ta�a de campe�o em 1990. Ele assumiu a sele��o e promoveu mudan�as radicais, como a renova��o da equipe.

Na campanha das eliminat�rias, no entanto, a Alemanha foi goleada pela Inglaterra por 5 x 1, em Munique, e s� conseguiu a vaga na repescagem europ�ia, vencendo com facilidade a Ucr�nia no �ltimo jogo por 4 x 1.

J� desacreditada rumo � Copa, a Alemanha sofreu mais um golpe. Alguns de seus principais jogadores, como Sebastian Deisler, Christian Woerns, Marco Rehmer, Jens Nowotny e Mehmet Scholl foram cortados pouco antes do in�cio da competi��o, e Michael Ballack, um dos poucos que restou, n�o estava 100 por cento em forma �quela �poca.

Mais um exemplo da pouca f� na sele��o -- a Associa��o de Futebol da Alemanha dispensou a cota de ingressos a que tinha direito caso sua sele��o se classificasse para a final. Agora, corre atr�s do erro.

Aqueles que sonhavam que Rudi Voeller poderia conseguir a mesma fa�anha de Franz Beckenbauer e do brasileiro Zagallo -- de vencer o Mundial como jogador e como treinador -- j� n�o acreditavam mais nessa possibilidade, diante de tantos problemas no percurso.

Voeller, no entanto, n�o estava t�o descrente assim. "Nosso objetivo m�nimo � chegar �s oitavas-de-final e, depois disso, podemos causar algumas surpresas", disse ele em 31 de maio, dia do in�cio da Copa do Mundo de 2002.

Dito e feito: a Alemanha n�o s� chegou �s oitavas-de-final como surpreendeu ao passar pelas quartas e pela semifinal. E aqueles que n�o acreditavam que ele poderia vencer um Mundial tamb�m como t�cnico, tiveram que ficar quietos.

E conseguiu mais. Oliver Kahn fechou o gol alem�o. Sofreu apenas um gol em toda a competi��o, contra a Irlanda, partida que acabou em 1 x 1.

TRAJET�RIA

Logo em sua estr�ia na Copa, a Alemanha espantou, para bem longe, o fantasma do fracasso, goleando a Ar�bia Saudita por 8 x 0. Apesar de ter sido um advers�rio fraco, o resultado serviu para devolver a auto-estima aos jogadores.

Na partida seguinte, 1 x 1 com a Irlanda, que empatou nos minutos finais. Camar�es, o �ltimo advers�rio da primeira fase, levou dois gols e n�o marcou nenhum.

Na segunda fase, foram jogos sofridos contra Paraguai, Estados Unidos e Cor�ia do Sul, todos terminando em 1 x 0.

A defesa � o ponto forte da sele��o. Depois de perder alguns defensores fundamentais devido a contus�es, Voeller teve que montar uma nova defesa para a Copa.

"Eu corri riscos, mas os jogadores que escolhi fizeram exatamente o que combinamos", disse o t�cnico depois da vit�ria sobre a Cor�ia do Sul na semifinal.

E, claro, o grande astro da defesa � o goleiro Oliver Kahn, que est� entre os 16 jogadores da sele��o da Copa da Fifa e um dos indicados ao pr�mio de Melhor Jogador da Copa. "N�s sab�amos que se quis�ssemos ir longe nesta Copa do Mundo precisar�amos do fant�stico Oliver Kahn."

Agora, na disputa final contra o Brasil, todas as esperan�as recaem sobre o goleiro. Franz Beckenbauer at� brincou com Carlos Alberto Parreira, ex-t�cnico da sele��o brasileira, dizendo que os incr�veis atacantes brasileiros Ronaldo, Ronaldinho e Rivaldo teriam problemas com Kahn. Mas Parreira respondeu com humor dizendo que Kahn � que teria problemas com eles.

Vale lembrar, no entanto, que Kahn � o �nico jogador em quem Beckenbauer parece realmente confiar. At� o jogo da semifinal, ele dizia que se n�o fosse por Kahn, a sele��o j� estaria em casa h� muito tempo.




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